42 - Violet Hill
10 Medo
Notas iniciais
Parte 10: Linha direta
Povs Sam:
Eu subo a mão pelo seu peito frio sentindo cada músculo. Freddie sobe e desce a mão pela minha perna. Eu sinto isso disparar na região sul do meu corpo. Ergo a pélvis para encontrar a sua. Ele ofega gostando da sensação e empurra de volta. Freddie me beija pressionando sua boxer branca na minha calcinha. Eu gemo contra a sua boca. Ficamos fazendo isso por um tempo. Ele interrompe nosso beijo quando faço um movimento circular com o quadril. Eu sinto o volume da sua boxer contra a minha intimidade... É duro e tão gostoso.
— Você sabe que eu não posso ir muito longe com você... — Ele encosta a testa na minha. — Tenho medo de te machucar, posso até mesmo te matar.
— Eu sei... — Acaricio suas bochechas. — Melhor eu dormir.
— Concordo — ele se deita e me coloca contra o peito dele.
— Posso te fazer uma pergunta engraçada?
Ele ri antes mesmo que eu pergunte.
— Pode.
— Se você cortar o cabelo... — Aliso seu peito, subo para sua leve barba e depois para seus cabelos macios desgrenhados. — Cresce de novo?
— Sim. Qualquer parte que possua queratina volta a crescer normalmente.
— Hum... — Beijo seus lábios.
— Agora eu tenho algumas perguntas para você.
— Faça — deixo minha cabeça onde deve estar seu coração.
— Não fique constrangida, eu só quero saber se você sente desejo por mim tanto quanto eu estou sentindo por você agora.
— Em outras palavras, "Sam, você está excitada?" — Tento imitar a voz do Freddie, ele acha divertido e ri.
— Não vai responder?
— Sim eu estou e muito, principalmente por que as sensações são muito maiores nos lobos do que nos vampiros, agora junta os dois por que é o que eu sou e veja no que dá.
— Imagino como deve ser para você Sam, por que eu estou quase subindo pelas paredes aqui — ele ri constrangido e eu acaricio o volume duro na cueca uma vez, o fazendo ofegar, então paro.
— Vai passar... — Meus olhos se fecham.
— Tenho mais perguntas.
— À vontade.
— O que mais gosta em mim?
— Da sua boca é claro, por que o que sai dela e o que você faz com ela são coisas incríveis. Através dela foi que eu ouvi você dizer que me amava.
Ele desliza os lábios nos meus, mas eu não abro os olhos.
— Gostei da resposta.
— Bom...
— Por que os garotos da alcateia são lobos com pelos curtos e você não?
Nessa eu tenho que ri.
— Porque meu cabelo é mais comprido e eu não vou cortar.
— E eu não quero que você corte.
— Mais alguma pergunta?
— Sim. É mais difícil para você do que pra mim, em não tentar me matar?
— É muito mais. Vocês vampiros tem mais controle sobre essa parte, mas nós lobos temos um lado animal muito mais forte.
— Fico feliz que lute contra esse lado.
— Ah sim...
Freddie desce a mão nas minhas costas. Eu me encolho contra ele. Meu coração me entrega.
— É bom escutar seu coração acelerar, significa que estou fazendo a coisa certa.
— Sorte sua que não tem um coração que o entregue.
— É uma pena... Quer dormir ou posso continuar as perguntas?
— Continue.
— Qual membro da sua matilha você mais gosta? — Ele solta uma risada estrondosa na minha orelha.
— Freddie! — mordo-o no peito com raiva, é como morder um pedaço de mármore.
— Ai!
— Você sabe que eu não posso escolher um. Amo todos da mesma forma.
— Sei — ele não se convence.
