Notas iniciais
Em nome do Pai, do filho e do espírito Santo de Deus eu libero este capítulo... Estão com a água benta, com o padre ou com o pastor? Porque entraremos do outro lado para um lindo e emocionante fucking resgate! Espero que gostem do capítulo, beijão e lá em baixo tem várias perguntas de vcs respondidas, aproveitem! P.S: Coincidência esse ser o capítulo "13" e vamos falar de magia negra, ta amarrado no nome de Lúcia, Átila, Denise, Estela e companhia...

Parte 13: Magia negra

Soundtrack:

The Mark — Cold Specks

Povs Sam:

Eu não sei o que aconteceu com o tempo. Ele voou por entre meus dedos. Eu vi os grupos serem refeitos na escola. Tori andando com Griffin para todos os lados. Jade e Beck com Wendy e Brad. Trina com os outros vampiros. Carly era a única que me aguentava, mas às vezes escapava para o apartamento da Tori sempre que podia. Ela não falou com o Gibby desde que ele entrou na matilha pois, ele não tem um temperamento muito instável.

As patrulhas continuaram. Gibby não participou de nenhuma delas, ele sempre arrumou uma desculpa e os outros pareciam não se importar, como eu sou a alfa os assegurei que estava tudo bem. Em breve os anciãos farão uma reunião na montanha e a alcateia ficará nas mãos do Gibby, disso eles não sabem.

Tentei encontrar algum sentido nessa semana que se passou. Eu me sentia morrendo sem ter o Freddie comigo. A saudade dele era tanta que eu tinha pesadelos a noite. O pior de morar sozinha é que não tem ninguém para te consolar quando você acorda.

Em uma dessas noites acordei suando em bicas, mas o que me assustou foi Wendy me balançando na cama. Era dia 12 de março, um domingo como qualquer outro, bem, era o que eu esperava que fosse.

— Sam! — Wendy me chama.

— O que faz aqui? — Levanto devagar ainda sonolenta.

— Se arruma, você precisa vir comigo, temos um ritual para fazer — ela acende a luz do abajur.

— Um ritual? — Me coloco de pé.

— Sim, vamos aproveitar que a lua cheia estará em seu poder mágico antes da meia noite, não temos muito tempo — ela tem empolgação.

— Quem iremos ressuscitar? — Faço uma piada.

— Você vai ver — ela não está brincando.

Chegamos ao lado de fora, onde o carro dela nos aguarda. Entramos e ela liga o veículo.

— Para onde vamos? — Pergunto sem entender nada.

— Para Violet Hill — ela responde e eu tremo ao me lembrar de que da última vez em que eu estive lá foi com o Freddie.

Wendy estaciona o carro no meio das árvores. Ela sai e eu também.

— Por que paramos aqui? — Olho em volta preocupada.

— O resto do trajeto tem que ser feito a pé, me leva nas costas — ela explica já pulando em cima de mim.

Eu corro com ela nas minhas costas subindo a montanha. Chegamos em alguns minutos próximo ao casebre. Tem velas iluminando o interior dele. Wendy desce das minhas costas e entramos juntas na minha antiga casa.

Eu arregalo os olhos com o que encontro dentro. Tem símbolos pintados na parede. O pentagrama se repete pelas madeiras. Tem velas pretas e brancas espalhadas por todo lugar. O corpo do Dice está sob uma tábua de madeira em cima de uma mesa improvisada. O ambiente cheira a um cadáver. Carly está lendo um livro e recitando palavras como se as decorasse. Tori com a ajuda do Griffin desenha símbolos pelo seu braço, mas o que mais me assusta é o vampiro encostado na lareira acesa. Freddie está aqui. Ele praticamente me ignora enquanto eu quero correr e beijá-lo.

— Wendy, diga que não vai fazer o que estou pensando — percebo a magia negra que começará em breve.

— Sim. Eu vou. Eu consigo fazer isso, vou trazer o Dice de volta — ela pega um livro na estante empoeirada.

— E o que ele faz aqui? — Eu aponto para o Freddie.

