50 Tons de Desejo
4 Almoçando com o Benson
Notas iniciais
Minutos depois...
P.O.V Da Sam
Agora estou no carro dele, e ele está concentrado ao volante, me sinto desconfortável, pois o silêncio se instalou entre nós.
— Onde vamos almoçar? — Pergunto quebrando o silêncio.
— No El Vitela Royal, conhece? — Perguntou sem tirar os olhos da direção.
— Não! — Respondo. O carro dele é um Audi-R1 e pelo cheiro do estofado, o automóvel é novo.
— Sempre que venho à Vancouver eu gosto de comer lá, o cardápio é bem variado. A gastronomia é bastante rica e apreciável! — Falou e em seguida ligou o rádio.
Need you now começou a tocar, é uma música bonita e eu gosto da voz da Lady Antebellum, é linda.
E quando eu me dei conta, eu já estava cantarolando no rítmo da música, me calei rapidamente sentindo minhas bochechas esquentarem.
— Sua voz é linda. Por quê parou de cantar? — Perguntou me deixando ainda mais envergonhada.
Não respondi e abaixei o olhar, caramba! Eu sou tão boba.
— Chegamos! — Avisou parando o carro em frente a um restaurante, a entrada do estabelecimento era de estilo rústico, as paredes eram de madeira numa tonalidade escura.
Ele saiu do carro e deu a volta, e como um bom cavalheiro, ele abriu a porta para mim.
— Obrigada! — Agradeci saindo do carro e ajeitei minha bolsa no meu ombro direito.
Então, adentramos o estabelecimento passando pelas portas-duplas, o piso era revestido de madeira, as paredes eram cor de creme. As mesas eram pequenas e redondas, e havia apenas dois lugares.
Uma música calma e baixa tocava ao fundo para alegrar o ambiente.
— Vamos sentar ali! — Falou pegando a minha mão e eu senti um friozinho na barriga. E ele me conduziu até a mesa no fundo do restaurante perto de um canteiro de rosas brancas.
É a primeira vez que vejo um restaurante com uma decoração tão romântica, neutra e rústica.
— Bom dia. Aqui estão os cardápios, sejam bem-vindos ao El Vitela Royal! — Disse um dos garçons sorrindo gentilmente.
— Bom dia! — Disse o senhor Benson pegando os cardápios e me entregou um.
— Quando acabarem de escolher, é só chamar. Com licença! — Falou o rapaz se retirando.
Olhei para o senhor Benson e ele estava lendo o cardápio, sua expressão está tão serena. O cabelo escuro combina perfeitamente com seu tom de pele clara, seus olhos pequenos e repuxados com tonalidade cor de chocolate são quentes e sedutores, e sua boca pequena e rosada é uma verdadeira tentação.
— A senhorita não vai escolher? — Perguntou terminando de ler o cardápio e me olhou, tão calmo e descontraído.
— Eu... Bom, o que o senhor me sugere? — Perguntei tentando manter a calma. Eu já estava ficando nervosa.
— Posso escolher o prato principal por nós dois e você escolhe a sobremesa? — Perguntou.
— Sim! — Respondi assentindo.
Ele chamou o garçom, e este veio nos atender prontamente.
— Já escolhemos, vamos querer duas poções de Cocido Madrileño com salada de batata, e vinho branco para acompanhar! — Disse adotando um sotaque espanhol ao falar o nome do primeiro prato.
O garçom anotou os pedidos, pediu licença e se retirou.
— O que você pediu? — Perguntei curiosa.
— Cocido Madrileño, é típico prato de origem espanhola. É um cozido feito de linguiça, grão-de-bico, batata, vagem, repolho, presunto outros ingredientes como legumes e hortaliças! — Explicou calmamente.
— Oh! Parece delicioso! — Comentei sorrindo.
Mas na verdade, eu preferia comer apenas a linguiça saltiada com cebola ao molho branco, não gosto muito de caldos e nem de cozidos com todas essas coisas aí que ele falou.
— 1 dólar por seu pensamento, diga-me o que está pensando? — Pediu dando um leve sorriso.
