Notas iniciais
Boa tarde humanos! Primeiro, minha bff da escola Naara Rafaela aquela coisa fofa, descobriu quem era o Alfa simplesmente lendo o primeiro capítulo, em seguida eu confirmei sua tese. A garota foi rápida, então como após tantas dicas vocês ainda não descobriram quem é? Estou amando os palpites de vocês! Será que temos mais alguns Sherlock Holmes por ai? Xo xo Sim o nome do capítulo é em letra minúscula em homenagem ao filme "mãe!" do diretor Darren Aronofsky, a atriz principal do filme é a Jennifer Lawrence (não é novidade nenhuma que é minha atriz preferida e que eu amo aquela mulher). Certamente o filme é uma experiência inesquecível. Apenas pelo nome do capítulo da para desconfiar do que está por vir (muitos leitores aque assistiram o filme "mãe!" entenderam o contexto do nome do capítulo e o spoiler na cara) Aproveitem lindos!

Parte 39: Sonho de uma noite de verão.

Povs Sam:

Estou há quinze dias em Viena. Durante esse período coisas estranhas vêm acontecendo comigo. Eu estou cansada, enjoada e emotiva o tempo inteiro. Tem muita pressão em cima de mim. Há momentos em que eu penso que vou desabar. O plano do meu resgate foi montado, mas ele só pode acontecer daqui a duas semanas, por motivos de estratégia. Eu sinto saudades de casa, principalmente do Freddie. Eu não queria que minha última imagem dele fosse seu rosto contorcido de dor. Eu pensei que por ser nosso último momento juntos iríamos fazer amor de alguma maneira inesquecível, mas nada disso aconteceu. Freddie apenas entrou pela janela do meu quarto, me beijou durante um longo tempo e depois me olhou. Ele parecia querer gravar a memória do meu rosto em sua mente. Os lábios dele tocavam minha pele devagar. Freddie me abraçava contra ele. Seu medo de me perder era palpável. Eu o mantive junto a mim. Eu não lembro se dormimos. Creio que uma hora ou outra despertávamos para nos certificar que ainda estávamos ali. Que nenhum dos dois tinha sumido. Quando o sol nasceu, ele simplesmente se foi. Não tivemos um último "eu te amo", por que certamente ele não queria que fosse a última vez que eu iria ouvir isso. A saudade dele e de todos os outros é tanta, que está difícil fingir para o Gatlin que eu continuo desligada.

Gatlin está me rondando e vem lançando olhares constantes em minha direção. Ele suspeita de alguma coisa. Eu estou com medo. Não sei o que ele faria comigo se descobrisse que penso com o coração novamente.

Estamos tomando café em uma das enormes mesas do castelo. Gatlin lê o jornal, mas ele não parece muito focado nisso. O olhar dele se vira para a janela, ele parece falar consigo mesmo. Eu continuo com minha postura arrogante, mas estou cansada de fingir.

Gatlin fecha o jornal. Ele olha para mim.

— Mais uma vez Sam, você é uma caixinha de surpresas. Perguntei a mim mesmo por quanto tempo você iria manter o seu teatro e acredite você está indo maravilhosamente bem até agora. — diz ele com animação na voz — Eu sei que está ligada Sam, então relaxe os ombros e encerre a atuação.

Será que isso é um teste? Um teste para ver se eu ia cair nessa ou não? Devo bater nele para manter o teatro? Ou apenas ri de maneira debochada?

Meus pensamentos levam apenas um segundo, mas eu não aguento mais.

Minha postura relaxa.

— Eu não sabia o que você iria fazer comigo... Mas eu juro que se você tentar me matar, vai se arrepender. — eu tento falar de maneira ameaçadora.

— Eu não vou te matar Sam, é a última coisa que eu quero. Talvez estivesse em primeiro lugar nos meus planos, mas agora... — ele sorri como se algo grande estivesse acontecendo — Com essa mais nova novidade, eu vou precisar de você viva.

— Novidade? — eu praticamente estou quase me levantando para correr.

— Sim. Uma novidade. Não se levante, eu vou até você. — ele se levanta arrumando o terno, depois se senta na mesa próximo de mim — Já se perguntou por quê eu nunca pude ser herdeiro do trono?

