5

1 Capítulo Único


- Err.. isso é um sonho ? Aonde eu estou... um quarto ? Porque eu estou aqui ? — me levantei... olhei ao meu redor, era um simples quarto, a única coisa diferente que tinha lá era uma porta de ferro com um 5 mal-pintado em vermelho. Tentei abrir-la mas não funcionou, ela estava trancada, mas como se não tinha nenhum buraco de fechadura ? Olhei ao meu redor mais uma vez... era um quarto normal, um beliche, um armário, uma pequena janela com grades de ferro... mas porque tudo aquilo ? Podia ser uma brincadeira ? Não não.. impossível, tenho que sair daqui.. — TEM ALGUÉM AI ??!! — nenhuma resposta, gritei mais uma vez – OLÁ ?! ALGUÉM ESTÁ AI ?! — mais uma vez fiquei sem resposta, andei pelo quarto, talvez a chave ou o que quer que abra esta porta esteja dentro do armário, abri ele e encontrei uma maleta, só que ela tinha uma senha para poder ser aberta, joguei-a na cama e dei mais uma olhada ao redor, a mesma coisa... nenhuma câmera nem nada, pensei bem... acho que debaixo dos colchões deve ter alguma coisa, levantei-os, achei um pequeno papel escrito: 4520, tentei por este número na tranca da maleta mas não funcionou, e se os números fossem esse mas o código fosse diferente ? Tentei : 4502, 0254, 4250 e finalmente consegui, o número que destrancava a maleta era 2504, abri a maleta e encontrei um outro bilhete escrito: código de barras e tatuagem – Tatuagem ? Código de barras ? — olhei para a porta, lá estava um leitor de código de barras do lado de onde eu acordei, que estranho... porque não percebi isso de primeira olhada ? Ah, mas isto não importa mais, agora o que significa tatuagem ? Ok, eu sei o que é tatuagem.. mas porque estava escrito isso no papel ? Olhei ao redor, nada... notei uma coisa no meu pulso – OH MEU DEUS ! — Era uma tatuagem de código de barras no meu pulso ! Oque aquilo estava fazendo ali ?! Eu nunca tatuei uma coisa dessa, alias eu nunca me tatuei ! Bem, não importa o quão estranho isso seja, tenho que agir rápido, passei a tatuagem na frente do leitor de códigos de barras e a porta de abriu e, pra fora da porta, havia um corredor mal-iluminado, saí e segui o corredor, encontrei mais uma porta com mais um 5 mal-pintado de vermelho, o que aquilo significava ?, Vi mais um leitor de códigos de barra, passei meu código nele e a porta se abriu revelando um grande salão luxuoso e havia mais 8 pessoas no meio dele. — Err.. aonde eu estou ? — perguntei para uma mulher que parecia ser ma cigana... — não sei também, nenhum de nós sabemos, tudo o que temos em comum são essas tatuagens de códigos de barra. – disse ela, bem... parece que eu não era o único em uma situação confusa, de repente um som saiu de megafones instalados no canto do teto – Peço desculpa por não me apresentar antes... bem, podem me chamar de zero, daqui a pouco eu vou explicar mais sobre o porque de estarem aqui, mas primeiro peguem a ficha de cada um de vocês, não se preocupem tem cópias de todas as fichas o suficiente para todos, elas estão encima da cristaleira que se encontra no canto esquerdo do salão. Amm.. Renata minha querida, você poderia distribuir os envelopes com as fichas entre vocês ? — a menina se assustou – COMO SABE MEU NOME ?! — a resposta – Ah, não se preocupe com isto, depois vou explicar tudo claramente para que vocês entendam. — então ela saiu do seu lugar e distribui as fichas que na verdade estavam dentro de 9 envelopes e entregou um envelope pra cada um. — Por favor, abram, não sejam tão tímidos, abram abram ! — todos do salão abriram os envelopes e se surpreenderam, era a ficha de todos que estavam lá dentro, inclusive a minha ! A ficha completa, desde o ano de nascimento, até quantas horas eu gasto para ir para o trabalho, Não acredito ! Este tal de zero observou todos nós ! Mas como ? Eu não ví nada suspeito ou estranho enquanto estava “livre” … comecei a ler as partes mais importantes, como nome e idade das pessoas:

Ficha 1:

Nome: Larissa Diaz, Idade: 34 anos, Trabalho: Publicitária, Status Social: Solteira, Fuma: Não, Bebe: Não, Doenças: Nenhuma, Tipo Sanguineo: O-

Ficha 2:

Nome: Ícaro Gutierres, Idade: 26 anos, Trabalho: Tatuador, Status Social: Namorando, Fuma: Sim, Bebe: Não, Doenças: Nenhuma, Tipo Sanguineo: A+

Ficha 3:

Nome: Joana Ilhéis, Idade: 9 anos, Trabalho: Não, Status Social: Casada, Fuma: Não, Bebe: Não, Doenças: Nenhuma, Tipo Sanguineo: AB-

Ficha 4:

Nome: Renata Kalli, Idade: 35 anos, Trabalho: Jornalista, Status Social: Namorando, Fuma: Não, Bebe: Sim, Doenças: Nenhuma, Tipo Sanguineo: B-

Ficha 5:

Nome: Gustavo Bras, Idade: 16 anos, Trabalho: Músico, Status Social: Solteiro, Fuma: Não, Bebe: Não, Doenças: Nenhuma, Tipo Sanguinio: O+

Ficha 6:

Nome: Catarina Ferrali, Idade: 25 anos, Trabalho: Cartomante, Status Social: Solteira, Fuma: Não, Bebe: Sim, Doenças: Nenhuma, Tipo Sanguinio: AB+

Ficha 7:

Nome: Bruno Leoni, Idade: 38 anos, Trabalho: Dentista, Status Social: Casado, Fuma: Não, Bebe: Sim, Doenças: Nenhuma, Tipo Sanguinio: B+

Ficha 8

Nome: Ricardo Oliveira, Idade: 17 anos, Trabalho: Não, Status Social: Namorando, Fuma: Não, Bebe: Não, Doenças: Nenhuma, Tipo Sanguineo: O+

Ficha 9

Nome: Luís Oliveira, Idade: 17 anos, Trabalho: Garçom (temporário), Status Social: Namorando, Fuma: Não, Bebe: Sim, Doenças: Nenhuma, Tipo Sanguineo: O+