— Pode se dirigir a mim, quando fala? — Freddie se desencosta da lareira. — É graças a mim que vão conseguir ressuscitar o garoto. Eu fui ao outro lado do mundo, em um pântano imundo da Polônia para conseguir uma droga de uma flor para o ritual.

— Não fez mais que sua obrigação — cuspo as palavras, ele dá de ombros por que não se importa.

— Podemos começar? — Carly pergunta pegando uma faca de prata, por que sempre prata?

— Espera, o que você tem a ver com isso? — Retiro a faca da mão dela.

— Para o ritual é necessário uma bruxa — Wendy finge se apresentar. — Uma humana pura, um vampiro e um lobo, já que vamos ressuscitar um ser mágico.

— Porém, como eu não sou virgem, Tori vai entrar no outro lado por mim. Estou aqui só para estabilizar por que ela é filha de um vampiro — Carly responde.

Eu ergo as sobrancelhas para Tori.

— Sério? Virgem?

— Sou reservada — Tori cora um pouco e Griffin sorri.

— Você também é — Freddie se intromete e eu quase bato nele.

— Foi sobre isso que conversaram no seu quarto, naquele dia? — Eu pergunto para o Freddie. — Carly disse que teriam problemas.

— Exatamente lobinha, agora me pergunto por que eu deveria fazer algo por você? — Ele age com grosseria.

— Vamos começar... — Wendy retira a faca da minha mão antes que eu enfie no olho do Freddie.

— Por que eu estou aqui? — Pergunto confusa.

— Porque você é híbrida, vai dar mais força durante a travessia da Tori — Wendy olha para o Griffin enquanto fala.

Observo a Tori que tem as mãos trêmulas.

— Tori, não faça isso, você pode morrer — eu imploro para ela.

— A culpa foi minha, nada disso teria acontecido se eu não quisesse dar aquela festa — ela responde.

— Não faça isso — eu repito. — Griffin, diga alguma coisa.

— Ela não vai retroceder — ele murmura mais triste do que bravo.

— Freddie — ela chama o irmão. — Eu sei que você está aí em algum lugar, então se eu não voltar saiba que eu te amo muito.

Freddie revira os olhos.

— Sua mensagem foi recebida com sucesso.

Tori me abraça, depois abraça Carly e Wendy. Ela toca gentilmente no rosto do Griffin, que está petrificado em pânico. Não temos tempo a perder.

Wendy nos conduz para a pequena mesa próxima ao Dice. Eu sinto vontade de chorar novamente. Ela pega uma vasilha de cerâmica e coloca sobre um livro aberto. Dentro da vasilha tem flores e pedras da lua. Wendy corta a mão e deixa o sangue pingar nas pedras. Ela me passa a faca e eu também me corto. Carly se corta rapidamente e estremece. Tori se corta e suspira. Griffin faz um corte maior do que deveria, mas cicatriza em segundos. Freddie apenas coloca alguns fios do seu cabelo na vasilha. Damos nossas mãos e eu tenho que pegar na mão do vampiro. Wendy recita palavras que eu decoro rapidamente.

Phasmatos Ravenus Em animum — diz Wendy em voz alta. — Phasmatos Ravenus Em animum. Phasmatos Ravenus Em animum.

Phasmatos Ravenus Em animum — repetimos em voz alta. — Phasmatos Ravenus Em animum. Phasmatos Ravenus Em animum.

— Coma a flor, Tori — Wendy suspira e tem sangue saindo das suas narinas. — Não soltem as mãos.

Tori é a única que pode se desprender de nós. Ela coloca a flor que estava na mesa em sua boca e mastiga. Seu corpo parece amolecer. A vasilha começa a pegar fogo, assim como o livro embaixo dela.

Phasmatos Ravenus Em animum — voltamos a repetir com Wendy. — Phasmatos Ravenus Em animum.

Tori cai no chão. Freddie tosse como se algo machucasse seu corpo. Carly também tem sangue escorrendo do nariz.

— Wendy? — Eu sussurro.

