42 - Violet Hill

14 Jogue suas tranças


Notas iniciais
Boa noite humaninhos! Uma linda quarta-feira né non? Vamos lá que hoje o capítulo está muito interessante e vai revoltar muita gente... E etc... Boa leitura! P.S: Amo vocês!

Parte 14: Guerra Fria

Povs Sam:

— Quando você a transformou? — Tori pergunta para mim.

— Faz muito tempo — forço a memória. — Foi em 1883 eu acho, um pouco antes dela e do Freddie ficarem juntos.

— Espera, você namorou com ela? Uma cópia exata da sua irmã? – Griffin pergunta ao Freddie, acho que ele vai vomitar.

— Eu não fazia ideia que Shelby era uma espécie de duplicata na época, acredite, eu fiquei bem surpreso quando a Tori cresceu — Freddie responde.

— É muita loucura para um dia só — Carly se levanta com a ajuda do Dice.

— Melhor eu levar o Dice para casa, devo uma boa explicação para a mãe dele, ela vai ficar... Surpresa – murmura Griffin.

— Passa amanhã para me buscar na hora da escola? — Tori pergunta ao Griffin.

— Claro — ele a beija rapidamente. — Fique viva.

— Planejo — ela sorri lindamente.

— Dice, peça desculpas a sua mãe por mim, Griffin vai explicar algumas coisas para você, ok? — Eu digo ao Dice e o abraço. — Eu senti sua falta.

— Eu também senti Sam... Ficar preso lá foi horrível — ele treme assustado, ainda está com as mesmas roupas de quando foi enterrado.

— Você nunca mais vai retornar para lá, eu não vou deixar — encaro seus olhos. — Vá para casa.

— Sim senhora — ele me abraça de novo.

Griffin se despede de nós e se transforma com o Dice. Os dois lobos partem para dentro da floresta e somem, mas não antes de uivarem para a lua, provavelmente o uivo de antes deve ter sido do Brad, ele deve ter sentido a perda da Wendy por alguns minutos.

— Melhor nós irmos — Wendy comenta com a Carly.

— A gente leva vocês até o carro — eu digo.

— Não precisa, vamos andando e a Carly e eu precisamos conversar — Wendy diz, ela faz um sinal com a mão mostrando que tem mais algum problema não resolvido entre elas.

— Claro, claro — entendo imediatamente. — Até amanhã — abraço a Wendy com força. — Obrigada por hoje, mas nunca esconda coisas de mim, não quero perder você também.

— E não vai me perder — ela me cheira e me solta.

— Fiquei sabendo que o Gibby mudou de escola, sabe me dizer o porquê? – Pergunta Carly me abraçando.

— Ele não arrisca ficar perto dos amigos, o temperamento dele está muito instável, dê um tempo a ele — respondo durante o abraço. — Você é outra que se mete em problemas, chega de loucuras, seja humana, por favor.

— Eu vou ser — ela ri baixinho me soltando. — Até amanhã.

— Espero que sim.

— Xau Freddie, fico feliz que esteja... — Carly leva a mão à cintura, ela nunca vai esquecer. — Esquece. Xau Tori, você nos deu um baita susto hoje — ela abraça a amiga com carinho. Freddie está logo atrás de Tori e vejo Carly cogitar em mostrar o dedo do meio para ele. Acho inacreditável que ela é do tipo que guarda rancor.

— Eu sei, mas missão cumprida — Tori rompe o abraço. — Se cuida e mande um beijo pro Spencer.

— Pode deixar — Carly pisca para ela.

Wendy se despede de Tori rapidamente e parte com Carly. Quando não as vemos e nem as ouvimos mais, Freddie morde o lábio me olhando.

— Você nos deu trabalho — eu reclamo.

— Eu sei — ele ficaria vermelho se pudesse.

— Hoje foi um longo dia que eu realmente quero esquecer, preciso ir pra casa dormir — eu murmuro já caminhando nas flores.

— Espera, não vai ter nenhum beijinho de despedida entre vocês? — Pergunta Tori.

— Não — Freddie responde sério.

— Ah, Tori? — me viro antes de ir. — Quando for se transformar pela primeira vez, que seja perto do Freddie, ele merece umas mordidas por algumas coisas que disse.

