50 Tons de Reconciliação
21 epílogo
Pov Valentina Grey
Meu nome é Valentina Steele Grey, tenho quinze anos, moro com meus pais e meus irmãos em uma casa que mais parece um castelo, mais ser filha de Christian Grey não é tão simples, ou você acaba fazendo certas coisas, ou ele acaba enlouquecendo você.
Eu amo meu pai, mais ele é tão controlador que isso acaba me deixando louca, e meus irmãos são como ele, eu não tenho amigos, todos me olham como se eu fosse a filinha do papai, talvez eu seja, por culpa dele, meus únicos amigos são a Ava e o Mateus, pois são únicos com permissão para chegar perto de mim, pois são da família.
Eu quero ter amigas, sair, ir ao shopping, festas, falar de garotos, aliás, eu quero namorar, eu quero tudo, mais não posso ter nada, pois vivo trancada nessa casa, e quando saio é com uma comitiva de seguranças atrás de mim.
Minha mãe até que tenta me ajudar, mais nem sempre consegue.
E agora estou aqui deitada na minha cama e me lembrando de quando descobri que sou adotada.
Inicio do flash back
Eu tinha treze anos, e estava me arrumando para ir até a casa dos meus padrinhos, e queria um brinco pequeno da minha mãe, então fui até o quarto dos meus pais, fui ao closet e comecei a procurar pelos brincos, até que abrir uma gaveta e sem querer deixei uma pasta cair, e antes de ser pega no flagra eu os peguei, e algo me chamou a atenção.
Pois era uma certidão de adoção, as lagrimas desciam sem controle, eu não sou filha deles, eu sou uma...sou adotada, não pode ser, eles mentiram pra mim, minha vida é uma mentira, com os papeis em mãos e chorando descontroladamente eu caio no chão, o soluço é tanto que meu corpo treme, eu queria gritar, mais não consigo.
— Por Deus filha, o que está acontecendo? — ela tenta me abraçar mais eu a empurro, ela me olha em estado de choque.
— Valentina o que...?
— EU NÃO SOU SUA FILHA, EU NÃO SOU, SOU ADOTADA- grito e jogo a pasta em sua direção, e depois saio do closet, ela me alcança antes que eu chegasse a porta do quarto.
— me ouve.
— não quero ouvir nada, aliás, quero sim, porque me engaram todo esse tempo?
— nós nunca te enganamos Valentina, você é nossa filha sim.
—eu vi os documentos.
— vem aqui por favor- pede estendendo a mão, e mesmo relutante ela aceita, e me leva até a cama.
— me diz a verdade, por favor, isso machuca.
— você é sim nossa filha, você pode não ter saído de dentro de mim, mais isso não a faz menos minha filha, e até tinha esquecido desse documento.
— e a minha mãe? Minha família biológica? — pergunto, pois é tanta coisa se passando em minha cabeça agora.
— a sua mãe biológica infelizmente não está mais aqui-fala com lagrimas nos olhos- ela sofreu um acidente, chegou ao hospital gravemente ferida, os médicos até tentaram salvar vocês duas, mas não conseguiram, salvaram apenas você, e ninguém sabia do seu pai, parece que sua mãe era órfã, então você iria para um orfanato, e horas depois eu dei entrada no mesmo hospital, para ter os meninos, depois que eu já estava instalada no quarto, após a cirurgia, que o Christian me contou sobre você, ele foi para nosso apartamento e eu fui até o berçário, eu precisava te ver, ai quando cheguei lá, você estava chorando de fome, pois não queria mamadeira, e meu leite tinha descido aquele dia, então perguntei a enfermeira se podia tentar te dá o peito, ela concordou.
Quando te peguei no colo pela primeira vez sentir seu corpinho, eu me apaixonei por você, e ali sabia que você seria minha, eu te dei de mamar, e você logo foi se acalmando, você era tão linda, tão perfeita, fiquei um tempinho com você, e depois com seus irmãos.