— Carly segure na mão da Tori! Não solte. Eu entrarei em contato com a mente dela enquanto ela vaga pelo outro lado — Wendy se ajoelha ao lado da Tori, pega a mão direita dela e a mão sem vida do Dice.

Carly agarra a mão da Tori enquanto chora baixinho. Ela não vai aguentar. Griffin fica prostrado próximo aos pés de Tori, ele tem lágrimas nos olhos. Freddie observa tudo em silêncio. Suas roupas estão sujas de terras, certamente após Wendy escavar o túmulo na tribo, Freddie trouxe Dice até aqui em cima nos braços. Eu encosto-me à lareira.

Freddie me segue com o olhar.

— Por que eu tentaria ressuscitar o Dice? Por que eu faria algo por você?

— Porque você que o matou — olho para ele com ódio.

Ele ri como se eu contasse uma piada.

— Não é só por causa disso.

— Por que você era bom, gentil e me amava.

— O que eu vi em você? — Ele torce o nariz.

— Pensando bem, acho que você não viu nada — desvio o olhar de sua face para Carly e Wendy com Tori no chão. Acho que Griffin vai desmaiar.

Wendy está concentrada. Ela arfa como se visse alguma coisa.

— Tori, pode me ouvir? — Ela pergunta e se alivia com a resposta silenciosa que não escutamos. — Apenas desça a colina e encontre o Dice na reserva, provavelmente ele deve estar perambulando por lá. O traga para cá, assim ele conseguirá entrar no corpo, com sorte você conseguirá também — mais uma resposta silenciosa.

— Quais são as chances dela conseguir voltar para o seu próprio corpo? — Griffin fica aflito.

— Pequenas... Talvez até mesmo nulas — ela é sincera.

— Não acredito! — Chuto uma parede de madeira com raiva. — Você não fala nada? — Me viro para o Freddie. — É a sua irmã!

— Eu não sinto nada querida — ele é frio.

— Isso não pode estar acontecendo — me sento no chão quase puxando meus cabelos.

— Tori sabia no que estava se metendo quando resolveu me procurar — Wendy justifica.

— Céus — custo a acreditar.

— Ela se sentia totalmente culpada, parecia até que tinha matado o Dice.

— Sabemos quem realmente o matou — solto indireta para o Freddie, ele apenas suspira enfadado.

— Levou um tempinho para ela me convencer, mas consegui um método para trazê-la de volta — Wendy volta a falar comigo.

— Como? — Carly pergunta limpado o sangue do nariz na blusa.

— Se retirarmos um ser mágico do outro lado, alguém vai ter que assumir a morte desse ser lá ou se juntar ao mesmo patamar de magia dele aqui — ela franze os lábios na última parte.

— Se juntar ao mesmo patamar de magia? — Carly repete como uma pergunta.

— Ela vai entrar para a alcateia? — Griffin e eu perguntamos ao mesmo tempo.

— Sim. Por mais que o pai dela seja um vampiro, a mãe era da tribo Klautriny, então apenas iremos forçar o processo acontecer... Isso se eu tiver forças para conseguir fazê-la entrar no corpo de novo — noto o peso nos ombros da Wendy.

— Eu deveria ter ido no lugar dela — acaricio Tori que continua no chão.

Wendy suspira como alguém que ensina uma criança.

— Tem que ser alguém humano do outro lado. Se eu fosse usar você, eu teria que te matar, o que só iria dar mais trabalho.

— Se ela morrer, não vai ter feito diferença, eu vou ter perdido alguém — fecho os olhos para cochilar encostada na perna da mesa.

Ninguém diz nada. Escuto as respirações de todos. A respiração do Freddie é silenciosa e a presença dele me irrita, então me levanto e vou para o lado de fora observar as estrelas.

Respiro o ar puro da colina. O vento frio me envolve. Tremo um pouco e sinto o cheiro do Freddie se aproximando. Ele para ao meu lado. Ficamos em silêncio observando as estrelas. Os minutos se passam. Por algum motivo, seus dedos frios encostam-se aos meus, ele pega a minha mão. Ele não ligou a humanidade, mas está dando lugar a ela.

