42 - Violet Hill
55 Alpha
Notas iniciais
Parte 55: O cavaleiro das trevas
Três dias antes da vinda do Alfa:
Povs geral:
Fredward se segurou na árvore tremendo. Ele tinha espasmos por todo o corpo, sem contar o suor que descia em bicas. Não podia estar com calor por que estava frio. Ele sabia que a metamorfose estava próxima. A cada passo a temperatura de seu corpo aumentava. Flashes de memórias antigas, das histórias que um dia escutou sobre o Alfa vagavam entre seus pensamentos. Em todos os momentos Freddie sempre soube que seria ele o escolhido pelo espírito. Ele passou por vários estágios desde que fora mordido por Sam. Primeiro se tornou a Âncora e perdeu isso ao desligar a humanidade, em seguida se tornou metade humano, metade vampiro, depois a sede sumira deixando apenas a super força e a velocidade, por fim o sangue em suas veias se tornara frio, a sede retornou devagar, ele era um vampiro de novo porém com o sangue Klautriny nas veias. Agora ele envelhecia. O gene seria ativado no momento certo... Esse momento infelizmente chegará em poucos minutos.
Os passos do Freddie se tornaram tropeços e finalmente ele avistou Carly e Guppy. O garoto discutia com a garota que também devolvia as palavras. Freddie trincou os dentes e se aproximou dos dois.
— Chega! — ele usou uma autoridade até então desconhecida.
— Ele que me trouxe aqui para me matar, como se o Gibby merecesse passar por isso... — murmurou Carly.
— Ele não merece alguém como você. — disse Guppy — Você matou a minha mãe.
— Não foi minha intenção, tudo não passa de um borrão, pensamentos confusos. Eu não sou mais aquela pessoa. Eu amo seu irmão e ele me ama. E nada no mundo pode mudar isso. — Carly afirmou e em seguida olhou para o Fredward — O quê está acontecendo com você? Freddie! — ela foi segurá-lo por que o moreno caiu no chão — Freddie! Fala comigo... — ela pegou o rosto dele nas mãos, pareciam brasas acesas, ela quase se queimou.
— Apenas voltem comigo para o casebre. — Freddie disse tremendo — Eu vou ficar bem. — ela afastou Carly de si com medo de machucá-la.
— Oh céus... — Carly se afastou ao ver a fumaça envolvendo o Freddie.
Fredward respirou fundo tentando se acalmar. A fumaça se dissipou aos poucos.
— Droga... — ele suspirou se levantando.
— Está acontecendo... Você vai se transformar. — Carly deu alguns passos para trás.
Fredward indicou o caminho e começou a acompanha-los procurando não perder o controle.
Guppy viu uma oportunidade perfeita para fazer aquilo que prometera a si mesmo.
— Você acredita no céu e no inferno? — Guppy perguntou torcendo para ganhar uma boa resposta.
— Acredito... Mas e daí? — Carly ficou desconfortável com a pergunta do garoto.
— Você matou a minha mãe e acha que mesmo assim vai para o céu?
— Vocês estão me irritando, fiquem quietos. — Freddie que acompanha os dois tinha chegado ao seu limite e o pior de tudo é que nem sabia que tinha um. Fredward Benson era calmo mas hoje sua vida está prestes a mudar.
Guppy empurrou a Carly.
— Você ainda vai pagar pelo o quê fez.
— Não pode me machucar, seu irmão nunca permitirá isso. — Carly lembrou.
— Ele não está aqui agora. — Guppy jogou as garras de sua arma de Grimm contra ela.
— Mas eu estou! — Fredward gritou e soltou um longo rosnado.
Primeira parte: a Terra tremeu.
O dia chegara mais cedo do que Wendy previra. Fredward Benson tomou a forma esperada. A profecia estava se cumprindo. A guerra estava apenas começando.
As garras da enorme pata direita do Freddie se afundaram no rosto da Carly. Ela foi arremessada vários metros longe deixando um pedaço do rosto nas unhas daquela criatura enorme. Ela desmaiou antes mesmo de gritar. Guppy caira no chão com o terremoto causado pelo impacto do Alfa finalmente estar pisando na Terra comandado por alguém. O garoto viu aquela besta e sua mente se apagou, a única coisa em que pensou foi em fugir e assim fez quando o tremor no solo.
