5 anos depois - HIATUS

17 Juntos nós viveremos para sempre - Parte I


Notas iniciais
TRILHA SONORA - https://youtu.be/mYhg5IOkar8?list=PLD007D50FEE3154C8 EU VOLTEI COM NOVIDADES, CAPA NOVA E MUITOS COPOS DE CAFÉ! Olá meus queridos fofos e amados leitores! Eu finalmente estou de volta e com um capítulo extra fresquinho para vocês. Esse breve hiatus me deu tempo para renovar as ideias e o meu ânimo para escrever. Podem esperar por mais surpresas! No capítulo de hoje eu mostrei um pouco da visão do nosso amado e odiado Victor. Como eu tinha muita coisa para falar, resolvi dividir em duas partes. Na semana que vem estarei postando a segunda parte e então voltarei a escrever o rumo normal da história. Se vocês não perceberam ainda, o nome dos capítulos extras são na verdade traduções de músicas que eu gosto muito - apenas uma curiosidade boba. Espero que gostem! Boa leitura! PS: Gostaram da capa nova? Achei que precisava renovar um pouco =) Jojo.

No meu aniversário de 17 anos, meu pai me deu um carro e um bilhete de papel cartão com um grande "Parabéns, Marcos" escrito com letras vermelhas. A grande ironia é que Marcos era o meu irmão mais velho; como se eu esperasse que ele ao menos fosse lembrar o meu nome.

Ao contrário do que as pessoas pensavam, eu nunca odiei o meu pai. Ele sempre esteve onde precisava estar. Nunca fez nada de errado, mas também nunca fez nada de certo. Para mim, nós já tínhamos bastante relacionamento para um pai e um filho que sempre viveram a 1570 quilômetros de distância.

Minha avó costumava dizer que ele se importava comigo, era só o choque que ainda era, com algum eufemismo, forte demais para ele. Por um tempo eu acreditei. Sempre que eu pensava nele, na sua vida ocupada de negócios, na sua nova família, na sua casa confortável no Rio Grande do Sul e nas milhares de coisas que nunca fizemos juntos, eu tentava imaginar a dor de perder quem se ama. Infelizmente, tudo o que eu conseguia eram lágrimas e uma noite mal dormida.

Em alguns momentos eu achava que a culpa era minha. Eu achava que era responsável pela morte da minha mãe. Ela era o tipo de pessoa forte, criada em uma fazenda em Minas Gerais, que podia passar o dia inteiro trabalhando e depois ainda ter disposição para estudar durante a noite. Durante os seus vinte e quatro anos de vida, ela tinha se casado, comprado uma casa, terminado a faculdade de Direito e por fim, engravidado do seu primeiro filho. Mas é claro, tinha o câncer. Um câncer de mama descoberto não tão tarde e não tão cedo, que ainda sim não a impediu de continuar com a gestação.

Ás vezes eu me perguntava se teria valido a pena. Desde que eu nasci, meu pai tinha perdido a sua estabilidade emocional e raramente me via sem acabar ficando incomodado. O que mexia mais comigo era pensar que talvez ele tivesse raiva de mim, um pesamento que me devorou por dentro por anos seguidos. Quando eu fui mandado para viver com os meus avós no Rio, eu ainda tinha alguma esperança dentro de mim. Eu achava que finalmente poderia viver uma vida legal e quem sabe mudar aquele destino mórbido que tinha me envolvido, talvez antes mesmo de eu nascer.

Eu precisei quebrar a cara algumas vezes para descobrir que não.

Sendo sincero, eu acho que eu nunca dei muita sorte quando o assunto era relacionamentos. Falar com as pessoas, expressar sentimentos, diálogo, blá blá blá... Nada disso fazia algum sentido para mim, como códigos de programação ou fórmulas de cálculo. Minha avó dizia que era timidez, meu avô dizia que era bobagem e eu simplesmente fingia que não ouvia.

Passei toda a minha infância sendo considerado uma criança problemática, visitando psicólogos toda a semana e tomando tantos remédios ao ponto em que a minha avó frequentemente chorava quando eu dizia que não conseguia dormir. Com a adolescência, é claro, tudo mudou de figura. Em primeiro lugar, eu confesso que me envolvi com as pessoas erradas. Eu bebi pela primeira vez, usei drogas pela primeira vez, fiz outras coisas pela primeira vez e finalmente encontrei uma maneira de passar as minhas horas solitárias de puro tédio.

