Notas iniciais
Bem, como eu prometi pra lipsmango já que ela recomendou eu vou tentar postar 3 capitulos hoje, senão amanhã eu posto.
Ai eu tô tão feliz, 2 recomendações: Obrigada Mari Sanches Henderson e lipsmango. Amo demais vcs divas.
63 comentários. OMG. Eu tenho as melhores leitoras do mundo. Amo todas vcs amores.
Enfim,

Boa leitura
:D

Depois de várias conversas com Logan para esclarecer algumas coisas em relação ao contrato, ele, como sempre, sendo cabeça dura e autoritário. Marcamos de nos encontrar para discutir as cláusulas do contrato no restaurante de seu prédio.

Tenho que tirar os sapatos para conduzir Wanda, meu fusca azul marinho, não foi desenhado para ser conduzido por mulheres com saltos altos. Estacionei em frente ao Heathman as sete, faltando dois minutos exatamente, dando as chaves ao manobrista, percebo que ele olha para meu fusca com cara feia, mas eu o ignoro. Respiro fundo, me preparo mentalmente para a batalha e me dirijo ao hotel.

Logan está inclinado sobre o balcão, bebendo um copo de vinho branco. Ele está vestido com a habitual camisa branca de linho, jeans preto, gravata preta e jaqueta preta. Tem os cabelos tão alvoroçados como sempre. Suspiro. Fico uns segundos parada na entrada do bar, observando, admirando a vista. Ele lança um olhar, acredito que nervoso, para a porta se esticando e fica imóvel. Pestaneja um par de vezes e depois esboça lentamente um sorriso indolente e sexy que me deixa sem palavras e isso me derrete por dentro. Avanço para ele fazendo um enorme esforço para não morder meus lábios, consciente de que eu, Daniela Goulart de Clumsyville, estou de saltos. Ele caminha graciosamente par me encontrar.

— Você está linda, — ele murmura, inclinando-se para me beijar rapidamente na bochecha. — Lindo vestido, senhorita Goulart. Parece-me muito bem. — Agarra minha mão, e me leva a uma mesa reservada e faz um gesto ao garçom. — O que quer tomar?

Esboço um ligeiro sorriso enquanto me sento na mesa. Bem, ao menos pergunta-me.

— Tomarei o mesmo que você, obrigado. — Viu? Sei fazer meu papel e me comportar.

Divertido, pede outro copo do Sancerre e se senta em frente a mim.

— Têm uma adega excelente aqui, — me diz, inclinando a cabeça para um lado.

Ele apoia os cotovelos na mesa e junta os dedos de ambas as mãos à altura da boca. Em seus olhos brilham uma incompreensível emoção. E aí está... uma descarga elétrica que conecta com o meu eu mais profundo. Remexo-me, incômoda diante de seu olhar escrutinador, com o coração pulsando rapidamente. Tenho que manter a calma.

— Está nervosa? — Ele pergunta amavelmente.

— Sim.

Ele inclina-se para frente.

— Eu também, — ele sussurra com cumplicidade. Mantenho meus olhos nos seus.

Ele? Nervoso?

Nunca. Eu pestanejo e ele me dá seu precioso sorriso meio de lado. Chega o garçom com meu vinho, um pratinho com frutas secas e outro com azeitonas.

— Então, como faremos isso? — Eu pergunto. — Revisamos meus pontos um a um?

— Sempre tão impaciente senhorita Goulart.

— Bem, eu poderia perguntar o que você achou do tempo hoje?

Ele sorriu e pegou uma azeitona com seus longos dedos. Ele botou na boca e meus olhos se fixam na sua boca, que esteve sobre a minha... em todo meu corpo. Ruborizo.

— Acredito que o tempo hoje não teve nada de especial, — Ele riu.

— Está rindo de mim, senhor Mitchell?

— Sim, senhorita Goulart.

— Sabe que esse contrato não tem nenhum valor legal.

— Sou perfeitamente consciente disso, senhorita Goulart.

— Pensou em me dizer isso, em algum momento?

Ele franze o cenho.

— Você acredita que estou te coagindo para que faça algo que não quer fazer, e que além disso pretendo ter algum direito legal sobre você?

— Bem... sim.

— Não tem um bom conceito de mim, não é verdade?

— Não respondeu a minha pergunta.

