Notas iniciais
Olá pessoal :) Essa é a minha primeira história oficial aqui no Nyah! Espero que gostem! Boa leitura.

ANTES

No dia do acidente, eu usava a minha blusa favorita do Ramones. Eu nunca tinha sido fã de verdade da banda. Na verdade, eu nunca tinha ouvido uma música deles na vida, mas aquela blusa velha e desbotada tinha sido um presente do meu melhor amigo. “Você precisa ouvir música de qualidade”, ele disse na época, “Se continuar ouvindo música clássica, vai acabar ficando igual à uma velha sem assunto”. Nicolas estava incrivelmente certo, porque naquele momento, no meio de uma festa cheia de gente bêbada, eu estava me sentindo incrivelmente ignorada.

Era 1º de dezembro. Faltavam apenas três dias para o meu aniversário de 17 anos e minha melhor amiga, Fernanda, estava dando uma festa na sua casa para comemorar o fato de que tinha conseguido uma bolsa de estudos na Universidade de Michigan, nos EUA. Ela era fissurada por estudar no exterior, e no final das contas, tinha realizado o seu sonho.

Se tratando de Fernanda Carminati, era óbvio que praticamente todos os alunos da Escola Preparatória Rivere iam estar lá, o que incluía desde os formandos até os calouros. Qualquer um no Rio de Janeiro conhecia a fama dos Carminati e das suas festas luxuosas, regadas à bebida e lotadas pela alta sociedade. Aquela ia ser a festa do ano e era justamente por isso que eu não queria faltar.

Como eu previa desde o início, meus pais não me deixaram ir. Meu pai era militar e comandava a casa do mesmo jeito que ele fazia no exército. Mesmo sendo a filha mais velha, ele raramente me deixava ficar fora de casa depois das dez. Além disso, ele fazia questão de colocar para correr qualquer garoto que ficasse perto de mim, razão pela qual eu nunca tinha namorado ninguém. Nicolas era o único permitido, isso porque os nossos pais eram amigos de infância.

Você já deve ter imaginado que eu precisei mentir para os meus pais para ir à festa. Eu nunca tinha feito esse tipo de coisa antes e fiquei nervosa como nunca. Mas porque não? Eu tinha finalmente terminado o ensino médio e estava grandinha o suficiente para cuidar de mim mesma. Não tem nenhum problema, eu pensei, não é como se eu não fosse voltar para casa.

E foi assim que eu fui parar na calçada da casa de Fernanda, onde vários grupos se reuniam em volta do palanque onde o DJ tocava uma música de Calvin Harris. Me sentia uma estranha no ninho, odiava música eletrônica, tinha perdido as esperanças de ganhar uma carona para casa e ainda precisava aguentar uma melhor amiga bêbada e animada demais.

- Vai ficar parada aí, Clara? – Fernanda me perguntou me abraçando por trás – Aproveita a festa, bebe um pouco, fica com alguém. Não era você que não queria ir para a faculdade sem ter dado o primeiro beijo?

Eu corei, me sentindo mais envergonhada que nunca por ela ter falado aquilo em público. É engraçado que quando somos mais novos, esse tipo de coisa boba faz a maior diferença. Para mim, pelo menos, fazia. Fernanda não esperou que eu respondesse e se adiantou na direção da multidão de pessoas que dançavam freneticamente. Foi então que um carro veio cantando pneu da esquina.

Nos filmes de ação, o herói sempre é atingido por carros desgovernados e sai ileso, com direito a uma pose maneira e uma explosão. Mas na vida real, atropelamentos não são nem de longe uma coisa agradável ou emocionante. Eu percebi isso quando vi minha melhor amiga ser atingida pela sua BMW preta e eu seria a próxima.

Para ser sincera com você, não deu tempo de pensar muita coisa. Alguns poucos pensamentos confusos passaram pela minha cabeça no momento em que eu senti o choque do metal contra as minhas pernas. Eu só percebi que estava em frente a um muro quando fui jogada na direção dele e parei de sentir metade do meu corpo.

Todos acham que eu perdi a consciência na hora, mas eu ainda estava acordada quando você saiu do carro cambaleando na minha direção. Nesse momento eu te vi pela primeira vez, jovem e embriagado. Lembro de ter visto você gritar e correr desesperado. Lembro de ter visto alguém ligando para a emergência. Lembro de sentir medo quando o mundo começou a ficar escuro. Tudo o que ocupou a minha mente até o meu último lapso de consciência desaparecer era apenas uma pergunta:

Por que?

Notas finais
O que você achou? Gostou do estilo? Acha que precisa melhorar? Comente!
Jojo.