42 - Violet Hill
37 Se acorde! Estamos sonhando!
Notas iniciais
Parte 37: Imagem
Povs Samantha:
Freddie coloca o capacete preto pequeno. Ele é aberto então lhe dou um selinho antes de subir na moto. Eu também coloco um capacete parecido com o seu.
— Sabe dirigir moto? — eu envolvo sua cintura com os braços.
— Sei fazer muitas coisas. — ele liga a Harley.
— Eu estou ciente disso. — cheiro seu pescoço.
— Pronta?
— Não.
— É só do que precisamos. — ele acelera a moto empinando a parte da frente.
Eu solto um berro adorando a adrenalina inesperada.
— Freddie!
Ele começa a rir e parte com a minha moto pela rua deserta.
Entramos no apartamento 8-D. Freddie me pede para esperar na sala, ele precisa conversar com a mãe. Eu aguardo durante longos oito minutos. Fico cantarolando High do James Blunt para não escutar a conversa deles.
Durante o trajeto até aqui, Freddie me contou sobre Carly e Gatlin. Eu quase vomitei e repudio qualquer ideia de que eles realmente foderam. Não quis nem saber quantas vezes. Mas o lado bom é que o Freddie disse que através disso iremos saber o tanto de informação que ela conseguiu arrancar daquele projeto de psicopata. Eu sempre desconfio de pessoas calmas demais, pacientes demais... Elas são as piores.
Finalmente Freddie retorna com os olhos meio vermelhos. Será que ele chorou? Eu não pergunto o que aconteceu.
Ele me ajuda a caminhar até o consultório da sua mãe.
— Sam, você pode tirar o shorts, por favor? E você pode sair Freddie. — a senhora Benson diz quando eu me sento na cama.
— Tenho mesmo que sair? — ele pergunta sorrindo. Freddie e eu não temos nada a esconder um do outro.
— Sim. Eu gostaria de conversar com a Sam. — ela murmura e eu estou quase saindo correndo.
— Claro, claro... — ele pisca para mim como fez na primeira vez em que eu vim aqui e desaparece.
Eu rapidamente retiro meu shorts.
— Ali Sam. — ela mostra uma tela enorme. Me coloco por trás da mesma. Aguardo ela fazer o raio X. — Pode sair. — ela diz depois de um tempo e eu volto mancando para a cama.
Eu olho para a tela que revela meus ossos. Nada fora do normal... Exceto minha perna direita. Realmente o osso parece um pouco torto comparado ao fêmur da perna esquerda.
— Vou precisar engessar? — eu pergunto a ela.
— Não. Só uma faixa para manter sua perna imóvel basta. — ela abre um armário pegando algumas coisas para fazer uma tala. — Freddie me contou que vocês estão realmente juntos.
— Ah... Legal. — eu fico meio constrangida.
— Eu não sabia o que pensar quando o anel tinha sumido. — ela vem para perto de mim.
Eu pisco atônita.
— Que anel?
— Ele não te deu? — ela olha para a minha mão — Oh... Que estranho.
— Que anel? — eu repito.
— Um anel de noivado que está em minha família há gerações. Seria o anel que Freddie daria à garota com quem ele fosse se casar. Eu o deixava em meu quarto e por coincidência no dia em que você voltou, o anel sumiu.
— Ele não me deu o anel.
— Talvez ele ainda vá lhe dar... Ele acabou de comentar comigo que queria casar com você, mas que estava esperando você completar dezoito anos. Agora você envelhece, certo? — a senhora Benson toca em minha perna, eu encaros os olhos dela.
— Sim... Mas é o que a senhora quer?
— Como assim?
— O Freddie e eu juntos?
Ela suspira como se tivesse um peso em seus ombros.
— A escolha é dele, não minha. Eu sei que muitas coisas das quais aconteceu com você foi culpa do Freddie. A pergunta é se você quer mesmo ficar com meu filho.
— Claro que eu quero.
