Notas iniciais
PLÁGIO É CRIME TODOS OS DIREITOS SÃO RESERVADOS A MIM

As folhas secas se despedaçaram sob seu pé. Billy andava cuidadosamente pela floresta vazia e oca, os cantos dos canários que viviam lá perto a pouco deixados só como ecos.

Andando mais um pouco, uma visão enorme encheu sua vista, a Casa Heisten.

Muito conhecida por crianças da cidade por ser assombrada, alguns dizem que séculos atrás uma bruxa vivia lá e quando tinha vinte e um anos foi queimada na fogueira, se foi um fato feliz ou infeliz ninguém sabe. E embora seja só um mito local, muitos diários escritos naquela época provam o contrário. Mas isso é história pra outro capítulo.

Concentrando na mansão a sua frente, Billy cuidadosamente dá a volta pela ponte circular e sobe lentamente os degraus de pedra.

Assim que seus pés tocaram o chão empoeirado da velha mansão, vozes encheram sua mente. Eram sussurros roucos em uma linguagem completamente diferente. Mesmo sem entendê-las, Billy seguiu pela escada virando para a direita quando chegou ao topo.

Quanto mais se aproximava, mas as vozes aumentavam, era um tormento. Fechando os olhos com força, ele respirou fundo antes de abrir a porta brutalmente batendo ela na parede.

Mais uma vez, Billy respira fundo, antes de ir em direção a uma onde um livro está perfeitamente aberto no meio com uma chave ao seu lado.

Ignorando as vozes, ele pega o livro fechando-o e leva consigo a chave.

***********

‘’Ontem exatamente às 8 horas da noite o professor, David Morrison, foi encontrado com a garganta cortada no meio de seu escritório. As autoridades desconfiam de assassinato, já que a arma do crime não foi encontrada no local do crime então suicídio foi rapidamente descartado. A policia ainda não divulgou a hora do orbito, mas o funeral irá acontecer nesse final de semana aberto somente para familiares e amigos. ’’, a jornalista pronuncia a notícia sem nenhum sentimento evidente em seu rosto e com um sorriso educado e profissional.

‘’Ele não era seu professor?’’, sua mãe pergunta para Liz, que acabou de descer as escadas. Dando uma breve olhada na imagem da TV antes de assentir indo pra cozinha sem dizer nada ‘’Por que a carinha triste?’’, Clara pergunta servindo café para a filha.

‘’Nada demais... só o estresse mesmo.’’, Liz responde suspirando com uma cara de cansada.

Clara olha-a desconfiada, mas deixa passar bebendo mais café. Nessa hora, a porta dos fundos abre e Billy entra.

‘’Onde você estava moçinho?’’, Clara pergunta, tom de mãe claramente em sua voz.

‘’Por ai.’’, Billy responde encolhendo os ombros, quando vê o olhar insistente de sua mãe bufa antes de dizer ‘’Caminhando.’’

‘’E desde quando você caminha?’’

‘’E desde quando você faz tantas perguntas?’’, ele retruca.

‘’Touché!’’, sua mãe responde levantando o copo brevemente.

Enquanto coloca suco em um copo, Billy vê uma foto do Sr. Morrison na TV e pergunta:

‘’O que aconteceu?’’

‘’Ele morreu. ’’, foi a breve e um pouco rude resposta de Liz.

Billy revira os olhos.

‘’Mas como?’’

‘’Assassinato, obviamente. ’’

‘’Você é sempre grossa assim?’’

‘’Só com gente que faz pergunta idiota. ’’, Liz responde antes de se levantar, colocar a caneca na pia e subir para seu quarto.

‘’O que ela tem hoje?’’, ele pergunta para sua mãe quando Liz sai Clara encolhe os ombros.

Liz entra no seu quarto, pega o seu celular e vê que tem uma mensagem de Tyler:

‘’ Sei de um jeito para achar o Raphael e a Cassie

Falo na escola ‘’

Depois de ler, Liz fecha o pequeno celular flip colocando-o no bolso antes de pegar sua bolsa no cabide do quarto e sair.

