Notas iniciais
E ai minha gente, tudo bem com vocês? Finalmente saiu o segundo capítulo (graças ao apoio de vocês) e eu estou apaixonada pelo carinho que vocês deram a história. Obrigada a galera que no primeiro capitulo já deu confiança e favoritou a história, e um beijo muito especial pra todos que resolveram acompanhar. Bem ao contrario do capítulo anterior, esse mostra bastante os personagens secundários que terão influencia na história ou participações especiais. Eu tentei reduzir ao máximo os erros de acentuação, mas ainda não garanto que esteja 100%, logo mais eu juro que providencio um (a) beta para deixar a história mais "apresentável". Espero que Gostem

“[...] Vestir-se bem não é algo difícil. Basta captar a sua essência e transmitir isso na forma como se veste. A partir do momento que você se torna confiante sobre aquilo que está vestindo, meio caminho para o ato de “vestir-se bem” já está andado. O segundo com certeza é o mais simples, após captar qual realmente é seu estilo, invista em roupas adequadas (lançamentos), que se ajustem ao seu corpo e que contenham o ar de roupas do momento.”

Basicamente era isso que me dizia o primeiro passo do livro. Não que eu costumasse andar mal vestida por ai, com moletons rasgados e blusas que não tinham nada a ver com meus calçados. Tudo bem, admito, eu já devo ter usado umas três vezes – nesse mês – aquele moletom bege de dormir para ir à escola, mas se considerarmos que eu acordo super cedo para ir ao colégio, o uso do moletom é permitido dentro da lei do horário.

Mas agora eu era uma nova garota. Uma garota que levantava cedo e com disposição para passar a blusa antes de vesti-la, e que não se importa (pelo menos não muito) com o fato de estar usando um jeans um número menor do que deveria.

Jason, o meu irmão mais velho até resolveu fazer uma piadinha sobre eu “talvez finalmente ter a chance de desencalhar” na hora do café da manhã, que fez com meu pai me olhasse atravessado e minha mãe batesse na testa do meu irmão com uma colher de mexer o café (nossa, que agressividade para uma mulher de quarenta anos, né mãe?), alegando que ela tinha absoluta certeza que sempre houve uma “fila de garotos atrás de mim”, e com certeza indo para a escola tão bem vestida, haveriam outras duas.

Eu não ousei desiludi-la. Mães são mães, não importa como você seja ou se comporte, ela sempre verá você como a estrelinha do mundo.

*

Chego na escola quase cinco minutos atrasada por causa do bastardo do Jason que havia perdido o caderno. Para conseguir assistir a primeira aula precisei dizer ao senhor Ferman, professor de biologia, que o atraso foi por conta do meu irmão, que como sempre atrapalhava meus estudos e atrasava a minha vida – não me chame de dramática, eu não lhe dei intimidade para isso. Claro que, pelo simples fato da grande maioria dos professores do ensino médio, conhecerem e detestarem Jason, ele liberou a minha entrada sem sequer pigarrear.

Não foi como nos filmes da Disney, quero dizer, não entrei na sala em câmera lenta enquanto todos os olhos se voltavam pra mim e um vento vindo de sabe-se Deus da onde, fazia meu cabelo voar (vamos agradecer por essa última parte, porque meu cabelo não é do tipo que sobrevive a ventos, sem que depois pareça ter levado um choque elétrico).

Na verdade a única a perceber uma mudança foi Autumn, minha melhor amiga que discretamente disse em alto e bom som de forma que eu tenho certeza que até quem passava no corredor ouviu:

— Você está usando uma Carmin! Quem é você e o que fez com a Corinne? Pode me fazer isso também?

E bom, agora sim definitivamente todos estavam olhando para mim e para Autumn. Alguns tinham um ponto de interrogação quase tatuados nas suas caras, outros estavam rindo meio debochados e eu até podia ver algumas garotas olhando para a minha calça jeans, que minha melhor amiga havia feito o favor de expor.

O professor na tentativa de recuperar a atenção da sala, mandou que todos se calassem e que eu fosse para o meu lugar. Algo me dizia que essa não era exatamente uma “boa impressão” na qual eu deveria causar para me tornar popular.

Sentindo meu rosto queimar de tanta vergonha me sentei no meu lugar, e me dediquei apenas a tentar entender a matéria sobre seleção genética, enquanto também tentava prestar atenção nos sussurros de Autumn atrás de mim, falando sobre o seu fim de semana com o novo namorado, que ela conheceu a menos de um mês.