— Cada um tem uma qualidade única. Brad é compreensivo e busca a melhor solução para tudo — imagino o lobo marrom-claro correndo. — Jade é destemida e tem uma ótima habilidade em luta — relembro as lutas do lobo cinza-claro, quase branco. — Beck é calmo, o mais controlado da alcateia, o imprinting o fez ter uma paciência extrema para tudo — a memória do lobo louro-escuro dormindo de baixo de uma árvore me faz rir. — Griffin é o mais próximo de um segundo alfa que eu tenho, ele tem um forte espírito de liderança e com certeza seria um bom líder. — busco na memória o lobo chocolate coordenando os outros para o treinamento. — Spencer é o mais divertido, ele consegue alegrar todo mundo com seus pensamentos fantasiosos, ninguém fica triste ao lado dele, é bom demais tê-lo conosco — eu sorrio ao me lembrar do lobo cinza com pelos pretos, o segundo maior da matilha — Tenho tanto orgulho de todos eles.
— E o Dice? — Freddie pergunta subindo uma oitava na voz.
— Ele era o mais corajoso — recordo após o baile de máscaras o lobo cinza com manchas brancas, desengonçado ao lado da picape. — Ele tinha a mente mais pura do mundo. Era um presente de Deus em um mundo tão conturbado.
— Eu queria ter evitado...
— O vampiro que o matou ainda vai pagar por isso.
— Sim, ele vai — escuto os dentes do Freddie trincarem. — Está cansada? É melhor dormir.
— Eu vou — relaxo no seu peito esperando o sono chegar.
Freddie começa a cantarolar uma canção antiga para mim. Eu adormeço em menos de cinco minutos, quem diria que eu dormiria nos braços do Freddie, um dia? Dessa vez por vontade própria.
Alguém me balança para que eu me acorde. Deve ser o Freddie. Abro meus olhos devagar e a primeira visão que eu tenho são seus olhos castanhos curiosos.
— Temos que ir pra aula — ele me puxa pelos braços me fazendo se sentar.
— Eu queria dormir — murmuro. Quando acordo realmente vejo que estou descoberta e que a alça do meu sutiã desceu um pouco pelo meu braço.
— Ontem à noite eu não tive a oportunidade de te ver assim — ele aproxima a mão e arruma meu sutiã com cuidado para não me tocar.
— Agora está vendo.
Ele me olha. Deita sobre mim e me beija. Eu de início afundo as mãos no seu cabelo. Ele se vira de costas na cama me colocando por cima dele. Espalmo as mãos no seu peito enquanto o beijo ferozmente. Freddie me movimenta sobre sua boxer... Minha calcinha fica úmida. O prazer sobe pelo meu corpo. Estou levando as mãos para trás do meu sutiã quando garras de ferro se prendem nelas, em um piscar de olhos estou debaixo do Freddie na cama.
— O que acha que está fazendo? — Ele pergunta no meu ouvido tremendo.
— Eu pensei que...
— Não se precipite — Freddie sai de cima de mim e da cama, e pega a calça no chão. Eu olho para ele enquanto entra na calça jeans. Seu corpo é pálido, mas ele é perfeito dessa maneira. Freddie pega a camisa do chão e se veste com ela — Eu vou fazer seu café da manhã — ele anda para a porta enquanto afivela o cinto.
Mordo o travesseiro estourando os tecidos e o enchimento. Eu abafo um grito de raiva. Daria certo sim. Eu estava controlada, está ficando mais fácil e ele simplesmente me rejeitou. Vou bufando para o banheiro. Tomo um banho frio para abafar minha frustração e o tesão que causou.
Escolho um shorts jeans mais surrado e velho que eu tenho. Uma camisa listrada sem mangas e um tênis sujo. A roupa resume meu humor. Sinto-me mais parte da matilha do que nunca antes. Tem um novo lado animal que se despertou em mim e Freddie foi responsável por isso.
Desço as escadas fazendo barulho. Entro na cozinha e Freddie está fritando ovos e bacon no fogão. Agarro-o por trás e beijo seu rosto. Ele se vira e me dá um beijo na boca.
— Eu imaginei te encontrar um dia na minha cozinha fazendo isso após dormimos juntos — eu digo acariciando seu rosto.