— Com certeza — ela solta uma risada. — Agora eu devo te chamar de mamãe?

— Não. Apenas Sam está bom — eu ri e comecei a correr.

Entro pela janela como de costume. Retiro os tênis. Mantenho as roupas no corpo e me coloco nas cobertas. Eu choro baixinho de felicidade e medo por ter o Dice de volta. Adormeço devagar sorrindo ao saber que o Freddie é ele mesmo novamente.

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Eu sinto algo me apertar. Agora está beijando meu pescoço. Eu me viro para encontrar seus lábios. Ele desliza as mãos pela minha cintura, pela minha coxa, pelo meu rosto. Beijo ele com raiva pelas coisas que disse e fez. Beijo ele com amor por saber que mesmo em outra vida eu escolheria amá-lo. Tremo nos seus braços sendo envolvida pelo seu cheiro. Eu mordo seu lábio e ele sobe em cima de mim me prendendo.

— Não preciso perguntar, sei que estamos namorando — ele ri contra minha bochecha.

— Sim, nós estamos — eu puxo seu cabelo.

— Eu fiz tanta coisa...

— Não era você.

— Mesmo assim, eu me arrependo e agradeço por tentar me ajudar — seus lábios se mexem próximo à minha boca. — Ainda não entendo por que está me escolhendo.

— Eu já te disse, eu te amo — beijo ele com carinho. — Não há nada no mundo que eu queria mais do que você agora.

Ele se embala em mim juntando nossos lábios. Seu beijo é urgente. Paro entre alguns beijos para respirar. Ele ri por que é engraçado o fato de eu precisar de oxigênio. Freddie se lembra de que é difícil para mim me controlar e quando a fumaça nos envolve, ele se deita atrás de mim e me abraça contra ele.

— Durma, estarei aqui quando acordar.

— Promete?

Ele me beija de novo e dessa vez arrisca morder meu lábio como eu faço com ele às vezes.

— Sim — ele sussurra. — Eu prometo, agora durma antes que eu queira tirar a sua roupa.

Viro-me contra seu peito e olho em seus olhos.

— Eu acho que vou ficar acordada.

— Não — ele praticamente ordena. — Durma. Vamos caçar juntos amanhã, se estivermos controlados o bastante, nós podemos tentar...

— Jura? — me surpreendo.

— Juro — Freddie dá a palavra dele.

Eu mordo o lábio pensando em perguntar uma coisa séria.

— Você matou alguém enquanto estava com a humanidade desligada?

Ele para de respirar.

— Sim.

— Quem?

— Um cara que estava tentando assaltar uma mulher.

— Então você matou alguém ruim.

— Antes fosse se eu não tivesse tentando matar a mulher também — ele se encolhe em mim relembrando.

— Você a matou? — Eu pergunto com medo da resposta.

— Não, mas cheguei perto... Acho que eu fugi.

— Matou outras pessoas?

— Não — ele volta a passar os lábios no meu pescoço, sei que é uma distração. — Eu escutei sua mensagem.

— Sério?

— Sim e eu gostaria que esclarecesse uma coisa.

Deixo minhas mãos nos ombros dele.

— O que quer que eu esclareça?

— O que você quis dizer com "este não é o meu quarto"?

Vacilo e fico vermelha.

— Eu estava no quarto do Gibby.

— O que foi fazer lá?

— Eu... — Escondo meu rosto em seu peito. — Eu pretendia dormir com ele.

— Só dormir?

— Você sabe que não é só isso.

— E fez algo com ele?

— Não e agradeça a ele por isso, ele me rejeitou e disse que eu estava desesperada demais.

— Vou lembrar-me de agradecer depois — a voz dele fica fria.

— Desculpa por isso.

— Não precisa se desculpar. Você tinha necessidades.

— Sexo não foi uma necessidade, foi desespero.

Freddie está sorrindo contra o meu cabelo.

— Espero curar seu desespero amanhã.

— Eu também.

Pego no sono em instantes.

Abro os olhos sentindo a cama vazia. Droga! Eu devia saber que ele não estaria aqui! Me viro e a porta do banheiro se abre. Freddie sai dela com os cabelos pingando e com uma toalha na cintura... Que visão perfeita. Ele sobe na cama e me beija.