— Por que? — ela é meio grossa.
— Porque eu o amo.
— Então é só o que basta. — ela começa a fazer a tala na minha coxa.
Eu não me contenho e estou remoendo o jeito dela comigo. A senhora Benson sabe muito.
— Mas falta alguma coisa, não é? — eu chamo a atenção dela — Não é uma paranoia minha.
— Você sabe que falta.
— Da minha parte?
— Dos dois lados. — ela é sincera.
— O que é?
— Você não sabe quem eu sou, Sam, mas eu sei quem você é... Sei que está destinada a grandeza. O Ômega em gerações era o mais fraco, agora quando o poder chegou a você, se tornou algo muito mais forte do que você pode controlar. — Marissa se distancia enquanto continua falando — Você irá batalhar contra o Alfa e depois pelo Alfa. Não é Tori Vega segurando a espada contra aquele cavaleiro, é você... Os cachos meio lisos dela, são os seus. Quando isso irá acontecer? Talvez em dois anos ou menos. Esteja pronta até lá. — ela volta a fazer seu serviço.
Eu estou tremendo. Eu quero perguntar como ela sabe de todas essas coisas. Como ela sabe até mesmo da frase que eu pronunciei ao lado do Gatlin enquanto eu segurava o Oráculo?
— Como você sabe tudo isso? — eu pergunto baixinho.
— Não sou apenas uma vampira, eu sou o Oráculo. — ela revela. Eita porra! O que?! É magia demais nisso tudo. — O livro é apenas uma garantia para caso eu pereça. As cenas continuarão ali escritas e outra pessoa assumirá o meu lugar. — ela continua falando de maneira terna.
Eu estou quase desmaiando com tantas verdades, mas, se ela é o Oráculo, ela sabe da verdade.
— Quem é o Alfa? — é a única coisa que eu quero saber.
— Ele muda constantemente.
— Ele muda? — eu penso nisso.
— Sim. O Alfa é um espírito, você já o viu antes. Um lobo preto horrendo.
— Todos viram.
— Ele ainda está escolhendo. Não está na hora dele chegar, mas ele precisa fazer a escolha. Como foi seu contato com ele? Foi no consciente ou no inconsciente?
— Não sei.
— Você estava dormindo ou acordada? — ela finaliza a tala e me entrega meu shorts.
— Acordada. Eu estava caminhando.
— Ele queria te colocar medo. Ele sabe que você é forte... Mas ele precisa de alguém que tenha sentimentos, alguém que o tema. Talvez ele vá escolher aquele que mais sentir medo... Ele não quer uma pessoa forte que se defenda sozinha, ele quer uma pessoa mais forte que defenda os outros. O Alfa é puro demais... Você sabe quem ele escolheu várias vezes.
— Tori. — eu sussurro.
— Ele quer a garota. Tori seria excepcional.
— O que o empata?
— Não sei, acho que por ela ser a Beta, tem outro propósito.
— Hayes que me contou a respeito da história do Alfa, Beta, Gama e Ômega.
— Ele também me contou. — ela da de ombros.
Eu visto meu shorts e saio da mesa. Eu encaro a senhora Benson.
— Como ele te contou, se ele morreu?
— Você vai descobrir em breve... — ela toca no meu ombro.
Eu ameaço argumentar mas, algo no jeito como a senhora Benson age revela que eu preciso esperar. Eu faço que sim com a cabeça.
— Obrigada pela minha perna e pela história.
— De nada Sam. — ela limpa a garganta — Não seja tão dura com o meu filho, ele precisa de você.
— Tudo bem. — eu concordo e vou para o quarto do Freddie.
Ele está varrendo o chão. Tem um espelho quebrado.
— Não acredito que não precisou engessar. — ele suspira chateado por ter perdido a aposta.
— Quem quebrou esse espelho?
— Carly ao me arremessar nele.
— Por que?
Freddie respira fundo e se senta na cama.