— Na verdade já. — eu tenho uma faca em meus dedos, se ele tentar qualquer coisa irei crava-la em seu pescoço.

— Eu era o irmão mais velho, mas por algum motivo, meu pai dizia que eu não poderia me sentar no trono. Que ele não era meu. — Gatlin morde o lábio relembrando — Eu era um bastardo. A mulher que eu acreditava ser minha mãe, nunca foi. E então eu percebi que meus irmãos menores eram filhos dela e que certamente poderiam ter o trono. Eram herdeiros legítimos... Eu não era. O que um homem faz em uma situação como essa, Samantha? — ele me pergunta retoricamente — Eu jamais seria herdeiro de nada, quais eram as minhas opções? — ele suspira cansado — Eu parti para o extremismo. Consegui me livrar de todos ele... Um por um... Era fácil fazer a morte deles parecerem acidental. — Gatlin revela e eu tremo imaginando a morte de pobres crianças — Eu prometi a mim mesmo que daria um jeito de conseguir o que eu queria. Quando nenhum meio-irmão estava em meu caminho, a mãe deles engravidou de novo. Essa foi mais difícil de matar, por que ela vivia em seu quarto e me desprezava. Nunca ficava no mesmo lugar em que eu. Em um lindo dia, ela estava sentada no mesmo lugar que você está agora. — ele se inclina e aproxima o rosto do meu — Ela estava tomando café... E dentro de seu café, eu tinha deixado um presentinho. — vejo minha face em pânico através do reflexo de seus olhos, eu sabia que ele possuía um passado terrível — O veneno que eu coloquei matava em dois dias, infelizmente ela morreu logo no primeiro dia por que o bebê que carregava na barriga não resistiu à toxina. Ela teve uma hemorragia. Foi difícil para o meu pai. Ele acreditava que estava sofrendo algum tipo de maldição. Eu lamentava por isso mas o trono era meu prêmio. Meu pai era rei, então eu iria seguir a linha de sucessão dele, certo? — ele empurra meu ombro de leve — Errado. — ele responde a própria pergunta — Quando papai morresse ou abdicasse do trono, ele passaria para o meu tio. Qualquer pessoa era mais merecedora do trono do que eu, então eu matei meu pai só por que ele foi o maior culpado disso tudo. Eu deixei meu tio governar. Ele tomou conta de mim, para falar a verdade ele foi excelente. Eu cresci e agora tem você no meu caminho. Se eu te matar provavelmente vão achar algum primo meu perdido em alguma porra de lugar por ai e colocarão ele no trono. Está vendo? Qualquer pessoa é melhor do que eu... Mas saber que você é melhor me dá náuseas, então a pergunta é, o que eu vou fazer com você?

Eu engulo a bile. Pressiono meus dedos na faca. Tem que ser um movimento certeiro. Primeiro eu preciso enrolar ele. Distração.

— Eu não sou melhor do que você, Gatlin. Você é um príncipe, todos te respeitam e te veneram. — eu murmuro.

— Mas você é a rainha e se recusa a me transformar em seu rei. — ele olha para baixo — Me dê as suas mãos.

Eu retraio os lábios. Eu deixo a faca debaixo da minha coxa e dou as mãos ao Gatlin.

— É por causa do casamento? É isso? Eu me caso com você então. — eu quero uma saída.

— Não pode se casar comigo. Não depois da história que ouviu. — ele acaricia minhas mãos — Eu tenho te observado. A humanidade ligada foi fácil de perceber, mas isso... — ele cheira minhas mãos e me puxa para o seu corpo. A faca cai no chão, mas o barulho passa despercebido por ele. — Pela primeira vez fiquei surpreso com algo. — a boca dele vem para o meu rosto, a respiração dele se intensifica, as narinas inflam e a pupila dilata.

— Não pode... — eu não consigo terminar por que estou com medo.

— Se acalme... — ele solta minhas mãos e envolve minha cintura com os braços — Eu posso ser um assassino, mas jamais te tocaria sem seu consentimento ... Apesar de que a vontade de te possuir é muita. — ele morde minha bochecha.