O lobo preto em que Fredward se transformara agora dividia espaço em seu coração, porém era decisão do Freddie a respeito de quem mandaria em seu corpo. Freddie dominou o espírito e se virou para o corpo de Carly. Ele sentiu uma lágrima escorrer de seu olho e molhar o fucinho. Ele sentiu dor por tê-la machucado. Fredward inclinou a cabeça e uivou em agonia por machucar uma das pessoas que mais amava no mundo. O uivo cortou vários quilômetros de Seattle. O uivo mais lindo, porém também o mais triste que o mundo já presenciara. Freddie se odiou tanto por ter machucado a Carly que fugiu para dentro da floresta, pois, não sabia como voltar à forma humana. A mente dele estava carregada de um poder do qual ele não conseguia fugir. Ele sabia comandar o Alfa, mas ainda não sabia controlar o lado animal. Ele rosnava e chorava ao mesmo tempo pela situação em que se encontrava. Um, dois, três, quatro. Era o ritmo de suas patas na vegetação congelada da colina.
Fredward não fazia ideia de para onde ir, por que uma parte dele estava fora de si. Não importava se ele era o ser perfeito para ser o Alfa, se não aprendesse a lidar com todo aquele poder — que era praticamente a opção de se apossar do universo inteiro — ele não seria útil. O Alfa somente estaria pronto para formar seu Império quando algo o acalmasse, ou seja, quando o imprinting acontecesse. Essa parte assustava Freddie até a alma. O medo gelava seu coração que deveria estar em chamas. Ele precisava olhar para Samantha e ver o imprinting ser com ela. De todas as outras coisas que eram importantes, como, por exemplo, a salvação das pessoas — e diversas outras gerações — Freddie se focou apenas em encontrar com a Sam e enfim viver a eternidade ao lado dela. O imprinting não poderia ser com outra pessoa. A vida toda eles tentaram se separar mas acabavam juntos de alguma forma, isso só podia significar uma coisa.
O Alfa rosnou sentindo ódio. Ele era egoísta. Fredward era egoísta. Ele estaria disposto a se matar e arruinar tudo se o imprinting não fosse com a Sam. Ele a amava tanto para ver tudo jogado fora. Freddie ainda não entendia por que ele tinha sido escolhido, ele poderia se egoísta mas jamais fora orgulhoso. Óbvio que Freddie se lembra de quando o Alfa apareceu sobre ele no quarto de Sam. Freddie não estava dormindo, estava acordado e tão acordado que o Alfa cortou o seu peito com as garras, tanto que Fredward viu aquelas marcas ao se olhar no espelho do casebre em Violet Hill, pouco antes de Sam aparecer e revelar que estava grávida. Freddie se lembrou de ter uma dor de cabeça ao tentar forçar a memória de quem tinha o arranhado, foi uma maneira do Alfa não deixar Freddie se lembrar daquele encontro nada amistoso. Tantas vezes esteve na cara que o Alfa era Fredward Benson que alguns descobriram antes medo de ser realmente revelado por Hayes. Sam foi como sempre a última a saber. Agora Fredward temia outras coisas, uma delas era que em breve lutaria contra o próprio filho por que o mesmo fazia parte da família Real. Era isso que Freddie temia, o fato do bonzinho virar mau. Flynn seria um assassino de sangue frio, Freddie não sabia nem metade do que iria enfrentar. E não fazia ideia de tudo que estava por vir.
Fredward correu pela floresta sentindo medo. Ele não queria estar sozinho, mas precisava de distância de todos para poder se acalmar e lidar com tudo. Seria um pequena jornada, mas ele estava disposto a passar alguns dias longe de Sam pela segurança dela, pela segurança de todos. Na cabeça dele, ele já lidava com a morte de Carly. Freddie ganiu sofrendo ao parar a corrida e ver que tinha pedaços de pele em suas garras. Ele disparou a procura do rio mais próximo, que deveria estar com temperaturas a baixo de zero, mas não se importou, ele precisava se limpar, precisava retirar os restos da Carly de si, precisava suportar o quê tinha feito a ela.
Pobre Carly, Freddie disse sozinho dentro do rio. Era mais uma das coisas que teria que carregar consigo para sempre.
Ao vagar por um pedaço de terra, um portal se abriu. Era o portal para o Outro Lado. Freddie sabia que Hayes iria surgir para ensina-lo a como ser um Alfa e assim aconteceu. O lobo preto esperou para ouvir e de repente ele não estava sozinho em seus pensamentos.