— Antes de ter responder, peço perdão mas eu escutei a conversa com a minha mãe, foi impossível evitar.
— Você sabia que ela era o Oráculo? — eu pergunto me sentando ao seu lado.
— Não. — ele está surpreso — Ela sabe esconder as coisas... Vem escondendo ao que? Há mais de um século?
— Uau...
— Voltando à sua pergunta, Carly descobriu sobre o anel e por ter algum tipo de obsessão por mim, disse que eu não seria de mais ninguém se eu não fosse dela. Então ela me jogou no espelho e foi ao seu encontro. — Freddie me conta.
— Por que ela matou a mãe do Gibby? Quero entender essa história.
— Porque o Oráculo diz que uma criança será concebida de um lobo e uma Hexenbiest. Essa criança vai se chamar Kimera e vai ter um poder incontrolável. Óbvio que Carly deduziu que seria filha da Wendy e do Brad... E a mãe do Gibby iria interferir. Carly não quis aceitar então a matou. Gibby me contou que Carly fez isso em frente ao Guppy. O imprinting tem que ser uma coisa muito forte mesmo para o Gibby superar isso.
— É forte. — eu murmuro alisando a perna dele — Eu vi através dos olhos do Beck, do Brad, do Spencer, da Tori... É a coisa mais poderosa do mundo.
— Tem certeza? — ele se deita sobre mim em um movimento rápido.
— Freddie! — eu o repreendo em tom baixo para que a mãe dele não ouça — Sua mãe está aqui.
Ele me ignora e beija minha boca. Eu empurro seu corpo invertendo as posições. Infelizmente desfaço o beijo.
— Se já terminou de varrer precisamos ir.
Ele rola os olhos.
— Ok. — Freddie corre para a porta.
— Espere.
— Fale.
— Eu quero o anel.
— Achei que iria esperar até completar dezoito anos.
— Um noivado dura dois meses...
Ele sorri e dispara para a cômoda. Freddie vem para perto de mim com uma caixinha de veludo preta. Lentamente ele abre, e deliza o anel no meu dedo anelar da mão direita. É um anel bonito.
— Falta uma coisa. — ele mais uma vez corre. Freddie procura por algo na cama. Vejo o presente que dei a ele — Eu tenho dormido com essa droga debaixo do meu travesseiro... — Freddie coloca o anel de prata no dedo novamente.
Eu vou abraça-lo, contente que as coisas finalmente parecem estar dando certo entre nós.
— Devia trocar de roupa. — eu cheiro sua camisa que está limpa, mas faz dois dias que ele a usa.
— Me ajuda? — ele sorri contra minha bochecha.
— Sim.
Eu retiro sua camiseta. Freddie mantém um sorriso presunçoso. Retiro seus tênis, seus jeans e o faço trocar de cueca também. Torço para que a mãe dele não apareça por aqui.
Freddie insistiu que queria vestir a camisa xadrez que eu dei a ele, eu não me importei, ele sempre ficou lindo no estilo dos garotos Klautriny.
A hora chegou. Fredward faz menção de abrir a porta da Carly, mas eu seguro seu pulso e balanço a cabeça de forma negativa.
— Você viu os carros lá fora? Estão todos aqui, me permita que eu entre primeiro. — eu sussurro.
— Acho que formaram um exército com medo de nós. — ele solta uma risada estridente.
— Não é por menos, você e eu com a humanidade desligada somos o inferno, vamos admitir.
— Eu admito.
— Só vamos fazer isso logo. — eu abro a porta e entro.
Os vários pares de olhos me encaram. As reações são rápidas. Os que estavam no chão se colocam de pé. O que estavam de pé se colocam em posição de ataque. Gibby mantém a Carly atrás de si. Spencer cerra as mãos em punhos se aproximando da Shelby para protege-la.
Shelby solta um risinho fingindo estar concentrada em uma revista.
— Não contou a eles? — eu corro e retiro a revista da sua mão com um tapa.
