Notas iniciais
Mais um capitulo pra vcs amore

Oito horas depois, saio do terminal de chegada de Sa-tac e encontro Carlos me esperando, segurando um letreiro que diz SENHORITA D. GOULART.

Que exagero! Mas me alegro ao vê-lo.

— Olá, Carlos!

— Senhorita Goulart, me saúda com formalidade, mas detecto um traço risonho em seus intensos olhos marrons.

Tão impecável como sempre: num elegante traje cinza escuro, camisa branca e gravata também cinza.

— Já te conheço, Carlos, não precisava de cartaz. Além disso, agradeceria se me chamasse de Dani.

— Dani. Permita que eu leve sua bagagem?

— Não, eu mesma posso levar. Obrigada.

Apertou os lábios visivelmente.

— Mas se você ficar mais tranquilo levando-a... pegue-a.

— Obrigado. Ele pega a mochila e a mala recém comprada que minha mãe me deu de presente. Por aqui, senhora.

Suspiro. É tão educado... Recordo de algo que queria apagar da minha memória, que este homem comprou roupas intimas para mim. De fato e isso me inquieta, foi o único homem que me comprou roupa intimas. Nem sequer Harry teve que passar por esse apuro. Caminhamos em silencio até o Audi SUV negro que esperava lá fora, no estacionamento do aeroporto, ele abre a porta para mim. Enquanto subo, me pergunto se foi uma boa ideia ter colocado uma saia tão curta na minha volta a Seattle. Na Geórgia me parecia elegante e apropriada; aqui me sinto nua. Assim que Carlos colocou minha bagagem no porta-malas, saímos para o Escala.

Avançamos devagar, apanhados pela hora do rush o tráfego era intenso. Carlos não tirava os olhos da estrada. Descrevê-lo como taciturno seria muito pouco.

Não suportando mais o silêncio.

— Como vai Logan, Carlos?

— O senhor Mitchell está preocupado, senhorita Goulart.

Sim, deve estar se referindo ao "problema". Achei uma fonte de ouro.

— Preocupado?

— Sim, senhora.

Olho carrancuda para Carlos e ele me devolve o olhar pelo retrovisor; nossos olhos se encontram. Não vai me contar mais. Droga, é tão fechado quanto o controlador obsessivo.

— Ele está bem?

— Acredito que sim, senhora.

— Se sente mais cômodo me chamando de senhorita Goulart?

— Sim, senhora.

— Ah, bem.

Isso acaba por completo com a nossa conversa, assim seguimos em silêncio. Começo a pensar no recente deslize de Carlos, quando me disse que Logan estava de mau humor, foi uma distração. Ou melhor se envergonhava de ter comentado, ele se preocupava por ter sido desleal. O silêncio me deixava asfixiada.

— Poderia pôr música, por favor?

— Certamente, senhora. O que gosta de ouvir?

— Algo relaxante.

Vejo desenhar um sorriso nos lábios do Carlos quando nossos olhares voltam a se cruzar brevemente no retrovisor.

— Sim, senhora.

Aperta uns botões no painel e os suaves acordes do Canon do Pachelbel inundam o espaço que nos separa. OH, sim... era isso que me estava fazendo falta.

— Obrigada.

Encosto-me no assento enquanto entramos em Seattle, a um ritmo lento mas constante, pela interestadual 5.

Vinte e cinco minutos depois, estamos na frente da impressionante fachada do

Escala.

— Vamos senhora — me diz, abrindo a porta. — Agora vou subir a bagagem.

Sua expressão era calma, cálida, afetuosa inclusive, como um tio querido.

Isso... Tio Carlos, boa ideia.

— Obrigada por ir me buscar.

— Um prazer, senhorita Goulart.

Sorri, e eu entro no edifício. O porteiro me saúda com a cabeça e com a mão.