Aqueles dias se passaram. Freddie se acostumou com sua nova forma e sabia como voltar à forma humana, agora ele precisava achar a Sam. O lobo gigante fez o trajeto de retorno para Violet Hill. Ao chegar choramingou ao encontrar o casebre vazio, somentes os móveis estavam ali, mas roupas e objetos pessoais tinham sido levados. Freddie se colocou entre as flores deixando o vento balançar seus pelos, ele se perguntou onde Sam estaria. Algo o fez sentir que sua esposa voltaria para casa, sua verdadeira casa, aquela na reserva, agora que o feitiço fora quebrado e qualquer vampiro poderia entrar e sair de lá como bem entendesse. Freddie deu um grito mudo ao saber que a reserva estava desprotegida e que todos corriam perigo sem ele. Com a agilidade já adquirida pelos três dias que passou correndo sem qualquer pausa, nem mesmo para dormir ou comer, Fredward avançou na floresta para a reserva. Hayes em sua cabeça tinha o ajudado e agora Freddie pensava sozinho. Sua missão era proteger aquele lugar sagrado. Ele precisava proteger o seu povo. Fredward sempre fora um Klautriny e ele sentia isso mais do que ninguém.
O barulho de suas patas na neve eram como trovões. Ele foi se aproximando da reserva e sentiu quando adentrou nas terras indígenas. O poder em seu peito aumentara, o Alfa estava no lugar a que pertencia. Freddie contornou o local para não assustar os moradores e conseguiu chegar à casa de Sam. Ele viu a loira sentada na grama que estava coberta de gelo. De repente a garota se pôs de pé ao notar a presença dele.
Fredward rosnou furiosamente para Sam e então a garota pulou sobre ele.
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O Alfa saiu de cima da Sam. Ela xingou se levantando e o empurrou, mas ele era tão grande que nem saiu do lugar.
— Eu tenho que levar Carly para caçar, tem algumas roupas suas na picape, deve estar em algum lugar por aqui. — ela disse meio nervosa com a presença dele.
Freddie não entendeu por que Sam levaria Carly para caçar. Ele bufou com o frio e triste. Sam sorriu e se aproximou da casa, de onde Carly e Gibby saíram. Tasha e Dice observavam tudo pela janela.
— Jesus... — Carly murmurou com os olhos arregalados — Mas o quê é isso que está aparecendo aqui na minha frente? Eu não acredito nisso...
Fredward se arrepiou ao escutar a voz dela. Ele expôs os dentes por que sabia no que ela tinha se transformado, mas também sabia que se foi Sam que tinha feito aquilo Carly sofrera muito e em segundo era a única forma de salvar a vida dela.
— Caraca, ele é gigante... — murmurou Gibby — Tudo bem aí?
Fredward rodou em círculos tentando não atacar ninguém novamente.
— Carly, nós vamos caçar então vem. — Sam avisou — Iremos retornar em breve.
Fredward ficou observando Sam. Ele sentiu o peito apertar ao vê-la se distanciar dele com tanta pressa.
— Você quer ajuda para voltar à forma humana? — perguntou Gibby querendo ajudar o Freddie. O Alfa sabia como responder. Freddie sabia que seu poder era tão grande que ele poderia responder no pensamento de cada um mesmo que a pessoa estivesse em forma humana e não fizesse parte do mundo sobrenatural, porém Fredward não queria usar palavras, ele não queria dizer nada no momento.
Gibby fez um sinal com a mão para que Fredward o seguisse. Os dois foram para o lado direito da casa onde a picape estava estacionada. Gibby abriu a porta e revirou dentro à procura das roupas do Freddie. Ele encontrou o quê precisava em uma mochila, mas não sabia o quê Freddie iria escolher, por isso deixou a mochila no capô do carro e aguardou Freddie decidir o quê fazer.
O lobo percebeu que era tão grande quanto aquele carro. Fredward tinha medo de si mesmo. Aos poucos os pensamentos dele estavam calmos e pacíficos. Era o momento certo para ele retornar à forma humana com cautela. Freddie fez peso nas patas traseiras e seu corpo foi se adaptando a voltar a ser humano de novo. Freddie suspirou finalmente livre do corpo de lobo. Ele se apoiou no carro totalmente nu enquanto tremia levemente. Quando teve certeza que estava bem, pegou uma cueca na mochila e vestiu, em seguida colocou apenas um shorts jeans e um par de tênis. Agora ele entendia por que os lobisomens não gostavam de usar muita roupa, atrapalhava demais e estar semi-nu dava quase a mesma sensação de liberdade de quando estavam correndo na forma de lobo.
Fredward passou a mão no topete úmido e fitou o Gibby.
— O quê eu perdi?
