50 Tons De Desavença
46 Ainda é tudo seu
Notas iniciais
Ouço vozes, mas não tenho vontade de abrir os olhos. Não quero enfrentar a realidade, eu sei o que me espera do outro lado. Lembro-me do acidente, o carro batendo, e o frio, muito frio.
– Ela ainda está dormindo, mas a febre baixou. Quando ela acordar decidirá o que fazer. Tchau, Mia. – Vejo Eliot falando pelo telefone. O que estou fazendo aqui? E onde estou?
Vejo que estou em um quarto, um quarto grande e muito bonito. A luz da varanda entra suavemente no quarto, olhei em volta, mas não reconheço o lugar. Eliot está no pé da cama me olhando. Imagino que foi ele que me tirou do carro. Fitamo-nos por um longo tempo, nenhum dos dois sabe o que dizer.
– Vou buscar algo para você comer. – Diz e sai do quarto.
Ele sai em disparada do quarto. Eu ainda não entendo porque estou aqui. Devia estar na minha casa. Tento mexer meu pé, mas dói demais. Gemo de dor. Vejo que estou vestida com a camisa dele e meu biquíni sumiu, não acredito que ele me despiu. Meu rosto fica da cor da bandeira chinesa.
Eliot entra no quarto com uma bandeja, o cheiro da comida é bom, mas não sinto fome.
– Toma. – Diz e me entrega um comprimido para dor. Pego o mesmo sem dizer uma palavra.
Ele ajuda-me a senta e coloca uma almofada em baixo do meu pé.
– Você deve estar se perguntando o motivo de ta aqui no meu prédio. – Murmura e eu o olho. Eu nem sabia que esse era o apartamento dele. No tempo em que namorei eu nunca tinha vindo aqui.
– Eu fui atrás de você quando saio em disparada com aquele carro, quando te achei foi com o carro batido. Tirei-lhe de lá e estava-te levando de volta para a casa dos meus pais. Porém Mia me ligou e disse que... Ele faz uma pausa e me olha.
– Christian estava lá. Eu não queria vê-lo e achei que você também não. – Diz.
Ao ouvir o nome de Christian meus olhos marejam na hora. Ele me traiu e ainda vai ser pai, meu deus, como esse homem mentiu para mim. Quantos segredos mais ele esconde, será que o nome dele é Christian? Limpo as lágrimas do meu rosto.
– Por que está fazendo isso Eliot? Você devia-me odiar. – Digo e o olho.
– Devia Anastácia, mas não consigo. Nesse momento fico pensando em como estaríamos se Christian não tivesse-se envolvido entre nós. – Sussurra. As lágrimas já descem pelo meu rosto.
– Eu sabia que ele ia te magoa, tinha certeza disso. – Diz irritado. Limpo meu rosto.
– Eu também te magoei e agora você está aqui me ajudando. — Preciso ir para casa. – Digo.
– Christian veio aqui, mas dei ordens para ele não entrar. Se você for para casa, ele vai atrás de você. – Diz
– Não quero vê-lo. – Digo com a voz chorosa,
– Então fica. – Sussurra e me fita.
Como posso ficar? Como posso buscar apoio com meu ex-namorado que é irmão do homem que amo, pois eu ainda amo Christian. Não posso. Quando ia responder Eliot disse.
– Fica como minha Amiga, Anastácia. Quero-te ajudar e irritar Christian também, afinal, ele merece. – Diz.
– Quando meu pé fica melhor vou ir embora. – Digo.
– Combinado. Vamos fazer o seguinte, não vamos falar do passado enquanto estivermos aqui. – Diz.
– Combinado. – Digo e sorriu fraco. Isso tudo é meio estranho, mas é bom te ló como amigo.
Eliot conta-me tudo o que aconteceu ontem, quando me trouxe para sua casa. Mia veio aqui com uma médica que examinou meu pé e limpou o corte na minha cabeça. Foi Mia que tirou meu biquíni e vestiu-me com a camisa de Eliot. Ela disse que voltaria mais tarde com algumas roupas minha e também ficou de avisar a Kate onde estou. Um atestado já foi enviado para SIP e Jack já foi avisado do ocorrido.
Sinto-me aliviada por não ter que enfrentar Christian. Não quero ouvir as mentiras dele. Não quero nem conhecer essa mulher que ele engravidou. Como pude ser tão burra, ele estava comigo e com outra ao mesmo tempo, como fui tão cega.