Gatlin em um movimento rápido me gira e me pressiona contra a mesa. Ele deixa o joelho separando minhas pernas. Eu quero gritar. Quero chorar por que eu sei que ele vai fazer alguma coisa. Eu preciso mata-lo agora. Eu não quero que ele me toque. Não. Não. Só Freddie pode fazer isso. Somente o Freddie pode me tocar. Eu não quero que ele descubra que o Gatlin também me tocou. Eu não quero. Céus... Meus olhos estão cheios de lágrimas. Que porra está acontecendo comigo?

— O que você vai fazer? — eu pergunto com raiva.

Gatlin beija meu pescoço.

— Admito que eu estranhei que os sintomas vieram tão depressa, mas dado a quem era o pai, um vampiro, então claro que seria mais rápido. — ele murmura algo estranho e me olha — A cor em suas bochechas... O aumento considerável dos seus seios... Os enjoos estranhos, você teve enjoos não é? — ele ri — Até seu cheiro mudou. Eu tive irmãos o suficiente para reconhecer quando uma mulher está grávida.

Grávida? Minha mente se apaga assustada com o que acabou de ouvir.

— Eu... — fico sem voz por que sua mão se fechou ao redor do meu pescoço.

— Eu sei a verdade, mas parece que nem você sabia... Agora você vai descer comigo até à enfermaria do castelo e ver por si mesma a verdade. — ele me arrasta pelo lugar.

Gatlin violentamente me leva pelo castelo. Descemos as escadas e praticamente ele me empurra para dentro da enfermaria. Está vazia. Ele aponta em direção a um armário. Eu abro tremendo e pego um teste de gravidez. Gatlin mostra onde fica o banheiro. Eu praticamente corro e fecho a porta.

Eu respiro com medo. O teste ainda está dentro da caixa. Eu estou tão chocada e assustada que ainda não tive tempo de pensar a respeito de se o fato de eu estar grávida vai ser bom ou não.

O horror é ter um assassino de crianças me esperando do outro lado da porta e a janela é pequena demais para que eu pule.

Eu abro a embalagem e rapidamente faço o teste tremendo. Não se passa muito tempo e eu vejo o sinal de positivo. Minha mão voa para a boca. Eu caio sentada no chão. As lágrimas enchem meus olhos. Eu estou grávida porra! Eu vou ser mãe! E acima de tudo, eu estou grávida do Freddie.
Impossível. Como eu posso estar grávida? Freddie e eu só fizemos sexo algumas vezes e ele é um vampiro pelo amor de Deus! Eu parei de me transformar então eu poderia envelhecer... Mas engravidar de um vampiro nunca passou pela minha cabeça. E tão rápido...

Freddie sussurrou para mim que um dia nosso filho estaria na minha barriga, mas eu não esperava que fosse tão cedo e eu tive vontade de chorar por que eu achava que nem era possível. Se eu olhar bem, Trina e Tori são a prova que um vampiro pode sim ter filhos com uma humana, mas com uma pessoa que é tanto vampiro quanto loba — transformada e não nasceu assim de fato uma híbrida — pode conceber um bebê? E pior ainda, o que esse bebê vai se tornar? Ele vai ser vampiro ou lobo? Ele vai saber se controlar? Não sei explicar mas, Fredward e eu não nos encaixamos em nenhum dos casos que aconteceram na história.

Eu me levanto. O espelho está em minha frente. Fico virada para o lado. Eu ergo a blusa tentando encontrar algum volume na minha barriga. Eu acaricio minha pele. Alguma coisa se mexe e eu me curvo.

— Impossível... — eu sussurro passando a mão mais uma vez. Algo se mexe novamente. Tem uma leve palpitação em algum lugar... O coração dele?

A imagem fofa de um menino de olhos castanhos e cabelo loiro invande minha mente. Sua pele branca parece de porcelana. Ele é branco como a neve. Eu imagino seu sorriso... Eu estou vendo ele me abraçando com carinho, ou chorando ao cair da bicicleta pela primeira vez e isso causa dor em mim. Eu vejo o garotinho correndo para minha cama em uma noite de tempestade. Por hora eu o chamaria de Flint. De repente a imagem é tomada por terror e eu estou tentando proteger o garotinho do Gatlin.