****************

Os olhos de Cassie se abrem lentamente, um pequeno gemido saindo de seus lábios.

Olhando em volta ela vê que está em um colchão velho, com um Raphael dormindo profundamente ao seu lado. Desesperadamente ela começa a cutucá-lo.

‘’Raphael, acorda. Raphael!’’, ela diz baixinho sacudindo sem ombro na tentativa de acordá-lo, mas falhando miseravelmente.

‘’Não se incomode. ’’, uma voz feminina a interrompe. Cassie rapidamente olha em direção a fonte da voz ‘’Maddox bateu bem forte nele. ’’

Era uma mulher, seu cabelo era liso e loiro, seus olhos azuis, sua roupa era antiga e seus olhos estavam focados em suas unhas. Sua roupa lembrava Cassie de uma caçadora medieval de algum filme ou algo assim.

‘’Quem é você?’’

‘’June, e você é a marcada.’’, June aponta tirando seus olhos de sua unha para olhar diretamente para Cassie. June era Guardiã da Arrogância e embora o poder não fosse muito útil, a Guardiã em si era muito boa em lutas.

‘’Como é que é?’’, Cassie pergunta confusa e um pouco sem graça, chama — lá de marcada era pra ser um insulto?

A mulher, June, bufa revirando os olhos com arrogância.

‘’Marcada, você tem uma marca no seu pulso direito certo?’’, ela pergunta. Cassie rapidamente olha para seu pulso direito, e para sua surpresa havia realmente uma marca. Era de um ferrão de escorpião apontado pra baixo.

Cassie fica quieta ainda olhando para a marca estranha em seu pulso.

A mulher suspira antes de sair da sala, deixando Cassie e Raphael sozinhos.

*****************

‘’Então qual é o jeito?’’, Liz pergunta sentando na frente de Tyler na mesa vermelha do refeitório enquanto os outros almoçam.

‘’Se lembra de quando o pai da Cassie a obrigava a ir a lugares para ele, só que ela aproveitava para ir para outros?’’, ela assente ‘’Então, uns dias depois o pai dela colocou um rastreador para descobrir onde ela realmente estava. E foi ai que Cassie perdeu os direitos de andar de carro e começou a ir com você.’’

‘’Como se eu pudesse esquecer. ‘’, Liz murmura.

‘’Voltando, eu acho que o rastreador ainda está lá.’’, nessa hora entendimento enche o olhos de Liz.

‘’Então é só a gente achar o monitor, achamos a Cassie e o Raphael também!’’

‘’Bingo! Dois coelhos com uma cadajada só!’’, então os dois batem as palmas uma na outra em comemoração.

***************

Enquanto todos os alunos brincavam ou comiam, Billy se isolava no canto do pátio.

Ignorando os gritos alegres das outras crianças, ele abre cuidadosamente o antigo e pesado livro, abrindo e folheando uma das primeiras páginas.

Ele começa a ler:

‘’Na Grécia Antiga, VIII AC. Uma guerra estava prestes a começar...’’

Grécia Antiga, VII AC

Não que isso fosse uma surpresa, afinal eles já haviam batalhado muitas guerras antes.

Mas essa de alguma forma, a tornava especial.

Antes mesmo dos soldados pegarem suas espadas, um jantar estava acontecendo.

De um lado estava os futuros guardiões, já de outro estavam os grandes deuses e semi-deuses do Olímpio. Entre eles, dois futuros guardiões estavam tendo uma conversa bem silenciosa.

‘’Ultimamente tem havido boatos entres os guerreiros de baixas classes.’’, Lucien, um homem negro com um olhar tanto malicioso quanto questionador, diz antes de tomar um gole da bebida que em sua taça havia.

Forçando um sorriso, Lílian (a líder do grupo de guerreiras femininas proclamadas como Fifters) solta uma tensa risada tomando um gole também antes de responder:

‘’Devia saber que boatos só são boatos.’’

‘’Mas esse tipo de boato tenho certeza que achará interessante.’’