— Vampiros não dormem — ele me solta e volta a mexer os ovos.
— Você sabe que eu não disse isso — permaneço atrás dele.
— Eu não podia transar com você, não daria certo.
— Você mesmo disse que era só a gente se esforçar.
— Sim. Antes de ver o que eu sinto por você e a forma que te desejo. Eu não quero te matar ou quebrar alguma parte sua. Não insista — ele pega a frigideira e leva para a mesa.
— A gente iria conseguir — me sinto brava.
— Talvez, mas enquanto continuarmos apenas no talvez, eu não vou arriscar e, aliás, eu nem sou namorado ainda — ele despeja ovos e bacon em um prato.
— Sério? Você não é o meu namorado?
— Não — ele coloca a frigideira dentro da pia. — Pensei que soubesse.
— É por causa do Gibby? — Eu pergunto, mas ele não responde. — Agora não vai mais falar comigo?
— Eu vou para casa — ele parece triste, lava as mãos e passa por mim saindo da cozinha.
— Freddie o que eu fiz de errado? — Corro e paro na frente dele.
— Eu que fiz, me apaixonei por você e sei que posso te perder para ele a qualquer momento, melhor eu nem acreditar que ainda podemos dar certos juntos — ele segura meu rosto e beija minha testa. — Nos vemos no colégio.
Fico parada na soleira da porta esperando ele se arrepender e voltar. Realmente vampiros sãos bipolares, mas entendo seu medo.
Ando até o meu armário que fica próximo ao da Carly e do lado do armário da Wendy. Abro o armário sentindo o cheiro do Freddie de novo. Tem um cartão em cima dos meus cadernos. Pego ansiosa para ler.
"Não sei por que guardou o outro cartão na gaveta, mas quero que mantenha esse aqui perto de você, o mantenha no seu coração." do pequeno cartão o colar com o lobo aparece. Eu deixo o cartão no armário e coloco o colar. Acaricio o lobo. É tanto um pedacinho do Dice como um pedacinho do Freddie em mim.
Wendy e Carly se aproximam rindo, me preparo para as perguntas.
— Como foi a noite? — Carly encosta-se ao armário ávida por informações.
— A gente apenas conversou e depois dormimos. Eu dormir né, o Freddie não — respondo com um risinho.
— Não estava pronta? — Wendy pergunta em um tom baixo.
— Ele não estava — fecho meu armário. — Não queria me machucar.
— Enquanto eu né... — Carly bufa.
Franzo os lábios para a Carly.
— Achei que você não tivesse se importado.
— Na verdade me importei, mas agora que você não vai matá-lo, posso dizer que estou brava com ele.
— Então aquele papo de não namorar com ele foi por causa do que ele fez com você?
— Sim — ela olha para as unhas.
— Mas ele pediu desculpas — relembro.
— Está defendendo ele? — Carly cruza os braços emburrada.
— Não, eu só...
— Sim você está — ela bate o pé. — Mas não te culpo, você o ama.
— Shhh — coloco os dedos nos seus lábios. — Não fala isso alto.
— Está bem — ela olha para o meu pescoço e Wendy também.
— O Freddie que te deu? — Wendy toca no lobo cinza.
— Sim. Um pedaço do Dice comigo — sorrio emocionada.
— Não importa o que ele faça, nunca acharemos defeito nele — Carly balança a cabeça rindo.
Lembro do ponto-chave.
— Alguém viu o Gibby?
— Ele não veio para a aula hoje, a mãe dele disse que ele está com mononucleose — Wendy me responde.
— Monu... O que?
— Mononucleose — Carly murmura.
— A mãe dele disse que ele estava com quarenta graus de febre, ele está ficando louco por que ela não quis levá-lo a um hospital — Wendy força a mente, ela deve estar analisando o futuro da mãe do Gibby.
— Por que ela ainda não o levou? — Dou um soco no armário.