Gibby engoliu em seco antes de responder, por que agora estava diante da pessoa mais poderosa da Terra.
— Carly foi ferida, precisou ser transformada, ela parece ter um imenso autocontrole de si mesma, conviver com vampiros foi como uma escola para ela. — respondeu Gibby escolhendo as palavras com cuidado — Spencer e Shelby continuam desaparecidos, assim como meu irmão Guppy. A matilha de Tori foi espalhar nas principais tribos que o Alfa está presente entre nós e vivendo na reserva Klautriny, por algum motivos Sam sabia que você retornaria para cá. Não sabemos o quê os caçadores tem feito, mas alguém precisa detê-los...
— E esse alguém sou eu.— afirmou Fredward com convicção — Gibby, o Hayes tentou explicar para Sam no Limbo quem nós éramos. Nesses três dias eu conversei com ele de alguma maneira e entendi perfeitamente cada coisa. Você é o Gama, responde a mim mais do que os outros, é como se você fosse meu braço direito, meu conselheiro, meu amigo fiel e escudeiro. Eu preciso de você ao meu lado Gibby. Seu trabalho não é ter uma alcateia, seu trabalho é manter tudo em ordem quando eu não estiver. Você é tão importante quanto eu. Somos como irmãos e eu preciso de você agora. — Freddie encerrou deixando Gibby refletir.
Cornelius deu um passo para frente e abraçou Fredward com força. Eles aproveitaram aquele abraço que significava o começo de uma aliança pura que jamais seria quebrada.
— Então eu sou seu Gama? — Gibby queria mais detalhes.
— Sim. — Freddie se sentou no capô da picape — Você é que busca informações para mim, mantém as coisas em ordem quando eu estiver indisposto e cuida dos meus como se fossem seus.
— É uma honra. — sussurrou Gibby.
— E como a minha primeira ordem, desejo que ao anoitecer convoque uma reunião com o Conselho dos 42, diga que o Alfa os chama. Tudo e todos pertencem a mim agora, é minha missão guia-los pelo caminho da luz, mesmo que eu seja mau, mesmo que uma parte de mim seja escura, mesmo que eu seja o cavaleiro das trevas.
— Sim senhor... E quem é a sua luz?
— Minha luz será o imprinting, a outra metade do Yin-Yang... A parte branca.
— Entendo...
— Onde está a Kimera?
— Lá dentro com Dice e Tasha.
— Eu gostaria de vê-la.
— Por que? — perguntou Gibby com medo.
— Porque eu preciso. — Freddie saiu de cima da picape e foi para dentro da casa com o Gibby — Sam não entrou aqui.
— Não. Ela disse que só entraria com você. — respondeu Gibby.
— Claro, claro. — Fredward estava na sala e se lembrou que foi aqui que encontrou Sam com os corpos da mãe e da irmã. Ele levou o olhar para Tasha e depois para o Dice — A casa está limpa, quem limpou?
— Nós. — Dice e Tasha responderam em uníssono.
— Eu vejo... — Freddie ainda não tinha feito contato visual com a Kimera — Por quê não vão descansar? Vocês já fizeram muito por todos, estou pedindo como amigo, não como Alfa, não me façam ordenar para que durmam, tirem um tempo para si. Dice vá para casa um pouco, leve Tasha com você ou a deixe ir para a própria casa, o quê for melhor. — Freddie era generoso e até algo em seu jeito de falar mudou. Era encantador, quente, profundo e Sam com certeza iria amar isso.
— Está bem. — concordou Tasha passando Kimera para o Gibby — Nos vemos em breve.
— Na reunião de hoje à noite, vocês serão notificados. — disse Freddie.
— Se cuida. — murmurou Dice e abraçou Freddie que gostou do respeito do garoto.
— Na verdade eu tenho que cuidar de todos... — Freddie pela primeira vez no dia gargalhou.
— Até depois. — Dice sorriu e desfez aquele abraço.
Tasha e Dice saíram da casa. Freddie só então tomou coragem para fitar Kimera nos olhos. Nada aconteceu e ele suspirou aliviado.
— Eu ainda não entendo... — Freddie se sentou no antigo sofá — Por quê eu me sinto ligado à Carly e ela a mim?
— Talvez ainda tenha uma explicação... Uma delas é por que o veneno da Sam um dia estaria dentro da Carly, faz sentido, mesma coisa entre você e a Shelby.
— É uma boa lógica, mas não existe forma de romper uma ligação assim, então tem algo a mais... — Freddie buscava uma razão — E merda! Precisamos achar seu irmão, Spencer e Shelby, mas não quero ir longe. Não sem antes falar com a Sam.