— Bom dia — ele diz alegre.

— Bom dia — sorrio contente. — Qual é o planejamento para hoje?

— Agora você vai se arrumar na velocidade da luz por que temos que ir à aula e assumir nosso namoro — ele ri.

— Oh, céus, eu tinha esquecido... — Me jogo em cima dele, a toalha se abre um pouco.

— Se esquecido?

Eu acaricio seu peito.

— Você me faz esquecer as coisas.

— Não é intencional — ele se inclina para me beijar. Eu o beijo e saio de cima dele. — Vai tomar banho?

— Sim — respondo indo para minhas gavetas pegar algumas roupas.

— Eu vou me trocar — ele se levanta e retira a toalha do corpo, eu fico parada em choque. — Você já me viu sem roupa antes — ele sorri caminhando nu até onde deixou as roupas.

— Não vi muita coisa e agora isso não vai sair da minha mente pelo resto do dia.

Eu pego minhas roupas e corro para o banheiro.

Chego à cozinha e Freddie está colocando um sanduíche em um saco de papel. Ele me joga o saco. Eu pego no ar.

— Vamos? — Ele pergunta vestindo uma camisa de botões roxa e jeans claro.

— Fazer o que né — reviro os olhos por que eu detesto estudar. Antes de sairmos eu tento ligar para o Gibby, assim como tentei diversas vezes durante essa semana. Ele não atende.

Eu tranco a casa. Freddie aperta um botão que parece ser de um controle de carro. Um veículo na porta da garagem apita.

— Bonito né? — Ele se refere ao carro.

— Esse não é o seu Audi A5... — Olho para o carro que também é um Audi.

— Não, esse é um Audi A6, eu deixei o A5 para Trina como forma de desculpas — ele abre a porta para mim.

Eu entro no carro, em instantes ele está dentro do veículo comigo ligando o Audi.

— Tinha que ser um A6? — O luxo do veículo me perturba.

— Se quiser eu troco de carro, gosta de Ferrari? — Ele já está dirigindo pela rua.

— Eu prefiro motos, mas se for para falar de carros gosto de picapes...

— Você não precisa de muito para ser feliz né?

— Não — nego veemente. — Se você ama tudo o que tem, então tem tudo o que precisa.

— É a filosofia que você usa?

— Sim, você não?

Ele balança a cabeça.

— Não fui ensinado assim.

Freddie não estaciona o carro no lugar de costume, ele deixa o veículo do outro lado da rua e abre a porta para mim.

— A gente já se beijou na frente de todo mundo, o que ainda resta para assumir? — Eu pergunto.

Ele fecha a porta do carro e pega a minha mão.

— Para nossos amigos... — Ele atravessa a rua comigo.

— Vamos ser taxados como traidores...

— Acha que eu me importo? — Ele solta a minha mão e passa o braço sobre o meu ombro.

Andamos pelo estacionamento. Os estudantes fingem não estar olhando, mas percebo que observam de rabo de olho. Brad está rindo estridente com Wendy, ambos estão sentados na grama próximo da picape. Griffin gira Tori como se estivessem dançando. Beck conversa com a Carly que está em cima da picape, ele segura um espelho para Jade enquanto ela retoca o batom preto.

Eu caminho receosa com o Freddie ao meu lado até eles. Freddie beija meu rosto e todo mundo para o que estava fazendo para me olhar.

— Bom dia, caras — eu cumprimento e Freddie desliza o braço pela minha cintura.

Jade retira o espelho da mão do Beck. Ela olha para o Freddie.

— Então parece que voltou a ser você mesmo.

— Pelo visto sim... — Freddie limpa a garganta. — Desculpas se eu falei muita...

— Merda — Beck completa.

— É... Perdão pelo meu estado e agradeço por tentarem me ajudar — Freddie é sincero, mas algo o irrita, ele fita a Carls. — Carly, eu sinto muito, ok? O que eu posso fazer? Você nunca vai me perdoar? — Freddie se aproxima da picape.

Carly morde o lábio fitando o rosto dele.

— Eu quero te perdoar Freddie, mas acho que eu só conseguiria isso, se eu conseguisse esquecer.

— Foi um acidente — Freddie tenta explicar.

