5 Heirs: Livro 1- The heiress of a kingdom
1 Capítulo 1
Notas iniciais
-GreenKitty
Pennie prende os cabelos negros da menina em um rabo de cavalo alto enquanto uma mulher mais velha lhe ajeita as roupas. A menina tinha as mãos inquietas de nervosismo, o colete de tecido lhe sufocava a garganta, a fazendo esticar o pescoço para respirar, sem sucesso.
Todo aquele suspense a matava, queria saber o motivo de tanto mistério, o por que de sua governanta parecer mais estressada do que normalmente ficava, o por que de toda aquela preparação, nunca fora de se importar com os cuidados estéticos que Pennie a submetia, na maioria das vezes apenas usava um de seus vestidos simples que sofriam de inúmeros rasgos, lembranças de suas pequenas aventuras, os vestidos sendo formado por retalhos que a criança forçava Pennie a fazer, além de amar sentir o frio do chão embaixo de seus pés descalços.
Seu desleixo em como se apresentava aos outros era o que mais deixava sua governanta de cabelos em pé.
A mulher lhe segura pelos ombros a encarando com uma expressão orgulhosa. Seus cabelos ruivos presos em duas tranças que caiam sobre os ombros, o vestido solto cobrindo as pernas e lhe apertando o busto e os braços, a criança se perguntava como a mulher conseguia arrumar seus cabelos e suas roupas, quando a mesma parecia nem conseguir se mexer usando tal vestido. Pennie era uma bela mulher e Rinnah, diferente da maioria das meninas que queriam ser iguais as mães, Rinnah apenas desejava ser igual a Pennie. O rosto redondo e pele bronzeada. Pennie era uma refugiada dos Reinos do Norte e que por obra do destino se tornou amiga de infância da futura Rainha das Terras do Oeste, se tornando assim sua dama de companhia e mais tarde, governanta da filha de sua grande amiga, da qual falaremos mais tarde. Pennie possuía a personalidade forte natural de um Nortense, porém os anos convivendo com a graça e doçura da Rainha e deixou menos rabugenta e mais agradável, e esse seu paradoxo de personalidade era o que encantava Rinnah, que desejava ter sua personalidade forte, porém ainda doce, quando um dia fosse governante.
“Está linda Rinnah.” Disse sorrindo cobrindo boa parte do rosto com as mãos. Rinnah se olha no espelho, o colete de tecido a deixava maior do que parecia, idem com as calças de um tecido grosso, ambos de uma coloração cinza, os cabelos negros presos em um rabo de cavalo alto, mostrando o raros fios prateados misturados com os fios negros, a botas de combate eram gigantes a deixando com um andar desengonçado.
“Pareço um homem Pennie!” Reclama pelas roupas serem grandes demais para ela, eram confortáveis, mas eram grandes demais para uma criança de seis anos, pelo tamanho, Rinnah precisaria ter pelo menos catorze anos para que fosse possível no minimo andar corretamente. A governanta gargalha alto batendo as palmas divertida.
“Está linda Rinnah! Não se preocupe!” Assegurou a mais velha, pegando uma bolsa grossa de tecido preto e pendurando no ombro esquerdo. Rinnah levantou ambas sobrancelhas como se perguntasse silenciosamente o que carregava na bolsa, porém não teve resposta, apenas bufou contrariada.
“Você sempre acha que estou linda até mesmo usando um peixe como chapéu.” Recebeu um olhar reprovador se calando imediatamente. Pennie era uma mulher assustadora quando queria.
A governanta se retira do quarto de costura em que se encontrava com a menina em seu encalço, as duas atravessam os corredores de pedra bruta empilhadas de um modo que o a construção não despencasse.
Aquela grande construção era um milagre da gravidade por se manter firme. Esse era o castelo de rochas e o lar de Rinnah Ohel, nossa pequena protagonista no momento, que ainda seguia a governanta apressada, parando inúmeras vezes para apertar as malditas botas grandes demais para a menina.
“Pennie, me espere! Essas botas não me deixam andar!” Exclama, sua voz ecoando pelos corredores e sendo ignorada pela governanta que continuou com seus passos firmes, a menina bufa e aperta os cadarços das botas antes de se por a correr atrás da mulher que tinha a grossa porta de madeira aberta para a criança passar. Logo fechando a mesma quando a menina passa e se pondo a andar de novo. A criança olha em volta reconhecendo o local, logo sentindo que não deveria estar ali.