Apesar de não ser nenhum pouco discreta, e com hormônios a flor da pele, Autumn Mackenzie é uma garota legal. Eu diria que ela é um pouco distraída, mas é isso que a torna divertida. Nós nos aproximamos no sexto ano quando sem querer eu derrubei sua maquete de ciências para uma apresentação sobre galáxias, enquanto corria atrás de Trenton que havia roubado minha barra de chocolate. E acredite, aqueles cabelos loiros compridos e aqueles arregalados olhos verdes podem ser bastante ameaçadores quando ela deseja isso. Autumn me deu um tapa na cara quando viu sua obra de arte, feita de isopor, espatifada no chão. Eu era só uma garotinha inocente, anteriormente roubada, e ela me deu um tapa na cara! E ainda assim, eu fiz dela minha melhor amiga.

Eu com certeza devia estar passando por sérios problemas psicológicos nas época.

O sinal para o intervalo estava quase tocando quando algo me atingiu na cabeça e logo depois caiu no chão, olhei ao redor e logo vi Thomas acenando para o chão, onde a bolinha de papel que ele havia arremessado em mim, caiu. Olhei para ele confusa e ele revirou os olhos bufando, sussurrando um “leia”, para a minha lerdeza.

Peguei a bolinha de papel e a abri.

“Está prepara para hoje anoite?”

E outra vez fui obrigada a olhar para ele com uma cara de “mas sobre que diabos você está falando?” e novamente em resposta ele revirou os olhos e começou a escrever algo em uma página do seu caderno. Thomas estava preparado para orgulhosamente lançar a bolinha à duas fileiras de distância de mim, quando foi atrapalhado pelo toque do sinal, e todos os alunos se levantando ao mesmo tempo.

Thomas é o segundo integrante do meu “círculo de amizades”, nós nos conhecemos na aula de espanhol do oitavo ano, mas só nos tornamos realmente próximos no ano passado quando quase todas as nossas aulas eram juntas. O srº e a sraª Robbins, os pais dele, são quase fanáticos religiosos, e hoje em dia Thomas só não estuda em uma escola cristã, porque perdeu sua vaga quando o pegaram vandalizando o lugar com uma lata de spray preta, que usou para pinchar genitálias em todas as imagens sagradas que encontrou por lá. Mas ele nunca confessaria isso em voz alta, ele prefere dizer que foi expulso porque ele era o único integrante negro da escola, e o padre Ramires não ia com a sua cara.

Sim ele é rebelde do grupo — E também o mentiroso.

— Ei, garota da calça Carmin, não pense que você vai dar pra trás hoje. Está me devendo um favor e vai ter que entrar dentro daquela droga de fantasia de atum e se passar por mim durante todo o jogo, enquanto meus pais gritam meu nome e você dança. — Thomas disse logo que se aproximou de mim e Autumn enquanto íamos devagar pelo corredor da escola.

Thomas havia feito todo o meu trabalho de física na semana passada, e em troca eu prometi fazer qualquer coisa por ele. Claro que sendo ele o senhor Thomas Interesseiro Robbins, não deixaria barato.

— O que você vai estar fazendo hoje anoite de tão importante, que não pode ir ao jogo fazer sua dança do acasalamento? — E esse foi Trenton aparecendo do nada como sempre faz, saindo de uma das salas de aula junto com outros alunos, e se metendo na conversa alheia.

Trenton Moore era meu amigo desde sempre, e com sempre eu quero dizer literalmente sempre. Nossas mãe engravidaram no mesmo ano, e quando queriam ter seus momentos irresponsáveis com seus respectivos maridos, eu, Jason e Trenton ficávamos na casa da tia maluca dele que nos forçava a ver Titanic na versão sem cortes de quase cinco horas.

— Eai Trent. — Thomas o cumprimentou antes de continuar. — Vou até a casa da Sarah, os pais dela vão sair pra comemorar o aniversário de casamento e talvez essa seja “a” noite. — Ele deu um sorriso que deixou bem claro o que ele queria dizer com a noite.

Resumidamente ele estava dizendo que iria pela primeira vez pra cama com uma garota que estava apaixonada por ele, mas que não era reciproco, apenas para se livrar do fardo de ainda ser virgem no colegial.

E com isso ele ganharia a medalhinha de primeiro “ex-virgem” do nosso grupo. O que era bem impressionante porque eu sempre imaginei que era Autumn quem levaria esse título pra casa.

— Trent podia usar a sua fantasia de sardinha. Eu tenho que estudar para a minha prova de filosofia, não posso mais correr o risco de tirar uma nota baixa, Thomas! — Choraminguei falsamente. Na verdade eu não tinha prova alguma marcada, e nem problemas com notas em filosofia. Mas sinceramente eu não acho que seria bom para a minha imagem de futura garota popular, ser flagrada vestida como o mascote do time de basquete.