As pessoas gostam de dizer que os adolescentes fazem isso para chamar atenção.

Eu queria apenas ser evitado.

Mas no meio da minha vida nada interessante e repleta de problemas eu conheci a única pessoa que talvez fosse tão confusa quanto eu. Para quase todo mundo, Fernanda Carminati era rebelde sem causa. Para mim, ela era apenas uma garota. Uma garota que sabia o que era ser infeliz e feliz. Que sabia sorrir e chorar. Nós éramos iguais. Éramos pessoas machucadas que machucavam as outras pessoas.

Em algum momento eu me apaixonei por Fernanda. Não aquele tipo de paixão normal, mas uma atração inconstante, remendada, fraca e ao mesmo tempo resistente. Quando eu vi Fernanda Carminati pela primeira vez eram cinco da manhã de um domingo. Ela estava sentada na entrada de um apartamento no Recreio, no meio de uma tempestade, completamente encharcada e descalça. Ela usava um vestido branco de renda que lhe dava um ar angelical, como um anjo ferido.

– Se você pudesse fugir agora, para onde você iria? — Ela me perguntou. Seus olhos fixos no nada.

– Para lugar nenhum — respondi — Mesmo que eu fugisse para algum lugar eu ainda seria quem eu sou. Eu não posso fugir de mim mesmo.

– Você pode tentar.

Ela sorriu, amargamente. Sentei ao seu lado e me peguei observando a maneira como ela juntava as mãos para pegar a água da chuva. Os olhos estavam roxos, o rosto estava pálido, mas eu não estava melhor do que ela. A menos de quinze minutos eu estava em um apartamento da cobertura, jogado em um sofá, me recuperando de uma noite agitada em uma festa inútil e fora de hora, como dizia a minha avó. Eu me lembrava de tê-la visto antes. Ela estava sempre rodeada de várias pessoas, sempre com companhia. Ela parecia tão feliz de longe. Apenas parecia.

– Você estava sempre sozinho. Como consegue?

– Eu prefiro ficar sozinho do que rodeado por pessoas que não me conhecem e que vão desaparecer no dia seguinte.

– Meio solitário, não acha?

Eu dei de ombros.

– Você é? — perguntei.

– Todos somos. — Ela respondeu melodicamente — Eu conheço você, Victor.

Engoli em seco, surpreendido pela mudança no tom da conversa. Ela me olhava fixamente, agora. Seus olhos claros pareciam penetrar dentro de mim e apertar o meu peito me deixando sem ar.

– Max me contou sobre você. Ele falou que você é um peso morto, que vive fumando e se metendo em festas aleatórias. É verdade? — Ela perguntou em um tom questionador.

– É — murmurei — Ele também me falou sobre você. Sobre o jeito como você consegue se meter em confusões toda hora, sobre todos os cinco caras que você já namorou e sobre aquela vez que você quase foi presa por desacato a autoridade. É verdade, Fernanda?

– Claro que não! — Ela parecia sinceramente indignada — Eu namorei seis caras oficialmente.

Eu ri.

– Então eu acho que nós já nos conhecemos.

– Ocasionalmente. Eu acho que já te vi milhares de vezes, mas nunca tive vontade de falar com você.

– Está com vontade agora?

– Sim.

Me levantei e estendi minha mão na sua direção.

– Oi, meu nome é Victor.

Ela sorriu e apertou minha mão de volta.

– Oi, meu nome é Fernanda. Prazer em te conhecer nessa situação completamente casual.

Notas finais
Gostou? Não gostou? Comente! Quero muito ouvir suas opiniões! PS: Minha próxima história já está sendo planejada. ISSO NÃO SIGNIFICA QUE 5 ANOS DEPOIS ESTÁ ACABANDO! Mas como uma aspirante a escritora, o trabalho não pode parar! Será uma história sobre mistérios, assassinatos e segredos, totalmente em terceira pessoa, bem diferente do que vocês estão vendo. Aguardem para mais notícias! PPS: Como gosto de falar, queria apenas dizer que por um único ponto não tirei um A na UERJ. Beijos. Jojo.