E eu falei com o Christian, disse que queria você, e soube expor meus argumentos muito bem, e ele aceitou, ligou para o advogado, eu contava os dias pra te ter comigo, e foi difícil receber alta, vir pra casa com os meninos e deixar você lá, mais sempre que podia ia até o orfanato te vê, e depois de algumas semanas o juiz nos deu sua guarda, e aquele foi o melhor dia da minha vida, eu tive meus três filhos comigo.
Entenda Valentina, você pode não ter nosso sangue, mais tem nosso amor, independentemente de qualquer coisa, você é nossa filha amada.
— sua mãe tem razão filha, eu sou adotado, seu tio Elliot, sua tia Mia, e todos nós somos muito amados, assim como você, e pode ter certeza que nem lembramos disso, pois o que vale é o amor- meu pai fala entrando na sala.
— porque não me contaram antes?
— porque achamos que não era hora de saber- ele fala e beija minha cabeça- e não se esqueça, você sempre será nossa menininha- fala e eu me jogo em seus braços e volto a chorar, depois sinto minha mãe me abraçar.
— desculpa as coisas que disse mamãe.
— está tudo bem querida, você estava nervosa, eu entendo- fala fazendo carinho em meu cabelo.
E eles tem razão, o que conta é o amor, e isso eu tenho de sobra.
— amo vocês- falo
— e nós amamos você.
Ficamos alguns minutos assim, e eu já me sinto bem melhor, amo meus pais e nada vai mudar isso.
— ainda posso ir pra casa da madrinha?
— claro, só me diz uma coisa, o que estava mexendo nas minhas coisas? — minha mãe me pergunta.
— eu estava procurando aquele brinco pequeno da senhora, o que eu gosto de usar, mais não achei ele em lugar nenhum, só essa pasta que eu acabei derrubando sem querer.
— o brinco está no banheiro, tirei ele e esqueci lá- minha mãe fala, e eu saio quase que correndo da cama, vou ao banheiro, lavo meu rosto e depois pego o brinco.
Meu pai não gosta que eu uso maquiagem, ele fala que eu ainda sou criança, então o que eu posso usar é só gloss.
Volto para o quarto e meus pais ainda estão lá.
— já vou indo.
— não demora e não vai para outro lugar, os seguranças tem ordens explicitas para te levar e trazer de volta, sem desviar do caminho.
— eu sei pai, e depois vamos conversar sobre isso, já vou indo pois Ava odeia ficar esperando- dou um beijo neles e saio, os seguranças já estão me esperando.
Final do flash back
E assim os anos se passaram, e a ideia de não ser filha biológica deles não me afeta mais, só naquele dia, afinal, eu sempre tive amor.
Mais à medida que o tempo foi passando, a super proteção do meu pai também aumentou, então eu tive que começar a fazer as coisas escondido dele e dos meus irmãos, ou então não iria fazer nada.
E conto com a ajuda da minha cumplice Ava, que está com 13 anos, estudamos na mesma escola.
— Ava, Ava, preciso da sua ajuda- falo enquanto me sento ao seu lado, que estava lanchando.
— qual é a infração que iremos cometer? — pergunta sorrindo, Ava não se parece com uma menina de treze anos.
— adoro quando fala assim, me sinto uma adolescente, rebelde sem causa- falo sorrindo, enquanto bebo meu suco- mais voltando ao assunto em questão, preciso que você distraia, a coisa um, coisa dois e coisa três para que eu fique com o Eduardo no final da aula.
— você quer que eu distraia, o Teddy, Chris e o Mateus?
— exatamente, por favor vai, eu quero muito ficar com o Eduardo.
— tá, eu te ajudo, mais como vamos fazer?
— quando saímos da aula, você aparece e me chama para irmos ao banheiro, depois de alguns minutos você vai até eles, e fala que eu tinha que ir até a biblioteca pegar algum livro.
— beleza, vai ser fácil, eu acho.
— obrigada.
— não me agradeça ainda, você ainda vai me devolver quando for minha hora de virar a infratora juvenil da família.
— ou seja, ano que vem, você vai começar a me cobrar todos os favores que já me fez? Lembrando, favores não se cobram.