— Então! — Tori bate palma salvando nosso dia. — Vocês estão realmente iniciando um relacionamento?

— Sim — eu respondo.

— Casal do ano — Wendy murmura sentada na grama.

Eu dou risada com ela.

— Tori? — lembro-me de algo importante. — Está calma...

— Eu sempre estou calma — ela acha estranho e uma gota de suor se forma na sua testa.

Eu vejo um leve tremor em volta dela.

— Tem certeza que deveria ter vindo à aula hoje?

— Qual é o problema?! — Ela dispara de forma rude. Ela nunca falou assim comigo.

— Tori, calma, ela só fez uma pergunta — Beck me defende.

— É, se acalma ai garota — Jade reclama.

— Acho que todos estão a par dos acontecimentos, então sabem por que ela está agindo assim — Freddie vem todo defensor da irmã pra cima de nós.

— Olha, não é por que você está namorando a Sam, que pode dar pitaco — Griffin se mete na conversa.

Pitaco? — Carly pergunta rindo e quebrando o clima de briga. Sua risada é fofa. Freddie omite um sorriso, mas vejo ele olhar rapidamente para Carly. Deu por hoje.

— Acho melhor a gente ir, nos vemos na sala — eu praticamente arrasto o Freddie.

— O que foi? — Ele pergunta quando já estamos dentro da escola.

— Essa forma... Essa maldita forma que você olha para a Carly, isso incomoda muito — eu digo andando para o meu armário.

— Te acalmaria se eu te dissesse que não entendo por que olho para ela dessa maneira? — Ele pergunta me encostando no armário.

— Acho que sim — seguro seus ombros.

— Não se mexa... — Ele diz baixinho.

Não sei quando o beijo começou. Estou segurando seus braços para afastá-lo. Ele continua me beijando sem qualquer motivo. Abro os olhos e ele rompe o beijo me encarando. Nossos olhares se encontram. Sinto um fogo circular por mim. Algo forte. Uma sensação de necessidade. Eu sinto como se eu fosse dele e apenas dele. Não entendo o que estou sentindo. Freddie passa os dedos nos lábios, ele vê um pouco de sangue e se assusta.

— Você me mordeu sem querer, está tudo bem — eu digo. Pego o celular do meu bolso para usar a tela de espelho. Meus lábios não estão cortados. Provavelmente se cicatrizou rápido, mas eu não me lembro de ter sentido dor quando ele me mordeu... Estranho.

— Desculpa... — Ele parece muito confuso, mas volta a se animar. — Eu sinto muito amor.

— Já devia ter se acostumado — abro o meu armário para pegar minha mochila vermelha.

— Estou me referindo ao Gibby ter mudado de colégio... Sei que ele significa algo para você.

Escutar o seu nome me causa um sentimento de raiva.

— Ele não quer falar comigo, tentei ligar várias vezes... Em breve teremos reunião do conselho no Monte Hood em Portland, Gibby vai ser nomeado alfa e eu terei que viver a minha vida daqui para frente sem uma alcateia para cuidar — eu fecho a porta do armário com tanta força que ela se amassa.

— Mas eles são seus por direito, não podem fazer isso com você.

— É a lei da tribo, não posso fazer nada — dói saber que perderei meus meninos.

— Tem algo que eu possa fazer?

— Não — seguro sua mão. — Isso está além de você.

— Não quero te ver sofrer.

Dou um sorriso forçado.

— Eu já sou perita neste assunto.

Freddie fica em silêncio. O sinal toca. Ele anda ao meu lado para nossa primeira aula. Chegamos à sala e nos sentamos no fundo. Eu vejo nossos amigos entrando aos poucos. Carly olha em volta não querendo se sentar ao lado do Brad, que está conversando com a Wendy. Eu dou aceno para ela indicando a cadeira na minha frente. Ela solta um suspiro de alívio. Ela vem andando animadamente e se senta na cadeira. Eu fico virada de frente para ela.

— Pretende fazer algo com o Freddie hoje, ou podemos tirar à tarde para nós? — Ela pergunta. Eu relembro dos meus planos com o Freddie, mas não deixarei uma amizade de lado, Freddie pode esperar um pouco.

— Podemos fazer alguma coisa — eu fico empolgada.

— Então eu passo na sua casa depois das cinco da tarde, tenho que ir ao mercado com o Spencer.