— Daniela, não importa se é legal ou não. É um acordo que eu gostaria de ter contigo... o que eu gostaria de ter de você e o que você pode esperar de mim. Se você não gostar, não assine. Se o assinar e depois decidir que você não gosta, há suficientes cláusulas que lhe permitirão deixá-lo. Mesmo se você for legalmente vinculada, acredita que levaria você a julgamento se decidisse partir?

Tomo um comprido gole de vinho. Meu subconsciente me dá um golpe no ombro. Tem que estar atenta. Não beba muito.

— As relações deste tipo se apoiam na sinceridade e na confiança, — seguiu me dizendo. — Se não confiar em mim... tem que confiar em mim para que saiba em que medida estou te afetando, até onde posso ir contigo, até onde posso te levar... se não puder ser sincera comigo, então, realmente, não podemos fazer isso.

Oh meu Deus, vá diretamente ao ponto. Até onde pode me levar. Caramba. O que quer dizer?

— É muito simples, Daniela. Confia em mim ou não? — Ele perguntou com os olhos ardentes. — Você manteve este tipo de conversa com... bem, com as quinze?

— Não.

— Por que não?

— Porque elas já eram submissas. Sabiam o que queriam da relação comigo, e em geral, o que eu esperava. Com isso, era uma simples questão de afinar os limites possíveis, esses tipos de detalhes.

— Você as procura em alguma loja? Nós somos Submissas?

Ele ri.

— Não exatamente.

— Então como?

— É disso que quer falar? Ou passamos ao melhor da questão? Às objeções, como você diz.

Engulo em seco. Confio nele? É nisso que se resume tudo, à confiança? Sem dúvida deveria ser coisa mais importante para os dois. Lembro-me de sua raiva quando liguei para Dustin.

— Você está com fome? — Ele pergunta, e me distrai de meus pensamentos

Oh, não... a comida.

— Não.

— Você comeu hoje?

Eu olho para ele. Honestamente... Caramba, não vai gostar da minha resposta.

— Não. — respondo em voz baixa.

Ele me olhou com expressão muito séria.

— Tem que comer, Daniela. Podemos jantar aqui ou em minha suíte. O que você prefere?

— Acredito que é melhor ficamos em terreno neutro.

Ele sorriu com ar zombador.

— Crê que isso me deteria? — pergunta em voz baixa, como uma sensual advertência.

Arregalo os olhos e volto a engolir a saliva.

— Eu espero.

— Vamos, reservei um jantar privado. — Ele sorriu enigmaticamente e saiu da mesa me estendendo a mão.

— Traga o seu vinho — murmura.

Agarro a sua mão, levanto e paro a seu lado. Solta a minha mão, põe no braço, cruzamos o bar e subimos uma grande escada até a sobreloja. Um rapaz com uniforme do Heathman se aproxima de nós.

— Senhor Mitchell, por aqui, por favor.

Nós o seguimos por uma luxuosa sala de sofás, até um refeitório privado, com uma só mesa. Era pequeno, mas suntuoso. Sob um candelabro cintilante, a mesa está coberta por linho engomado, taças de cristal, talheres de prata e um ramo com uma rosa branca. Um encanto antigo e sofisticado impregnava a sala, forrada com painéis de madeira. O garçom retira a cadeira e me sento. Eu coloco o guardanapo no colo. Ele coloca as taças na mesa.

Logan se senta em frente a mim. Eu fico olhando para ele.

— Não morda o lábio, — ele sussurra.

Eu franzo o cenho. Caramba. Nem sequer me dei conta de que estava fazendo isso.

— Já pedi a comida. Espero que não se importe.

A verdade é que me parece um alívio. Não estou segura de que possa tomar mais decisões.

— Não, está tudo bem, — eu respondo.

— Eu gosto de saber que pode ser dócil. Agora, onde estávamos?

— No x da questão. — Dou outro longo gole de vinho. Está muito bom. Logan Mitchell conhece bem os vinhos bons. Eu lembro do último gole que me ofereceu, em minha cama. O inoportuno pensamento me fez ruborizar.

— Sim, suas objeções. — Põe a mão no bolso interno da jaqueta e tira uma folha de papel.

Meu e-mail.

— Cláusula 2. De acordo. É em benefício dos dois. Voltarei a redigi-lo.

Pestanejo. Caramba... vamos passar por cada um destes pontos, um de cada vez. Não me sinto tão valente estando com ele. Ele parece tão sério. Reforço-me com outro gole de vinho. Logan continua.