—eu sou a exceção, você precisa de mim, e eu vou precisar de você, agora fecha a boca que os coisas um, dois e três estão vindo.
Sorrio do jeito que ela fala, ela fica furiosa com os três porque eles fazem com ela, a mesma coisa que fazem comigo.
— o que estão falando? – Teddy pergunta ao se sentar ao meu lado, enquanto Chris senta ao lado direito de Ava e Mateus ao lado esquerdo dela.
— acho que nada que vocês vão gostar- falo o encarando seriamente.
— Valentina Grey, o que você pensa que está fazendo? — é a vez de Chris me perguntar.
— vocês me errem, me mirem mais me errem, que saco- falo olhando de cara feio pra eles.
— Valentina vamos ao banheiro? — Ava pergunta, para minha salvação, pois ela sabe como eu odeio o controle desses três coisas.
— NÃO- eles falam juntos, chamando a atenção de algumas pessoas próximas.
— as duas fiquem ai, e lanchem- já disse que eu odeio o super controle deles? Pois é, eu odeio isso, mais decido ficar na minha, e não chamar a atenção, ou pagar mico.
— se vocês três gritarem comigo mais uma vez, irão me pagar.
— falou a princesinha do papai- já disse que odeio o Christopher?
— e você ainda quer medir forças comigo? Basta uma carinha triste e eu convenço o papai de qualquer coisa que eu queria, portanto, se não quer problemas comigo, não se meta no meu caminho, e VOCES, não mandam em mim, vamos Ava?
— claro, com licença- fala e saímos, estou espumando de raiva.
— eu odeio o que eles fazem comigo, estão acabando com minha vida- falo.
— também não gosto quando eles fazem isso comigo, eu preciso de amigos, sem ofensas Val.
— tudo bem, eu penso o mesmo, mais meu pai e esses três não deixam, e ainda conseguem convencer o tio Elliot a fazer o mesmo que você- falo e ela concorda, conversamos mais um pouco, até que vejo Eduardo, nos aproximamos dele.
— oi meninas, princesa você fica mais linda ainda quando está com raiva.
— então agradeça as coisas um, dois e três- Ava fala e ele nos olha confuso.
— meus irmãos e o Mateus- falo e ele concorda- temos que ser rápidos- Ava nos dá cobertura, então no final da aula, combinado?
— com certeza princesa- sorrimos e eu saio com Ava, a gente vai passando e os alunos ficam nos olhando, dá vontade de falar para eles tirarem uma foto que dura mais.
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O intervalo acabou e tivemos que voltar para a sala de aula, e para minha felicidade teve trabalho em grupo, e para minha felicidade fiquei com o Eduardo, começamos o trabalho e como não deu tempo, iremos terminar no final de semana, e com certeza será na casa dele, já que lá em casa será impossível. E assim a aula passa mais rápido que o normal.
E o sinal toca e calmamente eu arrumo minhas coisas.
— anda logo Valentina, que coisa devagar.
— não me apressa Mateus, eu já estou terminando- falo e termino de arrumar minhas coisas e depois saímos da sala de aula, e vejo que Ava está saindo da sala dela também.
— vamos ao banheiro Val?
— vamos sim Ava, podem ir para o carro e me esperem lá- digo para meus irmãos e não espero a resposta deles e puxo Ava pelas mãos.
— tadinhos deles, vão mofar te esperando no carro- fala sorrindo, então demos uma pequena volta para despistar eles.
— vou tentar não demorar.
— beleza, e lembre-se, se o bicho pegar vou falar que você me convenceu a te ajudar, sou muito nova pra morrer e o tio Christian vai fazer exatamente isso com nós, então já aviso, vou jogar a culpa toda em você.
— covarde, já estou indo- falo e saio quase que correndo, assim que eu chego ao local combinado o Eduardo já está me esperando.
— desculpa a demora, tive que despistar os meus seguranças- falo e ele sorri.
— não tem problema, você não se atrasou muito, mais agora o que acha de pararmos de falar, um pouquinho? — ele pergunta e se aproxima de mim, e me abraça.