— Ela sabe o que essa febre significa — Wendy bate na própria testa como se me chamasse de tapada.
— Ok... Depois da aula vou vê-lo. Ele vai precisar de ajuda na transformação.
— O que vai fazer? — Carly sorri de lado.
— Deixá-lo com raiva — solto um riso maligno.
— Interessante — Wendy se anima. — Vamos ao banheiro.
— Tá — concordo.
Andamos para o final do colégio. A porta do banheiro masculino fica ao lado da porta do banheiro feminino, então quando passamos em frente, o Freddie sai do banheiro e se choca contra mim. Eu me desequilibro, mas ele me pega antes que eu caia.
— Cuidado por onde anda — ele fala com grosseria e segura meus braços com força.
— E que diabos você estava fazendo no banheiro? — Me mexo tentando me soltar, mas estou presa.
— Arrumando meu cabelo — ele sorri e aproxima o rosto para me beijar na bochecha. — Fico feliz que esteja usando o colar.
— Fico feliz que já parou de agir como um idiota — finalmente me solto dele.
— Desculpa. Não queria te magoar eu só...
— Está tudo bem — lhe dou um selinho e Carly suspira junto com Wendy.
— Nos vemos depois da aula? — Ele segura minha cintura e eu me apoio nos seus braços.
Solto um muxoxo chateada.
— Eu queria muito, mas não dá.
— Ela soltou um muxoxo, ela nunca fez isso — Carly cochicha.
— Vou ter que cuidar do Gibby, ele vai entrar na alcateia hoje — continuo a resposta para o Freddie.
— Não importa o que aconteça, eu amo você — Freddie sussurra e me beija com carinho. Como sempre alguém aparece na pior hora, escuto os passos dos amigos deles se aproximando.
— Essa escola já foi boa um dia — André comenta com o Nevel provavelmente.
Agarro o Freddie com força e aprofundo o beijo o empurrando na parede. Separo suas pernas com o meu joelho e escuto o grito dos outros estudantes que não acreditam na cena, ninguém espera por isso. Freddie coloca as mãos nos bolsos de trás do meu shorts jeans. Ele tenta me beijar com o maior cuidado possível, eu mesma já não estou mais suportando e vou acabar me expondo para a escola inteira quando me transformar. Eu finalizo o beijo mordendo seu lábio de granito. Ele me solta e eu entro no banheiro lançando um último olhar para o cara que eu amo.
— ESSA FOI A CENA MAIS ÉPICA PRESENCIADA NESSA ESCOLA! — Carly grita estridente aproveitando que somente Wendy e eu estamos no banheiro.
— Você viu onde ele colocou a mão? — Wendy se olha no espelho enquanto arruma o cabelo. — Que garoto perfeito...
— Para gente, estão me constrangendo — fico um pouco corada.
Wendy me olha cínica.
— Você mesma que se constrangeu sozinha fazendo aquilo.
Deixo as duas fazerem piadinhas. Olho-me no espelho e levo os dedos aos lábios sentindo o gosto do Freddie. Está realmente ficando mais fácil. Não respirar é fundamental. Deixar a parte vampira dominar também. Agora sobre esse novo lado animal, não sei o que dizer.
No final da aula eu estava indo para a minha moto quando vi a Carly conversando com o Freddie em um lugar afastado do estacionamento. Eu quis ouvir, mas me controlei para não me arrepender depois do que eu poderia escutar. O que mais me deixou intrigada foi o jeito que ele olhava para ela, eu não entendo por que ele a olha assim, como se ela fosse a pessoa mais especial do mundo.
A cena a seguir é que me fez subir na moto e querer ir pra casa. Freddie a beijou no rosto e deu um abraço que retirou os pés dela do chão. Ela riu sem parar como uma garotinha feliz. Eu nunca imaginei que ciúmes fosse uma coisa tão horrível. E ciúmes provoca uma coisa pior ainda: a raiva.