‘’E qual seria?’’, Lílian pergunta com uma pontada de curiosidade em sua voz, Lucien se aproxima mais até sua boca chegar perto de seus ouvidos para só ela ouvir.

‘’Que o vosso rei tenha tramado todo o fiasco da caixa.’’, ele sussurra fazendo Liliam ficar tensa.

‘’Duvida mesmo de seu rei?’’, ela pergunta, no mesmo tom dele, depois de uma onda de choque.

‘’Eu não sei, e você?’’

Antes que ela possa responder, Hermes chega em uma rajada de vento assustado. Quando tem certeza que todos estão olhando para ele.

‘’Demônios. ’’, ele fala ofegante ‘’Estão se aproximando.’’

Enquanto todos os outros guerreiros estão correndo para pegar suas armas, Liliam se vira para Lucien.

‘’Parece que o dever chama.’’

‘’É parece...’’

*No Presente*

‘’Sabe, nunca terminamos aquela conversa.’’, Lucien diz sentando-se do lado de Liliam no tronco da árvore, que ficava do lado de fora de uma casa pouco menor que a Heisten.

Liliam se vira para ele.

‘’Por acaso não está falando da conversa de praticamente dois mil anos atrás, está?’’, ela pergunta um tanto divertida.

‘’Talvez eu esteja. ’’, ele responde se acomodando no tronco fazendo-a revirar os olhos.

‘’Não aconteceu muita coisa boa naquele dia.’’, ela comenta.

‘’Com a gente, nada é.’’

‘’Algum sinal da Scorpion?’’, ela pergunta depois de um breve silêncio.

‘’Nada, na verdade está bem silencioso... até demais.’’, ele murmura a última parte, embora mesmo assim Liliam tenha ouvido.

‘’Acha que eles estão tramando alguma coisa?’’

‘’Ainda tem dúvida disso?’’

Liliam suspira.

‘’E a marcada?’’

‘’Lá dentro.’’

‘’Já acharam o livro?’’

‘’A Maeve e o Hunter foram verificar na Casa Heisten, mas não acharam nada.’’

‘’E a casa da marcada?’’

‘’Vou mandar o Torin e a Blair verificarem, talvez eles achem algo.’’, ele diz se levantando enquanto Liliam assente pensativa, que nem ao menos estava olhando para ele. Suspirando ele decide deixá-la nos seus pensamentos.

E enquanto Lucien sai desapontado, Liliam relembra mais uma coisa daquela noite:

Grécia Antiga, VII AC

*Horas antes do banquete*

Depois de limpar o suor de seu corpo após o treinamento matinal, Liliam estava andando pelos corredores no palácio.

Ela estava pensando em ir ao mundo humano, perto de sua antiga casa tem um belo campo cheio de flores. E embora os demônios habitassem lá, não faria mal uma visitinha.

Enquanto caminha em direção a saída, ela houve vozes, não qualquer voz não e sim de vossa majestade e de uma criatura que ela já ouviu várias vezes, um demônio. Pra ser mais específico, o líder deles, a Destruição.

Escondendo-se rapidamente atrás de uma das colunas, Lílian ouve atentamente o diálogo.

‘’Por que me convocar, tolo e velho homem?’’, Destruição perguntou praticamente rosnando.

‘’Vim lhe fazer uma proposta. ’’

‘’E o que você poderia me oferecer?’’

‘’Um hospedeiro é claro. ’’, a boca de Lílian se abre de choque, mas ela continua em sua posição e fica quieta ouvindo atentamente.

Destruição estreita os olhos.

‘’Se isso for algum tipo de armadilha, saiba que você e seus outros metidos a Deuses pagaram muito caro. ’’

‘’Não se preocupe com isso, agora quer saber qual é o acordo ou não?’’

O demônio olha sem virar a cabeça para os lados.

‘’Vou aceitar isso, mas se eu fosse você, prestaria atenção com quem pode estar na espreita.’’, ele fala, os olhos de Liliam se arregalam.

A cabeça de Zeus viaja para os lados, antes de dar um sorriso azedo.

