Notas iniciais
Me desculpem pela demora, era para eu ter postado domingo, mas acabei postando uma nova história e esquecendo de postar essa. Aproveitando o momento, para fazer uma divulgação dessa minha estória, que se trata da depressão sem romantismo. https://fanfiction.com.br/historia/686439/Mudancas_Drasticas/. Boa leitura!

— Valeu pela ajuda – falou, indo pela direção errada.

— Disponha.

Fiquei sentada ali uns 4 minutos, esperando ele perceber que ninguém o acompanhava. Quando se deu conta, jogou as mãos ao alto e retornou.

— Parece que o jogo virou, não é mesmo? – Gritei.

Me levantei da areia e corri de volta para nosso grupo. Por sorte eu corria desde criança e sempre gostei de o fazer. Seria humilhação demais ele me passar e dizer a mesma frase de efeito.

Quando cheguei estavam todos lá, exceto Lohanna e o professor. Lohanna...

— Onde está Lohanna? – Perguntei ofegante, para Beatriz.

— Ajudando o professor, com o cachorro – falou, olhando ao nosso redor. – Onde está Eric?

— Hã... ali — apontei para o garoto que estava com as mãos no joelho, fatigado.

— E ali está Lohanna – falou Bia, apontando para um local com sombra, atrás do trailer.

Fomos em direções contrárias.

Lohanna mantinha o cachorro sentado, enquanto o professor tratava de sua orelha.

— As algas estão com o Eric – falei.

— Ah sim... bom, não precisa mais – falou o professor.

— Por que? – Perguntei.

— Tinha um pequeno kit de primeiros socorros no trailer... – falou.

— E por que diabos me mandou buscar algas? – Perguntei.

— Não mandei. Eric se ofereceu – afirmou.

— Por que? – Perguntei bufando.

— Você faz perguntas demais...

— Não é para isso que você é professor? – Perguntei, num tom áspero.

Lohanna me jogou um olhar de repreensão.

— Pergunte para o Eric, não para nós – falou Lohanna.

— Na verdade só falei com o professor – avisei.

— Pode me chamar de Kael.

Assenti e olhei para o cão que tinha uma pequena faixa branca na orelha, dei meia volta e entrei no trailer. Ele estava quase vazio, exceto por duas meninas e Gerald. Abri o compartimento de malas de mão e guardei o celular e o fone.

— Vai me ignorar? – Perguntou Gerald.

— É provável.

Ele se calou enquanto eu fechava o compartimento. Virei para encara-lo.

— Olha, sei que você odeia preconceito e pá... mas não falei com essa intenção... tipo, não sou homofóbico – falou por fim.

— “Homem de verdade” – o lembrei.

— Tem homossexuais que preferem ser mulheres... os quem mudam a genitália, por exemplo.

— Nesse caso são transexuais. Se mudou a genitália é mulher.

— Caralho, não estou conseguindo me expressar – ele fez uma pausa. – Só estou dizendo que não falei por mal. Sei como você é traumatizada com preconceito... homofobia principalmente. Pois saiba que não sou homofóbico.

Senti certa dor em me lembrar.

— Ótimo – falei. Não queria mais falar disso.

Talvez eu estivesse realmente exagerando. Esse era um assunto que eu sempre conseguia enxergar o mal, mesmo que sem intenção. Me sentei em um banco e ele no da outra fileira, com as pernas em minha direção.

— Gerald, você já ficou com alguém, enquanto está com a Lohanna? – Perguntei séria. Ele me olhou surpreso. Certamente não imaginara que fosse isso que eu queria falar. – Responda.

— Já.

— Quantas vezes? – Perguntei.

— Hã... 6 acho – disse, sem nenhuma alteração no tom de voz.

Fiz as contas, eles estavam “ficando” a nove dias.

— Caralho, Gerald! Você não muda por ninguém, não é? Saco!

— Por...

— Avisei para não magoar amiga minha – falei, sabendo que ela não ficaria realmente triste. Estava caidinha pelo professor, porém ele precisava tomar tipo de gente. – Se ela vir chorar no meu ombro, terá troco.

Não me importo em consolar amigas, principalmente Beatriz e Lohanna. O que me importo é em consolar amigas, por culpa do Gerald.

— Do tipo...?

— Farei um amigo seu chorar nos seus ombros, por minha culpa.

Eu não faria isso. Os amigos do Gerald em geral, beijam 3 por dia, não arriscaria pegar herpes. Além do mais, teria que matar algum parente deles, para fazerem chorar por minha causa.

— Então te indico o Marcos, é o mais emocional. Mas não acho que ele choraria nos meus ombros por sua causa. Talvez bebesse...

— Você não tem ideia do meu poder...

Nem eu tenho, porém consegui um sorriso malicioso de Gerald.

— Aliás, Lohanna também beijou alguém, nesses nove dias. – Avisei.

Fiquei o encarando para tentar ver um esboço de ciúmes, mas nada.

— Você gosta dela, pelo menos? – Perguntei.

Já estava cheia desses dois. Lohanna estava louca por Kael e Gerald... bom, ele é um caso perdido.

— Não. – Falou indiferente.

