5 Anos
12 Morgan
Finalmente o último mês de gestação havia chegado. O quarto do bebê estava finalizado, e todos os preparativos para quando a hora chegasse estavam prontos. Perto da porta da frente havia uma bolsa com roupas para toda a família, fraldas, lenços, luvas e gorros para Morgan, chupetas e tudo mais que talvez fosse necessário no hospital.
— Lembra quando eu conseguia ver meus pés? Porque eu não. — Pepper disse, olhando para baixo. A única coisa que podia ver era sua enorme barriga e o chão da cozinha.
— Não seja dramática, você está adorável. — Tony deu um beijinho na bochecha dela, antes de ir até a geladeira.
— Oh, eu sei disso... — ela levou uma mecha de seus cabelos soltos atrás da orelha. — Você é o dramático. Eu sou uma adorável mulher grávida; e adoraria fazer uma caminhada pelo quintal e depois receber uma massagem nos meus adoráveis pés inchados, cujos quais não consigo mais ver. — ela entregou a embalagem de leite de amêndoas ao homem, que a guardou.
— E eu adoraria fazer isso. — Tony fechou a geladeira e segurou a mulher pela cintura; então beijou-a los lábios, sendo correspondido de bom grado. Mas logo a mulher se afastou, e ele estranhou.
— Xixi. — ela explicou, saindo do abraço dele.
— De novo? — ele abriu os braços.
— É o que acontece quando se tem um ser humano pressionando sua bexiga o tempo todo! — ela disse em voz alta, já indo apressadamente até o banheiro.
…
Eram meados de primavera. A neve havia derretido, as flores haviam voltado a colorir todo o lugar. Pássaros cantavam nas árvores. O rio havia descongelado, e suas águas balançavam calmamente. O sol brilhava e o cheiro de grama agradava aos pulmões de Tony e Pepper, que caminhavam pelo jardim sem pressa alguma. Gerald os seguia logo ao lado, eventualmente cheirando o vestido azul da mulher.
— O que houve com você hoje, hum? — ela acariciou a alpaca, quando ele a cheirou mais uma vez. — Está tentando dizer alguma coisa?
— Não é fome, ou já teria comido a grama. — Tony comentou, antes de beber um pouco d’água. Então entregou à esposa, para que fizesse o mesmo.
— Eu provavelmente estou cheirando diferente e ele está estranhando… — ela bebeu a água, ainda acariciando o animal.
— Não beba tudo de uma vez, ou vai querer ir ao banheiro daqui a cinco segundos.
— Tarde demais. — a mulher o entregou a garrafa, e beijou Gerald antes de voltar para casa.
— Perdi a chance de tirar uma foto disso, não é? — Tony acariciou a alpaca, que bufou e trotou para longe do dono. — Ok… — ele se viu sozinho no meio do jardim. Então voltou para dentro de casa.
Ele sentou no sofá, com a caixa de óleos em mãos. Então ligou a tv e começou a revirar os canais.
— Tony?
— Sim? — ele olhou para trás e sorriu. — Oi, amor. Eu peguei seus óleos de massagem. O que prefere assistir? Temos uma dezena de comédias românticas, talk shows e reprises das séries de ontem.
— Oh… Na verdade, eu preciso conversar com você.
— Está tudo bem?
— Sim, tudo está ótimo! — a mulher sentou ao lado do homem, com um sorriso enorme nos lábios. — Só… mantenha a calma, ok?
— Sua bolsa estourou. — aquilo foi mais uma afirmação que uma pergunta.
— Sim… — a mulher sorriu.
— Pep, isso é… — ele a abraçou e a beijou no ombro. A mulher o apertou com força e deixou algumas lágrimas de felicidade caírem de seus olhos. Então eles se afastaram e ele depositou um beijo na barriga da mulher. — Você está bem? Está com alguma dor?
— Não, eu estou ótima… — ela limpou as lágrimas.
— Então vamos nessa. Onde está a minha carteira? — ele se levantou e tateou os bolsos da calça.
— Está no quarto. A minha está na minha bolsa, na cozinha.
— Ok. — ele saiu apressado.
— Tony?
— Sim?
— Se acalme. Eu sequer tive contrações ainda. — ela sorriu.
— Ok... — ele respirou fundo, e foi atrás da carteira dela.
Antes de saírem de casa, informaram ao hospital, à família e aos amigos que o bebê estava à caminho; verificaram mais de uma vez se portavam tudo o que precisavam e se a cadeirinha estava instalada em um sedã recém comprado. Então entraram no helicóptero sem piloto e voaram para a cidade.
— Merda! — a mulher gritou, quando uma contração chegou.
— Calma, estamos chegando. — Tony acariciou as costas dela.
— Não me diga para ficar calma. — ela disse com olhos fechados e dentes cerrados.
— Ok; então vamos fazer o que praticamos nas aulas de lamaze e você não me mata, está bem? — ele aproximou a mão da barriga dela cautelosamente, até que conseguiu tocá-la. Não perdeu o braço no ato, então seguiu em frente e começou a acariciá-la. — Hey, Maguna. É o papai aqui. Sabe, a mamãe está passando por um momento complicado; então vamos todos manter a calma e ajudá-la, certo? E, por favor, não repita os palavrões que ela vai dizer. E vão ter muitos deles. — ele fez a mulher rir. — Está rindo ou chorando?