Enquanto subo para o trigésimo andar, sinto milhares de borboletas batendo suas asas e voando pelo meu estômago. Por que estou tão nervosa? Sei que é porque não tenho nem ideia de como esta o humor de Logan quando eu chegar.

Abrem-se as portas do elevador e me encontro no vestíbulo. Parece-me tão estranho que Carlos não me receba. Está estacionando o carro, claro. No salão, vejo Logan falando no Black-Berry enquanto contempla a cidade de Seattle pela janela. Usa um traje cinza com o casaco desabotoado e está passando a mão pelo cabelo. Está inquieto, tenso inclusive. O que esta acontecendo? Inquieto ou não, é sempre um prazer olhá-lo. Como pode ser tão... irresistível?

— Nem um pouco... como... Sim.

Virou-se, e me vê, e sua atitude muda por completo. Passa da tensão ao alívio e logo a outra coisa: um olhar de sensual a carnal, em seus ardentes olhos pretos.

Minha boca seca e o desejo renasce dentro de mim ... ui.

— Me mantenha informado — ele fala decidido e autoritário enquanto avança com passos decididos para mim.

Espero paralisada que cubra a distância que nos separa, me devorando com o olhar.

Minha nossa, algo esta acontecendo... A tensão de sua mandíbula, a angústia de seus olhos.

Tira seu casaco, a gravata e, pelo caminho, os joga no sofá. Logo me envolve com seus braços e me aperta contra seu corpo, com força, rápido, me agarrando pelos ombros para levantar minha cabeça, e me beija como se desse a vida por isso.

Que diabos esta acontecendo aqui? Tira com violência o prendedor do meu cabelo, mas pouco me importa. Sua forma de me beijar me parece primária e desesperada. Por isso será que, neste momento me necessita tanto? Eu jamais me senti tão desejada. Parece escuro, sensual, alarmante, tudo de uma vez só. Devolvo o beijo com igual ardor, afundando os dedos em seus cabelos, retorcendo-os Nossas línguas se entrelaçam, a paixão e o ardor resplandece entre nós. Divino, ardente, sexy, e seu cheiro de gel de banho e de Logan me excitam muito. Separa sua boca da minha e fica me olhando, me prende em uma emoção inefável.

— O que aconteceu? — pergunto.

— Alegra-me muito que tenha voltado. Tome banho comigo. Agora.

Não sei se me pede isso ou me ordena isso.

— Sim — sussurro e, me agarrando pela mão, me tira do salão e me leva a seu dormitório, ao banheiro.

Uma vez lá, me solta e abre a torneira da banheira super espaçosa. Vira devagar e me olha, excitado.

— Eu gosto de sua saia. É muito curta — diz com voz grave. —Tem pernas lindas.

Tira os sapatos e se abaixa para tirar também as meias três quartos, sem afastar os olhos de mim. Seu olhar voraz me deixa muda. Uau, eu desejo tanto este deus grego... Imito-o e tiro as sapatilhas negras. De repente, me agarra e me empurra contra a parede. Beija-me no rosto, o pescoço, os lábios... Agarra-me os cabelos.

Sinto os azulejos frios e suaves nas minhas costas quando se aproxima tanto de mim que me deixa emparedada entre seu calor e a fria porcelana. Timidamente, me prendo em seus braços e ele grunhe quando aperto com força.

— Quero fazer isso agora. Aqui, rápido, duro — Diz, e põe as mãos nas minhas coxas e sobe a saia. — Ainda está menstruada?

— Não — respondo me ruborizando.

— Bom.

Desliza os dedos pelas calcinhas brancas de algodão e, de repente, se agacha para arrancá-la de uma vez só. Tenho a saia totalmente levantada e enrugada, dessa forma estou nua da cintura para baixo, ofegando, excitada. Agarra-me pelos quadris, me empurrando de novo contra a parede, e me beija no ponto onde se encontram minhas pernas. Agarrando-me pela parte superior de ambas as coxas, separa as minhas pernas. Grito com força ao notar que sua língua acaricia meu clitóris. Deus... Jogo a cabeça para trás sem querer e gemo, me agarrando a seu cabelo.