Por alguma razão, ainda me surpreendi.

— E por que estão juntos afinal? – Perguntei.

— Hã... não sei. Onde ela está?

— Lá atrás.

— Ok.

Dito isso, ele desceu as escadinhas.

— O que vai fazer?

— Terminar com a Lohanna.

Fiquei ali parada na porta o observando. Seu modo de caminhar era determinado e suas costas de alguma forma conseguem ser mais largas do que a de Eric. Quando ele já estava chegando atrás do trailer, quase sem enxerga-lo me lembrei; Lohanna estava com Kael. Não sei se por ele ou por ela, mas corri em sua direção e saltei em cima dele. A intenção era cair em suas costas, porém ele se virou antes que eu o agarrasse por trás e por fim, caímos os dois no chão.

Seu corpo amorteceu minha queda. Por sorte eu não havia caído exatamente em cima dele. Seu tronco estava em minha barriga. Tentei olhar em seu rosto para rirmos juntos e notei; sua cara estava enfiada na areia. Rolei para o lado e não me aguentei, tive que rir. Enquanto ria percebi três coisas: Lohanna não estava beijando Kael; ela nem mesmo estava ali. Não teve sentido nenhum eu pular em cima dele, o que o impediria de ver? Talvez o barulho alertasse Lohanna, para parar o que estivesse fazendo. Gerald olhava furioso para mim.

Depois de uns minutos rindo da sua expressão séria e do rosto cheio de areia, consegui me conter. Quando ele finalmente começou a se limpar, areia entrou em seus olhos e o loiro pestanejou.

Gargalhei novamente.

— Que merda foi essa, Alana? – Perguntou irritado.

Na falta do que falar, plagiei Eric.

— Essas podem ser as melhores 48 horas das nossas vidas, você está irritadinho demais! Só relaxa!

Gerald olhou para mim confuso. Realmente isso não era algo que eu diria, mas foi o melhor que consegui. Bem melhor do que “queria evitar que você visse sua ‘namorada’ beijando outro... que aliás, é o nosso professor! ”.

— Eu tenho areia até no meu rim, cretina! – Falou rindo.

Sim, eu e Gerald somos os típicos melhores amigos que passam a maior parte do tempo se xingando, mas é com todo respeito, amor e carinho.

— Faz parte.

Gerald me olhou por um instante, como se pensasse no que fazer, refletisse. Se levantou, agarrou meus braços e me colocou de pé. Me pôs em seus braços, como uma noiva segurada pelo marido e correu comigo. De início, não entendi nada, mas então vi para onde ele estava indo e comecei a me debater, o que não adiantou nada, pois Gerald era 3 vezes maior do que eu – sendo razoável — e muitas vezes mais forte. A única coisa que fez foi me segurar com mais força, o que não ajudou. Enquanto o loiro corria, arrisquei dar tapas na sua cara, porém sem sucesso. Ele corria rápido, o que me fez agir rápido, pois além de água espirrar em mim, não queria que fizesse o que estava pretendendo. Mordi seu braço esquerdo e como previsto, ele me soltou. Fechei meus olhos, antes de cair no mar. Não estávamos no fundo e nem na beira demais, o que foi ótimo, pois do contrário teria batido forte na areia. Enquanto me debatia na água de ódio, Gerald ria de mim. Me levantei, para encara-lo.

— Essas podem ser as melhores 48 horas das nossas vidas, você está irritadinha demais! Só relaxa! – Citou, com um sorriso largo no rosto.

— Ridículo – falei rindo.

Fomos em direção a areia e percebi que todos do grupo olhavam para nós. Kael estava na beira do mar, nos esperando.

— Por que vocês nunca obedecem? Mandei não entrarem no mar, caralho! O que estavam fazendo lá? – Gritou o professor.

Olhei de lado para Gerald. Lohanna que provavelmente também estava nos olhando, veio em nossa direção. Meu amigo olhava fixamente para o professor, sem expressão alguma. Kael abriu a boca para começar a falar algo, mas não falou, pois Bia se intrometeu.

— Ela não estava aqui, professor!

— Mas Gerald estava! Repito: o que estavam fazendo lá?

Não entendi o motivo para o tamanho do esporro. Então me toquei; ciúmes. Gerald estava ficando com Lohanna, todos sabiam disso. Talvez o professor sentisse algo por ela. Os olhares continuavam em nossa direção e a vergonha tomou conta de mim. Lancei um olhar de súplica a Lohanna, o qual foi atendido. Ela segurou o antebraço de Kael e olhou para seu rosto, com uma cara de “não faça isso”. O professor corou. Ela soltou seu antebraço e professor abriu a boca novamente.

— Acho que exagerei... se algo acontecesse com vocês, seria minha culpa. Estão na minha responsabilidade... Só avisem antes de entrar no mar, ou peçam permissão.

Assentimos e ele saiu.

Olhei para Lohanna agradecida. Nunca fiquei tão feliz por saber que minha amiga que ficava com meu melhor amigo, tinha algum poder sobre seu ex ficante; nosso professor.

Notas finais
Não se esqueçam de comentar! Até o próximo! XOXO.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.