Água não cai do céu

Chovem pregos de gelo

O temível choro dos anjos

O céu mostra que estou certo...


Sob meus pés

A terra se abre em abismos

O vômito dos demônios impregna os homens

O calor é insuportável, cortante...


Estou no meio disso tudo

Sozinho e sem abrigo

Saídas? Se existem, estão bem escondidas

Um frio dos infernos...


Na beira do abismo, arrasto minha foice

A lâmina do luar brilha em sangue mortal

Escuto um bater de chaves, as portas se abrem...

Tudo me leva a um cemitério de anjos


Nunca vi tal criatura

Adaptável, difamatória e parece fumaça

Tanto desaparece como se projeta para falsidade

Humanos... anjos e demônios em um só


Homens, mulheres, crianças

São todos de fato diferentes

Mas agem igual... qual o ganho?

Sou com toda certeza diferente


Mas até que ponto?

Eu não devia beber do rio

Mas cair na Terra me mataria

Agora suporto o tortuoso abraço da dama de ferro

Todo dia... igual e solitário.


Bem e mal realmente brigam eternamente?

Em um único ser humano existe trevas e luz

No bem e no mal pode ser aplicado o mesmo raciocínio

Bem e mal, luz e trevas... qual seria o real significado?


Amor e ódio

Basta um passo, e tudo muda

Inacreditavelmente está tudo numa criatura só

Realmente intrigante, muito... uma pergunta sem resposta


Meu ódio nunca se tornará amor

Minha luz já apagou em trevas

Bem e mal, não sei o que é...

Sou diferente, preciso escolher o que desconheço?