Povs Tori:

É como um daqueles pesadelos. Você quer acordar, mas não pode. Quer entrar em seu corpo, mas não consegue. Lembro-me do meu propósito aqui e me acalmo. A cena que eu vejo é Wendy e Carly abaixadas próximo ao meu corpo no chão. Griffin sentado perto dos meus pés. Sam e Freddie estão perto da lareira, eles parecem ter uma conexão mesmo que o Freddie não esteja usando as emoções.

— Tori, pode me ouvir? — Escuto a voz da Wendy na minha cabeça.

— Sim eu posso — lhe respondo. — O que eu faço agora?

— Apenas desça a colina e encontre o Dice na reserva, provavelmente ele deve estar perambulando por lá. O traga para cá, assim ele conseguirá entrar no corpo, com sorte você conseguirá também — Wendy me responde.

— Eu sei que talvez eu não consiga voltar, mas ficarei feliz de trazê-lo de volta — eu murmuro deixando a casa velha.

Eu caminho entre as flores da colina. Não sinto nem o vento frio que sopra ao meu redor. O frio que eu sinto vem de mim mesma por que eu estou praticamente morta. Eu sei o que deixarei para trás, mas não me arrependo.

Desço a colina adentrando na floresta. A caminhada parece uma eternidade. Não sei quanto tempo se passou. Finalmente vejo a avenida iluminada por alguns postes. Eu ando nela em direção à reserva. Prevejo que vai demorar. Porém eu não sinto dor, nem cansaço ou fadiga. O tempo aqui parece não ter sentido. Eu prossigo caminhando em passos rápidos quando vejo um homem vindo em minha direção.

— Ah... Wendy? Diz que você pode me ouvir — eu falo para o nada.

— O que foi Tori? — Sua voz ressoa como se sua presença estivesse ao meu lado, mas ela está na minha mente.

— Tem um homem vindo — eu sinto medo.

— Ele não pode te ver, apenas continue — ela me acalma.

— Está bem — eu continuo andando normalmente, o homem se aproxima e olha fixamente para mim, eu me viro para ver se não tem alguém atrás de mim, ou algo que ele esteja vendo, mas não existe ninguém. O cara passa ao meu lado me olhando, eu paro e ele também. — Wendy, nós temos problemas, ele está me vendo sim — eu digo e o homem fica confuso.

— Precisa de ajuda? — Ele tem uma voz acolhedora e é muito familiar para mim.

— Tori, cuidado, se ele tentar te pegar corra, por que se você morrer aí, o que é possível, você terá apenas dois lugares para ir, Céu ou Inferno — Wendy parece mais desesperada que eu. — E como a cristã devota que você é, tem chances de conhecer Deus mais cedo.

— Devia ter me avisado isso antes — bato o pé com raiva.

— Oi? — O homem coça a cabeça. Ele traja algo parecido com roupas de caubói.

— Ah... Nada, é... Eu estou procurando um amigo meu — dou um passo para trás me preparando para correr.

— Quer ajuda para encontrá-lo? — Ele se oferece.

— Hum... Não sei se é uma boa ideia e você parecia ir a algum lugar.

— Na verdade eu estava voltando, mas eu te ajudo, qual é o nome do seu amigo?

Quer saber? Não vejo problemas em ter a ajuda dele.

— Dice — respondo. — Ele tem treze anos, um incrível cabelo encaracolado castanho e é baixinho.

— Oh... Acho que o vi pela reserva — o homem se coloca a andar na mesma direção que eu. — Vamos? — Ele me chama.

— Vamos — murmuro.

Após algum tempo de caminhada ele me faz uma pergunta.

— Qual é seu nome? — Ele me olha ao perguntar.

— Tori e o seu?

— Hayes — ele sorri e eu nunca vi um sorriso mais belo no mundo.

Chegamos à reserva depois de mais alguns longos minutos. Tem diversas pessoas vagando de um lado para o outro. Todas estão mortas por que a reserva não é cheia assim faz tempo. Todos eles devem ser o objeto imprinting de algum lobo ou até mesmo eram lobos. Mesmo no outro lado nenhum vampiro morto poderia entrar aqui.