— Estarei te esperando — pego sua mão. Ela olha por cima do meu ombro e fica totalmente vermelha. O Freddie e ela com esses olhares já estão passando dos limites.

Quando olho para o lado todos os meus amigos — os outros estudantes apenas ignoram — estão de boca aberta tentando disfarçar alguma coisa que presenciaram entre a Carly e o Freddie. Eu me viro na cadeira e olho para o rosto do meu namorado. Freddie permanece fitando a Carly como se visse alguma coisa, Wendy observa do outro lado sala ficando sem ar como se tivesse uma visão. Ela rabisca alguma coisa em um papel quando se acalma. Nevel lê o pensamento dela e está abismado. Eu levanto da cadeira. Estalo os dedos na frente do Freddie que se levanta.

— Eu preciso ir — ele me beija brevemente. Vejo ele passar ao lado da mesa da Wendy, o papel que estava ali sumiu.

— Fique aqui — eu ordeno para a Carly que está perdida no assunto.

Nevel abaixa a cabeça com medo de me olhar como se a verdade do que leu nos pensamentos da Wendy, estivesse estampada em sua testa. Ele passa a mão nos cabelos loiros se preocupando.

Eu corro para o corredor. Olho de um lado para o outro sem saber por onde o Freddie foi. O cheiro dele está perdido no meio de alguns estudantes que correm para as aulas antes que se atrasem. Eu ando rapidamente na direção que o cheiro fica mais forte. Não consigo saber exatamente para onde ele foi. Passo em frente à secretaria quando a porta se abre. Gibby surge e eu dou um passo para frente. Meu coração dispara. Não entendo o que ainda temos um com o outro.

— Não devia estar na aula? — Ele pergunta calmamente.

— O que faz aqui? — Mudo de assunto.

— Minha mãe teve que vir pegar alguns papéis que faltaram... Você está bem? — Ele se aproxima.

— Estou ótima — assumo uma postura rígida. — Como vai seu plano de me ignorar?

— Te ignorar? — Ele passa a mão no queixo, me pergunto desde quando ele se tornou tão bonito.

— Sim. Eu te liguei várias vezes, você não atendeu.

— Eu não sabia onde estava meu telefone, ele tinha sumido. Deixei no silencioso enquanto carrega.

— Quando você achou?

— Quando a Tori foi lá em casa ontem à noite devolver, ela disse que achou na rua — ele dá mais um passo para frente, a distância entre nós é curta.

— Ontem à noite? — Estreito os olhos. — Impossível. Tori estava comigo e com os outros...

— Não. Ela estava lá em casa — Gibby segura meus braços. — Apesar de que ela estava diferente...

— Como assim diferente? — Eu me pego sussurrando. Seu cheiro envolve meu pensamento, a respiração dele volta no meu rosto.

— Não parecia ela mesma — ele morde o lábio. Eu tento recuar.

— Solta ela — Freddie murmura e viro o rosto, ele corre e já está ao meu lado.

Gibby me solta rapidamente. Freddie o encara com o maxilar trincado. O ar fica pesado.

— Posso saber por que os mocinhos não estão na aula? — A senhorita Briggs pergunta saindo da secretaria.

— Eu não estudo aqui — Gibby responde ainda me olhando de forma profunda, fico constrangida na frente do Freddie.

— Não me refiro a você — ela reclama. — Sam e Freddie, vão para a sala agora! — ela usa o megafone.

Gibby treme com raiva. Ele fuzila o Freddie com o olhar. O vampiro me conduz pelos corredores bufando.

— Por que o deixou chegar tão perto de você? — Freddie me coloca contra a parede.

— Quer mesmo encontrar problema nisso? E a sua troca de olhares com a Carly, hein?! O que foi aquilo Freddie?! — eu me descontrolo e empurro seu peito com raiva. — Que droga a Wendy viu que te faz sair da sala daquela maneira? Responda-me — meu corpo treme elevando a temperatura de uma maneira que nunca ocorreu antes.

Freddie em vez de recuar se aproxima de mim e me segura para que eu não bata nele.

— Ela viu que em algum futuro próximo, algo vai acontecer e isso irá fazer com que eu fique com a Carly por um tempo.