“Pennie essa é a ala proibida! Eu não devia estar aqui! Pennie? Pennie! Está me ouvindo?” A garota tagarela enquanto a governanta ainda a ignorava. Tendo sua mente perdida em meio de outros pensamentos, alguns que tinham a criança como protagonista, se perguntava se veria a criança novamente depois daquele fatídico dia que ficaria conhecido por eras.
Pennie arrasta outra porta grossa de madeira que leva para o jardim da frente, repetindo o processo e esperando a criança passar.
“Rinnah! Espere.” Disse finalmente se manifestando e abrindo a grossa bolsa de tecido que se encontrava consigo durante toda a caminhada pelos corredores de pedra, a menina inclinou para frente desesperadamente ver o que tinha dentro da bolsa, não podendo ver nada além do longo pedaço de tecido negro que a governanta ruiva puxou para fora da bolsa, a fechando logo em seguida. Os olhos prateados da criança se perderam na escuridão do tecido que lhe foi estendido, passeando com a brisa. Pennie passa o tecido sobre os ombros da menina, cobrindo os cabelos negros com o capuz, escondendo todos os fios, deixando apenas a franja negra exposta, deixando apenas raros fios prateados a mostra, podendo ser confundida com a luz reluzindo nos cabelos platinados.
“Lhe amo tanto criança.” Disse puxando a criança contra o busto, esmagando o rosto da criança contra seu peito.
“Pennie! Vai me matar, mulher!” Exclamou se descontrolando contra os braços finos e fortes da mulher. Quando nota algo errado no rosto da governanta. “Pennie? O que foi? Está chorando?” Perguntou olhando os olhos marejados de Pennie, que tratou de se livrar dos rastros de lagrimas, logo abrindo um sorriso nada convincente.
“Apenas... prometa que vai ficar bem?” Sem entender a menina apenas assentiu e seguiu a ruiva que andava as pressas pela passarela de ladrilhos que dividia o enorme jardim que nem se dera ao trabalho ou tempo de apreciar, apenas correu atrás de Pennie, ajeitando as enormes botas que ameaçavam cair de seus pequenos pés a cada passo.
A mulher segura a barra do vestido longo antes de descer um pequeno andar de escadas usada para decoração, esperando a menina que apenas deslizou as botas pelas rampas retas de granito que circulava a escada, parando em frente a governanta que lhe olhava reprovadora. Ela apenas bufou.
“Esta bem da próxima vez eu uso as escadas!”
“Pode não haver uma próxima vez.” Murmurou a mulher, a menina se encontrava tão presa em suas reclamações que nem prestara atenção nas palavras. Finalmente parando para observar sua volta, vendo coleções variadas de flores, muitas que Rinnah não reconhecia, não por falta de tentativa de Pennie que nunca desistira ensinar a garota sobre a flora de seu pais sendo sempre, obviamente, ignorada pela mesma sempre. Uma construção de vidro ao longe enfeitada por videiras denunciava uma estufa, a luz do Sol refletindo uma luz esverdeada pelos vidros das paredes da estufa. Videiras rebeldes se pendurando para fora das janelas abertas no telhado em diagonal.
Porém o que chamou atenção dela foi as duas figuras em pé na frente da construção de vidro, uma figura esguia, os cabelos prateados caindo abaixo da cintura, olhos prateados combinando com os fios pratas, a pele alva a transformando em uma pintura pintada em prata e o vestido simples, porém elegante emoldurando um corpo magro, a coroa em sua cabeça denunciando sua realeza. Rainha era seu titulo. Rainha Lasea Ohel.
A figura maior ao seu lado não se virou para a menina quando a mesma correu na direção dos dois, ombros largos e físico de guerreiro, quem não o conhecesse deduziria o mesmo ser um soldado ou um general, apenas para depois descobrir sua verdadeira linhagem.
Tinha cabelos negros em pequenos cachos e olhos azuis desfocados vidrados nos reflexos das paredes de vidro. A pele bronzeada diferenciando a pintura clássica e elegante da mulher ao seu lado, porém igual a mulher uma coroa lhe decorava a cabeça. Rei Maasiai Ohel. A capa preta grossa se movendo levemente com o vento.
Sua mente se retirou dos devaneios pelo grito infantil.
“Papai! O senhor voltou!” Sem tempo para raciocinar o homem apenas segurou o corpo pequena da criança que lhe abraçou o pescoço. O capuz da enorme capa negra semelhante a sua cobrindo metade do rosto moreno. Apenas teve tempo de corresponder o abraço, quando a mulher ao seu lado se juntou aos dois. Pennie cobriu a boca com as mãos emocionada enquanto via aquele momento em família que podia ser colocado em uma pintura. Os adultos largaram a criança que escorregou para o chão, pousando em pé.
