Notas iniciais
TRILHA SONORA - https://youtu.be/A2wh40oAmJo Olá! Mais um capítulo fresquinho para vocês! Desculpem pela demora na postagem e pelo capitulo pequeno, mas essa semana foi particularmente difícil. Ontem precisei ir para o hospital e depois de ficar no soro por algum tempo, descobri que estava com dengue :( Então vocês já devem imaginar como escrevi este capítulo. Mesmo assim, espero que curtam a leitura. Semana que vem trarei um capítulo maior! Boa leitura. Jojo.

ANTES

Lembranças são pequenos fantasmas. Ninguém além de você pode vê-las e elas te assombram quando você menos espera.

Você era minha lembrança. Era a prova viva de que eu tinha um passado que queria esquecer. Mais do que as cicatrizes no meu corpo. Sim, cicatrizes. Então, você não sabia que eu ganhei marcas?

Surpresa, foi pior do que você imaginava.

Naquela sexta feira eu tinha tudo pronto. As roupas que eu iria usar estavam em cima da cama, meu celular estava carregado e é claro, as chaves reserva de casa já estavam na minha bolsa.

Não precisava me preocupar com nada mais. Eu nunca tinha sido um problema para os meus pais. Ai de mim se ousasse. Eles nunca desconfiariam se fizesse tudo direito. Então quando minha mãe me deu boa noite pela última vez, eu comecei a colocar meu plano de fuga em prática.

O residencial Golden Falls era especialmente calmo e vazio durante a noite, mas era vigiado nos portões. Nada que Clara Fernandes, a garota exemplar, não pudesse dar um jeito.

– Boa noite, Clara. — O porteiro falou assim que passei por ele.

– Boa noite, Maurício. Eu vou na casa de Nicolas, você sabe, a mãe dele me convidou para um jantar...

– Não tem como recusar, não é? — Ele brincou — Pelo visto eu não sou o único que quer vocês dois juntos…

Ri. Um pouco forçadamente, no entanto. Naquela época eu não conseguia suportar a ideia de namorar com Nicolas. Por que? Simplesmente porque ele era o meu melhor amigo, o cara em que eu podia confiar para qualquer coisa. O mesmo com quem eu contaria para me ajudar se eu gostasse de outro garoto.

Engraçado como as coisas mudam, não?

O caminho até a casa de Fernanda era rápido. Morávamos relativamente perto a pé, mais do que de carro. A cada passo que eu dava me sentia mais ansiosa, mais nervosa, mais culpada. Meu estômago já estava embrulhado. Olhava para o relógio a cada dois minutos.

Oito e meia. Oito e trinta e dois. Oito e trinta e quatro. Oito. Oito. Oito e alguma coisa.

– Você veio!

Fernanda estava realmente surpresa que eu tinha ido. Ela era do time que apostava tudo que eu não ia conseguir fugir. Apesar de ser cedo, já havia várias pessoas lotando a frente da casa dos Carminati, além de outras ocupando o largo sofá estilizado da sala e as escadas.

– Eu disse que viria, não disse? — Sorri. Fernanda me puxou para um abraço. Ela era mais baixa, por isso eu precisava me abaixar um pouco para abraçá-la.

Ela estava radiante. Os cabelos loiros acastanhados estavam soltos e tinham largos cachos nas pontas. Ela era bem magra e usava um vestido azul claro que valorizava o seu corpo e a deixava com um ar relativamente infantil.

– O pessoal ainda está chegando — Ela falou — Ainda falta bastante gente.

Conhecendo Fernanda, ela já devia ter falado aquilo para todos os convidados anteriores. Era coisa de família, nem ela nem os pais eram de dar festas pequenas, e nenhum deles admitia pouca gente.

– Nicolas vai vir? — Perguntei a questão que me perturbava a algum tempo.

Desde a nossa discussão, não havíamos nos falado mais. Eu não gostava de discutir, muito menos com alguém tão importante para mim. A sensação de que ele nunca mais falaria comigo era infantil, mas era o que parecia ser verdade naquele momento.

– Ele ainda está de palhaçada — ela respondeu dando de ombros — Mas talvez ele venha. Ele gosta de chegar tarde, esqueceu?

Sorri.

– Esqueci completamente.

DEPOIS

– Como você está? — Minha mãe perguntou.

– Realmente quer saber?

Eu estava irritada.

Desmaiar foi mais uma das coisas que eu aprendi a odiar. Não era como nos filmes. Não era dramático ou emotivo. Era ruim, dava uma sensação ruim e ponto.

Eu desmaiei durante o banho. Pelo menos, foi isso que eu deduzi quando acordei na minha cama completamente nua, apenas com o meu cobertor. Meus pés estavam para cima, meu cabelo estava uma completa bagunça. Joana e minha mãe revessavam entre esperar pela ambulância, me vigiar e vigiar Amanda.

– Preciso mesmo ir para o hospital? — Perguntei depois de vários minutos encarando o teto.

– É claro que sim — Joana respondeu, andando de um lado para o outro do quarto. — Pode ser algo pior.

– Nossa, muito encorajador.

O barulho das sirenes do lado de fora fez Joana tropeçar e quase ir parar no chão. Ela estava nervosa, mais do que eu. Como se eu fosse de vidro e a qualquer momento fosse me quebrar em várias partes.

Quando os paramédicos chegaram, eu já estava entre um sono estranho e uma realidade turva. Meus sentidos estavam indo embora novamente, dessa vez mais por sono e cansaço.

Em algum momento no meio do caminho, enquanto a ambulância corria pelas ruas agitadas da orla, eu pensei em você. Pensei em como desviou de assunto, em como fugiu o mais rápido que pode.

Então você me reconheceu, Victor.

Você me reconheceu e sentiu culpa por isso.

Notas finais
Gostou? Não gostou? Acha que precisa melhorar? Comente! PS.: Estou fazendo a playlist de 5 Anos Depois. Tem alguma música que você acha que combina com a história? Uma sugestão? Diga! Quero ouvir o que vocês tem a dizer :) A playlist está programada para sair no capítulo 15 e inclui músicas clássicas, rock, kpop e muito mais! Beijos. Jojo.