— uma ótima ideia, devo dizer- sorrio e ele me dá um selinho, mais isso não me satisfaz, pelo contrário, e acho que ele também não, então ele intensifica o beijo, e nossa, esse beijo é maravilhoso.
Ficamos nos beijando não sei por quanto tempo, e suas mãos safadas estão por meu corpo, me apertando, e ele sabe como fazer uma mulher entrar em combustão, porque porra, se só com uns beijos e apalpadas ele está me deixando assim, imagina como ele é na cama.
— você vai me deixar louco Valentina.
— digo o mesmo de você Eduardo- falo e volto a beija-lo, eu me apaixonaria por ele sem nenhum problema, afinal ele é lindo, inteligente, engraçado, sedutor e beija muito bem, o pacote completo.
— QUE MERDA É ESSA? — ouço vozes alteradas, nos afastamos rapidamente e vejo Teddy e Chris vermelhos, e soltando fogo.
— o que vocês estão fazendo aqui?
— a pergunta não é essa Valentina, o correto é, o que você está fazendo atracada com o Eduardo? — Christopher fala, se aproximando de nós dois e me puxa, me fazendo ficar entre eles dois.
— eu não estava fazendo nada demais, estão exagerando- falo com uma calma surpreendente.
— é verdade, não estávamos fazendo nada demais- Eduardo fala.
— não se mete nisso Eduardo, você... não... pode.... chegar... perto...da....minha...irmã... entendeu?- Teddy fala.
— Valentina é nossa irmã, e temos que protege-la, não podemos qualquer um se aproximar dela- fala e eu os olhos com uma cara de assassina, quem eles pensam que são? O Eduardo não é qualquer um.
— vamos pra casa e você vai está de castigo por um bom tempo, assim como a Ava.
— Teddy, você não é meu pai para me colocar de castigo, você não manda em mim, e eu quero ficar com o Eduardo, então vai pra casa e nem pensem em meter Ava em problemas.
— eu não sou seu pai, sou seu irmão e se eu falar para o papai o que você está fazendo, é claro que ele vai te colocar de castigo e ligar para o tio Elliot e falar da Ava, e acho que dessa vez, sua carinha não vai resolver nada.
— Teddy, me mira mais me erra, você é um idiota, se eu faço tudo isso é por culpa de vocês, todos vocês me sufocam, eu não posso fazer nada, sou tradada pior que um prisioneiro de segurança máxima, e pode falar o que quiser, saber porque? Quanto mais vocês me podarem, mais eu vou fazer essas coisas, eu não tenho medo de vocês, vamos Edu?
— vamos sim- ele fala e vou até ele.
— mais uma vez, não se metam comigo, eu sou boa, mais quando quero ser má, sou maravilhosa, não acabem mais com a minha vida, ou eu faço o mesmo com vocês, afinal sei dos seus segredinhos sujos, ainda mais um envolvendo a Ava.
Estou furiosa, por eles estarem fazendo isso comigo e se eles não pararem com isso, eu vou ferrar com eles, ah se vou, e se é guerra que eles querem, vão ter, eu beijo o Eduardo bem na frente deles e um beijo bem quente, quando sou puxada dos braços dele.
— pra casa agora Valentina Grey- Christopher fala e sai quase me puxando, e dou um jeito e me solto dele, vejo que Ava não está mais aqui, mais depois eu ligo pra ela.
— EU ODEIO VOCES, IDIOTAS- saio correndo e assim que chego do lado de fora não vou para o carro, pego um taxi e assim que entro, as lagrimas descem, falo o endereço ao taxista.
Eles não são justos comigo, se querem me proteger porque não fazem como pessoas normais, eu não aguento mais isso, e quando eu me revoltar e fazer uma merda não é pra ficar com gracinha para meu lado.
Eu sempre tiro boas notas, sei o que eu quero ser, em qual faculdade quero estudar, e só o que eu quero é ter uma vida normal, e ninguém entende isso, meu pai me cerca de todos os lados, e os meninos os ajudam.