Olho em volta do quarto e não me parece ser um quarto de hospedes.
– Onde você dormiu na noite passada? Pergunto.
– Na minha cama, né. – Diz sorrindo.
– E onde é sua cama?
– No meu quarto. – Diz fazendo-me rir.
– Este aqui é seu quarto? Pergunto. Ele fita-me e responde.
– Sim. – Diz olhando-me. Suspiro.
– Calma Ana, só dormir aqui porque você estava com febre e eu precisei cuidar de você. – Diz.
– Tudo bem, mas lembre-se que é como amigo.
Fico morrendo de vergonha quando Eliot carrega-me até o banheiro. Ele retira-se e deixa que eu tome meu banho. Caminho com grande dificuldade pelo banheiro, pois meu pé ainda dói. Uso o sabonete liquido dele e o Shampoo também, aqui não é como na casa de Christian que tem itens femininos. – Eliot não tem submissa, diz meu subconsciente.
Saio do Box e enrolo-me numa toalha. Mia, ainda não trouxe minhas roupas, então vou ter que pegar uma camisa de Eliot. Abro a porta do banheiro e lá está ele, de costas para mim, falando no telefone.
– Ela não quer falar com você. – Diz. Ele rir debochadamente.
– Não estou mantendo-a presa, ela quer fica comigo.
– Diz e desliga o telefone.
Ele vira-se e me ver olhando-o. Finjo que não dou importância para sua conversar com Christian.
– Tem como me emprestar outra blusa? – Peço.
– Claro.
Ele me empresta uma blusa branca que vai até o meu joelho, pego a parte de baixo do biquíni, pois não quero pedi uma cueca a ele. Volto para o banheiro e me visto. Passamos o dia jogando cartas na cama e conversando como se nada no passado tivesse acontecido. Mais tarde naquele mesmo dia, Eliot carrega-me até o sofá e lá começamos a assistir um filme. Depois de pedi pizza nos sentamos no sofá. Estava tudo correndo muito bem, mas as coisas começaram a esquentar no filme, deixando-me sem graça. Os gemidos e a respiração ofegante do casal ecoam pela sala, fico com vergonha e quente no mesmo instante.
– Melhor eu voltar pro quarto. – Digo tentando-me levantar. — Ana espera – Murmura e me pega pelo braço.
– Não. – Digo. Não quero estragar o momento que estamos tendo e nem ter que dizer não a ele.
– Só escuta. Diz e coloca um dedo no meu lábio. Quando a gente namorava sempre te respeitei e esperava o seu momento, mas acho que esse foi o meu erro. Sabe o que eu devia ter feito?
– O que?
– Isso. – Sussurra e me beija. Ele coloca-me no sofá com cuidado e toma posse da minha boca. Não um beijo leve, mas o beijo com vontade e cheio de promessas. Ele começa a acariciar minhas pernas, mas eu não o detenho. Talvez seja isso que deveria ter acontecido há muito tempo. Sinto suas mãos subindo pelo meu corpo, até que a campainha toca. Eliot não para de me beijar, mas o cara da pizzaria não desiste e fica tocando a campainha sem parar. Eliot se afasta frustrado e vai abrir a porta.
– Quem deixou você subir. – Ouço a voz irritada de Eliot, mas antes que eu me recomponha vejo Christian me fulminando com o olhar.
Pov. Christian
Ver a minha mulher com o lábio inchado por causa de outro homem foi como se eu tivesse acabado de levar um tiro, ou alguém tivesse arrancado meu coração. Não acredito que ela transou com outro homem, que ele a tocou, sentiu seu gosto. Não, não, não, não posso suportar isso. Caralho. Ela é minha, minha. Meu ciúme me deixa cego, preciso bater em algo.
– Vá embora. – Ouço a voz de Eliot. Se ele soubesse como estou por dentro e o que eu quero fazer com a sua cara agora, não apareceria na minha frente.
Olho para sua cara e só vejo vermelho. Mando para puta que pariu todo o controle que me resta. Nesse momento sei exatamente como Eliot se sentiu quando descobriu a minha traição. Avanço sobre ele com toda a minha raiva. Ele cai no chão, mas ele rir. O desgraçado começa a rir da minha miséria.
– Agora você sabe como eu me sentir naquele maldito dia, é bom provar um pouco do próprio remédio.
– Christian vá embora. – Anastácia diz. Olho para ela, mas seu olhar está frio como gelo. Não baby, não vou desistir de você tão fácil.