‘’Então é melhor discutimos isso em um lugar mais privado. ’’, ele diz antes de ir com o demônio para um lugar onde os ouvidos de Liliam não escutariam.

Amaldiçoando levemente enquanto bate, sem olhar, a mão na coluna. Suspirando ela sair dali, enquanto murmurava:

‘’Aquilo provavelmente não foi nada. ’’

Pouco sabia que horas depois, se tornaria outra pessoa, não seria mais a Liliam, líder das Fifters, ela se transformaria na Guardiã da Destruição.

*******

*No Presente*

Saindo de suas memórias, Lílian suspira passando as mãos pelos cabelos. Ela acabou nem visitando o tanto amado jardim que queria devido ao estresse daquele dia.

Respirando fundo, ela decidiu aproveitar o pouco de paz que o ambiente lhe oferecia. Afinal ela não tinha o luxo de paz, ela era a Guardiã da Destruição por um simples motivo, causar destruição.

Se séculos não mudassem isso, ela não era tola pra pensar que agora tudo iria acabar. Eles estavam de volta, juntamente com a Scorpion, paz era o que eles menos teriam.

‘’Ahh não vamos ficar de lamentação agora, é isso ou ficar presa em um maldito livro.’’, Destruição zomba em sua mente ‘’E não perca tempo mentindo que não sente falta de uma luta ou outra.’’

Bufando divertida, Liliam revira os olhos levemente.

‘’É tem razão.’’, ela diz se levantando indo em direção a casa.

‘’Eu sempre tenho.’’, gaba-se Destruição.

‘’Não se iluda.’’

*****************

‘’Sabe, eu sempre senti um pouco de inveja da Cassie.’’, Tyler comenta quando Liz estaciona na frente da casa da amiga e eles saem ‘’Quer dizer, a casa dela ocupa duas ruas, então dá pra entrar por dois lados sem ter que passar por uma casa. E não é todo mundo que tem esse privilégio, mas sabe o que eu tenho dúvida?’’

‘’O que?’’

‘’Quando ela pede pizza, ela coloca qual rua? Essa ou aquela?’’

‘’Acho que ela escolhe.’’, Liz responde encolhendo os ombros, enquanto pega uma chave na sua bolsa.

‘’Desde quando tem a chave da casa dela?’’, Tyler pergunta quando vê Liz colocar a chave na fechadura.

‘’Sou a melhor amiga dela.’’

‘’É, mas o pai dela não vai suspeitar de você ter a chave?’’

‘’O pai dela está trabalhando, então só vamos entrar e sair sem tocar em nada.’’, ela diz abrindo a porta, ele assente antes de segui — lá para dentro.

‘’Escritório?’’, Tyler pergunta olhando em volta.

‘’Escritório.’’, ela assente.

Então eles seguem para o escritório, já do outro lado da rua um outro carro estaciona e saem de lá duas pessoas, ou devo dizer Guardião?

Torin, o Guardião da Mentira e Blair, a Guardiã da Dúvida andam até a casa de Cassie, ou pelo menos um lado dela.

‘’Sabe eu nunca pensei que quando saísse daquele livro teria que vestir calças pra parecer normal.’’, Blair comenta, ela está vestindo calças jeans, blusa simples e uma jaqueta de couro. Torin estava vestindo uma roupa parecida, só que com um óculos escuro e diferente dela ele não estava afim de papo furado.

‘’Diferente de você eu fui informado do que viemos fazer aqui, então pode não explicar o que tem de interessante aqui?’’, ele pergunta e por ser o Guardião da Mentira ele era obrigado a falar assim, caso ao contrário sofreria vários danos corporais.

‘’Viemos atrás do livro, o Lucien acha que está aqui.’’,Blair explica, Torin faz um barulho que parece ser de entendimento ‘’Não podemos levantar suspeita, então sem derrubar a porta. Teremos que correr pra cima, lugar que eu suspeito onde está o livro. Entendeu?’’

‘’Não.’’, ele diz, Blair assente. Então com uma velocidade não humana e um vulto preto, eles estão no quarto de Cassie.