— Meus pensamentos valem muito mais que um dólar! — Falei sem pensar, as palavras simplesmente escaparam.
— 5 dólares então! — Falou aumentando o sorriso, parecia estar se divertindo.
— Desculpe, mas meus pensamentos não estão à venda! — Falei, séria.
Quem ele pensa que é? Só porque ele é podre de rico acha que pode pagar para saber sobre os pensamentos de uma pessoa?
Ele é todo seguro de si e sustenta um ego enorme, pessoas egocêntricas são tão mesquinhas. Tenho vontade de me levantar e ir embora, mas eu me contenho e resolvo ignorar esse jeito incoveniente dele.
[...]
Finalmente nossos pedidos chegaram, eu já estava faminta e rezando para o meu estômago não roncar, seria tão constrangedor se isso acontecesse na frente do senhor perfeição.
— Aqui estão seus pedidos, bom apetite! — O mesmo garçom nos serviu e pediu licença se retirando.
Olhei para a pequena tigela com o tal cozido de linguiça com verduras e hortaliças. Até que a aparência era agradável e o cheiro era bom.
Ele serviu as taças de vinho, e eu olhei para o potinho com a salada de batata. Nossa! Isso nem vai dar para forrar meu estômago.
— Vamos brindar? — Perguntou estendendo uma das taças cheia de vinho em minha direção.
— Eu não consumo bebidas alcóolicas! — Falei com calma e peguei o copo d'água perto da tigela com o cozido.
— É vinho branco, você não vai ficar bêbada se tomar apenas alguns golinhos! — Disse ainda segurando a taça, estendendo-a para mim.
— Eu realmente não bebo! — Falei.
— Não se preocupe, eu não irei embebedá-la para poder levá-la para a cama! — Disse me olhando sério e sua voz soou um pouco dura.
— Não estou pensando isso, senhor Benson! — Falei ficando envergonhada.
— Meu nome é Fredward, mas pode me chamar apenas de Freddie! — Disse suavizando o tom de voz.
Reprimi um riso. Fredward? Que diabos de nome é este? Um nome tão esquisito para um homem tão lindo...
— Por favor, apenas um brinde. A nossa comida vai esfriar, Samantha! — Falou com a voz rouca, ele falando meu nome soou tão sensual.
— Tudo bem! — Aceitei derrotada, peguei a taça de vinho e ele sorriu. — Por favor, me chame apenas de Sam! — Pedi com calma.
— Certo. Um brinde à saúde e a beleza feminina! — Disse dando um pequeno sorriso de lado.
Será que posso considerar isso que ele falou como um elogio? Beleza feminina? Eu estou longe de possuir isto.
— Um brinde à saúde e a beleza da natureza! — Falei e em seguida brindamos.
Ele tomou um pequeno gole do vinho e eu fiz o mesmo sentindo o líquido adocicado e gelado descer garganta abaixo.
— Bom apetite, Sam! — Disse enquanto pegava a colher ao lado do guardanapo perfeitamente dobrado.
Ele pegou um pouco do cozido e levou a boca, e meus olhos seguiram seus movimentos atentamente.
O senhor Benson mastigou devagar e enguliu, e logo seus olhos voltaram a mim.
— Está delicioso, não vai comer? — Perguntou.
— Sim! — Respondi pegando a colher e decidi provar o tal Cocido Madrileño.
Então provei, e gostei. O sabor tinha um leve apimentamento, acho que a linguiça deve ser apimentada. A comida é espanhola sua burra, é claro que o tempero é apimentado.
[...]
Terminamos de comer o prato principal e o que mais gostei foi da salada de batata.
— O que vão querer de sobremesa? — Perguntou uma garçonete olhando diretamente para o Benson.
Cadê o garçom que estava nos atendendo desde quando chegamos? Ela está o secando descaradamente e já até abaixou o decote.
— Sam, você escolhe! — Falou ele ignorando a garota atrevida que estava quase esfregando os seios na cara dele.
— Mousse de frutas vermelhas, duas poções, por favor! — Falei me controlando para não voar no pescoço dela.
Que abusada, será que ela ainda não percebeu que ele está acompanhado? Isso é muita falta de respeito.