— Os dois? — ela disse confusa.
— Está tudo bem, você está indo muito bem. Vocês duas estão. — ele continuou acariciando a barriga dela e falando calmamente. Em pouco tempo pousaram no heliporto do hospital, e enfermeiros se aproximaram com uma cadeira de rodas. Então foram levados até o quarto, onde ajudaram a mulher a deitar em um leito.
— Porra! — Pepper se contorceu com a contração ainda mais forte que a anterior.
— Foi como tudo começou, certo? — Tony brincou.
— Filho da puta… cala essa boca… — ela gemeu.
— É, desculpe. Precisa de alguma coisa? Travesseiro? Lençol? Água? Eu iria sugerir carinho, mas você me esganaria na próxima contração.
— Água… E minha médica. — ela disse, tentando se recuperar.
— É pra já. — ele se afastou e apertou o botão que chamava uma enfermeira. A médica de Pepper apareceu segundos depois.
— Boa tarde, pais do ano! Eu comprei um exemplar da revista que entrevistou vocês. As fotos ficaram perfeitas! Quem é o fotógrafo?
— Amigos, familiares e nosso robô. DUM-E. — Tony explicou.
— É claro que vocês têm robôs em casa. As vezes eu esqueço quem vocês são. Enfim! Como vai a garotona? — ela se posicionou entre as pernas de Pepper.
— Pronta para sair, eu espero. — foi tudo que a mulher conseguiu dizer.
— Eu vou dar uma olhada, ok? — a obstetra informou, antes de levantar a roupa hospitalar. — Oh, ainda não está na hora. Você não tem dilatação o suficiente. — disse, após sair de entre as pernas dela. — Isso pode demorar um tempo. Até lá, respire e aguente firme. Eu voltarei em algumas horas. — ela avisou, antes de sair. Em seguida entrou uma enfermeira:
— Posso ajudar, senhora Stark?
— Ela precisa de um pouco d'água. — Tony respondeu pela esposa, que respirava fundo.
— Certo. Gostaria que trouxesse seu almoço?
— Está pronta para comida de hospital? — Tony brincou com um sorriso, e a esposa assentiu. — Nós adoraríamos, obrigado. — ele sorriu para a enfermeira, que se retirou em seguida.
A comida não era tão ruim. E o almoço não foi a única refeição que o casal fez, enquanto esperava pela vinda do bebê. As horas passaram, e com o tempo as contrações começaram a vir cada vez mais fortes e com mais frequência.
— PORRA! — Pepper gritou, se encolhendo e apertando o potinho de gelatina servido no jantar. A sobremesa escorreu por toda a mão dela e caiu no colchão.
— Ok…Esta foi a segunda em sete minutos. Vou chamar sua médica.
— Por favor! — a mulher estava visivelmente desesperada de tanta dor. Então o homem correu para fora do quarto, voltando pouco tempo depois, com a obstetra logo atrás.
— Muito bem, está na hora! — ela disse animada, após conferir a dilatação. Então saiu do quarto e chamou alguns enfermeiros, que imediatamente trataram de locomover Pepper até a sala onde seria o parto.
Tony foi logo atrás, e após passar pelo processo de higienização e vestir a roupa hospitalar e a máscara, encontrou Pepper sendo preparada para dar a luz. A mulher praticava os exercícios de respiração aprendidos nas aulas de lamaze, enquanto enfermeiros a ligavam à máquinas.
— Pronta, Virgínia? — a obstetra perguntou, se posicionando. — É bem simples: respire exatamente como está fazendo agora. Quando a contração vier, empurre. Ok?
— OK… — Pepper disse fraco, já sentindo a dor se aproximando.
— Vamos lá, Pep. — Tony disse calmo, agarrando a mão dela.
— Empurre! — a médica ordenou, e a mulher o fez, gritando. — Muito bem, Virgínia!
— Você está indo muito bem, amor. — Tony a encorajou. — Vamos lá!
— AH! — ela gritou com a mais nova contração, e empurrou com o máximo de força que conseguiu. E nessa sequência eles continuaram por um bom tempo...
Até que foram capazes de ouvir um choro de bebê.
— Ela está aqui! — a médica comemorou, segurando Morgan. O cordão umbilical foi cortado, então ela levou a menina até os pais. — Parabéns, mamãe e papai… — disse baixo, entregando o bebê à Pepper.
— Oi meu amor… — ela disse chorando, admirando sua filha. Morgan não chorava mais, e seus olhinhos varriam tudo ao seu redor. Quando sua mãe passou o dedo delicadamente por seu rosto, ela fez um sonzinho que fez o coração de todos derreterem. — Tony, ela é tão linda… — Pepper olhou para o marido, cujos olhos brilhavam encarando a filha.
— Bem-vinda ao mundo, Maguna… — ele segurou na mãozinha dela, que por reflexo apertou a dele. — Nós vamos nos divertir muito juntos, e dar muito trabalho pra mamãe.
— Por favor, não. — Pepper pediu sorrindo.
— Eu amo vocês demais. — ele pôs o braço livre em volta de Pepper, que encostou a cabeça em seu peito. E os dois admiraram a pequena Morgan até os enfermeiros terem que levar a menina.
Fale com o autor