Não. Gatlin não irá matar meu filho. Eu amo meu pequeno cutucador desde já. Eu amo meu filho. Eu o amo ainda mais por saber que ele é da única pessoa que fez amor comigo na vida. Meu bebê... Filho do Freddie.

Eu saio do banheiro. Gatlin me aguarda pacientemente.

— As coisas serão bem simples. — diz ele com aquela calma preocupante — Seu bebê, terá tudo o que eu não tive. Mata-lo está longe de todos os meus planos. Ele é um bastardo assim como eu, mas diferente de mim, o trono será dele. Você irá retornar para Seattle, Sam. Vai ter o bebê, vai ficar com o Fredward e ser feliz, durante um tempinho, é claro. Eu irei buscar o bebê e você vai entrega-lo a mim de livre e espontânea vontade. Como viu, sem mortes, sem confusão, apenas uma troca.

Eu escutei mesmo isso? Que eu vou ter que abrir mão do meu filho? Que tudo será uma troca?

— Nem por todo dinheiro do mundo eu te entregaria o meu filho. — eu vocifero tremendo, mas se eu me transformar aqui posso acabar matando o bebê.

— Quem falou em dinheiro? Você vai me dar o bebê para proteger aqueles que ama. — Gatlin se coloca na minha frente, ele agarra meu pescoço e me faz sentar uma cadeira — Se você não me entregar o bebê quando eu for busca-lo, Sam, eu vou matar todos os que você ama. Eu irei mata-los e você ficará assistindo. — ele sussurra — Farei você se sentir incapacitada. Deixarei Freddie e seu filho por último. — eu tremo imaginando a cena — E ai quando todos estiverem mortos, eu não irei te matar. Eu vou te deixar viva e você vai ser jogada em alguma cela desse castelo com a imagem da morte de todas as pessoas das quais você fracassou proteger, sedimentada em sua mente para sempre. — ele finaliza seu discurso cruel — Agora desapareça da minha vista antes que eu mude de ideia. Volte para Seattle e não tente fugir. Se você tentar, a família dos que você ama irão pagar por isso. Ou você vai tentar evacuar todo mundo? Duvido.

Eu ergo a cabeça um pouco para respirar, infelizmente ao fazer isso meu olhar encontra o dele. Gatlin não parece nem um pouco abalado. Ele tem o olhar mais frio que eu já vi no universo.

— Eu vou matar você. — eu prometo com todas as minhas forças.

Ele ri como se eu contasse uma piada.

— Mais uma vez, você me surpreendeu. — ele solta meu pescoço — Leve todo o dinheiro que precisar, se quiser leve o castelo inteiro, incluindo a cópia do quadro da Monalisa. Apenas vá embora rainha, o trono será concedido provisoriamente a mim. — Gatlin sai de perto da minha pessoa e some no corredor.

Agora eu entendo por que eu estive emotiva, cansada e enjoada. O pequeno cutucador estava alterando meu corpo. Eu quero chorar durante horas. Eu realmente vou perder alguém que eu ainda nem vi e com certeza quando eu o ver, não poderei passar tanto tempo com ele quanto eu imaginava.

Minha saída agora é importante. Eu preciso me acalmar. Eu preciso pensar no que eu vou levar. Não. Não é dinheiro. São livros. Eu preciso pegar os livros.

Eu ando para a biblioteca com medo de me topar com o Gatlin na metade do caminho. O assassino em série não está por perto. Eu entro na biblioteca e o primeiro livro que eu pego é o Oráculo. Disparo entre as prateleiras. Eu agarro com força o livro que foi utilizado no exorcismo daquele guerreiro. Procuro outras coisas úteis. Encontro um livro da tribo Klautriny. Os dois livros que eu carregava em minhas mãos caem no chão. Eu estico a mão para tocar na capa que contém o símbolo da minha alcateia. A tatuagem queima em minhas costas. Eu me sento no chão com o livro e abro na primeira página. Tem dois versículos bíblicos.

