7 Sinners
1 Dia 1 - Ira
Notas iniciais
Por que tudo sempre acontece comigo? Alguém poderia me responder essa pergunta?
Ah sim, verdade. Vocês ainda não me conhecem. Me chamo é Adervaldo e minha desgraça já começa pelo nome. Por que meus pais fizeram isso comigo? O que eles estavam pensando? Para falar a verdade, eu sei o que eles estavam pensando.
Veja bem, na hora de escrever o meu nome, que deveria ser Daniel, meu querido pai estava bêbado, então escreveu a primeira coisa que veio na cabeça. Adervaldo. Mas isso é outra história...
Meus amigos me chamam de Ira, pois dentro de mim, há o espírito deste pecado capital. Por que? Ah... se eu soubesse estaria feliz.
O pior é que esse pecado nem combina comigo. Geralmente sou uma pessoa calma, centrada e me controlo ao máximo para não me descontrolar. E isso fica pior, devido ao meu segundo problema: sou muito azarado. Não, não é birra. É sério!
Veja bem, cada um de nós sete (Sim, somos em sete. Típico, né?), tem algumas habilidades especiais. Agora, não sei se foi Deus ou o Demônio que estipulou isso, principalmente porque sou ateu, mas, aparentemente, azar é um poder.
Eu literalmente atraio azar. É como se ele gostasse tanto de mim que não me largasse. Outro dia mesmo, eu acidentalmente beijei uma senhora de 74 anos. Consegue imaginar!? Eu tenho 15 anos!
Mas isso também é outra história.
O problema é que tudo acontece comigo. Como hoje de manhã.
–o-o-o-o-o-o-o-
Saí de casa cedo, afinal, não sou rico nem nada, preciso pegar o metrô.
Cheguei na estação e percebi que precisava comprar a passagem, pois havia esquecido meu bilhete em casa. Olhei para a fila e sorri. Estava lotada.
Demorei dez minutos para conseguir comprar o cartão. Passei pela catraca e fui esperar o trem.
Senhores passageiros, os trens dessa linha pararam de funcionar por motivos técnicos. Pedimos desculpas pelo transtorno e estamos nos esforçando para consertar o problema.
"Hoje até estou com sorte!", pensei. No dia anterior, eu havia ficado preso dentro do trem.
Apesar de sair as 5 da manhã de casa, para uma aula que começa as 7 e ir até uma escola que fica há 38 minutos de metrô, da minha casa, cheguei 20 minutos atrasado.
–Devia dormir mais cedo para chegar no horário. — esse fora o cumprimento da minha querida professora.
–Mas, professora, eu acordei as...
–Tá, tá... Vai se sentar.
Senti que ia ficar com raiva e respirei fundo. Fui até meu lugar e encontrei uma garota sentada nele.
Ela era gorda, feia, com três verrugas do tamanho do mundo enfeitando sua bela face. Suas bochechas eram tão grandes que os olhos se expremiam para encontrar espaço. Seus dentes eram completamente desalinhados e faziam a perfeita harmonia com os medonhos cabelos que ela tinha. Por um instante, fiquei com pena da cadeira.
–Luxúria, por que está no meu lugar?
Sim, essa é a Aline, a garota regida pela Luxúria. Dá para acreditar?
–Pensei que não iria vir. — disse ela, com sua voz que é mais grossa do que a minha.
–Bem, estou aqui. Posso me sentar?
–Não.
–Mas eu preciso me sentar.
–Você parece muito bem de pé.
–Escuta aqui, sua gorda! Eu quero me...
–Adervaldo, sente-se logo! — gritou a professora.
–Professora, eu vou me sentar. — disse, me virando para encará-la — Estou só esperando a Luxú... a Aline sair do meu lugar.
–Do que está falando? — perguntou a professora, senhora Marta — Seu lugar está vazio!
Quando voltei a me virar,Luxúria já estava no lugar dela e me deu um risinho sarcástico. Como ela é irritante!
Respirei fundo mais uma vez e me sentei. A aula decorreu normalmente. Fui atingido na cabeça por um caderno, me colaram na cadeira e recebi uma advertência por dizer boa tarde ao invés de bom dia para um professor.
Falando de problemas pessoais, eu tenho apenas TOC. Transtorno Obssessivo Compulsivo. Quero que tudo esteja arrumado 100% e, pelo menos para mim, considero esse o maior azar do mundo. Como o cara mais azarado do mundo vai manter as coisas no lugar que gostaria?
Quando cheguei em casa, as 19 horas, meus pais já haviam jantado e pensado que eu havia comido fora, portanto, fiquei sem janta. Eu havia saído da escola as 11, mas fui assaltado no meio do caminho e precisei voltar andando. Andei, andei, andei e, depois de duas horas andando, cheguei a conclusão que eu estava perdido. Só fui achar o caminho de volta lá pelas 16 horas...
Como podem ver, aceito as coisas da vida numa boa. Não sou nenhum monstro. Sou tranquilo, muito azarado e não me aborreço fácil. Ainda assim, me meto em confusão.
Quando entrei no meu quarto para fazer lição, abri minha mala que os assaltantes haviam revirado e quase surtei com o que eu vi. Meu livro de matemática tinha uma orelha na capa de 0,35 centímetros e estava ligeiramente machucado no canto superior esquerdo. Precisei de todas as minhas forças para me controlar, mas todo o meu controle desapareceu quando abri meu estojo. Minha lapiseira 0.5 estava arruínada! Havia um riscado na parte de metal, e ele era enorme! Tinha quase 0.5 centímetros!
Meu segundo poder é algo que não sei explicar direito. Quando tenho ataques de raiva, eu apago e só consigo ver as coisas muito tempo depois. E é por isso que estou encrencado por hoje.
Não sei bem o que aconteceu, mas agora, estou na prisão. Meus pais estão a caminho e, aparentemente, encontraram 5 marginais mortos em uma pilha de livros. Um fato engraçado é que todos os livros estavam com apenas uma orelha de 0,35 centímetros na capa e levemente machucados no canto superior esquerdo. Ao que parece, a arma utilizada não é conhecida, mas suspeitam que seja algo como um lápis ou caneta, dado o diâmetro no pescoço das vítimas. Por fim, eles possuem apenas um suspeito, que foi encontrado ao lado da cena do crime: eu.
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