Sua língua é desumana, forte e persistente, me melando, dando voltas e voltas sem parar. É delicioso e a sensação é tão intensa que quase é dolorosa. Começa a acelerar; então, para. O que? Não! Ofego com a respiração entrecortada, e o olho impaciente. Pega meu rosto com ambas as mãos, me segura com firmeza e me beija com violência, colocando a língua na minha boca para que eu saboreie minha própria excitação. Logo abaixa sua cueca e libera sua ereção, me agarra pelas coxas por trás e me levanta.

— Enrosca as pernas em minha cintura, bebê — me ordena, tremendo, tenso.

Faço o que me diz e me penduro nele, e ele, com um movimento rápido e resolvido, me penetra até o fundo.

— Ah! — Gemo, grito. Agarra minha bunda, cravando os dedos na suave carne, e começa a se mover, devagar no começo, com um ritmo fixo, mas, assim que perde o controle, acelera, cada vez mais.

— Ahhh! — Jogo a cabeça para trás e me concentro nessas sensações invasoras, castigadoramente celestiais, que me empurra e me empurra para frente, cada vez mais alto e, quando já não posso mais aguentar, estralo ao redor de seu membro, entrando na espiral de um orgasmo intenso e devorador. Ele se deixa levar com um gemido profundo e afunda a cabeça em meu pescoço e afunda seu membro ainda mais em mim, grunhindo escandalosamente enquanto se deixa ir.

Logo que pode respirar, me beija com ternura, sem se mover, sem sair de mim, e eu o olho sentindo saudades, sem chegar a vê-lo. Quando por fim consigo olhá-lo, se retira devagar e me levanta com força para que possa pôr os pés no chão. O banheiro está cheio de vapor e faz muito calor. Estou com roupas de mais.

— Parece que você ficou alegre ao me ver, — murmuro com um sorriso tímido.

Contrai a boca, risonho.

— Sim, senhorita Goulart, acredito que minha alegria é mais do que evidente. Vem, deixa que te leve a banheira.

Desabotoa os três botões seguinte camisa, solta os punhos, tira a camisa pela cabeça e a joga no chão. Logo tira as calças do traje e a boxer de algodão e os joga com o pé. Começa a desabotoar os botões da minha blusa branca enquanto o observo; anseio poder tocar seu peito, mas me contenho.

— Como foi sua viagem? — Pergunta calmo.

Parece muito mais tranquilo agora que desapareceu sua inquietação, ela se dissolveu em nossa transa.

— Bem, obrigada — murmuro, ainda sem fôlego. — Obrigada outra vez pelas passagens. É muito mais agradável viajar de primeira classe. — Sorrio para ele timidamente.

— Tenho algo pra te contar — Acrescento nervosa.

— Sério?

Olha-me enquanto desabotoava o último botão, deslizou a blusa pelos braços e a atirou com o resto da roupa.

— Consegui um trabalho.

Ele ficou imóvel, logo sorri com ternura.

— Parabéns, senhorita Goulart. Vai me dizer aonde agora? — Provoca-me.

— Não sabe?

Nega com a cabeça, carrancudo.

— Por que deveria saber?

— Dada a sua tendência de perseguição, pensei que saberia...

Encolho-me ao ver que a expressão dele muda.

— Daniela, jamais me ocorreria interferir em sua carreira profissional, salvo que me pedir isso, claro.

Parecia ofendido.

— Então, não tem nem ideia de que editora é?

— Não. Sei que há quatro editoras em Seattle, assim imagino que é uma dessas.

— SIP.

— Ah, a mais pequena, bem. Muito bem. — Inclina-se e me beija a frente. — Esta pronta? Quando começa?

— Na segunda-feira.

— Tão logo, não? Mais é certo que desfrute de ti enquanto posso. Vire-se.