— Não posso não. Não tenho forma física nem disposição para isso, além disso aquela fantasia é cheia de ácaros, e ácaros me fazem espirrar. E não é uma fantasia de sardinha, é atum. — Trenton me corrigiu tirando uma barrinha de chocolate do bolso, sem se preocupar em nos oferecer.

Era verdade, Trenton estava um pouco acima do peso para caber na fantasia de atum que representava o time da escola. E eu acho que ele não era disposto a nada que não fosse comer e jogar vide-games, e também, de fato ele tinha rinite o que impossibilitava que ele permanecesse vivo dentro da fantasia, sem ter um ataque e morrer de tanto espirrar.

— Ei Autumn, você é minha melhor amiga, poderia quebrar esse galho? — Perguntei lançando pra ela o olhar mais angelicamente meigo que eu podia fazer e em resposta obtive uma gargalhada e um “ai ai Corinne, como eu amo seu senso de humor”.

Eu não tinha melhores amigos. Tinha um ninho de cobras domesticas.

*

E no fim aqui estava eu dentro de uma nada glamorosa fantasia de atum. Thomas veio com os pais dele para trazer a fantasia, me explicou tudo e depois deu no pé pela porta dos fundos do ginásio.

Ninguém havia me visto vestir a fantasia, bastava ficar em silencio que nunca ninguém saberia que por trás daquele grande atum, existia uma pequena garota. E quando eu digo pequena eu quero dizer realmente pequena, de uma maneira trágica. Eu mal podia ver pelo buraco da fantasia, e os meu braços não chegavam nem na metade das nadadeiras. Thomas disse que eu me acostumaria, que isso acabaria me dando mais flexibilidade na hora de animar.

Claro que no fundo ele nem sabia o que estava falando, só queria dar no pé o mais rápido que podia, pra poder finalmente, depois de tantas tentativas, chegar aos finalmentes com a Sarah.

Quando o jogo começou eu tentei recapitular tudo o que foi dito pra mim na curta aula de Thomas sobre “como ser um mascote”. Na verdade eu desisti de tentar fazer direito e apenas comecei a mexer os braços enquanto caminhava de um lado para o outo no ginásio.

Thomas tinha me dito “Imite o treinador adversário, é sucesso!”. Acredito que sucesso deveria ser o soco que aquele homem, aspirante do Dwayne Johnson em velozes e furiosos, acertando o primeiro que o incomodasse, enquanto a eminente perda da sua equipe de basquete acontecia em sua frente. E claro esse alguém não seria eu.

Assumo que até me animei quando uma música legal, que lançou na outra semana, começou a tocar no ginásio (Depois de quase cinquenta minutos pulando pra todos os lados, acho que essa deveria ser minha recompensa). Mas ai o jogo acabou. É, é como dizem por ai, alegria de pobre dura pouco.

Mas não para o time da casa.

Quando dei por mim, estava sendo puxada por uma roda de garotos suados cheios de testosterona, comemorando a vitória do time. Até foi engraçado no começo, antes de me erguerem no ar e começarem a me jogar pra cima e pra baixo.

Por sorte o grito dos garotos, abafam os meus e ninguém percebia que não era Thomas a grande sardinha enlatada que eles estavam arremessando pra lá e pra cá. E também, a euforia dos garotos era tanta, que eles não se mantiveram ali muito tempo, apenas o suficiente para me deixar tonta e me largar depois.

Concluindo que meu papel ali havia sido feito, resolvi sair de fininho. Ao menos esse era o plano, que foi convenientemente atrapalhado pela minha tontura conspirando com o tamanho da minha fantasia, que fez com que tropeçasse nos meus próprios pés.

Foi humilhante ouvir um ginásio inteiro de torcedores rindo da minha situação. Por um segundo, enquanto beijava o chão de madeira da quadra, agradeci a Deus por aquela fantasia, o por todos acharem que era Thomas e não eu ali.

Minha cabeça latejou um pouquinho enquanto eu tentava me recompor. Pelo mínimo espaço que eu podia enxergar, uma mão se esticou pra mim oferecendo ajuda e eu não hesitei em aceitar.

— Ei cara, você tá legal? Foi uma queda e tanto. — E quando eu ouvi aquela voz, já não precisava mais de buraco algum para que eu pudesse enxergar e reconhecer quem havia me estendido a mão.