Eu vejo um garoto sentado em um banco de madeira. É o Dice. Corro para ele já chorando.

— Tori? — Ele pergunta se levantando.

— Dice! — Eu choro abraçando ele. — Eu encontrei você...

— O que faz aqui? Você morreu? A Sam está bem? — Ele pergunta me abraçando.

— Eu vim tirar você daqui. Eu não morri exatamente, só precisava vir te buscar. A Sam está bem sim — eu beijo os cabelos dele. — Temos que ir para Violet Hill, Wendy trará você de volta à vida.

— Jura? — Seus olhos de enchem de lágrimas. — Eu não posso acreditar.

— Espera, você está aqui para ressuscitar o garoto? — Hayes pergunta baixinho.

— Sim, por quê? — Me sinto incomodada.

— Você tem que ir enquanto tem tempo, se outros descobrirem tentarão voltar também. Eu levarei vocês para a colina — ele é prestativo de novo.

— Como sabe onde fica? — Eu seguro a mão do Dice.

— Eu já estive lá — ele me responde e começa a andar, eu o sigo com cautela.

Dice passa o braço em volta da minha cintura. Ele está muito assustado. Quero perguntar se ele se lembra de quem o matou, mas não parece ser a hora certa para isso.

Hayes acelera o passo quando chegamos à floresta em volta da colina. Ele é ágil e deve ter sido um lobo enquanto estava vivo. Relembro das histórias que ouvi do passado. Hayes é familiar por que parece com o Gibby. Ele é o tal Hayes Gibson que Freddie me contou. Eu penso em perguntar alguma coisa, mas fico em silêncio enquanto atravessamos o campo de flores.

Paro na porta do casebre e seus olhos marejam ao ver a Sam. Ele olha para o Freddie e depois para as meninas e Griffin no chão. Ele balança a cabeça negativamente.

— Sua amiga sabe no que se meteu ao fazer magia negra? — Hayes pergunta.

— Se refere a quem? — Pergunto e Dice choraminga ao ver seu corpo na tábua.

— À Hexenbiest — Hayes responde.

— Ham? — Não conheço essa palavra.

— Estou falando da ruiva.

— Sim, ela sabe, mas eu meio que a forcei a isso — justifico para ele.

— Sejam rápidos — ele lança um último olhar para a Sam. — E diga para a Sam que eu mandei um "oi".

— Eu direi Hayes — eu realmente sei quem ele é.

Ele se aproxima e me beija no rosto. Alisa os cabelos do Dice com carinho.

— Você vai ficar bem garoto.

Dice apenas acena com a cabeça.

Hayes desaparece pela porta e eu me foco na missão.

— Wendy — eu chamo e ela abre os olhos.

— Tori? Você conseguiu encontrá-lo? — ela pergunta olhando em volta, Griffin dá um pulo.

— Sim. Estou ao lado do corpo dele, o que eu faço agora?

— Mande ele se concentrar em sua alma, ele vai voltar para o corpo em segundos.

— Eu entendi — diz Dice.

Eu fico parada observando Wendy segurar a mão do corpo do Dice. Eu olho para o lado e vejo o Freddie em pé de braços cruzados. Sam está próxima de Carly, que parece exausta.

Phasmatos Ravenus Em animum — Wendy começa a dizer girando o pescoço como alguém com torcicolo — Phasmatos Ravenus Em animum. Phasmatos Ravenus Em animum — ela se engasga ficando sem ar, seus olhos ficam negros. — Te rogamus a retornat, spiritus ergo, brakita. Te rogamus a retornat, spiritus ergo, brakita!

O fogo das velas aumenta. Não sei o que está acontecendo, mas as folhas dos livros se mexem como se um vento tivesse invadido a casa. Carly se encolhe nos braços da Sam. Olho para o Dice que está se tornando um ser brilhante. Fecho os olhos por que a claridade me incomoda. Quando eu abro Dice sumiu. Wendy se ajoelha com sangue gotejando do nariz. Sam e Carly vão a seu socorro. O corpo do Dice se debate na tábua. Ele se levanta arfando como se estivesse sem ar. Ele cai no chão. Sam grita o puxando em seus braços. Ela chora incontrolavelmente, enquanto Carly e Dice também. Eu sinto as lágrimas escorrendo pelo meu rosto.