Eu estou tão nervosa com a cena que eu presenciei que ao descer da moto eu a chuto com força e ela praticamente se desmonta ao bater na porta da garagem. Eu pulo para janela do meu quarto e recuo ao ver o Gibby sentado na minha cama com as mãos na cabeça.
— Como você fez isso? — Ele pergunta se levantando, uma grossa camada de suor se prende na sua testa.
— Ah... — A resposta não sai. — Não devia estar em casa?
— Sim, mas eu pulei pela janela.
— E eu acabei de entrar por uma — lhe dou um sorriso amarelo.
— Mas ao contrário da sua janela a minha não fica no segundo andar — sua pele começa a ficar vermelha.
— Gibby, eu...
— Chega de mentiras Sam. A única maldita coisa que você fez nesses últimos anos foram mentir para mim! Eu sabia que tinha algo desde o começo! Eu sempre soube! — Ele anda em minha direção com as mãos fechadas em punhos, seu corpo treme furiosamente e pretendo poupar meu quarto do estrago.
— Se acalma — levanto as mãos para jogar alguma coisa nele caso ele se aproxime muito.
— Não me manda se acalmar, eu só quero saber o que está acontecendo comigo! — A voz dele está bem mais grossa, por dentro da camisa dá para perceber os músculos surgindo e as veias saltando.
— Quer saber o que está acontecendo? — Eu me aproximo da janela, fico em pé agachada nela e olho para o Gibby. — Então me siga — eu me jogo de costas no chão. Terei apenas três segundos para me virar, cair com as mãos para pegar impulso e ficar em pé. Faço isso com agilidade e já estou ereta na grama.
Gibby surge na janela assustado pela minha queda.
— Você está bem?
— Nunca estive melhor, agora pule.
— O QUE?! — Ele olha para o chão medindo a distância.
— Confie em mim, apenas pule e flexione os joelhos.
Ele balança a cabeça sem acreditar, mas passa uma perna pela janela, Gibby está passando a outra quando se desequilibra e cai de cabeça provavelmente, mas ele retoma a postura e cai como um gato no chão. Ele se levanta com a boca aberta.
— Como eu fiz isso? — Ele fita a janela e depois o chão.
— É o que você vai descobrir — lhe dou um sorriso e corro para a floresta do outro lado da rua.
Gibby me segue com passadas rápidas. Eu adentro nos arbustos parando de correr e escolho um lugar mais afastado da rua. Quando sei que estou o mais longe que posso antes de chegar a uma avenida, eu encaro o Gibby que espera eu dizer alguma coisa.
— Devo fazer algo? — Ele se balança para frente e para trás inquieto.
— Pense em algo que te deixe com raiva, mas com muita raiva mesmo — banco a tutora.
— Por exemplo, você mentindo para mim durante nossa amizade inteira?
Coro envergonhada com isso.
— É um bom motivo para ter raiva.
— Eu não consigo sentir raiva, apenas me sinto magoado.
— Então pense em algo que te enfureça — vou até ele e empurro seu peito, ele treme trincando os dentes. — Anda Gibson, fica com raiva.
— Você está me deixando chateado, isso sim — ele fita meu rosto e sei que me ama demais para se chatear comigo.
Exatamente! Meu cérebro me dá uma ideia. Gibby não fica com raiva tão facilmente, mas uma emoção parecida com a raiva pode ajudar. Oh sim, o ciúme.
— Semana passada eu matei aula com o Freddie, eu menti. Sexta nos beijamos por que eu estou apaixonada por ele e dormimos juntos ontem à noite — disparo de uma vez.
Gibby arregala os olhos. Vejo algo como uma faísca cintilar na sua íris. Ele abre a boca para respirar. Seu corpo tem espasmos involuntários.
— Você o ama? — Ele pergunta sussurrando.
— Sim. E ele é bem melhor do que você — essa foi forte, mas ele tem que se transformar agora.