Desconcerta-me a naturalidade que me ordena, mas faço o que me diz, e ele desabotoa o meu prendedor e abaixa a barra da saia. Abaixa-me e aproveita para me agarrar o traseiro e me beijar o ombro. Inclina-se sobre mim e me cheira os cabelos, inspirando fundo.

Aperta minha bunda.

— Embriaga-me, senhorita Goulart, e me acalma. Uma mistura interessante.

Beija-me meu cabelo. Logo me pega pela mão e me enfia na ducha.

— Ai.

A água está visivelmente fervendo. Logan sorri enquanto a água cai por cima dele.

— Esta um pouquinho quente.

E, no fundo, tem razão. Sinto as maravilhas de tirar de cima de mim o suor da calorosa Georgia e o do sexo que acabamos de fazer.

— Vire-se — me ordena, e eu obedeço e me ponho de cara para a parede. — Quero te lavar — murmura.

Pega o gel e joga um pouco na mão.

— Tenho algo para te contar — sussurro enquanto me ensaboa os ombros.

— Ah, é? Diga.

Respiro fundo e me armo de coragem.

— A exposição fotográfica do meu amigo Dustin será inaugurada na quinta-feira em Portland.

Suas mãos param e ficam suspensas sobre meus seios. Dei ênfase em especial à palavra "amigo".

— Sim, e o que acontece? — Pergunta muito sério.

— Disse a ele que iria. Quer vir comigo?

Depois do que me pareceu uma eternidade, pouco a pouco começa a me lavar outra vez.

— A que horas?

— A inauguração é às sete e meia.

Beija-me a orelha.

— Certo.

Em meu interior, meu subconsciente relaxa, desaba e cai pesadamente no velho e maltratado cérebro.

— Estava nervosa porque tinha que me perguntar isso?

— Sim. Como sabe?

— Daniela, acaba de relaxar o corpo inteiro — diz seco.

— Bom, parece que você é... um pouco ciumento.

— Sou sim, — diz ameaçador. — E te fará bem em lembrar. Mas obrigado por perguntar. Iremos no Charlie Tango.

Ah, no helicóptero, claro... Estou boba... Outro vôo... imagino! Sorrio.

— Posso te lavar? — pergunto.

— Parece que não — murmura, e me beija brandamente e me viro para recuperar a dor da negativa.

Faço companhia à parede enquanto ele acaricia as minhas costas com sabão.

— Me deixará te tocar algum dia? — Pergunto audazmente.

Voltou a parar, a mão cravada em meu traseiro.

— Apoie as mãos na parede, Daniela. Vou te penetrar outra vez — sussurra ao ouvido me agarrando pelos quadris, e sei que a discussão terminou.

Mais tarde, estamos sentados na cozinha, eu de penhoar, depois de nós termos comido a deliciosa massa Alle Vongole da senhora Roberts.

— Mais vinho? — pergunta Logan com um brilho em seus olhos cinzas.

— Um pouquinho, por favor.

O Sancerre é revigorante e delicioso. Logan me serve e logo se serve também.

— Como vai o "problema" que te trouxe para Seattle? — pergunto timidamente.

Franziu o cenho.

— Fora de controle — fala com amargura. — Mas você não se preocupe com isso, Daniela. Tenho planos para ti esta noite.

— Ah, é?

— Sim. Quero você no quarto de jogos dentro de quinze minutos.

Levanta-se e me olha.

— Pode se preparar em seu quarto. O guarda roupas agora está cheio de roupa para ti. Não admito discussão a respeito.

Espremendo os olhos, me desafiando para dizer qualquer coisa. Ao ver que não o faço, vai com passo rápidos a seu escritório.

Eu! Discutir? Contigo, Cinquenta Sombras? Pelo bem de meu traseiro, não. Fico sentada no banco, momentaneamente estupefata, tentando digerir esta última informação.