16. E o SENHOR deu a seguinte ordem ao homem: “Comerás livremente o fruto de qualquer espécie de árvore que está no jardim;

17. contudo, não comerás da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comeres, com toda a certeza morrerás!” — Genesis 2 — 16, 17

Abro na página seguinte. Tem um texto escrito à mão.

"Eu desejava fortemente saber se o espírito dele continuaria a vagar pela Terra e se nunca encontraria o céu ou o inferno. Quantas luas deveriam ser vistas até que o Alfa fizesse sua escolha? O tempo se foi. Ele nunca escolheu. Ainda não era o momento certo."

Não tem uma data. Muito menos um nome. Avanço algumas páginas. Todas estão escritas. Encontro algo sobre o Conselho dos 42.

"E nos juntamos de forma plena para unificar também os outros. Somos o mais próximo de justiça existente nesta tribo. Somos espertos. Os índios que aqui habitam também tem conhecimento elevado. Queremos uma paz duradoura. O Conselho dos 42 quer apenas a paz e nada além disso. Vivemos em um mundo tão cheio de ódio, desde que Caim matou Abel em outrora, que me surpreende ainda encontrarmos amor nas pessoas. Através desse Conselho iremos salvar a tribo... Por alguma razão medonha ela ainda não tem nome. Um dia daremos um nome a ela e muito mais do que isso."

Meus olhos quase saltam das órbitas ao ler o último nome da pessoa no final do texto. Benson. Quem escreveu isso se chamava Klaus Benson. Sempre soubemos toda história da tribo, crescemos aprendendo sobre ela, mas não tínhamos permissão para perguntar a origem do nome.

Eu vasculho entre as páginas a procura de qualquer outra citação de Klaus. Não demora muito para eu perceber que isso que eu tenho em minhas mãos é o seu diário. A história da tribo não está em um simples livro, a história está sendo contada por ele.

Eu me deparo com uma passagem bastante interessante.

"As crianças estavam com medo hoje. Acreditavam que um demônio visitava o quarto delas à noite. Resolvi permanecer no quarto com elas e aguardar a besta aparecer. Eu já esperava que fosse um vampiro, mas como eu poderia ter medo de uma coisa que eu também era? O Conselho dos 42 não sabem o que eu sou de verdade, eles me deixariam vivo se soubessem? Vou ter que queimar isso depois, mas espero que você leia. Sinto sua falta V. Eu te amo querida."

Ele queimaria o diário? E Klaus amava alguém? E ele era um líder dos 42 sendo vampiro? Acho que é informação demais por hoje.

Eu carrego os livros comigo e deixo a biblioteca. Vou para o meu quarto fazer as malas. Jogo os livros na cama. Termino de arrumar minhas coisas. Algo me dá uma pontada na barriga.

— Eu sei... Eu também quero ir embora. — sussurro para ele. Quanto tempo teremos juntos?

Povs Freddie:

Se eu estou perdido? Um pouco, mas eu ainda tenho esperanças que vai dar tudo certo. Tem que dar tudo certo. Eu preciso da Sam de volta. Preciso dela ao meu lado. Eu permaneci em Violet Hill desde que ela partiu. Enquanto o resgate não acontece, eu irei reerguer a pequena casa em que ela vivia aqui. Eu estou nesse projeto há duas semanas e dois dias. Não tem sido difícil. Eu pintei os pequenos três cômodos e limpei o lugar. Pode servir para um fim de semana, por que a propriedade é da reserva, por mais que não faça parte das terras sagradas. Ninguém vem aqui com exceção de nós. Eu falei com o Gibby, ele disse que não tinha problemas e que estava nos planos da reserva refazer as casinhas mais abaixo da colina que eram habitadas antes da batalha.

O clima está quente. Eu tusso um pouco com o mormaço. Uma chuva cairia bem em uma situação como essa.

Eu estou terminando de arrumar a cozinha. É pequena, mas ficou bonitinha. Arrumei a parede de madeira que Sam e eu derrubamos. Ela está em impecável. Eu venho trabalhando dia e noite nessa casa. Eu me mantenho ocupado. Qualquer coisa para que eu não pense na Sam. Eu tinha que esperar um mês e meio, ainda falta mais da metade. Deus, por que tem que ser tão difícil?