— Não — ele se aproxima mais de mim. — Você não me deu a chance de ter provar que eu posso ser melhor... Isso não vai ficar assim — a fumaça sobe pelos seus ombros. — Eu vou... Eu vou matar o Benson! — socorro!
Eu só tenho tempo de andar para trás quando ele rasga as roupas furiosamente se transformando. Merda! Não era o que eu esperava. Estava longe disso. O que tem na minha frente é um lobo enorme, talvez até maior que eu. Seus pelos são castanhos avermelhados e ele rosna para mim cravando as garras na terra.
Ele solta um ganido se assustando e começa a rodar em círculos como se sentisse dor.
— Calma! Gibby! Calma amigo! — Faço sinal para ele. — Você é um lobo agora, eu vou te ajudar com isso, eu também sou. Brad, Jade, Beck, Griffin e Spencer também são. Dice também era e foi por isso que ele morreu — Gibby dá várias mordidas no ar com a última coisa que eu falo. — Se você não se acalmar eu não vou poder te ajudar — ele fica parado apenas me olhando com seu focinho abaixado, parece até dócil. — Preciso que você fique aqui — ele balança a cabeça concordando. Eu vou para trás de algumas árvores rapidamente e retiro as roupas, me transformo em um timing perfeito e retorno para perto do Gibby, sua mente está um caos.
Sam, você pode me ouvir? Ele pergunta ainda confuso com tudo e recua assustado comigo.
Posso, relaxa garoto, me aproximo devagarinho.
Estou me vendo através dos seus olhos, ele mexe as orelhas.
O que você disse? Estou mais confusa que ele.
Eu estou... Ele se senta nas patas traseiras, não leva muito tempo para eu entender o que está acontecendo.
Argh Gibby! Saia da minha cabeça! NÃO! Eu rosno com raiva.
Eu não sei como controlar isso, não é minha culpa! Ele se encolhe.
Gibby acaba de ter uma linha direta com meus pensamentos, então tudo que vivi ele está vendo agora, o que deveria ser impossível. Todos os meus sentimentos, todos os meus pensamentos, todas as minhas tristezas, tudo agora também pertence ao Gibby, assim como vão pertencer aos outros assim que se transformarem.
Cornelius analisa os meus sentimentos por ele e os meus sentimentos pelo Freddie, ele tenta comparar os dois, mas não consegue. Ele vê que Freddie e eu ainda não fizemos sexo e isso o deixa mais aliviado. Ele fica em pé e ricocheteia a calda no ar descobrindo tudo de uma só vez. Sobre as bruxas, vampiros, lobos, caçadores, batalhas, tudo junto em um único pacote. Ele descobre a verdade sobre Trina e os outros.
O loba rosna ao ler na minha mente os momentos em que eu passei com o Freddie. Ele para na minha frente e eu sinto minhas patas arriarem, como se eu estivesse na frente de um alfa. Eu também leio os pensamentos dele, vejo que está intrigado por beijar a Tori e ter gostado disso.
Agora você sabe de tudo, falo para ele sem entender como Gibby conseguiu ler meus pensamentos, como ele conseguiu passar pela minha parte vampira?
Eu não sei como, ele responde meu pensamento e eu sei que vou ter que me acostumar com isso.
Esse é o mundo em que nós vivemos, a escolha é sua se quer fazer parte dele ou não, forço minhas patas a permanecerem em pé.
Por que eu sinto algo no meu peito? Ele anda em círculos em volta de mim.
Você tem o poder de um alfa por que Hayes é seu ancestral, a alcateia pertence a você e não a mim, de imediato sinto a dor e o peso em minhas palavras.
E essa história do imprinting, por que não aconteceu entre nós ainda?
Por que eu sou metade vampira, eu não poderia ter imprinting, e você só terá por mim quando voltar a ser humano, só vale após a primeira transformação, sento colocando a língua para fora.
Quando irá contar toda a verdade para os outros?
Não sei.
Se você soubesse que foi o Freddie que matou o Dice, você ainda continuaria a amá-lo? Gibby para de andar em círculos e se aproxima bastante de mim.