Escutar isso é como levar um tiro no peito. Não quero acreditar no que acabei de ouvir.

— Ela é minha melhor amiga... Por que faria isso comigo, sabendo que amo você? — Começo a ficar sem ar.

— Pelo o que a Wendy viu, não é a Carly que vai tomar a decisão... Sou eu. Por algum motivo irei ficar com ela.

— Pensei que você me amava... — Eu não sinto raiva dele, sinto dor e mágoa.

Freddie segura o meu rosto me fazendo fitar seus olhos.

— E eu te amo. Não sei como te explicar o que essa visão significa, eu não quero a Carly, eu quero você. Quero ser seu para sempre. Não sei o que vai acontecer, mas farei de tudo para evitar isso.

— As visões dela são subjetivas, a pessoa tem que tomar uma decisão para ela saber o futuro, você já deve ter tomado essa decisão e nem se deu conta disso — eu me solto dele para me encostar na parede. — E saber que você seria perfeito para ela...

— Para Sam. Eu não estou escolhendo ela, eu escolhi você, pelo amor de Deus! Foi só uma visão idiota, talvez isso nem aconteça. Eu te amo. Você é a minha vida inteira.

— Ela seria feliz com você... — Continuo falando sem olhar para ele.

— Sam! — Ele me chama.

— Formariam um casal legal.

— Chega! — Ele me silencia com um beijo. Felizmente eu não resisto a ele e o beijo com fervor. Uma briga se trava entre nós. Sua boca possui a minha me fazendo perder os sentidos. Eu deixo sua língua desenhar o contorno dos meus lábios. Eu puxo seu cabelo. Suas mãos frias se colocam por dentro da minha blusa e ele aperta minha cintura. Eu tremo de frio. Freddie suga a minha língua. Eu o empurro assustada com o jeito que nos encontramos. Ele encosta a testa na minha enquanto eu recupero o ar.

— Eu não posso perder você... — Eu revelo sem medo.

— Eu digo o mesmo — ele se afasta arrumando o topete. — Por favor, não vamos enxergar problemas agora. Passamos por tanta coisa em tão pouco tempo só por que queremos ficar juntos, não vamos estragar dessa vez. Eu preciso ser feliz e só consigo isso com você lobinha.

Eu coro com as suas palavras.

— Está tudo bem sanguessuga, não vamos estragar nada, vamos fazer nosso namoro durar.

— É o que eu quero...

Mordo o lábio sabendo que devo desculpas.

— Eu devia ter afastado o Gibby, perdão por aquilo.

— Você parece ser ligada a ele de alguma forma. É perturbador — Freddie se arrepia.

— E voltamos à estaca zero, também acho perturbador você e a Carls.

— Eu quero ser sincero com você e a verdade é que, somente se você não existisse mais eu escolheria ela. Mesmo se você não me quisesse mais, ainda não seria o bastante para eu desistir. Acho que para eu escolher ela, só eu nunca tendo te conhecido — Freddie quer ser honesto, mas sua sinceridade tem lá seus furos.

— Então talvez seja isso que a Wendy viu... Seu futuro está visível para ela, então definitivamente eu não estou nele... Talvez eu morra em um futuro não tão distante.

Ele balança a cabeça entrando em desespero.

— Não vou te deixar morrer, se lembra?

— Não pode lutar contra o destino.

— Que se foda o destino, se você morrer, eu dou uma de Romeu e escolho a morte também, não entendeu ainda, Sam? Não quero cogitar viver em um universo onde eu não tenha você. Eu te amo — ele coloca as mãos na minha cintura, a espera que eu diga alguma coisa.

— Eu também te amo — aliso sua camisa roxa.

— Podemos ir para a aula agora?

Faço que sim com a cabeça.

— Sobre a visão da Wendy, ela soube explicar no papel por que a Carly aceitaria ficar com você?

Freddie deixa o braço em volta de mim e começamos a caminhar.

— Ela não disse exatamente. É como se a Carly não tivesse escolha, parece que ela vai se esquecer das coisas, perder a memória ou alguma coisa assim. A letra da Wendy não estava muito legível.

— Eu só não quero culpar a Carly sem motivo.