— Contar o que? — ela se faz de desentendida — Qual é linda, assim é mais emocionante.
Freddie resmunga algo atrás de mim. Eu olho para o pessoal. Wendy estreita os olhos e se aproxima com cautela, Brad relutantemente deixa ela andar até mim.
— Sam? — ela me chama quase chorando. Oh não... Eu não quero chorar por culpa da ruiva.
— Eu senti sua falta. — digo uma meia verdade.
Ela se choca contra mim. Seu abraço é apertado. Ela sentiu saudade. Eu sei que sentiu. Não preciso ter o dom do Freddie para saber disso.
Eu não esperava a mesma reação dos outros que também vieram ao meu encontro, até mesmo Jade. Os vampiros apenas acenam com sorrisos. Trina observa ao longe. Dice se gruda na minha perna boa, Shelby joga alguma coisa nele, nunca entendi a camaradagem que surgiu entre os dois.
— O que aconteceu com a sua perna? — Wendy pergunta mesmo tendo me visto depois do acidente.
— Foi quando o fusca capotou, eu estou bem. — eu respondo rápido.
Carly abaixa a cabeça ao fundo. Ela está sentindo culpa? Mágoa? Raiva? É ruim só o Freddie saber dessas coisas. Isso nunca me incomodou antes, mas agora seria útil.
Tori fita o vampiro moreno atrás de mim. Eu me viro para encara-lo. Freddie possui os olhos úmidos, está lidando com muitas emoções por aqui, além da sua.
— Wendy, eu não sei dizer o quanto eu me odeio por ter feito aquilo com você. — Freddie se aproxima falando — E Brad, eu não peço o seu perdão por que sei que não mereço ele.
— Não podemos te culpar. Mas Freddie, você é um babaca com a humanidade desligada, a Sam só fica chata. — Brad tem que admitir.
— Chata? — eu franzo os lábios.
— Para não não dizer putona. — Shelby fala do sofá.
Damos uma curta risada. Meu olhar vagueia pelo rosto dos meus amigos. Eu me detenho no Gibby. Ele está me olhando confuso. É estranho encontrar apenas um olhar de amizade em seu rosto. Gibby parece ter assumido um nova posição em minha vida. Espero que eu descubra logo no que ele se transformou para mim.
— Deveríamos deixar as duas conversarem. — Freddie pede a todos e beija meu cabelo — Estaremos lá em cima.
Os outros concordam e seguem o Freddie para o outro andar, mas ele para na escada enquanto aguarda todos subirem. Gibby fica relutante em deixar a Carly, mas Spencer vai ajuda-lo. Carly e eu somos deixadas a sós.
Não posso mais segurar. Eu irei dizer tudo o que penso a ela.
— Eu fracassei com você. Ter te tirado daquele carro foi a pior coisa que eu já fiz em minha vida... Se eu tivesse te deixado lá, se o Spencer tivesse te salvado, teria te poupado de muitas coisas. — engulo a bile para não chorar de ódio — Eu não entendo por que quero salvar todo mundo... — eu vou me aproximando dela que tem os olhos inundados de lágrimas — É algo que está dentro de mim Carly e por causa do meu heroísmo desenfreado você se transformou nisso. Perdão não é suficiente. Nunca será para nós duas.
Ela vem em minha direção. Provavelmente irá me bater ou gritar comigo. Eu aguardo seu ódio, mas ela faz algo que eu não esperava. Carly me abraça enquanto chora. Ela me molha com suas lágrimas. Eu abraço ela tentando não chorar. Seu choro se intensifica. Eu queria dizer algo mas nada vai mudar as coisas que aconteceram.
Eu deixo Carly chorar durante alguns minutos. Minhas mãos descem e sobem pelas suas costas. Imagino como o Freddie se sentiria tentando lidar com a dor da Carly agora, ele usaria o dom ou a deixaria desabafar?
