Notas iniciais
Não gosto de expor as coisas que eu escrevo, mas se você está lendo eu venci minha insegurança. Desde já muito obrigada!

Domingo 5 de julho, 5:49am

“Sim” disse deixando ele colocar o anel no meu dedo.

*

Sabado 4 de julho, 9:00am

Tinha sido uma longa semana. Resolvi voltar a estudar por vários motivos. E o trabalho nunca tinha fim. Tenho algo pra mim mesmo, nunca reclamar de trabalho. Eu amo o que faço, e faço o que amo. Enfim, saía de casa às 6am e chegava em casa 11pm. É exaustivo mas estou curtindo, precisava sair da minha zona de conforto.
Era o fim de semana do feriado mais importante do ano, 4 de julho, dia da independência. Juntamos a turma do escritório e alugamos uma casa em Montauk. Uma casa enorme de dois andares, tinha um quintal com piscina, área para fazer churrasco e um bônus que mais me encantou era de frente pra praia, de qualquer lugar da casa a gente conseguia enxergar o mar, sentir a brisa.
Ao chegar na casa nos acomodamos, fizemos a divisão de quartos e seguimos direto para a praia.

Sábado 4 de julho, 2pm

Não curto muito ficar no sol então fiquei em baixo do guarda sol tentando ler, mas sempre me pagava observando todos. As meninas estavam esticadas sobre suas toalhas na areia se bronzeando e conversando sobre amenidades. Uns conversavam com alguns surfistas pegando dicas de como se equilibrar na prancha, e afins. Outros tentavam jogar futebol. E o que mais me chamou atenção. A pele clara sem camisa refletia o sol, a minha sanidade acabava no limite entre o azul do mar e seus olhos. Os pelos dourados que cobriam seus braços e peitoral soado me tirou de órbita.
Quando nossos olhares se tocaram eu senti a sua alma pedindo para encostar na minha, mas você se afastou. E eu feito boba mais uma vez me deixei sentir por ele o que a tempos não sentia por ninguém, desejo. Eu o desejava e eu queria ele pra mim. Ali. Naquele momento. Por mais alguns minutos eu me permitir o analisar, medi cada centímetro com meus olhos. Esperando que o óculos de sol que eu estava usando estivesse disfarçando pelo menos um pouco.
Fui interrompida do meu devaneio, era a parada de 4 de julho. Coloquei a minha blusa, peguei o drink que estava bebendo e fui em direção à rua para ver o desfile.
Uma banda acompanhava o caminhão de som, todos vestidos de azul e vermelho. Bailarinas desfilavam todo o seu charme distribuindo sorrisos. Militares marchavam levando a bandeira. Cavalaria. Circo. Pessoas fantasiadas. Esportistas. Líderes de torcidas. Crianças. Idosos. Pessoas felizes e patriotas.
Quando o desfile acabou voltamos pra praia, sentamos todos juntos.

Sábado 4 de julho, 7:25pm

“Por do sol lindão né” ele disse quando chegamos em casa, “sim, muito obrigada. Há muito tempo eu não tirava um tempo para contemplar a natureza” respondi deixando minha bolsa no sofá da sala.
Seguimos em direção a área externa da casa onde todos os nossos amigos já se encontravam. Tivemos um bom dia na praia nos divertimos muito. Eu e este homem nunca tivemos uma relação muito expansiva, nos éramos apenas colegas de trabalho, mas hoje acabamos nos aproximando muito, seja por interesses mútuos, seja pelo excesso de bebidas, ou apenas pelo destino mesmo.
Passamos boa tarde da tarde conversando e quando o sol começou a se por no horizonte ele me levou para um lugar onde pudéssemos contempla-lo em paz. Foi maravilhoso. E por este momento nos paramos de beber, então quando chegamos em casa todos estavam totalmente embriagados, exceto nos dois.
Aos poucos um a um foram deitando até sobrar apenas nos dois, mais uma vez.
Falamos sobre nossas músicas favoritas, nossas bandas, filmes, séries, artistas. Casos que trabalhamos juntos, histórias. Coisas que acreditávamos. Coisas que concordávamos e discordávamos. Entre um assunto, um drink e uma cerveja nossos corpos se aproximavam cada vez mais. Os toques começaram a ficar mais constantes, seja um toque na mão, na perna ou como ele insistia em tentar colocar a parte frente do meu cabelo atrás da orelha, inutilmente.
Quando nos demos conta o dia já estava clareando, a infinidade de drinks já estava surtindo efeito e o aleatório do player que estávamos ouvindo resolveu nos presentear com uma de nossas músicas favoritas em comum. Can’t Help Falling in Love do Elvis Presley.
Ele se levantou e entendeu sua mão pra mim “me concede essa dança?” — “não seria louca de recusar” respondi me levantando e tomando sua mão, por um segundo senti minha cabeça rodar, antes que pudesse perceber ele me segurou forte.
Coloquei meus dois braços em seus ombros e posicionei minhas mãos atrás de sua nunca. Ele abraçou minha cintura me mantendo os nossos corpos mais perto possível. Com nossos rostos colados foi impossível não cantar a letra da música no ouvido um do outro.