Torin verifica direto na cômoda, onde tem quadros com fotos de Cassie e Liz, o grupo todo junto, entre outros. Ele pega uma que tem ela com Liz e lambe os lábios.

Blair se aproxima dele curiosa com que lhe chamou atenção, e faz um barulho de nojo quando o vê olhando para a foto.

‘’Deixa de ser pervertido, não pode pegar a marcada!’’

‘’Estava falando dela. ’’, ele mente lambendo os lábios mais uma vez, Blair vê que tem mais uma garota na foto e faz o barulho de nojo.

‘’Você é um pervertido, tudo bem que ficou um século sem nada, mas essa garota deve ter uns 17 anos. ’’

Torin sorri.

‘’Não gosto das novas. ’’, Blair faz um barulho de vômito.

‘’Você é o cara mais nojento que eu já vi e olha que meu irmão é o Guardião da Luxuria. ’’

‘’Eu não detecto mentiras, lembra?’’, Torin mente com um sorriso vitorioso no rosto.

‘’Só procura o livro ta!”, ela rosna nervosa indo procurar do outro lado do quarto, enquanto Torin se divertia com sua ira.

************

Liz e Tyler vasculharam o escritório todo, literalmente. Até na luz, Tyler verificou.

Suspirando de derrota, Liz cai na cadeira.

‘’Eu desisto.’’

E como se uma luz viesse sobre sua cabeça, Tyler olhou pra ela.

‘’O monitor não vai estar aqui, porque você lembra que depois de uns meses sem o carro, a Cassie pegou o monitor pra ele não rastrear ela mais. Mas como ela não sabia onde exatamente o rastreador estava, então ela só guardou o monitor.’’, enquanto ele fala, Liz parece lembrar também.

‘’Então o monitor está no quarto dela!’’, conclui, e sem se apressar mais, os dois correm para o andar de cima indo em direção ao quarto de Cassie.

**************

Gemendo sonolento, Raphael abre lentamente os olhos.

‘’Onde eu tô?’’, pergunta murmurando enquanto olha para o estranho lugar em volta, seus olhos param quando pousam na figura sentada de sua amiga ‘’Cassie!!!’’, ele diz um pouco mais alto indo em direção a ela e dando um abraço, quase desesperado.

Cassie olha pros lados sem graça, e sem saber o que fazer lentamente dá três tapinhas em seu ombro.

Quando Raphael solta seu aperto, ele olha curiosamente para a sala.

‘’Aonde estamos?’’

Cassie encolheu os ombros.

‘’Não sei.’’, ela responde fazendo Raphael olha-lá com choque e incrédulo.

‘’Como assim não sabe?’’, ela suspira irritada.

‘’Eu estou acordada a menos de uma hora, e nesse tempo todo só vi uma pessoa. Que por acaso era super estranha e disse algo sobre marca.’’

‘’Marca?’’, ele franze a testa.

‘’É, essa daqui.’’, então ela levanta o braço direito mostrando seu pulso, que tinha um símbolo preto.

‘’Por que você tem uma marca de um ferrão de escorpião pra baixo?’’, ele pergunta olhando estranho pra ela.

‘’Como se eu soubesse.’’, ela bufa.

Suspirando, Raphael senta relaxado no sofá ao lado dela.

Eles ficam em silêncio, não era constrangedor ou obrigatório, era só o silêncio.

Até que...Raphael franze a testa enquanto olha para a parede.

‘’Eii!’’, ele diz chamando a atenção de Cassie ‘’O que é aquilo ali?’’, ele aponta para uma parede em que uma adaga com cabo dourado enferrujado e em forma de cobra está cravada na parede.

Cassie encolhe os ombros.

‘’Não sei, não reparei nisso até agora.’’

‘’Hum...’’, Raphael faz um barulho pensativo.

LitenVille, 1863 (poucos dias depois da criação da Scorpion)

O dia estava belo, as aves cantavam e nenhum animal tinha sido morto ainda, então sim o dia estava bom. Mas não para Violet Heisten, irmã mais nova de Edna Heisten, definitivamente não estava.