Havia fotos ao lado das informações, era tudo bem organizado e perfeito... — Não tem nada de incorreto na minha ficha, meu deus... — Disse Bruno, mas o mais interessante é que o número da minha ficha era o mesmo número que foi pintado na porta do quarto onde eu acordei e do corredor que eu passei para chegar aqui. — Todos já leram as malditas fichas ? Espero que sim, bem... vocês estão presos aqui neste lugar, para ser mais especifico isto é um edifício que vai ser explodido daqui a nove horas, vocês tem duas portas nesse andar do edifício, que por acaso é o mais alto, elas tem um número não tem ? Então... elas só vão ser abertas depois de registrarem o código de no máximo 3 pessoas, sabe... essas tatuagens em seus corpos... é só passar na frente do leitor de códigos e pronto. Ah, e mais um detalhe, se vocês escolherem a porta errada a pessoa que entrar no corredor vai ser explodida, isso mesmo, e-x-p-l-o-d-i-d-a, eu implantei bombas em vocês, então.. Boa Sorte. Vale lembrar que este é um jogo de lógica e que a escolha de portas só vai existir neste andar. — todos estavam assustados inclusive eu, a menina mais nova, a Joana estava chorando abraçada ao seu bichinho de pelúcia, imagina o que ela deve estar sentindo. — Vamos ter que agir rápido, temos nove horas pra escaparmos deste lugar e nem sabemos quantos andares ele tem... então.. qual porta nós vamos abrir ? — todos ficaram tensos. — amm.. seu nome é Ícaro certo ? Então Ícaro.. você não ouviu o que o zero falou ? Se nós abrir a porta errada vamos explodir.. você não se importa ? — Disse Catarina, — Lógico que me importo, mas nós temos que agir o quão antes o possível. — Ele respondeu, — Concordo – Disseram os gêmeos. — vamos abrir a da esquerda... que tem o número 18, pode ser ? — um silêncio predominou, de repente Renata disse – é, pode ser – a tensão cresceu ainda mais, ninguém sabia se aquela era a porta correta. — números 3, 7 e 8 venham cá. — Ícaro chamou.. eles passaram seus códigos no leitor e a porta se abriu... todos estavam nervosos, Joana, que era a número 3 perguntou quem iria entrar, Ícaro entrou.. — essa é a porta correta ! Conseguimos, vamos, não podemos perder tempo aqui ! — Ícaro saiu correndo e abriu uma porta que dava pra uma escada, ele desceu ela e abriu outra porta que dava pra um salão de jogos... todos chegaram depois dele, — onde estão as outras duas portas ? — perguntou Renata, — vai ver estão escondidas... — respondeu Ricardo, o grupo revirou todo o salão, procurou em todos os cantos, mas nada – Não tem nada aqui – diziam sem esperança, mas já que estávamos lá não podíamos desistir e morrer, tínhamos nove horas pra escapar daquele inferno, todos estavam sofrendo uma pressão psicológica muito grande, e era difícil dizer quem sofria mais com aquela situação, começamos a procurar mais uma vez – espera ai, alguem já procurou debaixo do bar ? — perguntou Catarina, — Acho que não... — respondeu Ícaro, ela se abaixou e começou a procurar... e sim, havia uma gaveta, só que ela estava trancada... — err... vocês viram estas garrafas aqui ? Parece ter uma coisa dentro desta – Joana pegou a garrafa com whisky que estava cheia e entregou para mim, eu derramei todo o liquido e caiu uma chave, eu corri até onde Catarina havia descoberto a gaveta e abri ela.. isso ! Funcionou ! Abri a gaveta e encontrei a planta daquele salão, bem, finalmente achamos as duas portas, elas ficavam escondidas debaixo do carpete do salão, bem no centro, não era bem uma porta, era tipo uma entrada subterrânea e o leitor de códigos estava atrás de uns cartazes de cantores e strippers, — Números 8 e 7, por favor, venham cá – as portas de abriram e nós descemos as escadas e fomos parar em um tipo de laboratório, aquele lugar era nojento e macabro, havia vários fetos e líquidos estranhos em potes numa estante e havia um bilhete em cima de um morto que estava em uma mesa de cirurgia: — Parabéns, espero que ninguém esteja morto ainda, bem... neste andar terão de por em prática suas habilidades de cirurgiões, vocês terão que dissecar este homem, a chave para próxima porta (que esta do outro lado da cortina) está dentro de algum órgão dele, boa sorte. Ah, e alias, o nome do cadáver é Estevam — as meninas olharam com cara de nojo para o “Estevam”, — Ok Estevam, vamos te abrir, desculpe, mas é para o bem maior. — Os homens procuraram os instrumentos para a cirurgia, encontraram tudo o que era preciso em um armário perto da escada, Luís pegou o bisturi e começou a cortar o cadáver e quando ele viu o interior do cadáver.. — QUE NOJO !! — um monte de larvas rastejavam pelos órgãos dele, era muito nojento, Renata saiu correndo para vomitar no canto da sala, — ÓH MEU DEUS.. OK, EU TENHO QUE FAZER ISSO, EU TENHO QUE FAZER ISSO – Luís enfiou a mão dentro do “Estevam” e começou a retirar larva por larva, até que emfim ele tirou a maioria