Pov. Anastácia.
– O que aconteceu aqui?
Ouço a voz de Mia. Olho em sua direção e vejo que Kate está com ela.
– Christian provou um pouco do próprio remédio. – Eliot diz e se levanta. Kate olha para nos dois sem acreditar no que ver. Vejo a decepção estampada no seu rosto, só não entendo o motivo, pois sou adulta, solteira e faço da minha vida o que quiser.
– Eliot melhor eu ir embora. – Murmuro. Christian vem na minha direção. Meus olhos se arregalam com sua proximidade. Ele carrega-me pelas pernas e me joga contra seu ombro.
– Ah... – Grito de susto. Me solta seu imbecil, idiota, cafajeste, mentiroso... Ele ignora meus gritos e segue para fora. Quando vou olhar para Eliot vejo que Taylor está segurando-o.
Christian joga-me no banco traseiro do carro e entra no mesmo. Sua cara está tão dura que acho vai se partir a qualquer momento. Tento sair do carro, mas meu esforço é em vão. Olho pela janela do carro e ignoro-o. Vejo Taylor descer com Mia, onde está Kate?
Taylor entra no carro e arrasta o mesmo. Durante todo o caminho Christian olha-me com um olhar mortal. Eu encaro-o de volta, não sei que inferno ele está fazendo. Vejo que estamos no Escala, e a mulher que está gravida dele? Pergunto-me.
– Sua mulher não vai se importa se você trouxer sua submissa para sua casa. – Digo quando ele abre a porta do carro.
– Cala a maldita dessa boca. – Diz e me pega pelo braço. Quero saber o que ele quer de mim. Maldito pé ruim, não posso nem correr. Até parece que você correria se seu pé tivesse bom. – Diz minha deusa interior que só aparece quando Christian está presente.
Ele pega-me no colo e me leva até seu quarto. As lágrimas começam a descer pelo meu rosto. Que merda eu estou fazendo aqui? É Christian, o mentiroso que me usou todo esse tempo.
– Me solta... – Começo a gritar. Ele vai até o banheiro e me coloca debaixo d’agua. Grito com a inesperada água gelada. Ele ignora meus gritos e rasga a camisa de Eliot de uma só vez, fazendo os botões voar pelo chão.
– Me diz que você não transou com ele. – Grita. Eu o olho nos olhos pela primeira vez. As lágrimas já descem pelos meus olhos.
– Diz que você não transou com ele. – Grunhiu me sacudindo pelos braços.
– Ana... – Eu não consigo dizer nada. Estou em choque vendo o tamanho do seu sofrimento. Não entendo o motivo dele se importar tanto. Se ele já tem outra, porque se importa com o que eu faço.
Acho que ele entende o meu silêncio como uma confirmação, pois ele surtar. Christian pega a bucha e derrama sabão na mesma e começa a esfregar o meu corpo com tanta força que poderia arrancar minha pele.
– Por favor, me diz algo, diz que não transou com ele. – Implora e quando eu vejo ele está de joelhos entre minhas pernas. Ele rasga meu biquíni e esfrega a bucha nas minhas pernas, eliminando cada toque e caricia de Eliot. Ele olha nos meus olhos e vejo seu rosto molhado, só não sei se é de lágrimas ou da água do chuveiro.
– Diz Ana... Pedi. As lágrimas descem como cachoeira pelo meu rosto.
– Por que você se importa Christian. Não temos mais nada. – Digo e tento me controlar para não beijá-lo. Não posso ceder, não posso. Depois de tudo que passei todo sofrimento que ele me causou. Meu pai como o amo. O amo tanto que não posso vê-lo sofrer. Desligo o chuveiro e vejo que tem lágrimas escorrendo pelo seu rosto. — Não transamos Christian, não aconteceu nada demais. – Digo. Ele se levanta na mesma hora.
– Como não aconteceu nada demais, você estava usando a blusa dele, e quando eu chego lá ele está sem camisa e com o pau duro, você com os lábios vermelhos.
– Quem você pensa que é para me cobrar algo, você me traiu, engravidou outra mulher e a mesma está morando com você. – Digo e me surpreendo por ela não ter aparecido aqui.
– O filho não é meu e eu não te trair. – Diz pegando-me de surpresa.
– Como?
Christian carrega-me e me leva até o quarto. Retira sua roupa molhada e veste outra. Pega uma camisa para mim, e me ajuda a vestir, em seguida seca meu cabelo.
