50 anos em 3 meses
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Para compensar o mês sem capítulo, sai 2 hoje.
– Regra número um de sobrevivência no supermercado. — Cassandra pegou sua prancheta e fez movimentos na caneta como se estivesse escrevendo algo. — Visualizar com bastante clareza seu objetivo.
– Oque diabos você está fazendo? — falei enquanto tirava o celular da cara. Estávamos em um hotel na beira da estrada, depois de horas viajando no carro de minha mãe. Deixei um bilhete para ela dizendo que eu iria em uma viagem em busca do sentido da vida e do esclarecimento, e que iria precisar do seu carro emprestado.– Como você ousa questionar as minhas ações, plebeu? — ela imitou a voz de um rei enquanto fazia um falso bigode com a caneta.Eu apenas dei uma risada e voltei a mexer no celular. Não tinha nada de interessante ocorrendo nas redes sociais, era apenas um modo de não parecer um idiota pelo fato de estar dividindo um quarto com uma cama de casal com ela.– Você não acha meio estranho dormirmos em uma cama de casal? — comentei. Mesmo eu adorando esta idéia, tinha que dar uma de romântico sem segundas intenções.– Porque? Você quer transar por algum acaso? Se for sim, sugiro que pegue o carro rumo a estrada. Se for não, não vejo o problema. — ela no começo tentou fazer uma cara de brava, mas logo depois foi substituído por uma risada.– Você tinha que ver sua cara de envergonhado neste momento. — e de fato, senti minhas bochechas queimando com essa pergunta.– Dizem por aí que quando falamos algo que a pessoa está pensando no momento as bochechas dela ficam vermelhas igual um pimentão.– Oque você quer ganhar com isso? — questionei tentando parecer zangado.– Nada. Apenas sensualizar. — ela passou sua mão por toda a extensão do corpo em uma tentativa (com sucesso) de sensualizar.– Para com isso. Ouvi os "vizinhos" dizendo que no Hall do hotel vai ter uma mini-festa. Não deve ser nada demais, mas pelo menos falaram que é open bar. — comentei.Ela me olhou com uma cara sombria. Meu coração gelou. Passei o dia inteiro com ela, e eu a nunca vi com essa expressão.– Vou dormir. Boa noite. — ela se deitou ao meu lado e se virou de costa para mim. Simples desta maneira. Rápido e eficaz.– Oque eu disse? — perguntei sentado na cama a fitando.– Apenas durma, antes que você estrague tudo.– Estrague oque? Oque eu falei de errado? — meu cérebro estava derretendo.Ela se levantou bruscamente, tão rápido que só consegui processar tudo depois de dois segundos que ela sentou parada na minha frente. Ela me olhou fundo nos olhos, parecia que conseguia até ler meus pensamentos desta maneira.– Eu só tenho uma pergunta. Responda com sinceridade. Você bebe? – Bebe oque? — a este ponto, eu sabia que tinha feito merda.– NÃO SE FAÇA DE ENGRAÇADO. Você bebe bebidas alcóolicas? — ela levantou seu tom de voz e levantou seu indicador apontando no meu nariz. – S-sim. De vez em quando.. Digo, não muito ultimamente. Mas oque isso tem haver?Se eu achei que já a tinha visto nervosa, desta vez era muito pior. Ela não disse nada, e apenas saiu da cama e se dirigiu para a porta.– Nos encontramos amanhã. — quando eu me levantei para segui-la, ela se adiantou. — NÃO OUSE ME SEGUIR!– Qual o problema dela com bebidas alcóolicas? — perguntei para si mesmo. Mas mesmo assim a deixei ir. Deitei na cama, com as lágrimas ameaçando escorrer, mas o sono me pegou antes e apaguei.Acordei com um som de bip irritante na minha orelha, e quando abri os olhos, Cassandra estava com o rosto acima de mim me fitando, alegre.– Bom dia, flor do dia! Hora de acordar!Mesmo estando com sono e o raciocínio lento, meu cérebro se inundou em dúvidas.– Mas ont.. ontem..– Não. Não fala nada. Ontem foi... ontem. Receoso, me levantei e fiz minhas necessidades matinais enquanto Cassandra se dirigia para o carro e o esquentava para mais um dia de estrada rumo a lugar nenhum.Quando eu terminei tudo e me dirigi para o carro levando minha pequena mala improvisada, ela estava deitada no banco traseiro. – Oque está fazendo ai? — disse sentando no banco de motorista e me desbruçando para trás.– Decidindo se devo ou não te beijar neste momento. — ela disse na maior simplicidade do mundo.– Oque? — falei assustado.– Seu bobo. Sempre cai nessa. Estou começando a achar que você realmente gosta de mim.E, mesmo falando brincando, ela estava certa.
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