Notas iniciais
Não esperem muito desta fic, ela surgiu de algo pessoal, apesar de não ter nada a ver com a inspiração. É algo que minha mente mirabolante criou, e ainda não conheço o ser que entendeu algo meu a fundo.

Era um início de manhã fria, com verdadeiros indícios de que a chuva estava por vir, não uma chuva passageira qualquer, com toda a certeza a chuva que estava por vir estava mais para aquilo que chamam de tempestade.

O aeroporto estava vazio, afinal, que cristão ainda cultivava esperanças de viajar naquelas condições? Seria loucura. Mas parece que uma jovem moça não pensava assim.

Ela aparentava ter seus 26 anos — nem mais e nem menos que isso -, seus cabelos castanhos compridos emolduravam seu rosto angelical, seus olhos num tom dourado a tornava ainda mais atraente e seus perfeitos lábios carnudos eram um ponto em particular que eu não pude deixar de notar.

Ela estava na fila do check-in, com uma expressão que claramente indicava raiva ou algo do tipo, estampada explicitamente ao rosto, isso sem falar em sua obsessão em ter de olhar o relógio a cada 3 minutos, como se estivesse atrasada ou ansiosa para algum evento importante.

Quando finalmente chegou a sua vez, ela se aproximou do guichê rapidamente, procurando alguma coisa em sua enorme bolsa.

– Sinto muito senhorita Ally, iremos adiar seu voo por hora, é impossível voar nessas condições. – Disse a recepcionista, escolhendo as palavras.

– Mas é só uma ameaça de chuva, vocês não podem cancelar o meu voo assim. – afirmava Ally inconformada, achando o que procurava em sua bolsa, o que me pareceu ser vários documentos.

– Eu entendo senhora, mas é uma questão de segurança. Apenas pedimos-lhe que entenda, e a qualquer nova informação anunciaremos nos alto-falantes. – Disse a balconista tentando fazer Ally entender.

A garota afastou-se e caminhou até a sala de espera, onde se sentou, e calmamente digitou alguns números nas teclas de seu celular. Alguns instantes depois, ela parecia estar desculpando-se via telefone, dizendo:

– Oh! Lana eu lamento, meu voo deveria sair daqui a vinte minutos, mas tudo indica que uma tempestade levará embora tudo que planejamos para hoje.

Após soltar estas palavras quase chorando, desligou o telefone e o guardou na bolsa.

Sua expressão facial mudou de enfurecida para devastada, era como se Ally estivesse prestes a perder muito mais do que só uma viagem.

Poucas horas depois, o céu estava limpo, como se nunca mesmo houvesse tido uma ameaça de tempestade. Nem parecia o mesmo céu de duas horas atrás.

Dos alto-falantes podia-se ouvir uma voz feminina informando que todos os voos iriam decolar, com mais alguns minutos de atraso, mas ainda assim iriam.

Não demorou para que fizessem a chamada do voo de Ally. Logo a garota de cabelos castanhos estava em frente à balconista novamente.

Antes de entregar-lhe os documentos a atendente disse-lhe:

– Desculpe-nos os transtornos, e obrigado por voar conosco senhorita, a companhia lhe deseja uma ótima viagem.

Ally quis pular no pescoço da atendente, mas se conteve se seguiu em direção ao avião.

***

O som incessante de telefones tocando, era toda a trilha sonora daquele pequeno escritório, na ala norte da cidade.

Em um dos guichês, uma jovem moça atendia aos telefonemas o mais rápido que podia, sendo doce e amigável com todos os tipos de gente que falava. Em seu crachá podia-se ler “Lana F.”, ela aparentava ser uma pessoa serena e paciente, trabalhava com naturalidade, e muito embora seu rosto indicasse insatisfação, pude encontrar uma pitada de ansiedade em seus olhos castanhos. Olhos estes que combinavam perfeitamente com o tom de sua pele e de seus longos cabelos negros que dançavam em suas costas de acordo com o movimento em que fazia ao atender telefones e assinar os papeis em sua volta.

– Lana, infelizmente aconteceu um imprevisto com a garota que iria trocar com você e parece que iremos precisar de você no próximo turno. – Dizia o senhor de meia idade atrás de Lana com um sorriso nos lábios.

Aquele era o senhor Frank, o patrão da garota a sua frente.

– Mas senhor Frank, hoje tenho um compromisso e não sei se poderei atender a este pedido. – Disse Lana num tom de súplica, girando na cadeira, ficando de frente para Frank.

– Lamento Lana, não temos outra substituta.

A raiva tomou conta de Lana, finalmente Ally estava vindo visita-la, e ela não poderia recebê-la no aeroporto, aquilo era inaceitável, sem falar que isso tudo só fez com que Lana odiasse o senhor Frank ainda mais.