Depois de meia hora eu chego, pego o dinheiro e nem vejo que nota é, digo para o motorista ficar com o troco, entro em casa, entro correndo e vou para meu quarto, tranco a porta e me jogo na cama, depois de alguns minutos chega uma mensagem no meu celular.
— Está tudo bem Valentina?
— não Ava, os meninos estragaram tudo, como sempre.
— me desculpe por isso, eu tinha ido até a biblioteca e eles apareceram por la também, e juntaram os pontos.
— tudo bem, e se o padrinho falar algo, negue até o fim, diga que não sabia que eu ia ficar com o Eduardo.
— tem certeza que vai encarar tudo isso sozinha?
— tenho sim, depois a gente se fala, eu tenho que pensar no que eu vou fazer.
— tá bom, beijos
— beijos= desligo o celular e o coloco no criado mudo, e começo a pensar no que fazer, e pela primeira vez não vejo uma alternativa pra mim, a não ser a verdade, que raiva.
— VALENTINA GREY, ABRE ESSA PORTA AGORA- porra, meu pai já está aqui? Como ele chegou tão rápido?
— ANDA VALENTINA, OU EU DERRUBO ESSA PORRA AGORA- ele fala e eu descido abrir a porta, e seja o que Deus quiser, quando abro a porta os três entram no meu quarto.
— que merda foi essa que seus irmãos me falaram?
— se eles já abriram a boca porque está me perguntando?
— Valentina, olha o respeito, eu sou seu pai e posso te dá a surra que nunca te dei.
— quer saber de uma coisa, estou pouco me importando com nada, se quer me bater, pode fazer, mais faz isso muito bem, bate, mais bate que deixe minha pele em carne viva, faz isso pra ver se tira o que eu estou sentindo, talvez a dor me faz esquecer o que eu estou sentindo, tá esperando o que? Começa logo, pode escolher, sinto, baco de sinuca, não interessa, quer bater, bate logo.
Falo e não consigo decifrar o que tem em seus olhos.
— vocês dois nos deixem a sós- fala para os meninos.
— não, eles ficam, afinal eles não são seus cães de guarda, não tem porque eles saírem no melhor da festa.
— não estou te reconhecendo mais Valentina, você não é a minha doce menina- meu pai fala.
— eu mudei e por culpa de vocês três.
— nossa culpa, e posso saber como?
— sim, culpa de vocês três, eu não tenho amigos, não posso sair, todos na escola me olham como se eu fosse uma aberração e hoje foi a gota D'agua, esses dois me envergonharam.
— te envergonharam? Eles estavam te protegendo- meu pai fala exaltado.
— tem uma diferença muito grande entre cuidar e perseguir, e é isso que estão fazendo comigo, vocês não estão cuidando de mim, estão me sufocando, todos meus passos estão sendo vigiados, 24h por dia.
— e acho que faço bem, dadas as últimas circunstâncias não é, porque se com toda essa proteção você faz isso, imagina se não tivesse- e os dois idiotas estão plantados no meio do quarto, só olhando, sem dizer uma única palavra.
— engraçado que eu vejo o contrário, que se você confiasse mais em mim, eu não iria fazer nada escondido, pois eu não precisaria, mais já que vocês não me deixam outra alternativa.
— estou vendo o quanto você é responsável Valentina, se agarrando com um garoto na escola.
— se eu faço isso é porque não me dão escolhas, eu não vou viver a minha vida toda trancada na torre do castelo pai, eu quero viajar, ter amigos, fazer tudo o que eu posso, e sim, sou muito responsável, eu nunca tirei uma nota baixa, nunca foram chamados na escola por minha causa, ao contrário dos seus queridinhos que vez e sempre aprontam, eles passam mais tempo na diretoria do que na sala de aula, e mesmo assim tem mais liberdade do que eu, quer dizer, até um cachorro tem mais liberdade do que eu, e isso não é justo, eu não uso drogas, não bebo, não faço tatuagens, eu só quero ter mais espaço pra me divertir, e isso não é pecado.
— como vou saber que não irá fazer nada disso se tiver liberdade?