Cody Hughes, aluno do segundo ano assim como eu. Temos duas aulas juntos mas sequer conversamos mais de duas vezes esse ano. Ele anda junto com a turma do Darrin Wren o que automaticamente o classifica com um dos garotos mais populares da escola.

Então, ele é mais ou menos uma versão masculina do que eu quero me tornar.

— Claro, acho que vou sobreviver. — Digo alto e só depois percebo o tamanho da minha burrice. Na verdade preciso ver a expressão confusa de Cody por muitos instantes antes de entender o que havia de errado.

O garoto de cabelos escuros, um tanto quanto soados e olhos castanhos me puxa pelo braço em direção as escadas que davam ao vestiário. No primeiro instante imagino todas as piores hipóteses do que podia acontecer comigo a partir da li. Cody poderia me chantagear, me meter em encrenca, ou pior, meter Thomas em encrenca o que resultaria em eu nunca mais ganhar trabalhos prontos do meu amigo.

— Quem é você? — A pergunta não pareceu irritada, apenas intrigada. Eu percebi duas coisas naquele momento:

1. Se um dos ídolos da popularidade descobrisse que eu, uma mera aluna trabalhei de mascote por um dia, e ainda levei um grande e histórico tombo no meio do ginásio, eu nunca na minha vida deixaria de ser uma mera aluna.

2. Eu estava usando uma fantasia de atum, se eu dissesse a ele que eu era o Chris Evans, ele não poderia fazer nada além de duvidar da minha péssima mentira, mas sem nunca poder tirar a limpo a história.

Olhei para ele pelos sensuais buraquinhos dentro da boca da sardinha e pensei no que dizer. Respirei fundo e pensei em algo melhor do que mentir que eu era o Chris Evans.

— Thomas não pode vir. Eu preciso que guarde segredo sobre isso ou... ou... um dos seus segredos estará nas mãos da garota do Cadillac Rosa. — Ameacei sem saber ao certo sobre o que eu estava falando. Quer dizer, eu era a garota do Cadillac, e até então eu não sabia nada sobre Cody que valesse a pena ressuscitar a antiga pagina. Mas todos nós tínhamos segredos, ele não seria uma exceção.

— Você está blefando. — Ele disse, com o mesmo vinco de curiosidade que havia se formado no início da conversa. Sequer pareceu abalado com a ameaça.

Respirei fundo e prossegui com a mesma tática.

— Eu nunca blefo. Vai arriscar? — E por mais que eu quisesse soar ameaçadora ou assustadora, acho que minha missão foi completamente falha. Porque um sorriso se alastrou no rosto de Cody, como se ele estivesse satisfeito com algo.

Sem dizer nada ele começou a subir os degraus outra vez, em direção ao ginásio, e me deixou lá sozinha. Mas antes parou e virou-se pra mim novamente.

— Vou segurar o pessoal lá em cima por quinze minutos. Se troque e saia pelos fundos, ninguém vai ver você. — Cody diz completamente relaxado como se acobertasse fugas de desconhecidas o tempo todo. Ele ameaça seguir a diante, mas outra vez se vira na minha direção. — E não ache que estou fazendo isso pela sua ameaça, estou fazendo pelo Thomas, ele é um ótimo animador.

E assim ele voltou para o seu time, me deixando um tanto quanto perplexa ali, por alguns segundos.

Mas não tive muito tempo para pensar, precisei agilizar para conseguir me livrar da fantasia e dar no pé, dentro por curtos quinze minutos que Cody me proporcionou.

Os pais de Thomas já haviam ido embora, por que o filho mentiroso deles alegou que depois do jogo ia para a casa de Trenton, fazer um trabalho de história. Mal sabia eles que o filho estava fornicando a duas quadras da própria casa.

E por fim, depois de toda a agitação eu tive tempo para a hora mais esperada do dia. Eu finalmente pude ler o meu mapa para a popularidade, e ver qual era o segundo passo para traçar o meu caminho:

"[...] Fale com todo mundo, diga o que desejam ouvir e mostre interesse em tudo o que lhe contarem."

Notas finais
Yeah, eu nunca sei se alguém lê isso aqui, mas mesmo assim eu gosto de escrever. O que acharam do capítulo (sinceramente)? E dos personagens, faltou algo ou teve algo em excesso no ponto de vista de vocês? Quais as suas teorias sobre o nome "A Garota do Cadillac Rosa" hum? Será que alguém sabe? Será que temos um detetive, ou uma alma muito criativa aqui? Saberemos logo... Não se esqueça que dicas e criticas construtivas sempre serão bem vindas, não se acanhe. Logo mais eu volto trazendo novidades, ok? A gente se vê nos cometários :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.