Normalmente não era comum naquele escritório, alguém odiar o senhor Frank, além de não dar motivos, ele era uma ótima pessoa. Mas Lana passou a odiá-lo desde que percebeu seus olhares maliciosos direcionados a ela, e tudo piorou numa certa tarde em que eles estavam a sós no prédio, enquanto Lana recolhia seus pertences e se preparava para voltar pra casa o senhor Frank a surpreendeu apertando-lhe a bunda e sussurrando coisas que fizeram Lana ter ânsias de vomito. Desconsertada a Pobre moça fugiu e no dia seguinte trocou de turno com uma amiga do turno da manhã que convenientemente queria a troca também, e desde então Lana evita ficar no escritório até tarde, principalmente se seu patrão ainda estiver por lá.

O resto daquela manhã passou rápido, tão rápido que, quando a bela Morena se deu conta já eram 12h30 hora na qual todos no escritório trocavam de turnos, e caso fossem ficar para o próximo turno, se dirigiam até o refeitório, e não ficavam por lá mais do que uma hora, tendo em vista que o outro turno começaria ás 13h30.

A hora do almoço costumava ser desconfortável para a garota. Ela não era de muita conversa, tampouco tinha uma amiga fiel para dividir a mesa e quem sabe até alguns segredos. Sendo assim, esta era a hora em que a maioria dos homens que ali presentes estavam, aproveitavam para sentar-se em sua mesa lhe passar cantadas entre uma garfada e outra, deixando a pobre moça em maus lençóis.

Estranhamente este evento corriqueiro não ocorreu naquela manhã, para a felicidade da moça, que após comer metade do que estava em seu prato, tirou seu celular da bolsa e viu que havia recebido uma mensagem de voz, apertou mais algumas teclas e logo ouviu a mensagem de Ally. As palavras que saíam do telefone fizeram os ombros de Lana pesar ainda mais.

Antes que Lana corresse até o banheiro e chorasse, seu telefone piscou e vibrou; e ao olhar a tela viu o número de Ally, com medo de chorar “na frente” dela, preferiu não atender, deixou cair na caixa de mensagens. Retirou seu estojo de maquiagem da bolsa, retocou a pouca maquiagem que usava e caminhou até o cubículo que costumava chamar de sala.

Os telefones não paravam, e Lana não tinha o menor clima para atender todos aqueles telefonemas.

– Me desculpe, eu havia avisado ao senhor Frank que não poderia vir, mas lembrei do dia de hoje, e do quanto vocês sonham com esse encontro, me desculpe pelo atraso, e obrigado por segurar as pontas enquanto estive fora. – Dizia a garota ruiva tatuada.

Após finalizar mais uma chamada, Lana virou-se e mais do que rapidamente, pegou sua bolsa e disse:

– Sem problemas Chelle, acho que ela não virá hoje mesmo.

– Como não?

– Recebi uma mensagem de voz dela agora a pouco.

– Mas o que houve?

– Parece que o voo dela foi adiado.

– Eu sinto muito.

– Tudo bem, passe-me as chaves de casa, eu só preciso descansar.

– Desculpe por não poder ajudar, logo mais chegarei em casa e vejo o que posso fazer. – Dizia Chelle passando as chaves do apartamento que compartilhava para Lana.

– Seria bom você começar arrumando aquela zona, há duas semanas você só fala...

Antes que ela terminasse Chelle a expulsou da sala literalmente.

Lana sorriria, mas naquelas condições aquilo não era possível, não agora.

No estacionamento procurando as chaves do carro, viu que seu celular ainda piscava, pegou-o e notou que haviam 2 mensagem de voz, ambas de Ally.

A primeira dizia:

– Oh querida! Desculpe-me, é que tudo fora tão rápido, e no avião não tem sinal, isso realmente é um problema. Acabei de chegar, estou a sua espera.

Aquilo fez com que Lana quisesse gritar de felicidade. A garota estava tão feliz que já não queria ouvir a outra mensagem. Mas não o fez, apertou mais algumas teclas e ouviu:

– Acho que não recebeu minha segunda mensagem, eu entendo, estou indo para o hotel agora, quando puder, me liga.

A garota queria ligar para Ally naquele exato momento, mas preferiu ir pra casa e ir surpreendê-la no hotel.

Então Lana destravou as portas do carro, entrou e seguiu até seu apartamento não muito longe dali.

Parece que nem a chuva e nem mesmo as atrapalhadas de Chelle foram capazes de impedir o encontro de Lana e Ally.

Notas finais
Não esqueçam de comentar, e só pra lembrar, é uma fic curta.