Eu não preciso responder para ele captar a resposta em meus pensamentos, ele sabe que não. Freddie pode ter me transformado, fugido na metade da batalha de Violet Hill, me irritado durante anos, machucado o corpo da Carly, mentido para mim diversas vezes, que eu o perdoo, mas se eu descobrir que ele matou o Dice, nem mesmo o meu amor por ele vai me empatar de matá-lo.
Gibby vibra com meus pensamentos.
Se quiser eu não me transformo, assim o bando não saberá da verdade, Gibby ainda busca uma solução que me ajude, ele realmente me ama, Sim Sam, eu amo você.
Eles merecem saber, eu saio de perto dele e começo a trotar para onde estão as minhas roupas, estou tão distraída que fico humana na frente do Gibby, ele se vira exatamente na hora para não olhar, mas vejo sua cabeça pender um pouco para o lado. Me visto rapidamente.
— Me siga até a casa e procure não chamar a atenção, os vizinhos estão no trabalho nesse horário, então a rua está deserta — aviso ao Gibby e me aproximo do lobo gigante, ele é belo demais, acaricio sua cabeça e ele se curva um pouco para encostar o focinho na minha barriga, eu praticamente o abraço e inalo o cheiro maravilhoso dele. — Vem garoto.
Ele me segue tentando não fazer barulho. Eu corro para a minha casa e ele quase me ultrapassa. Eu dou um salto para a janela e faço um sinal com a mão para ele ir à parte de trás da casa. Entro no meu quarto e procuro roupas que sirvam nele. Encontro somente um shorts jeans perfeito para seus quadris. Deve ser do Brad. Wendy vai reclamar depois, mas não ligo.
Eu vou para o corredor e pulo pela janela do outro quarto. Gibby já está em forma humana sentado nos degraus da varanda, ele não liga se eu o vê sem roupa. Achei que eu teria que auxiliar ele para voltar a ser humano, mas o garoto foi rápido. Olho para seu corpo suado perdendo o fio da meada. Gibby ficou muito gostoso... Porra! Ele não está gordinho. Ele ganhou muito músculo e eles se mexem enquanto respira. O pior é saber que ele vai ler dezenas de coisas inapropriadas relacionadas a sexo na minha mente depois. Eu jogo o shorts para ele. Desvio o olhar do seu corpo nu, mas já o vi suficiente para me fazer roer as unhas de nervosismo.
— Então somos lobos? — Ele pergunta ainda meio receoso por saber tudo da minha vida em menos de dez minutos.
— Na última vez que chequei sim — arrisco uma olhada rápida, mas ele já está se sentando ao meu lado com o shorts.
— Eu só não entendi direito por que leio seus pensamentos...
— Você possui um poder muito grande, algo que eu nunca vi, por um momento pensei que fosse o alfa da profecia, mas ainda falta alguma coisa — olho o quintal viajando nos meus pensamentos.
— O imprinting — Gibby fala e eu olho para ele.
— Não aconteceu — isso me causa dor. Ele não é meu... Nunca foi.
— Pelo visto não — ele suspira, mas a história do imprinting não o empata de colocar o braço sobre meus ombros, o amor dele continua o mesmo.
— Mas vai acontecer com alguém um dia, você viu através dos meus olhos Beck e Jade, Brad e Wendy... Não tem escapatória.
— Eu vi — ele sussurra e roça os lábios na minha orelha em seguida no meu rosto, acho que o fato dele estar vestindo apenas um shorts é o que me faz suspirar. — Sam... — ele vira o meu rosto segurando o meu queixo e me beija, por que agora sabe que o correspondo.
Eu mantenho meus olhos abertos apenas sentindo a diferença da textura dos lábios deliciosos dele e dos lábios do Freddie. Gibby é quente. Seus lábios são como brasas. Ele está me agarrando contra ele e seu corpo em chamas se encosta ao meu. Eu empurro seu peito com a mão, mas ele acha que estou apreciando o beijo e começa a me deitar no chão da varanda. Eu desfaço o beijo sem a intenção de magoá-lo.