— Sam eu errei mais que todos. Me tornei a pior pessoa do mundo e você não pode me perdoar, a menos que eu mereça isso. — Carly diz e desfaz o abraço — Eu fui uma das piores coisas em sua vida e eu sei disso... Tem razão, se você não tivesse me tirado do carro, teria poupado muitas coisas... Muitas coisas em sua vida. — sua sinceridade faz minha boca cair aberta — Tudo isso foi minha culpa. Você não iria se culpar por ter me machucado naquele dia, ou muito menos se preocupar por eu querer fazer parte do seu mundo. Nada dessas merdas iriam ter acontecido. O seu único erro foi ter entrado na minha vida e nem se eu vivesse uma eternidade não seria o bastante para compensar.
— Carly você... — eu pigarreio — Eu não me arrependo de ter te salvado. Eu me arrependo de ter feito isso com a sua vida. Eu só queria que você fosse normal e olha no que deu. — eu solto um risada fraca — Eu ainda vou te salvar Carly, ainda tem algo dentro de você que precisamos tirar.
— Como pode querer me ajudar? Por quê está fazendo isso?
— Porque é isso que nós duas fazemos, protegemos uma a outra. — eu acaricio a ponta do nariz da Carls como eu fazia quando ela era pequena.
Ela não sorri, mas está menos nervosa. Carly desce o olhar para a tala na minha coxa.
— Sua perna... Você vai ficar bem?
— Eu estou bem. Não se preocupe Shay.
Ela da um aceno com a cabeça e olha para as escadas.
— Eu queria...
— Você encontrou. — eu sussurro.
— Encontrei o que?
— O amor da sua vida.
O olhar da Carly retorna para mim.
— Oh... — ela cora um pouco — Ele não me merece... Eu não sei dizer o que o imprinting faz com as pessoas, mas como ele está suportando isso, Sam?
— Isso o que?
— Me amar. Amar a pessoa que matou a mãe dele... Porra Sam! Eu sou uma monstra. — ela acaba caindo de joelhos e leva as mãos à barriga por algum motivo. O choro dela volta mais forte dessa vez.
— Não importa o que você fez Carly. Não mais. — eu me ajoelho em frente a ela — Não para ele. Você se tornou a essência da vida do Gibby. Você é o mundo todo para ele.
— Cara... — ela aperta a barriga enquanto chora.
— Se eu realmente soubesse que a Mabel tentaria matar a Wendy e o Brad, eu faria o mesmo no seu lugar. — eu revelo de maneira baixa para que ninguém nos ouça — Você queria protege-los. Óbvio que você exagerou e fez o que fez, mas quem sou eu Carly? Quem sou eu para te dizer, o que você pode ou não pode fazer?
— Agora que eu o amo, que eu sinto algo profundo por ele, vejo que o que fiz foi mais do que errado. Só que mata-la foi como estar bêbada, no dia seguinte eu nem sabia por que eu tinha feito aquilo.
— Você sabe por que... — eu toco seu cabelo um pouco crescido.
— Ele surge às vezes... — ela olha por cima do meu ombro e eu sinto um arrepio horrível — Ele aparece quando eu menos espero... Ele quer me enlouquecer, se fosse por ele todos vocês estariam no inferno. Ele quer matar cada um. Ele não vai parar enquanto não ceifar a vida de vocês. Ele não vai parar até que estejam todos mortos.
Eu vejo a dificuldade da Carly em dizer "Lucifer" ou "Demônio", então ela usa o "ele". Só que esse "ele" pode surgir a qualquer momento.
— Eu vou te ajudar. Eu prometo. — eu realmente prometo isso a ela.
— Sam... — ela faz círculos na barriga e olha para a mesma. — Tem mais uma coisa...
Eu fito suas mãos que descem pela própria barriga como se estivesse ninando. Mas é impossível que isso tenha acontecido. Não tem nenhum volume fora do normal, mas...