— Minha saúde sexual. Bem, todas as minhas companheiras anteriores fizeram análise de sangue, e eu faço exames a cada seis meses, de todos estes riscos que existam. Meus últimos exames estavam perfeitos. Nunca usei drogas. Na realidade, sou totalmente contra as drogas, e minha empresa leva uma política antidrogas muito a sério. Insisto em que se façam exames aleatórios e de surpresa nos meus empregados para detectar qualquer possível consumo de drogas.

Uau... A obsessão controladora leva à loucura. Eu o encaro perplexa.

— Nunca fiz uma transfusão. Isso responde a sua pergunta?

Concordo, impassível.

— Seu ponto seguinte eu já comentei antes. Você pode sair a qualquer momento, Daniela. Não vou te deter. Mas se for... acaba tudo. Quero que saiba.

— Ok, — eu respondo em voz baixa. Se eu for, acabou. A ideia me parece inesperadamente dolorosa.

O garçom chega com o primeiro prato. Como vou comer? Caramba... ele pediu ostras em uma cama de gelo.

— Espero que você goste das ostras, — Logan diz em tom amável.

— Nunca as provei. — Nunca.

— Sério? Bem. Pegue uma. A única coisa que tem que fazer é colocar isso na boca e engolir. Acredito que conseguirá. — Ele olha para mim e sei a que está se referindo. Fico vermelha como um tomate. Sorrindo me diz que devo espremer suco de limão em uma ostra e colocá-la na boca.

— Mmm, deliciosa. Tem sabor de mar, — ele diz sorrindo. — Vamos, — ele me encoraja.

— Não tenho que mastigá-la?

— Não, Daniela. — Seus olhos brilham divertidos. Parece muito jovem. Eu aperto os lábios, e sua expressão muda instantaneamente. Ele me olha muito sério. Estico o braço e pego a primeira ostra. Ok... isto não vai sair bem. Jogo suco de limão e a coloco na boca. Ela desliza por minha garganta, todo o mar, sal, e a forte acidez do limão e sua textura carnuda...

Oooh. Lambo os lábios, e ele me olha fixamente, com olhos impenetráveis.

— É bom?

— Comerei outra e lhe responderei.

— Boa garota, — me diz orgulhoso.

— Você pediu ostras de propósito? Não dizem que são afrodisíacas?

— Não, é só o primeiro prato do menu. Não necessito de afrodisíacos contigo. Acredito que sabe, e acredito que é assim contigo também, — ele diz tranquilamente. — Onde estávamos? — Ele dá uma olhada no meu e-mail, enquanto pego outra ostra.

Acontece o mesmo com ele. Eu o afeto... Uau.

— Obedecer-me em tudo. Sim, quero que faça. Necessito que o faça. Considera um papel difícil, Daniela?

— Mas me preocupa que me faça mal.

— Que te faça mal como?

— Fisicamente. — E emocionalmente.

— De verdade acredita que te faria mal? Que transpassaria os limites, ao ponto de não poder aguentar?

— Você disse que tinha feito mal a alguém antes.

— Sim, mas foi há muito tempo.

— O que aconteceu?

— Pendurei-a no teto do quarto de jogos. De fato, é um dos seus pontos. Suspensão... para isso são os mosquetões. Com cordas. E apertei muito uma corda.

Levanto uma mão lhe suplicando que pare.

— Não preciso saber mais. Então, você que me suspender?

— Não, se realmente não quiser. Pode tirar da lista dos limites rígidos.

— Ok.

— Bom, crê que poderá me obedecer?

Lança-me um olhar intenso. Passam os segundos.

— Poderia tentar, — eu sussurro.

— Bom. — Ele sorri. — Novo termo. Um mês não é nada, especialmente se quiser um fim de semana livre de cada mês. Não acredito que eu possa aguentar ficar longe de ti tanto tempo. Mal o consigo agora. — Ele pausa.

Não pode ficar longe de mim? O que?

— Que tal, um dia de um fim de semana por mês só para você. Mas ficará comigo uma noite no meio da semana.

— De acordo.

— E, por favor, tentamos por três meses. Se você não gostar, pode partir a qualquer momento.

— Três meses? — Sinto-me pressionada. Dou outro comprido gole de vinho e me concedo o gosto de outra ostra. Poderia aprender o que eu gosto.