— Se você tem que culpar alguém aqui, esse alguém sou eu, já que possuo o dom de estragar as coisas — ele me beija no rosto. — Vai ficar tudo bem amor, eu prometo.

— Eu juro que acredito — sou sarcástica.

Entramos na sala e a professora só falta jogar a mesa em nós dois.

— Onde estavam? — Ela pergunta furiosa.

— A Sam passou mal e eu tive que levá-la à enfermaria, ela não quis ir para casa então irá ficar para as demais aulas — Freddie usa seu dom na professora. — Creio que não será problema.

— Se sentem logo — a professora pisca confusa.

— Como quiser — Freddie me leva para o meu lugar.

Enquanto a professora explica algo a respeito da Guerra Fria, Carly coloca um papel na minha mesa. Eu leio rapidamente.

"O que a Wendy viu?"

Pego uma caneta para responder, serei breve e usarei o jogo de palavras curtas.

"Futuro. Freddie e você juntos Perda da sua memória. Eu fora do jogo. Decisão do Benson."

Eu devolvo o papel para ela. Anoto no meu caderno sobre a Guerra Fria para usar como desculpa caso a professora perceba minha conversa sigilosa. Eu me lembro de morar em São Francisco na época da Guerra Fria, a cidade estava tumultuada naquele período.

Carly rabisca furiosamente sobre o papel. Quando termina o deixa na minha mão.

"Espero que ela esteja errada pela primeira vez na vida, provavelmente se eu namorar com ele, eu acabaria me machucando ou pior... Sou sua melhor amiga e jamais faria isso com você. Não se atreva a ficar brava comigo."

Escrevo uma resposta breve.

"Conversamos mais tarde, eu confio em você morena, minha preocupação é com ele."

— Sam? Por que não vem aqui na frente explicar um pouco mais a respeito da Guerra Fria? Sei que você está empolgada com a aula — a professora pede e a sala toda se vira para mim.

— E se eu não quiser? — Resmungo causando discórdia.

— Então pedirei que a senhorita Shay leia em voz alta o bilhete em suas mãos.

Eu olho para o meu papel e o entrego a Carly que arregala os olhos. Eu solto um risinho e me levanto. Ando para frente da sala. Viro-me diante de todos. Freddie sorri para mim, em seguida passa a língua nos lábios. Esqueci que quem tem pausa é DVD.

Eu rapidamente faço um breve discurso do que foi a Guerra Fria. Um discurso breve que durou mais de cinco minutos, possivelmente se os vampiros pudessem dormir teriam feito isso. Griffin dormiu sobre a mesa. Tori bocejou o tempo todo. Carly fingiu prestar atenção. Quando quis falar o nome de todos os mísseis desenvolvidos pelos E.U.A a professora implorou para que eu me sentasse.

— Adoraria ver você discursando para mim um dia — Freddie sussurra brincando com meu cabelo.

— Se controle — eu digo para o Freddie.

— Estou controlado, mas se me lembro bem, tínhamos planos para hoje, porém você preferiu a Carly.

— Não sou a única aqui que prefere ela — eu disparo e meus amigos soltam risos.

— Eu ouvi isso — Carly belisca minha mão, mas eu praticamente não sinto.

Rio tentando transparecer calma.

— Carly só vai aparecer lá em casa por volta das cinco da tarde, então aproveita para passar um tempo comigo antes dela chegar — comento com o Freddie.

— Claro, claro — ele concorda.

O resto da manhã e o começo da tarde, não foram tão ruins. Wendy infelizmente não quis falar comigo sobre o que viu. Ela acabou indo para casa mais cedo alegando dor de cabeça. Pela primeira vez na história, os vampiros e os lobos se sentaram uns com os outros no refeitório. Eu vi a tensão se espalhar entre nós, mas se queremos alcançar a paz, temos que começar por aqui.

Freddie se ofereceu para me levar em casa, mas eu educadamente recusei, eu disse que precisava voltar andando para pensar um pouco e que ele aparecesse por lá meia hora depois. Ele concordou, mas parecia nervoso e preocupado.

Entrei em casa pela porta da frente e subi para o meu quarto. Deixei a mochila em um canto qualquer. Tomei um banho para me acalmar. Senti os olhos arderem por causa do choro que tentei segurar. Maldito futuro no qual eu perderei o Freddie! Será desse jeito. Eu não poderei ficar com ele por muito tempo. Eu já deveria saber que algo iria nos separar. Que algo iria acontecer.