Griffin se joga sobre o meu corpo no chão e tenta me acordar.

— Tori! — ele me balança. — Você precisa voltar!

— Eu sinto muito — me desculpo mesmo sabendo que ele não pode me ouvir.

Relembro cada momento com ele. Nossa proximidade. O beijo que ele roubou de mim. A forma que me protegeu do Gibby. O jeito que se transformou para passear comigo. Ele era meu tudo.

— Eu te amo Tori — ele chora contra o meu cabelo.

— Por que não me disse isso quando eu estava viva? — Eu pergunto querendo chorar com ele.

Não importa se eu não vou voltar. O importante é que o Dice voltou. Eu só quero que levem o meu corpo para casa.

Povs Sam:

Wendy tosse no chão, enquanto eu abraço o Dice sem parar. Choramos uns contra os outros. Dice se solta de mim para fazer Wendy se sentar. Ela chora de felicidade e o abraça, mas se vira para o corpo da Tori nos braços do Griffin.

— Tori! — Ela chama. — Você precisa se concentrar, eu vou te trazer de volta!

— Você tem força para isso? — Eu pergunto.

— Tenho, mas os espíritos não vão permitir, eu terei que batalhar — Wendy pega um dos livros no chão. — Argo secta, pollis ardomaine, esctus brakita, orpi kurla regent frarc juan — ela se levanta pronunciando. — Pergaris bord kerp cartu bertades — um vento frio invade o casebre. As velas se apagam. A madeira range e Wendy permanece pronunciando as palavras. — Argo secta, pollis ardomaine, esctus brakita, orpi kurla regent frarc juan. Pergaris bord kerp cartu bertades! — Wendy tosse um bolo de sangue.

— Pare Wendy! Você vai acabar morrendo! — Carly grita, eu estou em choque.

Te rogamus a retornat, spiritus ergo, brakita! — Wendy grita fazendo meus tímpanos doerem.

Antes que ela caia, eu a pego nos braços. Tem sangue saindo até mesmo dos seus ouvidos. Ela está desmaiada, escuto seu coração bater, mas o de Tori não. Eu sento no chão com Wendy nas minhas coxas. Ela se esforçou muito, mas não conseguiu.

— Tori? — Freddie chama.

Eu olho para ele que observa a irmã sem vida nos braços de Griffin, que chora ruidosamente.

— Tori! — Carly chora balançando a Tori. — Acorda!

— Carly! — Griffin chama balançando a cabeça. — Ela morreu.

— Não! — Carly se nega a acreditar. — Não – ela encosta-se à parede e leva as mãos para o cabelo.

Dice abraça a si mesmo chorando.

Freddie caminha para perto da irmã. Ele se ajoelha. Retira Tori dos braços do Griffin e a coloca nos seus.

— Tori... — Ele sussurra e de repente seu olhar frio vai mudando para desesperado. — Tori! — Freddie grita. — Não! Tori! Tori! — Ele grita mais alto para o nada. — Você não podia partir... — Freddie abraça a irmã contra o peito. Não acredito... Ele ligou a humanidade. Agora todas as dores vão retornar de uma vez só, acrescentando a morte da irmã na lista. — Meu Deus! — Sua voz parece a de alguém que chora. — Tori... Volta pra mim... Minha irmã — ele chora contra o rosto dela e uma lágrima, o que é totalmente impossível, escorre do seu rosto. — Por favor...

Eu mantenho Wendy em meus braços. Ela se desperta aos poucos entre lágrimas.

— Des-des-desculpa Freddie — ela gagueja. — Desculpa Griffin. Eu não consegui trazê-la de volta.

Freddie apenas balança a cabeça ainda chorando. Ele parece perdido. Griffin se deita no chão sem querer acreditar em nada.