— O tema da propriedade, é meramente terminologia e remete ao princípio da obediência. É para você entrar no estado de ânimo adequado, para que entenda de onde venho. E quero que saiba que, assim que cruzar a porta de minha casa, você é minha por inteiro, farei contigo o que me der vontade. Terá que aceitar de boa vontade. Por isso tem que confiar em mim. Vou foder você, quando quiser, como quiser e onde quiser. Vou disciplinar você, por que você vai estragar tudo. Adestrarei você para que me agrade. Mas sei que tudo isto é novo para você. De inicio iremos com calma, e eu te ajudarei. Nós vamos atuar em vários cenários. Quero que confie em mim, mas sei que tenho que ganhar sua confiança, e o farei. O "em qualquer outro âmbito"... de novo, é para ajudar você a se colocar em uma situação. Significa que tudo está permitido.

Ele se mostra apaixonado, cativante. Está claro que é sua obsessão, sua maneira de ser... Não conseguia afastar os olhos dele. Quero-o de verdade. Ele para de falar e me olha.

— Continua comigo? — pergunta em um sussurro, com voz intensa, cálida e sedutora.

Ele toma um gole de vinho sem tirar seus penetrantes olhos de mim.

O garçom se aproxima da porta, e Logan assente ligeiramente para lhe indicar que pode retirar os pratos.

— Quer mais vinho?

— Tenho que dirigir.

— Água, então?

Eu concordo.

— Normal ou com gás?

— Com gás, por favor.

O garçom parte.

— Está muito pensativa, — sussurra Logan.

— Você está muito falador.

Ele sorri.

— Disciplina. A linha que separa o prazer da dor é muito fina, Daniela. São as duas caras de uma mesma moeda. E uma não existe sem a outra. Posso lhe ensinar quão prazerosa pode ser a dor. Agora não me acreditas, mas a isso me refiro quando falo de confiança. Haverá dor, mas nada que não possa suportar. Voltamos para o tema da confiança. Confia em mim, Dani?

Dani!

— Sim, confio em ti, — respondo espontaneamente, sem pensar... por que é verdade...

Eu confio nele.

— De acordo, — ele diz aliviado. — O resto, são apenas detalhes.

— Detalhes importantes.

— Ok, vamos falar sobre eles.

Minha cabeça dá voltas com tantas palavras. Devia ter trazido o gravador da Lud para poder voltar a ouvir depois o que ele disse. Muita informação, muitas coisas para processar. O garçom volta a aparecer com o segundo prato: bacalhau, aspargos e purê de batatas com molho holandês. Eu nunca me senti com menos fome por alimentos.

— Espero que você goste de pescado, — Logan diz em tom amável.

Olho minha comida e bebo um longo gole de água com gás. Eu gostaria que fosse vinho.

— A normas. Falemos das normas. Rompe o contrato pela comida?

— Sim.

— Posso mudar e dizer que comerá no mínimo três vezes ao dia?

— Não. — Eu não vou ceder neste tema. Ninguém vai dizer-me o que tenho que comer.

Como foder, sim, mas comer... não, de jeito nenhum.

Ele aperta os lábios.

— Preciso saber que não passa fome.

Franzo o cenho. Por quê?

— Tem que confiar em mim.

Ele me olha por um instante e relaxa.

— Touché, senhorita Goulart, — diz em tom tranquilo. Aceito o da comida e o de dormir.

— Por que não posso te olhar?

— Isso é uma coisa de Dominante e Submissa. Você vai se acostumar com isso.

Eu vou?

— Por que não posso te tocar?

— Porque não.

Ele aperta os lábios.

— Isso é por causa da senhora Cooper?

Ele me olhou com curiosidade.

— Por que você pensa isso? — E imediatamente o entende. — Você acredita que ela me traumatizou?

Eu concordo.

— Não Daniela, não é por isso. Além disso, a senhora Goulart não tomaria qualquer dessas merdas de mim.

Oh... mas eu sim, tenho que aceitar. Faço cara feia.

— Então não tem nada que ver com isso...

— Não. E tampouco quero que se toque.

O que? Ah, sim, a cláusula de que não posso me masturbar.

— Só por curiosidade... por quê?

— Porque quero todo o seu prazer para mim, — diz em tom rouco, mas determinado.

Oh... Não sei o que responder. Por um lado, aí está com seu "Quero te morder os lábios"; pelo outro, é muito egoísta. Franzo o cenho e espeto um pedaço de bacalhau, tentando avaliar mentalmente o que me aconteceu. A comida e o sono. Eu posso olhar nos olhos dele.