Quando ele termina, se senta ao meu lado.
– Vou-te contar todo o inferno que passei longe de você. – Murmura.
A mulher que estava aqui era uma ex-submissa, Leila. Ela apareceu na minha casa quando cheguei de viagem. Ela me disse que estava grávida e que o filho era meu. Isso explica seu comportamento estranho quando chegou de viagem.
– Então você teve relação com ela quando estávamos juntos. – Digo.
– Espere eu terminar. No início eu achei que o filho podia ser meu, mas algo me dizia que nada tinha acontecido. E, eu estava certo. No dia que você foi para o Rio de Janeiro, à noite fui ao bar, estava muito irritado e acabei encontrando Leila, depois disso lembro-me de ter acordado no dia seguinte na casa dela. Eu nem dei importância ao acontecido, pois estava transtornado para ir-te buscar no Rio de Janeiro. Suspiro com essa história, mas não interrompo.
– Essa semana se confirmou o que Flynn disse, eu fui dopado, por isso não me lembrava de nada. Não aconteceu nada entre mim e Leila, mesmo dopado era por você que eu chamava Anastácia. – Diz e sorrir.
– E porque não me contou tudo isso antes? Pergunto.
– Eu não tinha certeza que não tinha acontecido nada, agora eu tenho. Tem mais. – Diz e respira fundo.
– No início quando Leila apareceu aqui, eu achei que era só fazer o exame de DNA e pronto, então, eu continuei indo-lhe ver, até que ela se jogou da escada e ameaçou se matar e mata a criança que ela esperava. Tive que deixar de lhe ver, mas na noite que você mandou a chamada de vídeo eu fui desesperado até sua casa e quando voltei Leila se jogou da escada na minha frente.
Meu choque é imediato. Lagrimas já se formam nos meus olhos, só de imaginar uma mãe querendo fazer tão mau ao próprio filho é de corta o coração.
– Ela perdeu a criança? Pergunto com a voz chorosa.
– Depois que você me deixou de vez a levei para fazer o exame de DNA, teve algumas complicações e ela perdeu a criança.
Quando Christian me diz que o pai do Filho é Jack as peças se encaixam. Coitado do Jack, ele não merecia isso.
– Agora você entende por que não falei nada com você. Christian diz.
– Ainda acho que se você tivesse-me contado teríamos evitado muitas coisas. – Digo.
– Agora é sua vez. – Christian diz e eu não entendo.
– Sobre?
– Por que beijou Eliot? Você queria ter ficado com ele? Só de imaginar o que teria acontecido se eu não tivesse chegado me faz querer explodir o mundo. – Diz e acabo sorrindo. — Não tem graça Ana, morri mil vezes vendo vocês daquele jeito.
– Eu achei que queria beijá-lo, que até queria mais, mas acho que só queria tentar-te esquecer. Eu estava magoada e me sentido rejeitada, aconteceu. Vejo a mandíbula dele fica tenso.
– Você não vê que isso pode trazer falsas esperanças para ele. Não vou brigar com ele novamente, você terá que enfrentar ló. – Diz irritado. Penso por um momento e me sinto horrível por ter deixado chegar tão longe.
– Fiquei possesso por não conseguir-te encontrar. Tive que seguir Mia ontem à noite, mas Eliot não me deixou subir. Quase morri quando soube do seu acidente, se acontecesse algo com você, eu morreria. Não sei viver nessa vida sem você. – Sussurra e me beija levemente.
– Não, Christian. – Afasto-o. Quando ele avança sobre mim.
– Que foi?
– Tenho muita coisa para digerir. Preciso de um tempo. – Digo.
– Não me rejeite. Sinto tanto sua falta. – Murmura e começa a beijar meu pescoço.
– Já disse que não, não quero terminar as coisas com sexo. Preciso de um tempo.
– Posso dormir com você? Não dormir quase nada nos últimos dias, meus pesadelos apareceram, só que dessa vez era com Leila. – Diz e vejo-o fica pensativo. — O pesadelo já se cumpriu, ela perdia a criança por minha culpa. – Murmura fazendo meu coração se aperta. Que merda essa mulher fez com meu homem.
– Vem Christian. – Chamo-o. Ele retira a roupa e fica somente de cueca e eu fico vestida com sua camisa. Ficamos deitados olhando um para o outro, às vezes eu sorria e ele também. Até que peguei no sono...
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