— Aguarde a Sam voltar, fale com ela e em seguida partimos na busca. — Gibby usou sua função de Gama.
— Sim, claro, é o quê iremos fazer. — Freddie roía a unha ficando nervoso.
— Você precisa comer alguma coisa e se deitar, não vai cuidar de ninguém se não pode cuidar de si mesmo. — agora Gibby estava sendo o melhor amigo.
— Tem razão. — Freddie se levantou.
— Dice trouxe aquela geladeira da casa dele, não pergunte nada, ele e Tasha tiveram um grande trabalho para arrumar tudo isso aqui, fazia anos que instalaram a luz nessa casa. — Gibby balançava a filha no colo — Coma e durma. Eu te chamo quando elas voltarem.
— Como é para você Gibby? A Carly vampira? — Freddie fez uma pergunta séria.
— Difícil, mas ela continua sendo a Carly, continua sendo meu objeto imprited, ela ainda é toda a minha vida e vai continuar assim. — respondeu Gibby da melhor e mais verdadeira maneira possível.
— Fico feliz que ela tenha você. — admitiu Freddie.
— Digo o mesmo de você e da Sam. — Gibby sorriu — Vai ficar tudo bem, você é dela.
— Sim. Eu sou. — Freddie murmurou.
Carly e Sam tinha se afastado da casa e foram para dentro da floresta, se distanciando do rio. Carly seria a primeira vampira na história a caçar dentro das terras da reserva, mas Sam estava tão nervosa e agitada com os acontecimentos recentes que quebraria essa lei hoje. Sam levou a melhor amiga para a região mais diversificada onde uma vez ou outra aparecia um leão-da-montanha.
— Você quer conversar? — perguntou Carly preocupada com o estado da Sam.
— Não temos o quê conversar, minha vida inteira estará mudada assim que eu voltar, não importa o quê aconteça. — respondeu Sam procurando pelo cheiro de animais.
— Tem que ser com você. Precisa ser com você.
Sam deu uma risada triste.
— Eu gostaria que fosse verdade.
— Vai ser... O quê eu faço? — Carly estava confusa.
— Primeiro feche os olhos e me diga o quê está escutando.
— Hum... — Carly fechou os olhos e ela podia ouvir tudo à sua volta. Os pequenos roedores da floresta tentando sobreviver ao final do outono. As folhas se passando umas nas outras. A fina camada de neve que tocava o solo. Um rosnado baixo que parecia seguir alguma coisa. Carly abriu os olhos nesse momento e se virou em direção aquele som — Achei.
— Foco... É uma caçada. Ele não é páreo para você. Tudo o quê precisa fazer é acha-lo, imboliza-lo e afundar suas presas no pescoço dele. Easy peasy.
— Somente isso? — Carly sentia a sede aumentar.
— Sim. Vamos. — Sam correu e Carly a seguiu.
As duas riram por estarem correndo com velocidade, mas Carly estava deixando Sam ganhar de propósito, por que no fundo sabia que poderia correr muito mais rápido. Sam alcançou uns rochedos primeiro e se abaixou, Carly chegou por trás e olhou para sua presa. O leão-da-montanha rugia enquanto vagava entre as folhas.
— É só deixar o instinto falar por você... — Sam ensinava Carly com paciência.
— Eu estou deixando, estou morrendo de sede! — gritou Carly.
— Se acalma... Eu sei que é difícil, mas você...
Carly esticou o corpo sentindo o cheiro de uma fragrância pura, que queimava como se alguém tivesse enfiado um ferro em brasas na sua garganta. Ela rosnou, se virou e correu para dentro da floresta em busca daquela essência perfeita.
— Merda! — Sam resmungou e partiu atrás dela — Não Carly! Pode ser alguém que você conheça! — a loira corria atrás do vulto que tinha se transformado a morena, ela era a vampira mais rápida que um dia tinha visto.
— Sai do meu encalço! — Carly cuspiu entre os dentes e soltou um som animalesco, ela jogou Sam do outro lado das árvores atravessando o rio, parando fora da reserva.
— Sua vadia louca! — Sam berrou com a melhor amiga — Volta aqui! — ela voltou a correr atrás dela prezando a vida do humano que Carly poderia matar a qualquer momento.