e pôs em um pote, a “cirurgia” podia prosseguir, Luís abriu todos os órgãos e foi procurando a chave, que ele foi achar dentro do pulmão, eles correram pra porta, abriram a primeira e seguiram por um corredor até dar de cara com uma porta com o número 10, — números 5, 4 e 1 – chegou minha vez de ser útil.. finalmente, passei meu código no leitor e a porta se abriu, a Joana saiu correndo na frente e nós ficamos esperando um pouco... de repente ouvimos uma explosão e sangue pintando as paredes de vermelho, um vermelho muito intenso, vimos as partes da Joana espalhadas no chão, Larissa caiu no chão e começou a chorar... porque aquilo aconteceu ?! Não era somente na “primeira fase deste jogo” que acontecia aquilo ?! Ele mentiu pra nós, AQUELE TAL DE ZERO MATOU UMA MENINA DE 9 ANOS !. — HAHAHAHAHHAAAHA ! Viu o que a curiosidade dá ? — uma voz ecoou pelo corredor, — HAHAHAH, tadinha da Joana, ela tinha uma longa vida pela frente, TINHA, não TEM MAIS, HAHAHAHAH – Reconheci a voz na hora. — ZERO ?! SEU DESGRAÇADO ! — saí correndo em direção da onde a voz vinha, encontrei um quarto amplo e escuro, oque seria aquilo ?, acendi as luzes e vi um auto-falante embutido no canto do local, parei e olhei ao meu redor, aquilo era um refeitório e a saída dele estava bem no fundo, será que finalmente encontramos a saída ? Olhei ao redor novamente e vi um quadro com um bilhete pregado, que dizia: — a chave está no estomago do numero 1. Sejam felizes, tudo o que vão precisar está na cozinha. — todos olharam pra ela.. — sinto muito. — disse Ícaro – NÃAAAAAAAAAAAAAO, POR FAVOR !, DEVE TER OUTRO JEITO !! — gritou Larissa desesperada – Não tem outro jeito, sinto muito.. Ícaro.. mata ela, vou pegar as ferramentas na cozinha. — Disse Renata, Ícaro começou a espancar Larissa que gritava de dor, até que ela parou de gritar e, pelo o que parecia, morreu. — Aqui está – disse Renata.. Eu tive de assistir ela ser dissecada e a chave ser retirada de dentro do estomago dela, foi realmente traumatizante, corremos para a porta e abrimos ela correndo, descemos dois lances de escada e abrimos a porta e demos de cara com uma piscina com a aguá toda turva e suja. — Alguém vai ter que buscar a chave que está no fim da piscina, e pra quem for eu aviso, vai ter uma surpresa, HAHAHAHA, este jogo é tão divertido. — disse a voz de Zero que saía do auto-falante embutido no teto. — Eu vou... Eu sei nadar muito bem, eu fazia aulas de natação desde pequeno – disse Ricardo. — NÃO RICARDO ! VOCÊ NÃO PODE IR ! OUTRA PESSOA VAI EM SEU LUGAR, MAS VOCÊ NÃO PODE IR, VOCÊ É MEU IRMÃO !! — disse Luís. — Não.. já está decidido. — Ricardo pulou na piscina e nadou até o fundo e começou a procurar a chave, de repente ele sente que uma coisa encostou em sua perna.. uma coisa lisa.. — NÃO PODE SER – pensou Ricardo. — COBRAS ?? — ele começou a procurar mais rápido, até que deu de cara com uma, ela avançou nele mas ele defendeu com o braço, ele pegou a chave no fundo da piscina mesmo com a cobra grudada em seus braços e nadou até a superfície.. jogou a chave para mim e afundou.. — Ricardo ?! RICARDO ???!!! NÃO PODE SER.. — Disse Luís, ele começou a chorar.. — CHEGA DESSE JOGO !!! — berrou ele, uma risada saiu do auto-falante – O tempo está acabando, é melhor vocês irem mais rápido – Eu arrastei Luís até a piscina e nós abrimos a porta, descemos mais um lance de escada e abrimos a porta, encontramos uma janela com grades, bem grossas e cinzentas, pareciam ser novas, acho que era a única coisa nova lá naquele lugar – já chegaram ? Tão rápido assim ? Aah, assim não tem graça, ok, vou fazer uma mudança nos planos, vocês tem 10 minutos pra achar a saída, se não conseguirem achar o prédio vai explodir e vocês vão morrer esmagados pelos escombros. — uma voz que saiu de um megafone instalado no teto disse... deveríamos agir rápido se não quiséssemos morrer – como vamos fazer isso ?! Essa sala só tem uma janela, nada mais.. — disse Luís desanimado e desistindo de sua vida. — você tem razão.. acho que o único jeito é ficar aqui e desistir. — disse Renata.. — então é isso.. no fim não tinha nenhuma saída... bem, isso era de se esperar desse tal de zero, nossas vidas acabam aqui.. — todos se sentaram e conversaram um pouco, vários choraram e soluçando falavam do futuro que podiam ter se saíssem de lá.. — faltam 4 minutos.. — disse o autofalante, todos ficaram quietos.. — vocês já deviam saber que finais felizes não existem. — mais uma vez, todos quietos.. um tempo se passou e ouvimos uma explosão lá do ultimo andar.. a poeira foi descendo junto com os escombros e em alguns segundos tudo estava acabado, ossos esmagados, sangue no chão, fraturas expostas, um homem saiu de uma pequena cabana perto do ex-prédio.. ele era o zero e tudo o que fez foi.. rir da desgraça que ele havia causado.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!