— Carly? — eu murmuro de olhos arregalados.
— Já era para ter chegado... Eu estou atrasada. E você sabe que eu nunca atrasei. — ela sussurra.
— Puta merda. — eu não encontro outra coisa para falar.
— Não é do Gibby e você sabe disso. Estamos juntos há dois dias, nem deu tempo dele tocar em mim.
— Você está... — eu estou tremendo, tudo que ela fala parece distante.
— Eu estou grávida, Sam. — ela diz de uma vez e me encara — Eu estou grávida do Gatlin.
Eu recuo me colocando de pé e chego a me engasgar com o vento. Eu não consigo nem respirar. Eu não tenho palavras que expressem essa atrocidade. Um bebê? Ela vai ter um bebê do Gatlin? E eu aqui querendo cortar todos os laços com a família Real existentes e ela vem dizer que está grávida?! E o filho nem é do Gibby! Tudo bem que o Gibby não a engravidou, ele tem apenas dezessete anos, é mais novo que ela e só vai fazer dezoito anos em janeiro de 2018, mas mesmo assim... Ele tem que lidar com coisas demais e agora uma namorada instável, que tem um filho de um possível psicopata na barriga! Um filho por qual todos vão querer brigar para ter! E nem tem como ela se deitar com o Gibby e dizer que o filho é dele... Tem muita chance da criança pegar os olhos azuis ou cabelo loiro do Gatlin e a verdade seria mostrada. E já diz a bíblia: Não há nada encoberto que não seja revelado. Lucas 12, versículo 2.
Penso na única coisa que pode ser dita.
— Você tem que contar ao Gibby. — eu falo mais chocada do que brava com ela. No mesmo dia em que eu descubro que o Gatlin e ela se envolveram a esse ponto, Carly me joga esse tiro no meio da cara.
— Eu vou... — ela seca as lágrimas e eu a ajudo se levantar do chão.
— O Gatlin não precisa saber, ele jamais vai saber. Você nunca mais voltará a vê-lo. De tantas promessas que eu fiz, essa é a única que eu te garanto que vou cumprir.
— Obrigada.
— Vem cá. — eu a abraço novamente.
— Por que é o que você e eu fazemos... — ela repete o que eu disse — Protegemos uma a outra.
— Sim. Exatamente isso. — eu deixo uma única lágrima escorrer pela minha bochecha.
Chamamos os outros de volta. Eu pedi uma folha grande para desenho e o Spencer apareceu com uma. Shelby me trouxe canetas e lápis. Eu encarei os lobos e vampiros que estavam em volta de mim na mesa esperando meu próximo passo.
— Freddie já deve ter bolado um plano, espero eu, que ele comece falando. — ao dizer isso eu aponto a caneta para o meu noivo.
Meu erro foi esse. Os pares de olhos voam direto para a minha mão direita, onde a aliança pende soltando brilhos.
— Quando vai ser o casamento? — Trina é a primeira a perguntar com um sorriso.
O resto aplaude e eu coro com toda a situação que é embaraçosa demais para mim.
— Novembro. — eu respondo uma data aleatória.
— Vocês ficam bem mesmo juntos. — Gibby comenta sorrindo. O queixo de todo mundo cai aberto.
Eu limpo a garganta.
— Voltando... Freddie?
— O plano... Claro. — Freddie murmura se colocando ao meu lado — Será como uma missão de resgate, iremos tirar a Sam do castelo e desestruturar o reino. Cortaremos a produção, o exército, qualquer fonte de recurso que eles possuam. Sem o Mont Hood eles são fracos, sem apoio da costa oeste eles são descartáveis. A Sam vai desenhar uma planta do castelo e mostrar os pontos fracos. Temos aproximadamente um mês antes que Gatlin dê o próximo passo.
— E quando saberemos quando ele pretende fazer isso? — pergunta Cat.
— É o que esperamos que a Carly nos responda. — Freddie responde.