“Wise men say only fools rush in
But I can't help falling in love with you
Shall I stay?
Would it be a sin
If I can't help falling in love with you?
Like a river flows surely to the sea
Darling so it goes
Some things are meant to be
Take my hand, take my whole life too
For I can't help falling in love with you”


Quando a música acabou nós não nos desgrudamos, eu sequer lembro a música que tocou em seguida, eu só sei que queria que aquele momento durasse para sempre. Ele se apoiou na grande mesa de madeira que estávamos sentado anteriormente e eu me apoiei nele.
Pousei a ponta dos meus dedos sob a sua escápula e com leveza deixei-as escorregar em seus braços sentido seus arrepios até encontrar com as suas mãos. ”Eu gosto dos seus braços “ levantei meu rosto para olhá-lo nos olhos.
Poderia sentir me queimar com o fogo que via nas suas pupilas.
Devagar ele soltou suas mãos da minha.
Levou seus dedos em direção a maçã do meu rosto, deslizando seus dedos entre meu nariz até chegar na minha orelha.
“Eu gosto do seu rosto”
Não precisávamos falar nada, a tensão que existia ali nos mantinha serenos. O silencio nunca foi tão confortável.
E ficamos por mais algum tempo nos olhando e sentindo o toque um do outro.
Os dedos dele ainda estavam no meu rosto quando eu coloquei minha mão esquerda em seu peito. Ele deslisou os dedos mais uma vez em volta do meu rosto, quando chegou em minha boca ele desceu por ela, foi ao meu pescoço, depois para o meu braço esquerdo em direção a minha mão.
Ele pegou a minha mão e olhou o anel que usava no dedo anelar, era um anel prateado cravejado no formato de uma flor no centro. “Esse anel?” ele disse olhando minha pequena mão sumir em cima da sua. ”Eu comprei, achei bonito e comprei, não tem nada de especial” respondi admirando o anel.
“Não tinha” ele disse enquanto tirava o anel da minha mão e se ajoelhava na minha frente “você quer se casar comigo? Seja minha noiva por hoje”
“Sim” disse sorrindo deixando ele colocar o anel no meu dedo.
“Então, agora é a hora que nos supostamente nos beijaríamos certo?” ele falou me puxando para mais perto dele.
“É, acho que sim”.
Sem perceber os nossos corpos já estavam colados e a nossa respiração descompassada mesmo antes do nosso primeiro beijo.
Era como se entre nós existisse tanta energia que juntos poderíamos iluminar uma cidade inteira.
“Vamos sair daqui, eu te levo para onde você quiser. Vamos viver...” antes que ele pudesse terminar a frase uma das nossas amigas saiu pela porta da cozinha, antes que eu pudesse me dar conta nos afastamos, “ei, vocês não vão dormir?” Ele perguntou com a mão em cima dos olhos protegendo do sol, fingindo uma preocupação mas sei que no fundo ela queria ver se tava rolando algo. “Sim, já estamos indo” eu respondi no impulso, ela se contentou com a resposta e voltou em direção ao seu quarto, não sem antes me dar uma piscadinha. “Você que ir deitar?” Sua pergunta me fez sentir um frio na barriga “não, eu não quero que isso acabe, eu to com medo de dormir e quando eu acordar perceber que tudo isso não passou de um sonho” eu respondi com tanta sinceridade que por um momento me senti nua, como se eu tivesse o permitido entrar em mim. Encostei minhas costas em seu peito e ficamos ali sentados sentindo a brisa do mar, o calor do sol e a nossa sintonia.
Tudo era tão diferente de tudo o que vivi em toda minha vida, ele não queria meu sabor, meu corpo ou meu cérebro, ele só queria minha presença.
Por ali ficamos mais umas horas, às vezes algum assunto surgia nos conversávamos, ríamos, nos beijamos.
Até que o inevitável aconteceu, as pessoas começaram a se levantar, e por circunstâncias nos afastamos, em corpo, mas nossos olhares permaneciam colados um no outro.
Curtimos o dia junto dos nossos amigos, fomos pra praia, piscina, saímos pra correr, brincamos de bola. Como se fosse todos amigos do ensino médio, a tempos não nos permitíamos a ter tanta diversão. Depois do tempo que passamos juntos pela manhã não estivemos sozinhos mais nem por um segundo, nem sequer trocamos uma palavra. Mas sempre que procurava seus olhos eles estavam em mim, e o seu sorriso bastava pra mim.