— se fosse pra eu fazer, já tinha feito, pois eu estou furiosa com todos vocês e usaria isso pra me vingar, mais não... eu não fiz, e o senhor sabe que estou falando a verdade.
— pai não- Christopher fala.
— CALA A BOCA, POIS ISSO TUDO É CULPA DE VOCES, EU ODEIO TUDO ISSO, ODEIO VOCES.
—não fala assim com seus irmãos.
— quer saber, saiam do meu quarto agora, e me deixem em paz.
—ainda não conversamos tudo, e você está de castigo.
— serio? Vai me tirar o que? Eu não vou mais poder sair? Esqueci, eu não saio mesmo, então estou pouco me fodendo para o seu maldito castigo, agora saiam daqui e me deixem em paz- falo chorando.
E como eles não se movem, eu vou até a porta e a abro, esperando eles saírem, depois a empurro com toda minha força, depois eu saio quebrando tudo o que eu vejo pela frente, deixei meu quarto destruído, depois me deito na cama e choro tudo o que posso, e acabo dormindo.
Acordo horas depois sentindo um carinho em meu braço, devagar abro os olhos e vejo que é minha mãe.
— o que aconteceu? Me pergunta.
— que horas são?
— quase a hora do jantar, estava preocupada pois a Gail disse que você chegou em casa chorando e falou que você, e o Christian discutiram, e agora vejo seu quarto assim, todo quebrado.
— vai brigar comigo também?
— não meu amor, eu só quero te entender.
— eu não aguento mais mãe, eu sou uma prisioneira nessa casa, só falta aquelas tornozeleiras pra vigiar melhor meus passos.
— também não é assim Valentina.
— é claro que é assim, eu sou uma aberração na escola, as meninas ficam me zoando, os garotos tem medo de mim, não posso viajar, nem ir ao shopping assistir um filme, ou andar, nada disso porque ele não confia em mim, e depois vem dá uma ofedidinho, se ele quer as coisas assim, que seja, eu não vou baixar minha cabeça pra ele, ele falou em me bater mãe.
—ele falou isso porque estava nervoso, você é a menininha dele, e ele tem medo de te perder.
— se ele não confiar em mim, e me dá mais liberdade é claro que ele vai me perder, eu já dei motivos que mostram que não sou responsável?
— não filha, claro que não, mais tente não bater de frente com seu pai, você sabe como ele é.
— vai depender dele.
Minha mãe me olha e balança a cabeça como se tivesse discordando do que eu tivesse falando.
— vai tomar um banho, porque logo iremos jantar e eu vou pedir pra Susan vir arrumar essa bagunça que você fez.
— não quero descer e ver eles três, felizes.
— você vai sim, e não vai falar nada.
Bufo de raiva e vou para o banheiro, sem me importar se me machuco ou não, lá também está quebrado, só o box que ainda está inteiro, tomo um banho rápido e volto para o quarto, me visto e desço, desço as escadas e vejo que todos estão na sala, passo direto por eles e vou para a cozinha.
Abro a geladeira e pego um pouco de suco para beber.
— está tudo bem?- Gail me pergunta.
— não Gail.
Falo só isso e depois de alguns minutos o jantar é servido e mesmo contra minha vontade me junto a eles, evito olhar pra eles ou os pratos irão voar.
— estava ficando preocupado com você= meu pai fala, eu só olho pra ele e não falo nada, volto a mexer na minha comida.
— agora vai dá uma de mimada?
— Christian para com isso.
— minha mãe disse pra não falar nada, viu só, sou obediente.
Falo ironicamente e começo a comer, e sinceramente estou pra sair correndo, pois prefiro ficar com fome do que está aqui com eles.
E o jantar segue com o clima mais desagradável possível, eu mal espero eles terminarem e vou para o andar de cima, para meu quarto.
— Susan, não precisa fazer isso hoje, deixe pra amanhã- digo pra ela, e vou para o quarto de hospedes.
— podemos conversar? — me viro e vejo os traidores.