Sam tentava correr o mais rápido que podia, mas não era tão rápida em forma humana, ela temia precisar se transformar e isso poderia acarretar uma briga das feias. Carly como um fantasma buscava aquele cheiro que consumia seu corpo. Ela precisava daquilo. Era como se toda a razão da sua existência estivesse naquela essência puríssima. A morena chegou próximo ao seu alvo, mas se deteve ao ver que era o irmão de seu namorado.
— Guppy? — Carly chamou sentindo a garganta arder em chamas, mas ela jamais iria ferir o garotinho.
— Carly? Você está viva? — ele perguntou estreitando os olhos.
— Sim. Sam teve que me transformar. — Carly trancou a respiração ao ver o machucado na perna dele — Você está ferido... Vamos, vou te levar para a casa da Sam aqui na reserva, você vai ficar bem.
— Eu tive que fugir... Ver aquela cena... Eu... Ainda não entendo. — Guppy estava assustado e faminto. Fazia três dias que o garoto vagava pelas florestas totalmente fora de si por que Gibby não tinha conseguido o encontrar.
— Calma, está tudo bem agora. — ela se aproximou e pegou o garoto nos braços como se ele não pesasse nada.
— Ganhou super força?
— Parece que sim. — Carly sorriu e quando se virou deu de cara com Sam — Aí está tudo bem, não vou machucá-lo.
— Fugiu de sangue humano e na caçada? E ainda carrega ele consigo? Que dom incrível você tem... — Sam disse surpresa com tudo.
— Obrigada... Eu acho. — Carly gargalhou ao se lembrar que não podia mais corar.
— Passa ele para cá, eu o levo de volta e você vai buscar sua presa. Você precisa se alimentar. — Sam tentou tirar o garoto dos braços da Carly que por fim cedeu.
— Acha que consigo sozinha? — Carly perguntou.
— Você não sabe ainda nem do que é capaz de fazer. — afirmou Sam — Boa sorte garota.
— Me espere no rio. — pediu Carly.
— Sim senhora. — Sam partiu correndo com o Guppy nos braços — Sabe o susto que você causou no seu irmão?
— Eu sinto muito. — ele suspirou sentindo dor.
— Gibby não pôde nem chamar a polícia para te procurarem, por que os policiais provavelmente iriam topar com um lobo preto gigante.
— É... Eu sei. — Guppy tremeu assustado.
Sam correu com agilidade de volta para a casa. Ela adorava a sensação durante a corrida. O vento congelante em seu rosto. A neve que se acumalara em seus cabelos. O rastro que deixava na vegetação. Tudo era lindo. Sam viu a casa de longe e colocou o Guppy no chão.
— Consegue andar? — Sam perguntou baixinho.
— Sim. — respondeu ele.
— Ótimo. Está vendo aquela casa ali? — Sam apontou — É para onde você tem que ir, Gibby está lá. Eu não posso retornar agora, então vá sozinho.
— Obrigado Sam. — ele agradeceu — Você sabe que não fui eu né?
— Que machucou a Carly? Sei que não e eu sei quem foi. — Sam foi se afastando antes que alguém se desse conta da presença dela.
Sam fez o trajeto correndo novamente dessa vez para perto do rio, onde sua nova vida tinha começado. Ela se sentou na rocha em que costumava se sentar com o Fredward. Ela se perguntou se por acaso ele não iria aparecer ali como sempre fizera. Sam aguardou pela Carly de maneira paciente, pois, sabia que era a primeira caçada da amiga. Carly sempre foi muito independente então ela se sairia bem.
Após uns quize minutos de espera Sam retirou a parte em que achou que Carly se sairia bem. A morena apareceu com sangue em toda a roupa e um pouco descabelada.
— Pelo menos sei que isso é sangue animal... — Sam murmurou segurando uma risada.
— Eu continuo com sede, a caçada apenas manteve isso um pouco mais suportável... — Carly disse indo para o rio se lavar.
— E essa vida é desse jeito. Nada é o suficiente. Acostume-se. — Sam cruzou as pernas sobre a rocha.
— Tenho a eternidade para me acostumar. — Carly se afundou na água e passou vários minutos submersa por que não precisava de ar.
— Carly... Ele estava tão perto assim de você? — Sam perguntou se referindo ao Freddie.
Carly colocou a cabeça para fora da água.
— Muito perto, ele estava apartando uma briga entre mim e o Guppy.
— O quanto perto? — Sam tremeu de medo.
— Grudado, as mãos dele estavam nos meus braços, não deu tempo de recuar.
— Eu lamento.
— Águas passadas, mas ele deve estar se culpando até agora, você sabe como ele é.