Me vesti e comecei a fazer a tarefa de casa para me manter com a mente ocupada, até que ouvi um barulho na cozinha e desci até o andar de baixo para ver o que era.

Tori está sentada na mesa da cozinha mexendo no celular, o seu perfume é extremamente forte, chega até mesmo a ser estranho.

— Tori? — Eu chamo sentindo meu couro cabeludo pinicar. — Eu não sabia que você viria aqui em casa hoje.

— Decidi aparecer — ela diz docemente, até sua voz parece diferente. Não parece a mesma com quem conversei na aula hoje.

Estreito os olhos para ela.

— Quando você alisou o cabelo e fez franja?

— E isso importa? — Ela dá de ombros me olhando de um jeito estranho.

Inspiro para sentir o cheiro que exala dela. O perfume dela me perturba.

— Interessante o cheiro do seu perfume...

— Gostou? — Ela desce da mesa e caminha em minha direção. — É jasmim.

Meu instinto me manda um alerta. Tudo na garota em minha frente grita "perigo!". Ela ergue a mão para tocar meu rosto, antes que ela se aproxime mais eu agarro seu pescoço frio e a jogo no armário.

— O que faz aqui?! — Eu grito preparada para atacar.

— Oh Sam... — Ela sorri debochadamente e volta para perto de mim. — É assim que me dá as boas vindas?

— Eu devia matar você enquanto tenho chance — seguro a vontade de bater nela de novo.

— Me matar? Não querida. Você não pode me matar. Tenho informações úteis para você — ela brinca com meus cachos enquanto anda em círculos à minha volta.

— Você matou o Dice, eu devia arrancar sua cabeça — trinco os dentes, a fumaça sobe lentamente em mim.

— Ajudaria se eu dissesse que foi um acidente? — Ela sussurra por trás de mim no meu ouvido.

— Acidente ou não, jamais vai mudar o que fez — me mexo desconfortável com a proximidade absurda dela.

— Já não é mais um problema, o garoto ressuscitou — ela envolve minha cintura com os braços gelados. — Fiquei sabendo que o Freddie ajudou e que vocês estão juntos... — Sua risada ressoa no meu ouvido.

— Sim. Nós estamos namorando.

— Que bom — ela cheira meu pescoço. — Ele é bom com você como era comigo?

Eu mordo a língua com raiva do atrevimento dela.

— Ele sempre foi perfeito demais para você.

— Não — ela me aperta quase me deixando sem ar. — É ao contrário. Ele é perfeito demais para você.

— Como se atreve a invadir a minha casa e vir aqui dizer isso? — Me preparo para matá-la em alguns segundos.

— Eu já disse, tenho informações e se não as quer, simplesmente irei embora. Então quando todos os seus amigos estiverem mortos por que você não quis me dar ouvidos, já será tarde demais para me encontrar e pedir desculpas — ela é atrevida o bastante para beijar meu pescoço. Vadia! — Vamos lá Rapunzel, jogue suas tranças — ela brinca com meus cachos de novo.

— Tori? — Freddie entra na cozinha e eu me distancio da morena com rapidez.

— Não se finja de bobo por que está na frente da Sam. Tenta de novo, lindinho — ela diz para o Freddie.

Ele olha para mim e depois para a morena. Não precisa de muito tempo para saber quem é.

— Shelby — ele pronuncia com nojo.

— Parabéns, acabou de acertar — Shelby joga seu cumprido cabelo sobre os ombros, seu olhar é fatal e seu dom é o mais mortal existente: a beleza. Você se sente atraído por ela mesmo sem saber. Uma Doppelgänger original.

Notas finais
Shelby chegou com tudo amores, resta aceitar! Eu mesma quero matar ela assim como muita gente vai ter vontade de matá-la também... Mas parece que ela possui informações... O que será que ela tem a nos dizer? Querem a resposta para essa e outras perguntas? Então não percam o capítulo 15 "O monstro em cada um" no sábado dia 15/07, o capítulo estará cheio de surpresas, se preparem para a parte 15: Hexenbiest, lobos e vampiros. See you soon guys! Very soon...