— Eu? — ela se apoia no Gibby — Não entendi.
— Você esteve com o Gatlin, sabe possivelmente o que ele planeja fazer. — eu tento não transparecer o fato de estar falando do pai de seu filho.
— Ele não me contou tudo... — ela suspira meio constrangida — Ele só mencionava você te chamando de rainha... Ele quer o trono mas iria te matar para conseguir isso. Sempre teve um plano maior por trás, eu ainda não consegui entender. Você com a humanidade desligada era um perigo a ele, se o Gatlin descobrir que você ligou você ficará vulnerável. Posso sugerir que quando retornar para Viena finja que ainda está desligada, isso vai o manter longe de você.
— Então ele mentiu quando foi até o meu apartamento... Disse que era para eu ligar a humanidade da Sam para tê-la de volta, quando na verdade sua única vontade era de deixa-la vulnerável. — Freddie está chateado. Seu humor se altera muito rápido. E tem essa maldita palavra que está me tirando do sério. Vulnerável. Em mais de um século eu nunca me senti tão despreparada para alguma coisa. Eu sempre fui o perigo. Eu sempre fui a pessoa que bate na porta e agora sou a vítima. Sou eu quem precisa ser protegida.
— Estão se arriscando por mim. Parem. — eu ordeno a eles.
— A decisão não é sua. Pode até mandar nos sanguessugas do clã do Freddie, mas não na minha matilha. — Gibby assume um tom autoritário — Não na minha alcateia. Por isso eu ordeno que eles lutem por você. E mesmo se eu não ordenasse ninguém aqui pensaria duas vezes.
— Não podem morrer por mim.
— Sam você passou a vida nos protegendo, hora de fazermos isso por você. — Tori fala.
Estou ficando brava.
— Por que? Acham que estão em dívida comigo?
— Sam, se acalma. — Freddie me toca mas eu o empurro sem ter controle.
— Hey garota, calma. — Gibby quer usar sua autoridade de alfa, mas ele sabe que é difícil — Você não pode se transformar, não se esqueça disso.
— Você não pode o que? — Freddie pergunta sem saber da história.
— O que?! Não contou a ele?! — eu berro com o Gibby.
— Sammy... — Gibby ergue as mãos em defesa enquanto caminha até mim.
— Pra você é apenas Sam. — eu cerro as mãos em punhos — Oh senhor soberano da alcatéia. Alfa supremo. — uso minha ironia.
— Alguém pode me explicar? — Freddie se coloca em minha frente.
— Gibby retirou a escolha da Sam dela se transformar, por isso ela começou a envelhecer como uma pessoa normal. — Tori responde por mim.
— Que?! Eu pensei que você estava envelhecendo por escolha própria. — Freddie está desolado — Que era algo temporário... Um lance de humanidade desligada e agora que ligou só queria dar um tempo antes de voltar a forma de loba mas...
— Freddie, me permita dizer... — Gibby inicia alguma frase.
— Seu filho da mãe! — Freddie acerta um soco na cara do Gibby — Ela quase morreu! Iria morrer por sua culpa! Um lobo a atacou!
Todos se juntam para separar a briga. Gibby permanece calmo enquanto alisa o rosto. Freddie é o único berrando.
— Calma ai Fredward! — Spencer segura os ombros dele.
Desde quando Freddie perde o controle das coisas?
— Ela não pôde se transformar! Ela quase morreu em meus braços... E você... Você seria o culpado por isso. — Freddie fica emotivo e se acalma.
— Sam eu... — Gibby não sabe como se desculpar.
Eu apenas me viro e corro pra porta. Opto por pegar as escadas. Não demora muito e me vejo ao lado de fora. Uma chuva fina cai sobre Seattle. Eu ando pela rua. É estranho sentir mágoa de novo.