Ela jogava adagas com cabos dourados e em forma de cobras, eram os favoritos dela. E enquanto ela jogava, ela não pode deixar de refletir.

Depois que seus pais decidiram deixar o negócio de caçar demônios maior, não era só sua família que matava e sim muitas (mas em segredo é claro) e com isso surgiu a Scorpion. O negócio de caçar demônios surgiu umas décadas atrás, quando seu pai encontrou um durante suas caçadas matinais a animais e do dia pra noite ele decidiu começar um negócio.

Nas sinceras opiniões de Violet, ela acha que seu pai era suicida ou estava sem o que fazer.

Depois de uns anos caçando eles sozinho, seu pai encontrou uma mulher chamada Emily Nyun, que futuramente seria sua mãe. E por mais de louca seja a idéia, ela se juntou. Anos depois eles estavam casados e Emily grávida, não que isso impedisse seu pai de continuar a caçada e procurando colaboradores para seu serviço.

Dezoito anos depois, ele finalmente conseguiu colaboradores o suficiente para formar a Scorpion. Seus pais estavam felizes e sua irmã estava mais que entusiasmada, já que agora que estava completando 18 ela finalmente poderia caçar, enquanto isso Violet teria que treinar pra ser uma caçadora dessa empresa idiota.

Sinceramente, Violet não quer ficar caçando ‘’demônios’’. Ela nem sabe se eles existem! Na opinião dela, aquilo tudo era imaginação dos seus pais. Quando ela disse suas opiniões a Edna, sua irmã ficou furiosa, ela não tinha culpa de nada! Quer dizer, ela tem dezesseis anos e nunca viu um! Ninguém poderia culpa-lá por não acreditar!

‘’Violet!!!’’, sua mãe gritou de dentro da casa tirando-a de seus pensamentos, suspirando Violet lança uma última adaga acertando bem no meio do alvo na árvore.

Entrando na casa, Violet vai em direção a cozinha, onde ouviu a fonte da voz de Emily.

‘’Mãe.’’, ela cumprimenta entrando e vendo sua mãe preparando o jantar, depois que a Scorpion foi inaugurada, sua mãe focou mais nas atividades de casa.

‘’Ahh graças aos Deuses, eu precisava mesmo de sua ajuda.’’, sua mãe diz aliviada com ela e as pressas com a comida.

‘’O que a senhora precisa?’’, Violet pergunta cuidadosamente, sua mãe e lhe entrega moedas de ouro.

‘’Vá a feira por favor, e compre um pouco de temperos para a sopa. Sabe quais são certo?’’, ela assente pegando as moedas, quando ela está prestes a sair a voz de sua mãe interrompe ‘’Ahh, Violet, por favor tome cuidado. Recebemos a notícia que os demônios saíram da América a uns dias, então podem estar em qualquer lugar agora.’’, embora ela zombasse em sua mente por fora ela assentiu não querendo discutir com sua mãe.

Quando chegou na feira, ignorando todos os vendedores de bugigangas, ela foi na barraca de temperos. Pegando só o necessário e pagando o dono quando terminasse.

E aqui está ela, andando pela mesma trilha que a levou para a feira. O caminho estava quieto, como sempre, afinal aquela trilha só servia de ponte dentre a casa dela e a feira, então era bem incomum ver pessoas estranhas caminhando lá.

Mas hoje foi diferente, enquanto seguia ouviu um farfalhar atrás dela. Nesse momento, Violet ficou tensa e totalmente ereta, virando-se lentamente encontra surpreendentemente nada. Ela olha pros lados suspeita, depois de meros segundos encolhe os ombros, talvez tenha sido um animal. Mas quando se virou teve outro farfalhar, ela vira de novo...nada. Bufando, Violet vira para voltar a caminhar, mas quando ela se vira quase tem um ataque cárdico.

Uma velha com vestes desgastadas e um pano sujo sobre si está em sua frente, a mulher com rugas sorri como se soubesse algo que Violet não sabia.

‘’C-c-Como fez isso?’’, Violet consegue gaguejar.

