50 anos em 3 meses
4 Capítulo 4
Notas iniciais
EU SEI, EU SEI. ESTOU A UM MÊS SEM POSTAR PRATICAMENTE.
Mas sabe como é, bloqueio criativo e tudo o mais.
Eu tinha vários amigos onlines. E nenhum deles eu tinha conhecido pessoalmente ou pretendia conhecer. E mesmo se conhecesse, sempre achei que seria bem diferente. Um encontro memorável em um aeroporto, ou algo do gênero.
Mas deste modo foi completamente diferente. Parado na minha frente, estava uma de minhas amigas virtuais com quem eu mais conversava. E por ironia do destino, era a menina que eu mais estava pensando nos últimos dias. Fitei os olhos dela, enquanto ela fazia uma cara séria. Eu não conseguia acreditar nisso.– Você? — era tudo oque saiu pela minha boca.Eu tinha tantas coisas para dizer a ela. Mas naquele momento, só saiu isso. Ela não disse nada, apenas se virou e continuou andando.– Você não vai dizer nada? — falei enquanto tentava acompanhá-la. — Você acaba de se revelar ser a menina com quem eu mais conversava online e simplesmente sai andando?– Oque quer que eu faça? Te de um beijo?Essa pergunta me pegou de surpresa, e parei de andar por alguns segundos. Com o rosto corado, disse entredentes– Eu n-não falei isso.– Que pena, estou morrendo de vontade de fazer isso. — ela parou de andar em direção ao quintal, e olhou para mim sorrindo. Neste momento meu coração gelou, e tudo oque eu pude fazer foi ficar parado com o rosto corado. Todo meu corpo pedia para eu enfiar a cabeça em algum lugar onde ninguém pudesse me ver.– Achou que eu tava falando sério? Até ficou com vergonha, que fofo. — ela tocou o polegar no meu nariz e continuou andando.Mesmo desajeitadamente, a continuei seguindo. Quando chegamos no quintal de minha casa, ela resolveu subir na casa da árvore que ficava no centro. Aquele era meu local preferido, até os 12 anos. De lá pra cá, nunca mais sequer tinha subido ali.Enquanto eu ofegava para subir as escadas, tinha reparado em como me fazia falta aquele lugar. Eu era realmente feliz aos meus 12 anos, onde minha única preocupação era que meu fan clube não podia entrar garotas.– Se eu ao menos sonhar que você está olhando para minha bunda, eu te jogo daqui de cima. — ela disse enquanto continuava subindo.– O-ok. — disse.– Você gagueja demais, isso é algum tipo de problema? Pelo skype você não gagueja, pelo menos. — ela comentou.Eu nada respondi, apenas continuei subindo. Essa escada era mais longa do que eu pensei. Quando finalmente chegamos em um mini-quintal que dava acesso para a parte de dentro, Cassandra se jogou no chão e ficou deitada ali mesmo.– Sabia que tem um colchão logo ali? — apontei para um colchão que ficava do lado de dentro da casinha. Porém ele estava todo sujo e empoeirado.Ela levantou o pescoço e deu uma rápida olhada no colchão, e disse:– Não. To de boa aqui.Alguns segundos se passaram em total silêncio, que mais se pareciam horas. Estava ficando intrigado com tudo aquilo. Até que resolvo deitar ao lado dela.Ela me olha com um rosto de indiferença, e me deitei. E assim ficamos, durante longos 2 minutos. Ninguém falava nada, apenas aproveitando a "vista" que tinha lá de cima. Isto é, feixos de raios solares que conseguiam passar pelas folhas. – Eu sempre quis dominar o mundo. — ela disse de repente. — Mas então que eu percebi que essa história não existe.Mesmo ainda com um pouco de vergonha, resolvi extender o assunto.– Porque acha que isso não existe?– Porque cada pessoa tem seu próprio mundo. Eu não posso chegar em uma pessoa e falar que minha ideologia é que Deus é apenas uma invenção humana. Isso iria contra as leis do mundo dela, e é impossível faze-la mudar de opinião. – Mas pessoas mudam de opinião as vezes . — observei.– Digamos que as vezes o nosso mundo pessoal dá um "upgrade" nas ideologias.– Então você está querendo dizer que a ideologia da pessoa é oque forma o seu... "mundo"? — conclui.– Você por acaso é lerdo? É claro que é isso que estou falando! Você está invadindo o mundo pessoal do outro a partir do momento que o obriga a acreditar em algo que ele não daria a vida por isso.Ela ficou em silêncio por alguns segundos, até que eu decidi citar uma famosa frase que aprendi nas aulas de fisiologia.– Um grande revolucionário...– É aquele que é movido por grandes sentimentos de amor. — ela completou olhando para mim e sorrindo. — Gosto dos teus gostos filosóficos.– Você ainda não viu nada. — disse.– Tudo bem. — ela se levantou bruscamente e tirou o pó de sua calça e blusa. — Está pronto para irmos dominar o mundo junto? — ela estendeu a mão para mim.– Claro que sim. Isso se o câncer não me dominar primeiro. — disse enquanto levantava com a ajuda dela.– Eu também tenho e não estou reclamando. Eu quase dei minha vida ao subir estas escadas, mas não estou reclamando. MEXE ESSA SUA BUNDA E VAMOS FAZER A DIFERENÇA.– Um pouco cliche. — pensei consigo mesmo mas não ousei comentar.– Vamos dominar daqui a uns 30 minutos. Antes quero passar na lanchonete e pedir a comida com mais calorias que estiver por lá. — ela disse.
– Como você é magra?
Notas finais
Até amanhã, ou o mês que vem.
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