Comprou roupas para mim. Olho o nada de forma exagerada, sabendo bem que não posso reclamar. Carro, móveis, motorista, roupas... Qual seria o próximo: um maldito apartamento, e então já serei sua querida em todas as regras.

Jesus! Meu subconsciente está em estado crítico. Ignoro e subo a meu quarto. Porque sigo tendo meu quarto. Por quê? Pensei que tinha mudado ao deixar dormir com ele. Suponho que não está acostumado a dividir seu espaço pessoal, claro que eu tampouco. Consola-me a ideia de ter ao menos um lugar onde posso me esconder dele.

Ao examinar a porta de minha habitação, descubro que tem fechadura, mas não chave. Digo a mim mesma que possivelmente a senhora Jones tenha uma cópia. Perguntarei a ela. Abro a porta do guarda roupas e volto a fechar rapidamente. Puta merda... gastou uma fortuna. Lembrei de Lud, com toda essa roupa perfeitamente alinhada e pendurada nas barras. No fundo, sei que tudo vai ficar bem, mas não tenho tempo para isso agora: esta noite tenho que ir até o quarto vermelho da... dor... ou do prazer, espero.

Estou só de calcinhas, encostada junto à porta. Tenho o coração na boca. Minha nossa, pensava que com o sexo no banho teria tido o bastante. Este homem é insaciável, ou possivelmente todos os homens o sejam. Não sei, não tenho com quem comparar. Fecho os olhos e procuro me acalmar, conectar com tudo que há em meu interior. Por lá, em alguma parte, escondida atrás da deusa que levo dentro de mim.

A espera faz borbulhar meu sangue pelas veias como um refresco efervescente. O que ele irá fazer comigo? Respiro fundo, devagar, mas não posso negar: estou nervosa, excitada e já estou molhada. Isto é tão... Quero pensar que é errado, mas de algum modo sei que não é assim. É certo com Logan. É o que ele quer e, depois destes últimos dias... depois de tudo o que tem feito, tenho que lhe dar valor e aceitar o que me diz que precisa, seja o que for.

Lembro seu olhar quando cheguei hoje, sua expressão ofegante, a forma resolvida que se dirigiu para mim, como se eu fosse um oásis no deserto.

Faria quase tudo para voltar a ver essa expressão. Aperto as coxas de prazer ao pensar nele, e isso me recorda que devo separar as pernas. Faço.

Quanto me fará esperar? A espera me está matando, me mata de desejo turvo e provocante. Dou uma olhada no quarto que esta iluminado: a cruz, a mesa, o sofá, o banco... a cama. Vejo-a imensa, e está coberta com lençóis vermelhos de cetim. Que objeto usará hoje?

A porta se abre e Logan entra como um sopro, me ignorando por completo.

Abaixo a cabeça em seguida, olho as minhas mãos e separo com cuidado as pernas. Logan deixa algo sobre a enorme cômoda que existe junto à porta e se aproxima devagar na cama.

Permito-me olhá-lo por um instante e quase para meu coração. Esta descalço, com o torso descoberto e com um desses jeans gastos com o botão superior desabotoado. Deus, está tão gostoso... Meu subconsciente se abana com desespero e a minha deusa interior se balança e convulsiona com um primitivo ritmo carnal. Vejo que esta muito disposta. Umedeço os lábios instintivamente. O sangue corre mais rápido por todo o meu corpo, densa e carregada de luxuria. O que vai fazer comigo?

Dá meia volta e se dirige tranquilamente até a cômoda. Abre uma das gavetas e começa a tirar coisas e às colocar em cima. Minha curiosidade me mata, mas resisto à imperiosa necessidade de dar uma olhada. Quando termina o que está fazendo, se coloca diante de mim. Vejo seus pés descalços e quero beijar até o último centímetro deles, passar a língua pela pele, chupar cada um dos seus dedos.

— Está linda, — diz.

