Notas iniciais
Não sou bom em escrever, apenas estou fazendo isto pois estou realmente inspirado. Espero que gostem.

O médico nos recebeu em seu escritório com um sorriso amarelo no rosto, e eu esperei pelo o pior. Tinha descobrido sobre o meu câncer no estômago fazia dois meses, e a quimioterapia era minha última chance. Com apenas 17 anos, não tinha vivido nada da vida. Minha mãe me olhou com um olhar triste, e eu dei um sorrisinho para acalma-la.

- Sentem-se, por favor. — o médico pediu.

Tinha visitado aquele escrítorio tantas vezes que sabia de cor tudo que tinha nele. As paredes de um branco maçico, um ventilador girando no teto lentamente, uma escrivaninha repleta de moldes de várias partes do corpo, uma prateleira cheio de relátorios de pacientes passados... Sentei em um sofá mais próximo da escrivaninha, com o médico me fitando o tempo todo.

- Notícia boa ou ruim? — minha mãe adiantou-se, perguntando. Não tinha como deixar de notar o seu tom de preocupação na voz.

O médico não disse nada, apenas deu uma leve tossida para limpar a garganta. Por uns 20 segundos, ninguém disse nada. O silêncio que se estendeu me castigava, apenas me deixava com mais medo de esta ser a reta final.

- Os exames acusaram metamorfose no seu câncer. — o médico disse, quebrando o silêncio. Pelo seu tom de voz, rude e rústico, isso não era uma noticia boa.

- E oque isso significa? — perguntei.

- O seu câncer está se espalhando para outras partes do corpo. Pelo oque sabemos, a área principal a ser atacada é seu fígado. — ele soltou um suspiro e deixou escorrer uma lágrima nos olhos. — Fazemos oque deu pra fazer.

A esta altura, minha mãe já estava aos prantos ao meu lado, com a cabeça escorada nos joelhos, soltando soluços longos e repetidos. Meus olhos começaram a lacrimejar, meu mundo estava perdendo o chão.

Várias sentimentos tomaram conta de meu corpo. Raiva seguida de um sentimento de injustiça. "Porque logo eu, Deus?". Eu sempre tinha sido uma boa pessoa, sempre procurei seguir os ensinamentos da bíblia.

- Quais são as chances de sobrevivência? — a voz de minha mãe era quase irreconhecível.

- Em melhor das hipóteses, 5%.

- 5%? — indaguei. — Mas nossa família gastou um rio de dinheiro comigo! Para conseguir 5% de chance? SEU LADRÃO! — pulei do sofá aonde estava sentado e avançei no Doutor com uma raiva feroz. Este nada fez, continuou sentado me olhando.

- Esta reação é completamente normal. Coloque tudo pra fora.

- Acalme-se John! — minha mãe gritou. — Isso não é desculpa para fazer falta de educação com ele! Ele fez oque pôde!

- Se ele tivesse sido competente, eu não estaria na morte certa agora! — pela primeira vez na vida, estava enfrentando minha mãe.

Ela olhou para mim assustada. Achei que ela iria me bater, mas ela fez algo que me surpreendeu ainda mais. Levantou-se do sofá e me abraçou.

- Eu sei que é difícil. E te entendo. Mas agora, vamos pra casa. — ela foi em direção a saída me levando junto com os braços em volta de meu pescoço.

- Vocês não querem saber quais serão os procedimentos? — assustou-se o médico. — Temos que submetê-lo a uma sessão de radioterapia para aumentar suas chances.

Minha mãe virou-se, e deu um sorriso para o médico.

- Já te demos dinheiro o suficiente, não acha? Meu filho não irá passar seus últimos meses em um quarto de hospital!

Ele nada disse, apenas ficou nos encarando com um olhar assustado.

- Se é assim que quer, que assim seja. — concluiu.

- Ótimo. Agora vamos, filho! Temos que fazer você ter uma experiência de 50 anos de vida em poucos meses. — pela primeira vez, em muitos meses, estava realmente feliz.

Notas finais
Próximo capítulo talvez saia. Talvez não. Um mistério.