“Achei que voltariam no inverno, o que houve para voltarem mais cedo?” Quis saber. Há dois meses os pais da criança haviam ido para os Reinos do Nortes para refazer os acordos territoriais.
Os Reinos do Norte eram governados por um povo antipático e grosseiro. Com guerreiros que nasciam com as vidas tornadas para o campo de batalhas. Ainda que fossem considerados bárbaros, os Nortenses eram os melhores guerreiros que se poderia encontrar, porém sempre se abria uma exceção com Pennie, a governanta Nortense que apesar de ter sua grosseria de nascença ainda era uma doce mulher. Como todo Nortense, Pennie tinha a fisionomia natural de uma guerreira nata, apesar de seu único exercício físico ser subir as numerosas escadas do castelo de rochas, os cabelos ruivos lisos e longos, além do rosto naturalmente redondo e os olhos negros. Características que denunciava sua linhagem Nortense.
Rinnah era a herdeira das Terras do Oeste, povo que no começo possuíam sua própria fisionomia, os cabelos negros e seus olhos claros, cor do céu, a pele pálida e uma aura misteriosa que parecia estar no leite das mulheres Tews, porém diferente dos outros povos, as Terras do Oeste passaram por anos de miscigenação cultural e fisionômica.
Rinnah, uma perfeita mistura, pele morena, rosto levemente arredondado e os cabelos negros herdados do Rei e os olhos prateados da Rainha, Rinnah encantava qualquer um com sua beleza exótica e infantil.
“O que houve?” Havia muitos adjetivos para descrever Rinnah, porém ingenua não seria uma delas, apesar de ser muito jovem, a menina mantinha os olhos abertos, e aqueles olhos capitavam expressões tensas e preocupadas. E logo chegou em uma conclusão.
Algo preocupante acontecia.
Rainha Lasea se coloca na altura da criança, ajoelhando-se sobre os canteiros de flores, a menina se perguntou como a Rainha ou Pennie conseguiam sequer andar ou respirar naqueles vestidos justos no busto, imaginou o sofrimento que seria para ela conseguir se mover em um vestido daqueles.
“Rinnah...” A mulher disse como em um sussurro, rápido e indolor, porém os olhos mostravam uma dor infelizmente conhecida por muitos. A dor de uma despedida, e foi isso que os olhos abertos da garota viram. “Se recorda de quando era menor e eu lhe contava histórias sobre antigas guerras que ocorreram entre nações? Sobre como eram guerra horríveis e que o dialogo e raciocínio se tornou nossa melhor arma?”
“Claro mãe, virou um principio Oeste, papai sempre me contava essas histórias, mesmo quando eu não pedia, ele ama histórias de guerra. Principalmente a Guerra dos Cem Anos.” Disse encarando o pai, que lhe enviou um sorriso contido, porém sem nenhuma alegria presente, era um sorriso vazio. A rainha sorriu sem emoção.
“Exatamente, a Guerra dos Cem Anos, marcou muitas nações, extinguindo muitas, mas nos mantemos firmes? Certo? Afinal, se não estivéssemos não estaríamos aqui lhe contando essa história novamente. Ainda me lembro de ver meu pai e irmãos saindo de casa as pressas armados até os dentes, durante minha infância inteira a qualquer momento Rinnah, eu lhe garanto, quase achei que morreria.” A menina arregalou os olhos levemente com a afirmação, ouvira aquela história milhares de vezes, porém era pelo ponto histórico, era a primeira vez que ouvia a história de um ponto pessoal e vivido. Rinnah sabia que a mãe tinha vivenciado com os próprios olhos os horrores da guerra, porém nunca ouvira a história dela, sabia que poderia ser horrível demais para se lembrar, preferira evitar memorias desagradáveis para a mãe, porém agora a mesma lhe contava as próprias experiências por livre espontânea vontade.
“Achei que nunca iria ter a alegria de ver uma criança maravilhosa como você crescer, achei que nunca iria casar e viver uma vida realmente feliz, porém cá estou. Vendo uma das minhas maiores alegrias. Você. Amo lhe tanto minha criança.” Apertou a criança contra seu corpo, Rinnah passou seus pequenos braços em volta da mãe a abraçando forte, sem entender o por que de tantos abraços em um dia, porém ainda assim gostava de abraçar seus pais, já que os mesmos não eram muito presentes na vida da menina, mesmo que amassem a filha, também eram governante de um pais. Era algo que mesmo sendo uma criança com poucos anos de vida, Rinnah conseguia entender.