Passam-se mais de uma hora e ainda estamos chorando. Cada um com uma dor diferente, mas sabemos que a morte da Tori é o principal motivo. Freddie não deu uma palavra, apenas permaneceu com o corpo da irmã nos braços.

Uma presença entra no casebre e as velas se acendem novamente. Wendy se coloca de pé. Algo a fere na barriga, pois ela leva as mãos ao abdômen e sua blusa fica encharcada de sangue. É como se alguém tivesse enfiado uma faca ali, mas não tem nada, apenas o sangue. Ignoro a queimação na minha garganta e vou socorrê-la.

Tori de repente se acorda nos braços do irmão e grita desesperada.

— Tori! — Freddie quase a esmaga abraçando com força. — Me perdoa por tudo, me perdoa...

— Sam... — Ela chama primeiro a mim. — Hayes te mandou oi.

Um soluço de choro me escapa sem que eu me dê conta. Hayes está do outro lado... Ele se lembra de mim.

— Tori... — Freddie sussurra.

— Freddie, você voltou — ela chora como se o irmão tivesse feito uma viagem.

— Hey Tori... — Griffin engatinha para perto dela.

— Griffin! — Ela se desprende dos braços do Freddie e vai para os do Griffin. — Eu também te amo — Tori o beija em cheio nos lábios.

— Está tudo bem agora — Griffin a abraça com força.

— Não. Não está — eu sussurro segurando os braços da Wendy.

— Eu... — Wendy tenta pronunciar. — Eu fui marcada — ela levanta a blusa e mostra o profundo corte mostrando duas estrelas unidas em um círculo. — Não posso mais praticar magia até receber permissão no conselho das bruxas novamente — ela segura a barriga com dor. — Eu vou ficar bem, só me ajudem a queimar toda essa bagunça.

— Vai queimar a casa? — Eu pergunto com um pouco de pena.

— Não. Só as coisas que usamos — Wendy se abaixa soltando um gemido de dor, mas pega as folhas de alguns livros no chão. — Me ajudem.

Rapidamente começamos a recolher todas as provas que incitam que fizemos magia negra aqui. Jogamos tudo na lareira. Quebramos a tábua onde estava o Dice. Usamos a mesma pá que Wendy usou para retirar ele do túmulo, para cavar um buraco e jogar algumas coisas que não foram queimadas dentro.

Terminamos e nos sentamos na campina. Carly se aquece usando o Dice como aquecedor que ri baixinho. Wendy adormece nas flores, totalmente cansada após ter usado tanto poder. Tori conversa com Griffin e Freddie. Eu fico um pouco distante deles sentindo algo parecido com paz. Freddie aparece e coloca um casaco nos meus ombros mesmo que eu não precise. Ele se senta ao meu lado e me observa de soslaio.

— Eu te devo perdão pelas coisas que eu disse, pelas coisas que eu fiz. Eu apenas errei com você desde o dia em que te conheci, sei que não posso compensar sua perda — ele se refere à minha família. — Não tenho nada para te oferecer, apenas amor, mas duvido muito que vai querer algo comigo após tudo isso.

Eu permaneço em silêncio repetindo a cena após a batalha de Violet Hill na minha mente.

— Eu só quero que você fique em silêncio... — Eu peço encostando a cabeça no seu ombro frio. Ele não diz nada, apoia o queixo na minha cabeça e respira. — Eu te amo — sussurro depois de um tempo.

— Eu também te amo — ele passa o braço em minha volta.

— Eu perdoo você por tudo — olho em seu rosto. — Até mesmo pela morte do Dice.

— Eu não o matei — Freddie nega.

— Mas você disse...

— Eu fiz aquilo para te magoar, eu não pensei nada na hora — ele relembra o que fez.

— Ele falou a verdade, não foi ele que me matou — Dice comenta.

— Quem foi? — Pergunta Carly.

— A Tori — ele responde e eu olho para ela que não parece surpresa.

— Tori? — Griffin pergunta franzindo a testa.

Freddie engole em seco, ele sabe quem é e eu também sei.