Ele vai levar devagar, e ainda não falamos nos limites suaves. Mas não estou segura de que posso confrontar enfrentar isso de comida.

— Terá muitas coisas para pensar, não é verdade?

— Sim.

— Quer que passemos já aos limites passíveis?

— Não, depois de comer.

Ele sorriu.

— Delicado?

— Mais ou menos.

— Você não comeu muito.

— Comi o suficiente.

— Três ostras, quatro pedacinhos de bacalhau e um aspargo. Nem purê de batatas, nem frutas secas, nem azeitonas. E não comeste o dia todo. Você me disse que podia confiar.

Caramba. Ele vai fazer um sermão completo.

— Logan, por favor, não estou acostumada a ter conversas deste tipo todos os dias.

— Preciso que esteja sadia e em forma, Daniela.

— Eu sei.

— E agora mesmo quero tirar esse vestido de seu corpo.

Engulo a saliva. Tirar o vestido de Lud. Sinto um puxão no mais profundo de meu ventre. Alguns músculos que agora estou mais familiarizada, se contraem com suas palavras.

Mas não posso aceitar. Volta a utilizar contra mim sua arma mais potente. É fabuloso praticando sexo... Até eu me dei conta disso.

— Não acredito que seja uma boa ideia, — eu murmurei. — Ainda não comemos a sobremesa.

— Quer sobremesa? — ele pergunta baixinho.

— Sim.

— A sobremesa poderia ser você, — murmura sugestivamente.

— Não estou segura de que seja bastante doce.

— Daniela, você é deliciosamente doce. Eu sei.

— Logan, você utiliza o sexo como arma. Não me parece justo, — sussurro olhando para minhas mãos, e logo o encaro nos olhos. Levanta as sobrancelhas, surpreso, e vejo que esta pesando minhas palavras. Segura o queixo, pensativo.

— Tem razão. Faço isso. Na vida, cada um utiliza o que sabe, Daniela. Isso não muda o fato que eu deseje muitíssimo você. Aqui. Agora.

Como é possível que me seduza somente com a voz? Já estou ofegando, com o sangue circulando a todo vapor pelas veias, e os nervos estremecendo.

— Eu gostaria de tentar algo, — ele respira.

Franzo o cenho. Acaba de me dar um montão de ideias que tenho que processar, e agora isto.

— Se você fosse minha sub, você não teria que pensar sobre isso. Seria fácil. — Sua voz é doce e sedutora. — Todas estas decisões... todo o desgastante processo de pensamento por trás delas. Coisas como, “Ésta é a coisa certa a fazer?”, "Se isso poderia acontecer aqui?", "Poderia acontecer agora?". Não teria que se preocupar com esses detalhes. Seria eu, como seu Dominador. E agora mesmo, eu sei que me deseja, Daniela.

Franzo o cenho ainda mais. Como ele pode dizer?

— Estou tão seguro porque...

Maldito seja, responde às perguntas que não lhe faço. É também adivinho?

— ...seu corpo a delata. Está apertando as coxas, estás mais vermelha e sua respiração mudou.

Oh, sim é demais.

— Como sabe sobre minhas coxas? — pergunto em voz baixa, em tom incrédulo. Elas estão sob a mesa, pelo amor de Deus.

— Eu notei que a toalha se movia, e deduzi, me apoiando em anos de experiência. Estou certo, não é?

Ruborizo-me e encaro minhas mãos. Seu jogo de sedução me põe muito difícil. Ele é o único que conhece e entende as normas. Eu sou muito ingênua e inexperiente. Meu único ponto de referência é Lud, mas ela não aguenta bobagens dos homens.

— Não terminei o bacalhau.

— Prefere o bacalhau frio a mim?

Levanto a cabeça, de repente, e o encaro. Um desejo imperioso brilha em seus olhos ardentes, como prata fundida, com necessidade imperiosa.

— Pensei que você gostaria que comesse toda a comida do prato.

— Agora mesmo, senhorita Goulart, — importa-me uma merda sua comida.

— Logan, não joga limpo, de verdade.

— Eu sei. Nunca joguei limpo.

Minha inexperiência é um peso em torno do meu pescoço.

Espeto um aspargo, o encaro e mordo o lábio. Logo, muito devagar, coloco a ponta do aspargo na boca e o chupo.

Logan abre os olhos de maneira imperceptível, mas eu o noto.

— Daniela, o que está fazendo?

Mordo a ponta.