Quando uma imagem esguia a chama atenção, era claramente a imagem de uma mulher. A mesma andava em passo graciosos para fora da construção de vidro, seus cabelos longos cobriam suas costas, uma túnica branca presa nos ombros por dois broches de ouro, um deles em seu ombro esquerdo e o outro em sua cintura, entalhado na joia tinha o brasão de um reino de qual Rinnah conhecia pouco. Os olhos azuis e a pele morena -tanto por ser sua cor de nascença, quanto por uma consequência das varias décadas em que se manteve exposta ao Sol- eram características marcantes, Rinnah conhecia aquelas características das aulas de estudo dos outros reinos, porém conhecia pouco do Clã do Sul, ainda assim reconhecia aquele broche, broche que apenas a líder de um Clã usava, a expressão neutra porém firme entregou a sabedoria de uma líder.
“Servia Ramath...” Murmurou se escondendo atrás da mãe, lembrava de quando a mulher visitava seus pais e a olhava que se fosse algo que quebrasse todos seu princípios. O que de certa forma era. O Clã do Oeste já fora um reino com homens, crianças e mulheres. O mesmo sendo governados pelo feminismo, o conselho formado completamente por mulheres, sua líder sendo a mulher a sua frente e também a responsável por uma das guerras mais conhecidas em toda as Cinco Nações: A Guerra da Lua Sangrenta.
Guerra essa que distinguiu metade de um reino inteiro. Servia Ramath, como contam as histórias, foi cegada pelo feminismo, chegou a conclusão de que homens se tornaram inúteis em sua civilização, assim persuadindo o conselho e se livrarem completamente de todos os homens e garotos de sua civilização, fora uma carnificina que durou cinco anos. As Terras do Oeste se tornaram importantes para refugiados, não livrando completamente os homens Sulistas, muito deles se tornando refugiados nas Terras do Oeste, não podendo ser caçados por conta de acordos territoriais entre os Sulistas -também chamadas de Ronths- e os Oestes -também chamados de Tews.
Porém ela, Servia Ramath, garantiu a extinção de todos os homens em seu território, transformando seu reino em um Clã, colocando-se no topo, como líder, em uma noite de Lua Cheia. Porém naquela noite também foi a noite do castigo de uma nação inteira. Os Deuses, envergonhados, castigaram as Ronths, criando em seus ventres as marcas escuras de infertilidade, marcas essas que nunca poderiam ser retiradas, marcas essas que se queimaram na carne do ventre de cada mulher e menina que nascerá naquela noite ou que iria chegar a nascer. Ronths passaram a ser criadas a partir da harmonia com a natureza que as Ronths -apesar de causarem uma carnificina a sangue frio- ainda possuíam. Podendo se fundir com a mesma e a pedir ajuda como uma antiga amiga. Crianças surgiam de dentro de troncos e brotos de flores e um nova nação nascera naquele dia: Clã do Sul, porém também nascera a infertilidade de uma nação inteira de mulheres. E naquela noite a Lua se mostrou vermelha como sangue.
Servia vivera muitos anos e provavelmente viveria muito mais, era uma bela mulher, porém ainda era cegada pelo feminismo e abraçara a infertilidade quase que com orgulho. Suas túnicas sempre possuindo um vão na área do ventre mostrando suas marcas queimadas a pele, marcas que provavam que nunca teria uma vida dentro de si. Algo que Servia muito se orgulhava. Porém esse orgulho a tornou antipática com crianças que não pertenciam ao seu clã e que não foram concebidas a partir do controle que toda Ronth possuía sob a natureza que as cercavam, o que a fez sempre olhar Rinnah com desgosto, que ao ouvir a história da mulher a partir de Pennie, passou a evitar a mesma, com medo de que ela fizesse algo terrível consigo, quase como se na primeira oportunidade a agarrasse e a jogasse em um lago cheio de crocodilos prontos para devorar-lhe a carne.
Sua voz soou cortante como gelo quando saudou a menina.
“Olá pequena praga...” Seu sorriso era frio, fazendo com que Rinnah se escondesse nas saias da mãe, que a confortou passando os dedos finos pelos cabelos da menina.
Notas finais
Até a proxima o/
-GreenKitty
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