Freddie em parte tem razão, eu iria morrer e Gibby teria boa culpa disso. Oh e tem o fato deles quererem me proteger. Por quê as coisas são assim? Por quê eles não vivem as vidas deles? E por que o Gibby tem que ser o alfa? Tori se sairia melhor. Ela faz qualquer coisa melhor do que todo mundo. Ela é boa, honesta e calma. Gibby é explosivo às vezes e agora tem a Carly. Jesus! E ela está grávida! Tudo que podia dar errado está acontecendo.
Uma mão quente puxa meu ombro e me arrasta para um beco.
— Me perdoa. — Gibby me pede quase chorando — Eu não sou um bom alfa, eu nunca vou ser como você. Se você tivesse morrido... — ele se perde em palavras — Eu não sei por que ainda te amo... Mas é apenas uma amizade forte ou como se você fosse a minha família. — Gibby se encosta na outra parede — Eu sempre vou te amar mas agora eu sei de que maneira. Não fui feito para você... Eu fui feito para a Carly. Ela precisa de mim e eu mais do que nunca preciso dela. Eu... Não sei te explicar como é o mundo para mim agora. Em dois dias eu vivi mais do que minha vida inteira.
— Eu digo o mesmo. — deixo escapar.
— Não pode fugir de nós. — ele se aproxima e segura meus ombros — Não pode fugir da sua família. Agora você vai voltar para aquele apartamento e deixar nós te salvarmos.
— Eu não quero perder vocês.
— Você não vai. Somos fortes, espertos, melhores do que a maioria. Temos amigos, parentes, pessoas que estariam dispostas a entrar nesse plano conosco. Pelo o que Freddie disse é mais estratégia do que batalha. Estaríamos seguros Sam. E então iríamos te salvar, te trazer para casa e dessa vez para sempre. — ele continua me segurando — Eu encontrei meu caminho, é a sua chance de encontrar o seu. E você só tem essa.
Eu mantenho meu olhar em seus olhos marrons esverdeados. Os olhos de quem eu dizia amar um dia. Seu olhar é terno e amistoso. Chega a ser um olhar doce. Gibby ainda é meu, mas o que ele é agora? Meu irmão? Meu melhor amigo?
— Eu ainda amo você... — eu sussurro.
— Eu também ainda te amo, só que eu preciso dela... Não sinto mais que preciso de você. Ainda estamos ligados por algo dentro de você ainda me quer. Um dia entenderemos tudo isso. Mesmo com o imprinting somos capazes de amar duas pessoas, mas apenas uma conduzirá a minha vida, e essa pessoa não é você. Essa coisa que você sente por mim, não é real e em breve vai se dissipar. Tudo tem um propósito, eu sei disso. — ele acaricia meu rosto e me beija na bochecha — Você está bem?
— Não. — eu seguro a lapela da sua camisa — Tem uma coisa que preciso te contar... — irei revelar sobre a Carly.
— Por que você e o Freddie agem como se ainda faltasse algo? — Gibby faz uma pergunta séria me interrompendo.
— Eu não sei. Apenas falta.
— Vocês vão dar a volta por cima... Vão se casar. Freddie vai te proteger, por quê ele te ama.
— Não é só ele que quer me proteger aqui.
— Não pode nos impedir. Amamos você e vamos te proteger... Alfa. — ele sussurra a última parte e eu me arrepio.
— Do que você me chamou?
— Você vai descobrir em breve. — ele me responde a mesma coisa que a mãe do Freddie disse.
— O que está acontecendo? — eu estou ficando com medo.
— Acho que você perdeu muita coisa nesses últimos dois dias.
— Gibby, o que está acontecendo? — eu quero saber a verdade.
— Não é o tempo. — ele parece alienado.
— De que?
— Do Alfa escolher você.
Eu abro a boca para dizer algo, mas nesse momento eu vejo a imagem familiar de uma pessoa surgir no beco.
— Hayes? — eu sussurro antes de algo me acertar e minha visão escurecer.
— Se acorde! Estamos sonhando!- Gibby grita em algum lugar distante.
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