Notas iniciais
Como prometido, o capítulo 02 já está postado! Obrigada a todos que já estão acompanhando! As postagens serão sempre regulares, então não se preocupem com atrasos. Boa Leitura! Jojo.

DEPOIS

Quando o meu avô morreu, eu tinha acabado de entrar no ensino médio. Eu nunca tinha tido um grande contato com a morte e aquela notícia me desestabilizou. O corpo dele estava estirado em um caixão e meus parentes enchiam a capela, todos aos prantos. Eu não chorei em momento nenhum. Talvez o choque tivesse sido forte demais, ou talvez eu fosse mais forte do que as outras pessoas. Naquela época eu achava que não havia coisa pior do que a morte. Mais tarde, eu descobri que estava errada.

Segundo as enfermeiras do hospital, eu acordei de madrugada. Ironicamente, era uma da manhã. A experiência não foi das melhores, era como acordar de um desmaio com várias pessoas te olhando. Eu me sentia exposta e enjoada, confusa e perdida, procurando por alguma referência ou alguém que eu conhecesse. O meu corpo parecia ter sido amolecido por alguma droga, cada movimento custava muito esforço e me deixava exausta.
Você não faz ideia de como era difícil me manter mentalmente estável nos primeiros dias. Eu queria sair do hospital, queria ver minha mãe, Fernanda, Nicolas, qualquer pessoa que pudesse me dizer que estava tudo bem. Eu senti medo, hesitação, chorei em silêncio por noites e gemia na cama sem poder me mexer. Foi então que eu comecei a sentir raiva de você. Por momentos, eu desejava que quem quer que você fosse, você tivesse sido pego por um policial e estivesse pagando pelo seu crime.
Naquelas horas de sofrimento, era mais fácil canalizar minha frustração para você.
Duas semanas depois de acordar com várias sondas no meu corpo, eu recebi a minha primeira visita. Minha mãe conversou com o médico antes de entrar no quarto, e pelo o que eu pude ver pelo vidro, ela estava abatida e feliz ao mesmo tempo. Era como se eu fosse a única sobrevivente de um desastre. Estava viva, e as pessoas estavam felizes com isso, mas não conseguiam sorrir completamente.
– Clara... Minha filha... — Foi o que ela conseguiu dizer antes de ficar em prantos ao lado do leito. Eu estava deitada, um pouco inclinada para cima e tinha agulhas no meu pulso que limitavam os meus poucos movimentos. Deixei a cabeça tombar para o lado e observei minha mãe chorar por quase vinte minutos.
Ela usava uma camisa polo verde musgo e os cabelos estavam escuros e em um corte masculino. A Patrícia Fernandes de quem eu me lembrava nunca sairia de casa sem maquiagem ou com uma roupa que não combinasse com a estação. Mas ali estava ela, acabada como uma flor murcha.

– Eu senti tanto a sua falta... – Ela disse depois de se recompor – Eu sempre soube que você ia acordar. Eu nunca perdi as esperanças.

– Eu... Dormi... Por muito tempo? – Juntei minhas forças para falar. Minha língua parecia dormente e as minhas palavras ficaram arrastadas.

– Bastante tempo... – Ela disse secando o rosto com um lencinho.

Juntei todas as minhas forças e abri um sorriso. Não um sorriso de verdade, mas uma imitação barata que parecia mais uma careta do que uma expressão de felicidade.

– Já passou meu... Aniversário?

Ela não respondeu prontamente, ao invés disso, desviou o olhar e deu um sorriso triste. Ela parecia hesitante sobre alguma coisa, então, como se tivesse se decidido, colocou a mão sobre a minha e voltou a me encarar.

– Clara, meu anjo... – Ela suspirou – Você dormiu por muito tempo. Não estamos mais em 2010. Fazem cinco anos desde o acidente.

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Existem coisas que a gente nunca imagina que vá acontecer de verdade. Desde que eu era pequena, minha mãe era apaixonada por livros de romance e drama. Nos últimos anos, ela tinha se tornado fã de carteirinha dos livros de Nicolas Sparks. Eu nunca tinha gostado dessas histórias, sempre achei que elas eram exageradas, que mostravam um mundo fantasioso cheio de tragédias e amor. De certa forma, eu não podia admitir que esse tipo de coisa pudesse acontecer na vida real. Mas quando minha mãe falou aquelas seis palavras, o meu mundo desmoronou de uma vez só.

– O que? – Senti como se tivessem me dado um tapa no rosto.

Tentei por meus pensamentos em ordem. Cinco anos. Isso significava que eu devia estar com 22 anos. Isso significava que eu tinha perdido não só o meu aniversário, como também a minha vaga na faculdade, a minha carteira de motorista, a minha adolescência e o mundo que eu conhecia. Foi quando eu me lembrei. Eu não estava sozinha naquele dia.

– Fernanda! – Apertei a mão da minha mãe, a surpreendendo. – Onde... Ela está bem?

Ela hesitou de novo. Senti que algo estava errado quando o seu rosto adquiriu um ar sombrio.

– Querida... Fernanda não sobreviveu ao atropelamento. – Ela suspirou – Os médicos disseram que foi na hora, não tinha como salvá-la.

O choque foi instantâneo. Aquela foi a segunda vez que eu perdi alguém que eu amava, mas ao contrário de quando o meu avô tinha falecido, eu sentia que podia desabar e de repente me unir ao chão e morrer junto dela. Comecei a chorar.

Não me lembro quanto tempo eu fiquei ali, sendo abraçada pela minha mãe, chorando sem poder encostar a cabeça no ombro dela.

Notas finais
Gostou? Não gostou? Precisa melhorar? Comentem! Não é obrigatório comentar, mas é bem legal saber a opinião de vocês! O próximo capítulo sai quarta-feira! Beijos. Jojo.