— não= falo andando e eles me seguem e agora nós três estamos no mesmo quarto.
— falem de uma vez.
— queremos pedi desculpas= Teddy começa
— é Val, a gente não sabia que você se sentia assim, mais poxa, você é nossa irmãzinha e temos que te proteger.
— me proteger de que?
— Val, alguns dos garotos da escola só querem ficar com você, porque você é filha de Christian Grey, e querem tirar uma casquinha com isso, e aquelas meninas, você está melhor sem a amizade delas.
— é verdade Val, nos desculpe vai, tentaremos mudar, mais você também tem que mudar, aceita?= Teddy fala enquanto está com a mão estendida- só não queremos que você se machuque por um daqueles idiotas.
— vou pensar, mais vocês tem que mostrar que realmente mudaram, se querem me proteger, beleza, só não precisa vocês acabarem com a minha vida, e eu sei me proteger.
— tudo bem, entendemos a lição, confie na gente- Christopher fala e vem e junto com Teddy me abraçam.
Conversamos mais um pouco.
— o que você quis dizer com o "eu sei do seu segredinho sujo"?
— eu sei da aposta que fizeram, e iria contar pra Ava, ai queria ver vocês se explicando pra ela.
— não fala isso pra ninguém Valentina.
— não machuquem Ava, ela é minha única amiga.
— não vamos= falam e depois saem do quarto, me deito na cama e ligo a tv, e começo a procurar alguma coisa pra assistir, quando a porta é aberta e meu pai entra.
— podemos conversar?
— não adianta mesmo eu falar não, então fala
— o que está acontecendo com você filha?
— eu só estou crescendo pai, e precisando de liberdade e espaço
— é tão difícil ver que você não é mais aquela menininha que amava ficar comigo.
— ainda sou aquela menina pai, só que um pouco maior, tente me entender pai, por favor.
— filha, eu tenho medo que aconteça algo com você, que você possa ter amizades indevidas, que te levem a fazer coisas erradas.
— pai, com isso não precisa se preocupar, eu só quero que diminua o número de seguranças, e me deixe fazer algumas coisas, eu juro que não vou fazer nada de errado, e eu não quero mais mentir, o que o senhor prefere? Que eu seja sincera, que o veja como um amigo, ou que faça coisas erradas e que talvez um dia apareça gravida?
— isso nem pensar Valentina.
— pai, entenda, eu só quero ter mais espaço pra mim, mais liberdade, e eu sempre irei falar pra onde irei, ou com quem, o senhor tem que confiar mais em mim, na educação que o senhor e a mamãe me deram, se o senhor confiar em mim, irei confiar no senhor também, e não vou virar uma adolescente rebelde, que foge de casa.
— está bem, vamos fazer uma experiência, e se eu ver que está falando a verdade iremos sentar e discutir sobre como será.
— obrigada papai, eu realmente não quero mais fazer nada escondido.
— tudo bem, irei confiar em você, mais e quem é esse Eduardo?
— ele estuda comigo e com os meninos e ele é um cara incrível pai, o senhor vai ver, é só dá uma chance a ele.
— é claro que irei querer conhecer quem ele é, e se eu não gostar dele, ele não chega mais perto de você.
— tudo bem, mais o senhor vai gostar dele, eu garanto- me aproximo dele e o beijo e em seguida o abraço, ficamos assim até que a porta é aberta e vejo minha mãe e os meninos ali, logo eles se aproximam e se juntam ao abraço.
Essa família pode não ser a mais perfeita, mais é minha família, e do jeito deles, me amam e me cuidam, e eu amo saber que não ligam para eu não ter o mesmo sangue que eles.
— amo vocês= digo
— amamos você anã- Teddy fala
— olha ele pai
— mais você é baixinha mesmo princesa.
— retiro o que eu disse- falo e eles sorriem
— você é nossa smurf e a gente ama= é a vez de Christopher falar.
Apesar de tudo, sei que posso contar com eles, para qualquer coisa.
E eu os amo mais que tudo, só não vou deixar de fazer o que eu quero, pois esse é o meu jeito.
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