Ela passou a mão pelo cabelo preto, jogando-o para o lado e seus olhos verdes ainda continuam vidrados no Benson, e ele não parece estar incomodado com a bela morena secando-o.
Por fim, ela anotou os pedidos, e pediu licença se retirando.
— Eu quero ir embora! — Falei sem olhá-lo e peguei minha bolsa que estava sobre o meu colo.
— Por quê? — Perguntou um pouco confuso.
— Eu preciso ir pra casa, tenho coisas para fazer! — Menti.
— Está mentindo. Diga a verdade, por qual motivo quer ir embora? — Indagou sério.
Mordi o lábio e abaixei o olhar. Como ele sabe que estou mentindo?
— Esqueci de colocar a ração para o meu gatinho! — Menti novamente.
— Sério? Eu sei que você é alérgica a gatos! — Falou me desmentindo.
Arregalei os olhos surpresa. Como ele sabe disso?
— Como você sabe disso? Por acaso andou pesquisando sobre a minha vida? — Perguntei indignada.
— Claro que não. Só joguei verde para colher maduro, acredite isso sempre funciona! — Explicou sorrindo.
Mas eu não senti segurança em suas palavras, ele pareceu soar incerto e isso é estranho.
[...]
Nossa sobremesa finalmente chegou, comemos em silêncio, nada de troca de olhares e nem palavras. O Mousse de frutas vermelhas estava divino, eu amo essa sobremesa.
— Você tem namorado? — Perguntou quebrando o silêncio que havia se prolongado.
— Não! — Respondi sem levantar o olhar e mexi minha sobremesa afudando a colher na taça procurando pedacinhos de morango e cereja.
— Por quê uma moça tão linda continua solteira? — Indagou.
Linda, eu? Onde? Meus cachos são rebeldes demais, meus olhos são grandes e sem brilho, me sinto gorda e nada atraente.
— Você está falando sério? Eu não sou feminina e nem bonita, portanto para de tentar me iludir. Olhe para mim, o que vê de interessante? — Perguntei exaltada deixando minha sobremesa de lado.
— Você é linda mesmo não usando maquiagem, acredite. Os seus cachos são tão belos, o seu nariz é perfeito e sua boca parece de uma boneca, tão desenhada e delicada e você possui os olhos mais lindos que eu já vi! — Falou calmamente.
Senti minhas bochechas esquentarem, fiquei envergonhada pelo elogio mesmo sabendo que nada do que ele disse era verdade.
— Eu realmente preciso ir! — Falei me levantando, pendurei a bolsa no ombro e ele se levantou imediatamente.
— Espere, eu só vou pagar a conta! — Disse e eu assenti.
[...]
Agora ele está me levando para a casa, a música tocando na rádio é o único som que impede o silêncio de se prevalecer. E ele está quieto desde o momento que deixamos o restaurante. Sou uma idiota, estabanada e sem graça. Na boa, por quê ele me convidou para almoçar com ele?
O senhor Benson é lindo e poderoso e pode ter qualquer mulher jogada aos pés dele. Então, por quê finge estar interessado em mim? Eu não entendo.
O carro parou, e eu abri a porta e saí rapidamente. Finalmente já posso entrar no prédio e correr para o meu apartamento.
— Muito obrigada pelo almoço, senhor Benson! — Agradeci rapidamente. — Adeus! — Me despedi, afinal ele irá voltar para Seattle e nunca mais nos veremos.
Não dou tempo para ele dizer qualquer coisa, apenas lhe dou as costas e ando rapidamente em direção ao prédio.
De repente sinto um puxão no meu braço direito que me faz parar de prosseguir meu caminho, e eu sinto meu corpo virar bruscamente.
É ele, suas mãos se firmam em minha cintura e eu o olho numa mistura de susto e surpresa.
— O que você quer? — Pergunto arfante e um pouco atordoada.
— Você... Eu quero você! — Respondeu seguro, sua voz rouca me fez arrepiar, e eu quase me derreti quando seu olhar chocolate penetrou o meu, se ele não estivesse me segurando, eu provavelmente já estaria aos seus pés.
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