Eu vou para o outro cômodo. Minha camisa está jogada em algum lugar. Eu a retirei quando fiquei com calor. Passo em frente a um espelho. Uma coisa próxima do meu pescoço chama minha atenção. Eu me aproximo. São como cicatrizes. Garras? Quem me arranhou?

Uma dor de cabeça forte me atinge. Eu seguro a têmpora indo para trás. Algo está fazendo minha mente explodir. Eu busco respirar e em segundos a dor some. Que merda foi essa?

Visto minha camisa e vou para o lado de fora. Penso na Lamborghini estacionada na garagem da Sam. Eu a comprei recentemente de um amigo. Eu gostaria de levar a Sam para dar uma volta no carro novo comigo. Eu queria fazer amor com ela dentro da Lamborghini. Hum... Não é uma má ideia.

Eu olho para as flores pouco mais abaixo da casa. Na linha das árvores vejo algo brilhar como um par de olhos. Rubis? Ou são olhos dessa cor?

A lua ilumina a noite. Minha mãe deve estar preocupada, mas eu quero ficar sozinho. Não estou afim de sentir as emoções de ninguém. Minha dor é suficiente. O plano está feito é só esperar, mas ficar esperando não é algo que eu queria. Eu quero a Sam em segurança nos meus braços, ao meu lado, em qualquer lugar que eu possa vê-la. Ela está do outro lado do mundo. Às vezes ela pensa em mim antes de dormir? Ela sonha comigo? Eu queria sonhar com ela, mas eu não consigo dormir sabendo que quando acordar não irei olhar para seu rosto.

Essa cidade é toda preta e branca, sem a presença da Sam por aqui tudo se torna monocromático.

Eu deslizo meus fones no ouvido e procuro uma música para ouvir. A letra "C" me chama a atenção. Claro... City Of Black and White do Mat Kearney, por quê não? Teria algo melhor para expressar meu estado de espírito?

Aperto o play e fecho os olhos.

Essa cidade inteira é preta e branca

Me diga qual é a sua cor

Pode ser a mesma que a minha?

Verdes enfraquecidos e luzes azuis das ruas

Há um fogo vermelho queimando

Do mar até o céu

Por que eu não quero esperar até amanhã

Para te dizer como me sentiria pelo resto de minha vida

Você não quer perder outro minuto para perceber

Andando no lado negro da noite

Baby é você, que abriu meus olhos

Queimando como fogo na água

A cidade do preto e branco

Você não vai ficar?

Você não vai ficar?

Eu estou no degrau mais alto olhando para baixo

E a subida deles em minha direção

É onde todo o mundo quer ser encontrado

Anéis dourados e café marrom

Há uma bandeira branca balançando

Onde meu coração está no chão

Por que eu não quero esperar até amanhã

Para te dizer como me sentiria pelo resto de minha vida

Você não quer perder outro minuto para perceber

Andando no lado negro da noite

Baby é você, que abriu meus olhos

Queimando como fogo na água

A cidade do preto e branco

Você não vai ficar?

Você não vai ficar?

Você não vai ficar agora?

Com os postes

Pela rua escura

Ninguém mais sabe

Então pegue minhas mãos

Eu vou te levar, você pode me levar

Porque eu não quero esperar até amanhã

Para te dizer como me sentiria pelo resto da minha vida

Você não quer perder outro minuto para perceber

Andando no lado negro da noite

Baby é você, que abriu meus olhos

Queimando como fogo na água

A cidade do preto e branco

Você não vai ficar?

Você não vai ficar?

Você não vai ficar agora?

Fique agora, fique agora, quando a luz brilha.

Você não vai ficar?

Você não vai ficar?

A canção se encerrou com o leve toque da guitarra e alguns sussurros que são como pedidos. Minha mente vagueia procurando qualquer coisa para pensar, mas meu pensamento se prende na Sam. Ela jogou um feitiço em mim. Como em Sonho de uma noite de Verão, porém tudo nesses últimos dias parecem muito mais um pesadelo.