— Não foi exatamente a Tori, mas alguém idêntica a ela — Dice explica.

— Duplicata? — Freddie fica paralisado.

— Sim. Uma Doppelgänger — responde Dice.

— Shelby Marx... — Eu sussurro.

— Como sabe? — Wendy pergunta se sentando.

— Porque fui eu que a transformei — respondo e ao longe um lobo uiva fortemente para a lua cheia.

Notas finais
Sinceramente? Foi um dos meus capítulos preferidos de escrever até agora (depois do 18 que ainda vai ser lançado) Vocês gostaram? Amaram? Comentem ai lindinhos! Parece que temos Dice de novo, Griffin e Tori formando casal (muita gente implorou mesmo por isso) Seddie retornou vivíssimo e uma nova personagem que vai lacrar com todo mundo... E agora, as perguntas de vcs respondidas aqui (peguei só algumas pois eram muitas, no próximo capítulo eu respondo o resto e seleciono novas, e eu editei algumas perguntas para que vcs entendam melhor, pois algumas nem eu entendi direito) Christian Luan pergunta: "Eu sei que a fic é Seddie mas teremos outros casais envolvendo Sam e Freddie? Sam esteve com o Gibby, então o Freddie também vai ter alguma coisa com a Carly ou com outra pessoa?" Resposta: Sim. A fanfic pode ser Seddie, mas algumas coisas irão acontecer futuramente e o Freddie vai passar por poucas e boas, digamos assim, realmente Carly vai ser uma opção para ele, eu já tinha mencionado no Whatsapp com a galera que 42 não vai ter apenas Seddie (apesar de ser o foco principal). Maria Fernanda pergunta: "O alfa é um vampiro ou um lobo?" Resposta: Nem eu mesma sei o que o alfa vai ser, apenas sei quem ele é... Thais Oliveira pergunta: "O Gibby vai se envolver com a Tori?" Resposta: Não. Tori e Griffin vão ficar juntos. Jennifer Mello pergunta: "Sam pode envelhecer como uma pessoa normal e ter filhos?" Resposta: Claro. Se ela parar de se transformar em lobo, ela voltaria a envelhecer normalmente, ela irá dizer isso no capítulo 18. Anah Souza pergunta: "A Sam e o Freddie mal conseguem se beijar, como o hot irá acontecer?" Resposta: Hum... Talvez o Freddie fique um pouco diferente e a Sam aprenda a se controlar, a fanfic tem muito chão pela frente, até lá eles vão achar um jeito. Eles sempre acham. Samara pergunta: "A Carly gosta do Freddie, ou ela só vê ele como amigo?" Resposta: No momento Carly não gosta dele e vice-versa. Wellington Alves pergunta: "Você usou a palavra Wesen no capítulo 8, você vai usar a série Grimm na história também?" Resposta: Sim, pretendo utilizar e explicar sobre isso. Kelvin pergunta: "Gibby vai se apaixonar por alguém além da Samantha?" Resposta: Ele terá imprinting por uma pessoa, é o que posso te responder. Mayara Borges pergunta: "Você faz um ótimo trabalho com 42 - A Colina Violeta e fez com Fix You, por que não escreve um livro de verdade?" Resposta: Não tenho tempo, mas eu estou escrevendo um livro bem interessante quando consigo ficar livre da rotina, quem sabe um dia eu termino ele e talvez mande para alguma editora... Vanessa Meirelles pergunta: "Terá algum casal LGBT na fanfic?" Resposta: Se vocês quiserem eu tento encaixar algum, sugestões? ;) Rebecca Alcântara pergunta: "Eu sei que você é evangélica, isso influência muito na hora de escrever?" Resposta: Não sei. Eu acredito em Deus acima de todas as coisas, então gosto de colocar na minhas histórias que os personagens acreditam tanto como eu, e que realmente existe céu e inferno. Fico contente em colocar um pouco da minha crença no decorrer da história sem afetar ou contexto ou intimidar os leitores. E é isso gente, espero que tenham gostado das respostas! Próximo capítulo eu coloco as outras, beijos! See you soon guys! Very soon...