A velha sorri de novo, argh assustador...

‘’Como assim querida?’’, ela pergunta inocentemente.

‘’C-chegando na minha frente assim.’’

‘’Eu sempre estive aqui.’’, Violet olha cética pra ela ‘’Mas não vim aqui para assusta-lá muito pelo contrário, estou aqui para ajuda-lá.’’

‘’Eu não entendo.’’, Violet comenta, a velha suspira irrtada.

‘’Não precisa, só entregue a sua irmã e o destino deles será selado.’’, a velha fala entregando-lhe um pano com algo enrolado dentro dele.

‘’O que-‘’, a velha interrompe Violet, e abre lentamente o pano para revelar uma planta que continha mais espinhos que folhas e ela era toda preta com algum tipo de líquido saindo de seus espinhos.

‘’Cuide bem dela, e lembre entregue a sua irmã e o destino deles será selado.’’, Violet desvia o olhar para a planta e quanto olha pra cima a velha se foi.

*Presente*

Billy folhea mais páginas, parando em mais um trecho que falava da planta, sob as palavras de Edna.

‘’Era uma planta com poucas folhas e muitos espinhos, um líquido saia dela e era altamente venenoso para eles. Quando usei a poucas horas, eles não podiam se mexer e nem um dos maiores Guardiões que poderiam invadir sua mente conseguiriam fazer isso.

Creio que finalmente consegui achar uma fraqueza! Espero que meu plano dê certo...’’, Billy lê o pequeno texto, enquanto a professora estava na frente da sala falando palavras que ele não ouviria. O livro estava escondido sob sua mesa e um pouco inclinado para que ele pudesse ler.

‘’Sr. Allen quer compartilhar sua leitura com a gente?’’, a professora pergunta, Billy olha pra cima e vê que além de todos estarem olhando pra ele a professora está do lado de sua mesa o olhando com raiva, como ela chegou ali sem ele perceber?

‘’N-não, senhora.’’, ele gagueja engolindo em seco.

A professora estreitou os olhos, antes de gritar.

‘’DIRETORIA AGORA!’’, resmungando mentalmente, Billy leva suas coisas indo a diretoria.

E aqui está ele, sentado na cadeira na frente da mesa do diretor um pouco constrangido.

O diretor suspira.

‘’Já é a quarta vez esse mês.’’

‘’Eu sei.’’, Billy murmura com a cabeça baixa.

‘’Normalmente eu lhe daria detenção, mas hoje eu vou ter que ligar pra sua mãe.’’

‘’Ela esta no trabalho.’’

‘’ Ainda assim terei que ligar pra ela.’’

‘’Tudo bem.’’

Silêncio, o diretor suspira de novo.

‘’E sua irmã?’’

‘’Acho que ela ta livre.’’

***************

Torin ouve o barulho de passos rápidos, como se alguém tivesse correndo em sua direção.

‘’Não tem ninguém vindo.’’, ele diz a Blair que também parece ter ouvido, o tom dele é alto mas não alto o bastante para quem quer que seja ouvir.

Liz e Tyler vão apressadamente para o segundo andar, mais especificamente o quarto de Cassie.

A porta estava aberta, então Liz entra com Tyler na retaguarda no quarto. Não tem ninguém, nem nada lá.

Bem, pelo menos não visível. Acontece que além de ter que ser obrigado a causar caos por pelo menos uma vez por mês sem falar nas desvantagens de cada demônio, ser um Guardião não era tão ruim assim, afinal todos humanos iriam querer ter algumas de suas habilidades.

Mas quando se trata deles, cada um se destaca em alguma coisa, embora exista isso algumas habilidades são ‘’gerais’’. Basicamente todos os Guardiões tem e invisibilidade, felizmente para eles, se encaixava nisso.

Então quando Liz e Tyler entraram e não viram ninguém, isso não quer dizer que eles não estavam lá e sim que ninguém além deles mesmo poderiam ve-los.

‘’Procura ali e eu procuro aqui.’’, Tyler ordena apontando pra um Aldo do quarto enquanto ele fica com o outro.