Domingo 5 de julho, 7:00pm

Temida hora de ir embora, não queria me despedir do paraíso, não queria voltar pra vida real, não queria me despedir o fim de semana maravilhoso que vivi. E principalmente não queria me despedir dele, meu “noivo”.
Todos se abraçavam como se não fossem se ver por anos depois daquele fim de semana, mas a verdade é que no outro dia pela manhã estariam todos no mesmo horário, no mesmo lugar.
Vivemos tão intensamente aqueles dias que com certeza ficaria marcado pra sempre nas nossas memórias, nas nossas redes sociais e também nas polaroides que tiramos e colaríamos naquela parede sem graça do locker room.
Abri o porta malas do meu carro e ao me virar para pegar minha bolsa do chão me deparei com ele, me olhando fixamente. Guardei a bolsa e fechei o porta malas. Éramos só nos dois no estacionamento, boa parte do pessoal já tinha partido. Nos aproximamos lentamente. “Que pena que acabou” eu disse, “eu já estava me acostumando... foi bom estar com você esses dias, ser seu noivo....” essa ultima frase ele disse chegando bem perto do meu ouvido. “Mas...” tentou continuar e eu mirei bem nos seus olhos, vi tanta sinceridade, pude ver sua alma de dentro dos seus cristalinos olhos. “Eu sei...” antes que eu pudesse dizer mais qualquer coisa ele me abraçou tão forte que sentir o seu coração batendo no mesmo ritmo que o meu. Assim ficamos por longos segundos. Ao separarmos ele apertou minhas mãos, beijou o topo da minha cabeça e sem falar mais nenhuma palavra se virou e saiu.

Segunda 6 de julho, 8:32am

Saindo do elevador me deparo com ele, parecia outra pessoa do fim de semana, com rosto enrijecido ele estava apoiado na pilastra segurando dois copos de café, ao me ver ele esticou um dos copos, peguei com a mão esquerda. Ele fitou o anel e nos olhamos nos olhos, parece que voltamos no tempo juntos, ele foi com a mão em direção para tocar na minha mas eu desviei. “Obrigada pelo café” disse andando em direção ao locker room, “espere” antes que eu pudesse criar qualquer expectativa sobre o que viria a seguir ele completou “estamos sem tempo, direto para o laboratório. Só estão esperando nos dois, hoje o dia vai ser longo”.

Notas finais
Infelizmente nem todas as historias de amor tem um final feliz, algumas não tem nem ao menos um final.
Minha praia é poemas, contos e cronicas mas resolvi me aventurar por aqui. Essa historia foi baseada em um amor de verão que tive um tempo atras, claro que acrescentei alguns fatos para se enquadrar nos nossos shipps.
Espero que vocês tenham gostado deste formato e me contem o que achou.
Por ultimo mas não menos importante, gostaria mandar um shout out pra minhas amigas queridas Iara e Alice que não deixaram eu guardar essa história como faço com as outras, amo vcs bebes ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!