Mantenho a cabeça abaixada, consciente de seu olhar fixo e de que estou visivelmente nua. Noto que o rubor se estende devagar pela face. Inclina-se e pega meu queixo, me obrigando a olhar para ele.

— É uma mulher linda, Daniela. E é toda minha — murmura. Levanta-te — ordena em voz baixa, transbordando de promessas sensuais.

Tremendo, fico de pé.

— Olhe para mim, — diz, e elevo meus olhos a seus olhos ardentes.

É seu olhar de amo: frio, duro e sexy, com sombras de pecado inimaginável em um só olhar provocador. Seca minha boca e sei em seguida que vou fazer o que me pedir. Um sorriso quase cruel se desenha em seus lábios.

— Não assinamos o contrato, Daniela, mas já falamos sobre os limites. Além disso, recordo que temos as palavras de segurança, certo?

Minha Nossa... o que terá planejado para que eu vá precisar das palavras de segurança?

— Quais são? — Pergunta de maneira autoritária.

Franzo um pouco o cenho para ouvir a pergunta e seu gesto se endurece visivelmente.

— Quais são as palavras de segurança, Daniela? — Diz muito devagar.

— Amarelo, — murmuro.

— E? — insiste, apertando os lábios.

— Vermelho, — digo.

— Não as esqueça.

E não posso evitar... arqueio uma sobrancelha e estou a ponto de recordar a ele minha nota media, mas o repentino olhar gélido e cinzento me detém em seco.

— Cuidado com essa boquinha, senhorita Steele, se não quer que a corte em rodelas.

Entendido?

Trago saliva instintivamente. Certo. Pisco muito rápida, arrependida. Na realidade, me intimida mais seu tom de voz que a ameaça em si.

— E bem?

— Sim, senhor — falo atropeladamente.

— Boa garota. — Fez uma pausa e me olha. — Não é que vai precisar das palavras de segurança porque vai doer em você, mas sim por que o que vou fazer vai ser intenso, muito intenso, e preciso que me guie. Entendido?

Na verdade não. Intenso? Uau.

— Isso é sobre tato, Daniela. Não vais poder reclamar nem me ouvir, mas poderá me sentir.

Franzindo o cenho. Não vou te ouvir? E como isso vai funcionar? Se vira. Em cima da cômoda há uma caixa brilhosa plana de cor preta. Quando passou a mão por cima, a caixa se dividiu em dois, abrindo duas portas e ficou à vista um Cd player com um monte de botões.

Logan aperta vários em sequência. Não acontece nada, mas ele parece satisfeito. Eu estou desconcertada. Quando se vira de novo para me olhar, vejo aquele seu sorrisinho de "Tenho um segredo".

— Vou te amarrar na cama, Daniela, mas primeiro vou vendar seus olhos e não vai poder me ouvir. Colocou o iPod que levava nas mãos. A única coisa que vai ouvir é a música que vou pôr para você.

Certo. Um interlúdio musical. Não é precisamente o que esperava. Alguma vez fez o que eu esperava?

Deus, espero que não seja rap.

— Vem.

Pega-me pela mão e me leva a antiga cama de dossel. Há correntes nos quatro cantos: uns cadeados metálicos e finos com pulseiras de couro brilhando sobre o cetim vermelho.

Uf, meu coração vai sair do peito. Derreto de dentro para fora; o desejo percorre o meu corpo inteiro. Poderia eu estar mais excitada?

— Fique aqui de pé.

Estou olhando para a cama. Inclina-se para frente e me sussurra ao ouvido:

— Espera aqui. Não tire os olhos da cama. Imagine-se aí deitada, amarrada e completamente a minha mercê.

Minha Nossa.

Ele se afasta por um momento e o ouço pegar algo perto da porta. Tenho todos os sentidos hiper-alertas; a audição a mais aguçada. Pegando algo do rack de chicotes e palmatórias que estavam junto à porta. Minha nossa. O que vai fazer comigo?

Notas finais
COMENTEEEM!!!!!!!
Big Time Kisses :*