50 anos em 3 meses
6 Capítulo 6
O nosso próximo objetivo era ir no Rio de Janeiro. Ficava a cerca de 1000 kilômetros de nossa atual posição, por isso viajamos o dia todo. Minha mãe, a este ponto, nem me ligava mais para as notícias. Eu apenas disse para ela que quero aproveitar os meus meses restantes, e que ela não precisava de preocupar.
Vez ou outra parávamos em algum posto para ir no banheiro ou comprar comida. No carro, passamos o dia inteiro conversando, fazendo um jogo de perguntas. O problema, era que já conheciamos bem um ao outro por conta do skype.O dia passou igual um tiro, e a distância entre nosso objetivo apenas ia diminuindo. No final do dia, ao sol se por, já estavamos a 300 km da chegada. Andamos bastante neste dia, com mínimas pausas.A noite foi entrando, mas nossa empolgação não. Até a meia noite nem sequer olhamos no relógio para ver o tempo passar. A madrugada entrou e nem ao menos percebemos.Quando chegou em torno de duas horas da manhã, quando o papo finalmente acabou, percebemos o quanto nosso corpo estava cansado. Mesmo assim, não queria parar de dirigir e perder meu tempo limitado dormindo.E assim foi seguindo por vários longos minutos.– Você deveria dormir. — Cassandra comenta ao me ver jogando água gelada no rosto. – Não está tão tarde assim, relaxa. Sou acostumado. — olho no meu relógio de pulso, e marcava 2:40 da manhã. Cassandra apenas revira os olhos, e se ajeita no banco de passageiro para dormir. – Se você sentir sono, pare logo! Não faça nenhuma besteira.– Não sou irresponsável.Uns minutos se passam e consigo ouvir o som de respiração de Cassandra em um tom leve e sincronizado. Ela tinha adormecido. Os minutos se passavam, se transformavam em horas. Não tinha nada além de estrada na minha visão. Meu cérebro começa a entrar em estado de fadiga após ficar forçando as energias para manter todos os meus sentidos funcionando.Nenhuma arti-manha funcionava mais. Nas primeiras vezes, jogar água na cara me garantia 10 minutos sem sono, agora nem isto funciona mais. Peguei um halls preto no meu moleton ao lado, e baforei o hálito refrescante próximo aos olhos. Nada.A estrada a esta altura estava completamente escura. Eram poucos os carros que passavam, e isto só piorava a situação. A cada vez mais, minha pálpebra só ficava mais e mais pesada.Eu sempre achei que minha morte seria igual nos filmes americanos. Eu morrendo de câncer, rodeado por pessoas que eu amo. Dizendo alguma palavra memorável no meu último suspiro, que iria ficar marcado para sempre.Mas não pensei que iria ser desse jeito.O porque eu não parei para dormir e continuei com o meu erro? Era algo que provavelmente iria custar minha vida. E da pessoa que amo. Um pequeno descuido, um grande erro. Mesmo com as advertencias de Cassandra, continuei dirigindo estrada a frente mesmo morto de sono. Minhas pálpebras pesavam como sacos de areia. Eu mal conseguia raciocinar oque estava acontecendo na estrada.Era inevitável a tragédia. Olhei no meu relógio, marcavam 4:30 da manhã. Meus olhos estavam praticamente fechados. Olho para o lado e vejo Cassandra com um sono profundo e gostoso ao meu lado, e meu corpo não resiste.Então tudo aconteceu em um milésimo de segundo. Meu cérebro se desliga, e minha mão começa a soltar o volante. Eu meus últimos momentos de consciência, consigo ouvir Cassandra gritando e pegando a mão no volante em uma tentativa desesperada de evitar a tragédia.Dois feixes de luz arredondados se aproximando em nossa direção, era tudo oque podia ver do carro que estava pronto para se colidir. E então aconteceu. Em um estrondo ensurdecedor, um barulho intenso de metal chocando contra metal, os carros se chocam em uma velocidade surpreendente. As ferragens de ambos os carros invadem uma da outra, os integrantes fazem o possível para se proteger. Era o fim.
Notas finais
Aguarde.
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