— Gibby, você leu meus pensamentos, viu a promessa que eu fiz ao Freddie — saio de baixo dele e me coloco de pé.
— Eu tenho uma ideia melhor para você — Gibby fica sentado me olhando. — Eu vi exatamente o que você sente por mim, então eu te proponho o seguinte, namora comigo até eu ter imprinting por alguém. O Freddie pode ficar com a Carly enquanto isso, ele não iria se importar. O cara não envelhece, ou seja, poderia levar dez anos para eu ter imprinting e ele ainda estaria lá esperando por você — ele se levanta e eu tenho que erguer a cabeça para olhar no seu rosto. — Eu te amo. Não quero perder você para ele.
Ideia tentadora, mas eu tenho que recusar.
— Não posso fazer isso.
— Então prefere me ver magoado? Serei obrigado a olhar vocês dois juntos?
Eu não vou conseguir fazer isso. Não conseguirei namorar o Freddie sabendo que o Gibby estaria sofrendo. Sabendo que ele leria tudo isso nos meus pensamentos depois. Cada toque. Cada beijo. Cada suspiro. Tudo na cabeça do Gibby. Ele não merece passar por essas coisas.
— Eu também não vou ficar com o Freddie. Eu prefiro ver vocês dois sofrendo por não poder me ter, do que apenas um se sentir dessa forma — eu anuncio para ele.
Gibby trinca os dentes. Anda em minha direção e esbarra o ombro no meu. Ele caminha para a parte da frente da casa.
— Eu vou pra casa, não tenho nada aqui pelo visto, prometo não me irritar e me transformar no meu quarto — ele resmunga.
Eu tomo a decisão antes que me dê conta do que ela vai significar, mas não posso deixar para depois. Corro para o Gibby e o puxo para um beijo. Ele geme extasiado contra a minha boca. Mas eu recuo vendo que isso não vai dar certo, mas Gibby não quer as coisas assim. Com um movimento selvagem, ele traz sua boca de volta para a minha, os dedos dele se agarram freneticamente à pele da minha cintura. Eu o beijo ferozmente de uma forma estranha — por que eu não preciso tomar cuidado com ele e muito menos ele que não precisa se controlar comigo.
Eu o trago para próximo de mim. Fogo contra fogo. Tudo sobe a minha volta. Pura paixão envolvida vinda da parte dele, por que da minha é amor, mas não chega nem perto da forma que eu amo o Freddie. Esse beijo não foi para mostrar ao Gibby meus sentimentos, esse beijo é para eu passar todo o meu poder de alfa para ele.
Gibby acha que estou devolvendo o beijo por que nossos sentimentos são os mesmos. O beijo se desfaz com ele puxando meus lábios com os seus devagar. Ele não me solta, então terei que contar a verdade ainda em seus braços.
— Gibby, eu tive que fazer isso — eu sussurro com medo.
Ele está tão maravilhado, que tem que parar e pensar no que o beijo significou. Ele está sentindo o poder do alfa em suas veias.
— Sam, o que você fez? — Ele retira a mãos da minha cintura, sabendo que corre o risco de se transformar próximo de mim.
— A matilha será sua assim que eu os libertar, não posso mais continuar sendo a líder deles após saberem da verdade.
— Você me passou o poder assim como Hayes fez com você? — Ele tem dor na voz.
— Eu sinto muito.
Ele rosna tremendo e começa a se afastar.
— Então aproveite o tempo que tem com o Freddie, por que se você ficar sendo submissa às minhas ordens, a primeira lei que irei decretar é que qualquer contato com os vampiros será considerado traição. A punição será a morte. E ao contrário do que você fez e ficou impune, eu não deixarei ninguém se safar — ele declara.
Gibby se vira e corre para sair da minha vista. Eu sei que ele não blefou.
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