Recordo minha infância. Eu lembro de ter conhecido a Sam. Ela era tão fofa e encantadora, por mais que me batesse às vezes, mesmo eu sendo mais velho do que ela. Passávamos mágicos finais de semana juntos. Eu sempre estive com ela. Eu sempre estive presente em sua vida. Não importa se durante alguns anos a gente se deixava, nos encontrávamos de novo. Sam voltou para Seattle e acho que sinceramente nem ela mesmo sabe por que voltou. Ela se pegou vagando por aqui. Não importa quanta vezes tentássemos sumir da vida um do outro, algo muito maior nos fazia se encontrar.

Agora que eu tenho a Sam de novo — por mais que ela esteja longe — nunca mais irei partir. E em breve vamos nos casar... Vou poder chama-la de minha esposa e compartilhar tudo com ela. Não vamos morar no meu apartamento é claro, não quero permanecer com minha mãe e muito menos a Sam iria querer isso. Deveríamos morar por aqui ou até mesmo na casa dela. Uma casa legal. Um lugar bacana. Um lugar para criar uma família... Mas, isso seria possível? Eu sei o que acontece quando um vampiro engravida alguém. Sam iria sobreviver ao parto? Eu não quero imaginar a morte dela. Negativo. Nada de família por um tempo. Qualquer coisa a gente adota. Não quero nada que envolva coloca-la em risco.

Ter um filho é a última coisa que eu quero. Eu disse aquilo para Sam naquele dia por que eu estava em um ar sonhador, eu não pensei nas consequências. Sam grávida de mim? Não quero cogitar essa hipótese. Eu a faria desistir de ter o bebê, eu daria um jeito. Eu sei que é errado, mas sei também no monstro sugador de sangue que o bebê iria se transformar. Não somos comuns. Se fosse uma humana dando à luz a um bebê vampiro, saberíamos que a criança iria nascer com características de ambos. Tem forma de controlar. Mas a Sam é metade loba, metade vampira e eu sou um vampiro, que está entrando em algum estágio confuso. Qual seria o fruto disso? Nada de gravidez. Nem que a gente comece a usar métodos contraceptivos eu não vou permitir tal coisa acontecer. Eu não sei a loucura que eu faria e muito menos aceitaria aquilo dentro dela. Uma coisa que poderia facilmente quebra-la de dentro para fora. Nem fodendo.

Eu nem me dei conta que estou bufando de raiva por algo que nem aconteceu. Estou com uma sensação estranha. Me sinto preocupado. Eu não deveria estar nervoso. Sam não está grávida. Definitivamente eu estou ficando louco. Uns dias com a minha noiva vão levar essa loucura embora.

Vejo a lua no céu. A colina é tomada por um vento frio refrescando o clima. O lugar tem um cheiro profundo das melhores fragrâncias existentes no planeta. Acho que somente perde para o cheiro de lavanda que a Sam tem. Eu pensei que era o perfume, ou até mesmo um shampoo, mas ela mesma possui essa essência que exala dela. Ainda tem o cheiro selvagem de lobo, mas nunca me incomodou. O que eu mais queria agora, era sentir esse cheiro. Ela tem o cheiro de casa... O cheiro da reserva.

Sam não foi a única a perder o lugar onde nasceu. Eu não posso retornar a reserva também... Primeiro por causa do tratado colocado pelo Conselho que proíbe a entrada de vampiros no cruzamento do rio e segundo por causa do feitiço que ficou nos arredores da reserva. Se eu estou realmente me tornando humano, que no mínimo eu possa visitar o lugar onde eu morei pelo menos uma vez e que de alguma forma, que a Sam possa ir comigo. Ela pode não admitir, mas eu vejo em seus olhos a saudade de casa. Quando eu fui buscá-la no rio da reserva, eu vi seus olhos mareados fitando as casinhas ao longe. Foi uma saudade tão inacreditável e profunda vinda dela, que me senti pior ainda por ter a transformado. Sentir culpa não é nenhuma novidade para mim... Eu fiz tanto mal para as pessoas. Será que uma bala na minha cabeça me mataria ou deixaria uma bela de uma bagunça para eu ter que limpar depois? E vale mesmo a pena eu ir para o inferno? Hum... Eu sei que não. De novo eu estou pensando na Sam e o fato de sentir sua falta está me deixando paranoico.