— Sim eu sei, apenas mostre que não está afetada, que você o perdoa, ele precisa sentir isso.
— Eu sei. — Carly não sentia a frieza da água como deveria então começou a nadar para prosseguir se limpando — Ele precisa de você Sam, não pode evitá-lo para sempre.
— Quando você terminar o seu banho nós iremos voltar a menos que queira caçar novamente.
— Prefiro caçar novamente. — Carly conhecia bem a amiga para saber que Sam também estava com sede.
As duas vagaram à procura de alces e encontraram um bando bebendo água em uma nascente.
— Quem vai primeiro? — perguntou Carls.
Sam retirou uma moeda do bolso.
— Cara ou coroa? — ela riu baixinho para não espantar os alces.
— Cara. — respondeu a vampira.
— Ok. — Sam lançou a moeda, a pegou no ar e deixou contra o braço — Vejamos... — Sam mostrou a moeda — Há, caiu coroa.
Carly revirou os olhos.
— Melhor de três? — ela sugeriu.
Sam deu de ombros e deixou Carly fazer as honras, seria um longo dia.
Elas partiram de volta para casa. Sam sabia que seu mundo teria um novo rumo a partir do momento em que Freddie colocasse os olhos nela primeira vez. Sam orava baixinho pedindo que acontecesse aquilo, por que ela não imaginava a vida sem o Fredward, todo o amor que construíram ao longo das décadas não poderia se perder.
Finalmente elas chegaram à casa. Sam pisou na grama tremendo. Carly assobiava mas parou ao ver Freddie saltar da janela do segundo andar e andar em direção a elas. Sam não tinha coragem de erguer o olhar. Freddie se aproximou de Sam e parou em frente a ela.
Carly se distanciou deixando os dois a sós.
— Sam, olha pra mim. — Freddie pediu cerrando as mãos em punhos.
— Não... — Sam se negava.
Freddie segurou as mãos de Sam e deixou a cabeça dela embaixo do seu queixo.
— Eu também estou com medo querida.
— É mais do que medo, é eu não ter mais nada se eu perder você.
— Se não tentarmos nunca vamos saber.
— Mas Freddie...
— Sammy, você precisa me olhar agora. — ele não queria mandar nela, ele estava pedindo.
Sam respirou fundo e ergueu a cabeça.
— Eu vou. — ela procurou os olhos castanhos dele.
Fredward olhou dentro dos olhos azuis de Sam e esperou acontecer.
Segunda parte: o mundo entrou em colapso.
Tudo e todos no mundo inteiro sentiram o impacto do maior imprinting já existente. Carly e Gibby caíram na grama. Um estrondo foi ouvido. Aquela onda magnética se espalhou pelo universo inteiro. Aquela onda agora vagava o espaço, para lugares desconhecidos.
Povs Fredward Benson (Alfa Supremo):
Ter um imprinting é se libertar do mundo ao contrário de se prender. É como se a gravidade não lhe prendesse mais aqui na Terra, na verdade você está preso a um único ponto, ao amor da sua vida. O mundo todo perde sua essência se ela não estivesse ali. O oxigênio é inútil por que você só o respira por causa dela. A água é algo insignificante por que você só a bebe para se manter vivo por ela. Quem você foi, quem você é, quem você vai ser não importa mais. Você se desprende de tudo o quê te faz ser humano para ser o que ela precisa. Você será um amigo, um irmão, um amante, um marido, um namorado. Mesmo que ela diga "não", mesmo que ela tenha outras escolhas, você continua sendo perfeito para ela. Ela é mais do que seu mundo, ela se torna seu Sol. Você tem sua órbita nela. Quando ela se mexe, você irá se mexer, quando ela parar, você irá parar e quando ela morrer uma parte sua morrerá com ela. Se ela não pode viver para sempre então saiba que você também não viverá, por que sem ela não existe nada. E quando ela te olhar, ela irá enxergar tudo isso e mais. Assim como ela se torna sua fonte de vida você se torna grande parte da vida dela. Você vai protegê-la como puder. Você vai querer dar as estrelas do céu para ela. Quando ela chorar você não dará seu ombro para consolo, você irá chorar junto por que a dor dela é a sua dor. A alegria dela é a sua. A vida dela é a sua. Em meio caos ela te fará ver a paz. Em meio a uma batalha ela te fará esquecer a guerra. Ela é o seu tudo e agora você pertence a ela.