— Estou comendo um aspargo.

Logan se remexe em sua cadeira.

— Acredito que está jogando comigo, senhorita Goulart.

Finjo inocência.

— Só estou terminando a comida, senhor Mitchell.

Nesse preciso momento o garçom bate na porta e entra sem esperar resposta. Olho um segundo para Logan, que faz cara feia, mas concorda em seguida, assim que o garçom recolhe os pratos. A chegada do garçom quebrou o feitiço, e me apego a esse instante de lucidez. Tenho que ir. Se ficar, nosso encontro só poderá terminar de uma maneira, e preciso pôr certas barreiras depois de uma conversa tão intensa. Minha cabeça se rebela tanto como meu corpo morre de desejo. Preciso de um tempo, uma distancia para pensar em tudo o que me foi dito. Ainda não tomei uma decisão, e seus atrativos e sua destreza sexual não é nada fácil para mim.

— Quer sobremesa? — pergunta Logan, tão cavalheiro como sempre, mas com os olhos ainda ardentes.

— Não, obrigado. Acredito que tenho que ir, digo olhando para minhas mãos.

— Já vai ? — pergunta sem poder ocultar sua surpresa.

O garçom sai às pressas.

— Sim. — É a decisão correta. Se ficar nesta mesa com ele, me entregarei. Levanto com determinação. — Amanhã nos vemos as duas na cerimônia de graduação.

Logan se levanta automaticamente, manifestando anos de arraigada urbanidade.

— Não quero que vá.

— Por favor... Tenho que ir.

— Por quê?

— Porque você me expôs muitas coisas, nas quais devo pensar... e preciso de uma certa distância.

— Poderia fazer você ficar, — ele ameaça.

— Sim, não seria difícil, mas não quero que faça.

Ele passa a mão pelos cabelos, me olhando atentamente.

— Olha, quando veio para minha entrevista e entrou em meu escritório, tudo era "Sim, senhor", "Não, senhor". Pensei que fosse uma submissa nata. Mas, na verdade, Daniela, não estou seguro de que seja totalmente submissa, diz em tom tenso, se aproximando de mim.

— Talvez você tenha razão, — eu respondo.

— Quero ter a oportunidade de descobrir se é, — ele murmura, me olhando. Levanta um braço, acaricia meu rosto e passa o polegar pelo meu lábio inferior. Não sei fazer de outra maneira, Daniela. Sou assim.

— Eu sei.

Ele inclina-se para me beijar, mas para antes de seus lábios tocarem os meus, seus olhos procuram os meus, como me pedindo permissão. Elevo os lábios para ele e me beija, e como não sei se voltarei a beijá-lo mais, deixo-me levar. Minhas mãos se movem, deslizam por seu cabelo, atraindo-o para mim. Minha boca se abre e minha língua acaricia a sua. Me pega pela nuca para me beijar mais profundamente, respondendo ao meu ardor. Desliza a outra mão pelas minhas costas, e ao chegar ao final da coluna, para e me aperta contra seu corpo.

— Não posso te convencer de ficar? — pergunta sem deixar de me beijar.

— Não.

— Passe a noite comigo.

— Sem tocar em você? Não.

Ele geme.

— Você é impossível, garota. — Queixa-se. Levanta a cabeça e me olha fixamente.

—Por que tenho a impressão de que está se despedindo de mim?

— Porque eu tenho que ir, agora.

— Não é isso o que quero dizer, e você sabe.

— Logan, eu tenho que pensar em tudo isto. Não sei se posso manter o tipo de relação que você quer.

Ele fecha os olhos e pressiona sua cabeça contra a minha, dando a ambos a oportunidade de relaxar ou respirar. Um momento depois me beija na testa, respira fundo, com o nariz afundado em meu cabelo, me solta e dá um passo atrás.

— Como quiser, senhorita Goulart, — diz com rosto impassível. Acompanho você até o vestíbulo.

Estendo a mão. Inclino-me, pego a bolsa e lhe dou a mão. Maldito seja, isto poderia ser tudo. Eu o sigo pela grande escada até o vestíbulo, sinto coceira no couro cabeludo, e o sangue me bombeia depressa. Poderia ser o último adeus se eu não aceitar.

Meu coração se contrai dolorosamente no peito. Que reviravolta. Que diferença um momento de clareza pode fazer a uma menina.

Notas finais
E ai gostaram amores?
Siiimmmm????/
Comentem please
Big Time Kisses :*