Liz assente e começa a vasculhar o armário de sua amiga, enquanto Tyler fica com as gavetas. Ela mexe em algumas caixas no chão do armário de sua amiga.

Torin olha para Blair com uma sobrancelha levantada, algo que ela responde com um encolher de ombros enquanto continuam observando as duas pessoas da foto. Não que ele se importe, ele está tendo uma bela visão de onde está...

Liz aprofunda sua mão em uma das caixas, vasculhando bem. Ela continua fazendo até encontrar o monitor. Que na verdade é bem pequeno, parecia uma mistura de um celular flip com um rádio policial.

‘’Achei!!!!’’, ela fala alegremente se levantando. Tyler assentem começando a arrumar as coisas.

Eles são interrompidos pelo celular de Liz tocando, Torin e Blair olham com curiosidade o dispositivo, jamais em seus séculos de vida viram algo parecido.

Com um sobrancelha levanta, Liz atende. Quando a outra linha fala alguma coisa, Liz bufa.

‘’Vou falar com nossa mãe...ahhh okay eu busco ele ai...Sim te vejo daqui uns minutos.’’, então ela desliga bufando.

‘’O que foi?’’

‘’Tenho que buscar o Billy na escola.’’, ela diz então eles saem do quarto deixando dois Guardiões um pouco confusos.

******************

Na pequena e fria sala, o legista estava avaliando o corpo de David James Morrison.

‘’Paciente teve óbito com a garganta cortada, pela marca do ferimento provavelmente assassino usou espada....’’, ele diz gramando apertando o botão do gravador.

Então ele tira lentamente o pano de cima do professor, olhando curiosamente para a perna do professor. Onde em seu tornozelo, tem um símbolo de um ferrão de escorpião só que diferente da Cassie ele está virando para cima.

Um pouco abaixo desse símbolo, há uma tatuagem onde as seguintes palavras estão escritas:

SCORPION

********************

Depois que buscaram Billy na escola, Liz está dirigido furiosamente.

Ela suspira antes de perguntar.

‘’Qual é a dificuldade de prestar atenção na aula??!!!’’

Billy bufa, mas não responde.

Liz revira os olhos mas não fala nada, decidindo que o silêncio é melhor que uma discussão.

Então de repente, é como se tudo ficasse em câmera. A estrada que antes só tinha eles, estava com mais dois carro e eles não eram amigáveis.

Caras com uniformes pretos escrito SCORPION no meio deles e com armas nas mãos cercam o carro de Liz.

‘’Entreguem o livro!’’, o comandante ordena.

‘’Que livro? Eu não tenho livro nenhum!’’, Liz consegue dizer.

‘’Chega de mentiras! Entreguem o livro!’’

Liz vira para Tyler e Billy.

‘’Algum de vocês sabem que merda ele ta falando.’’, nessa hora Billy fica estranhamente quieto, Liz reparando nisso grunhe com raiva, ela se vira pro cara ‘’Olha moço, isso foi um mal-‘’, antes que ela possa terminar a frase a cabeça do cara é cortada ao meio com uma espada. Sangue cai por toda a janela de Liz, que está tão chocada que nem ao menos consegue gritar.

O corpo dele cai revelando uma mulher morena, baixa e com olhos castanhos. Então ela chuta o cara de trás dela, corre e enrola suas pernas em volta de outro girando e derrubando-o no chão fazendo-a encaixar a espada em seu pescoço. Pega a arma de outro e bate em sua cara repetidamente até ele cair.

Antes que os outros possam fazer algo, uma névoa preta invade o ar e todos caem com os olhos sangrando junto com narizes, ouvidos e gargantas. Um homem alto, sua pele pálida com um leve tom bronzeado e cabelos marrons escuros.

‘’Gosto de lutas longas.’’, Torin mente simplesmente, Blair bufa revirando o olhos.

Ela se vira para olhar as três pessoas boquiabertas dentro do carro, Blair aponta para Billy.

‘’E você tem algo que nos pertence.’’

7 DIAS PARA MORRER