Vagueio para o lado de fora. Tem um barulho de carro vindo em direção ao casebre. Eu rapidamente retorno para dentro, visto minha camisa e vou para a janela observar atentamente. Um brilho surge nas flores. Seus cabelos loiros são lançados para trás com o vento. Eu esfrego meus olhos com as mãos por que eu realmente enlouqueci. O primeiro vampiro da história a perder a sanidade. Eu olho para ela. É real demais... A menos que... Deus, o que está havendo? O que a Sam faz aqui?

Povs Sam:

Eu saio do táxi arrastando minha mala. Recuso a ajuda do motorista. Está uma noite quente. Eu ando pela grama da minha casa. A porta da frente se abre, Carly e Gibby correm em minha direção.

— Sam, o que você está fazendo aqui? — Carly pergunta me abraçando.

Gibby também me abraça.

— O resgate era daqui a duas semanas. — fala ele com pressa — Aconteceu alguma coisa?

— Você voltou para ficar de vez, né? Promete que não vai mais embora? E aquele problema comigo? Ainda tem como resolver? — Carly me bombardeia com perguntas.

— Eu só preciso encontrar o Freddie, alguém pode me dizer onde ele está? — eu pergunto a coisa mais importante.

— Em Violet Hill. Ele não saiu de lá desde que você se foi. — responde Gibby.

— Preciso ir vê-lo. — eu murmuro mas me apoio no Gibby ao sentir um enjoo.

— Melhor você entrar Sam. — Carly me segura pelo braço e Gibby pega a minha mala.

Sou carregada para dentro da casa. Tinha uma Lamborghini estacionada na garagem, mas eu nem preciso perguntar de quem é. Carly me senta no sofá. Gibby vai à cozinha pegar algo para eu beber.

— O que fazem aqui? — pergunto um pouco tonta e observo a chave brilhante do automóvel na mesinha.

— Mantendo as coisas em ordem até a sua volta. Foi ideia da Shelby montarmos duplas para ficarmos de vigia na sua casa. Freddie não quis... Na verdade ninguém sabe o que ele tem feito. — Carly me responde dando carinho no meu cabelo.

— Na verdade ninguém nem se atreve a chegar perto dele. Ele sente muito sua falta Sam. Não sabemos direito se ele nos evita ou nós que evitamos ele. — Gibby me dá um copo de suco. O cheiro revela que é toranja. Uma ânsia surge — Se quiser tem cerveja na geladeira, ontem foi a vez da Shelby e do Spencer ficarem aqui.

— Não! — eu disparo preocupada com o bebê — Suco está bom. — eu pego o copo de sua mão e tomo um gole.

Eles trocam um olhar confuso. Ainda não tive tempo de observar a sintonia deles. Agora eu vejo a maneira que ele se importa com ela. Gibby se senta ao lado da Carly. Ela automaticamente se ajeita para melhorar o espaço para ambos. No imprinting os dois tem que se sentir a vontade. Eu os invejo por isso. Então eu lembro que Carly está grávida... Assim como eu. Eu quero vomitar.

— Vai nos contar o que aconteceu agora? — Gibby questiona reparando meu olhar de avaliação.

— Não. Eu preciso falar com o Freddie. — coloco o copo na mesa, pego a chave e ando para fora da casa. — Não me esperem! — eu voo para dentro da Lamborghini.

Não posso ir correndo até lá estando grávida. Não quero fazer mal nenhum ao meu filho. Mal posso esperar para ouvir o Freddie chamar de "nosso".

Notas finais
Por hoje é só lindos... Whatsapp aberto ;) Próximo capítulo vai chocar vocês, prevejo dois times sendo montados, Team Freddie e Team Sam... Sim, as opiniões irão divergir e eu já sei do lado de quem eu estou... Beijos. See you soon guys! Very soon...