Eu gostaria de saber como foi o primeiro imprinting. Gostaria de saber se foi tão forte quanto esse. Ou se foi fraco e a cada imprinting iria aumentando. A única coisa que eu sei no momento é que eu nunca soube amar a Sam de verdade, nada do que eu senti foi um amor correto, mas agora, será necessário palavras mais poderosas do que "eu te amo" para expressar à Sam o que eu sinto por ela. Esperei tanto por esse momento. O universo tentava nos colocar juntos não importa por quanto tempo nos separassemos. Eu amo Samantha Benson com toda a minha vida, por que a minha vida começa agora.
Não notei que estamos de joelhos. Sam parece assustada, ela sentiu a energia do ar mudar. O mundo parece diferente para nós agora. Nada é como antes.
— Eu amo você. — eu disse alto para que ela ouvisse a maior verdade do universo.
— Eu amo você. — ela sussurrou querendo chorar, pois, percebi seus olhos úmidos.
Povs geral:
— Vem Sammy. — Freddie usou a voz calma dele que fez Sam quase desmaiar.
Sam se levantou de mãos dadas com ele e eles foram para dentro da casa. Sam sentiu os lábios tremerem, ela não queria reviver aqueles momentos.
Guppy observava tudo do sofá em um canto.
Fredward se aproximou de Carly com cuidado. Ela apenas ergueu uma sobrancelha confusa com a aproximação dele.
— Não vou pedir que me perdoe, você tem todos os motivos do mundo para me odiar. — disse Freddie.
— Não. Ela não tem. A culpa não foi sua. — Gibby que já sabia da verdadeira história ficou ao lado do Fredward.
— Freddie eu não estou magoada e olha o lado bom, eu finalmente sou vampira. — respondeu Carly alegre demais com a filha nos braços.
— Tá vendo? — Gibby não conseguia acreditar — Ela age como se tivesse acontecido a melhor coisa do mundo.
— É percebi... — Freddie fitou Kimera — Esse seu dom Carly... Como funciona? Como você consegue segurar uma criança humana nos braços e não sentir sede?
— Ah... É estranho. Meu cérebro se foca em outras coisas e a sede é deixada de lado, ainda que não esquecida, ela é só um problema se eu penso muito nela, mas rapidamente consigo me distrair e eu jamais iria ferir minha filha. — explicou Carly sorrindo para Kimera.
— Inacreditável. — Freddie sorriu de lado sentindo as emoções na sala, todos estavam calmos.
— E agora? Qual é o plano? — Sam quis saber.
— O plano é Gibby e eu irmos atrás de informações sobre Shelby e Spencer. — Freddie respondeu.
— Espera, o quê tem eles? — Carly ainda não sabia.
— Não contaram ainda? — Freddie passou a mão no cabelo exasperado.
Guppy saiu sorrateiramente para não estar presente na discussão. Ele subiu até o andar de cima para descansar em uma das camas.
— O quê aconteceu com meu irmão?! — Carly exigiu saber.
— Spencer sumiu, assim como a Shelby. Provavelmente tem algo a ver com os caçadores, mas eu prometo que os trarei de volta. — Freddie segurou os braços da Carly com cuidado — Eu prometo. — ele repetiu.
Carly acenou com a cabeça.
— Acredito em você.
— Bom. — Freddie se virou para o Gibby — Vamos.
— O quê vai fazer? — Sam perguntou.
— Matar cada um deles, são os mesmos caçadores que deixamos vivos naquele dia na sede. Não vou cometer o mesmo erro duas vezes. — Fredward respondeu fazendo todo mundo tremer.
— Você não precisa mata-los. — Sam queria outra alternativa.
— Eu sei que isso agora é estranho para você, mas sou eu quem dá as ordens aqui. — ele foi sincero.
— O Freddie está certo. — Gibby concordou.
— Viu? Não é por que ele é meu braço direito que ele concorda comigo, mas é por que ele sabe que essa é a decisão certa a tomar. — Fredward segurou o rosto da Sam — Eu te amo, vou fazer o melhor para te proteger. Só que agora eu também preciso proteger a todos os outros...
— Quer dizer que minha opinião não importa mais? — Sam queria se magoar mas não conseguia, o imprinting era tão forte que não ia permitir e então juntos ele achariam uma solução.
— Claro que importa. Você é minha Ômega, minha esposa, minha luz. Mas agora eu preciso fazer isso... Ganhar o respeito ou o medo deles.
— Uma vez me disseram que é melhor ser amado do que temido.
— Que seja, eu só preciso mostrar quem manda. — Freddie beijou Sam nos lábios.
Carly soltou um assobio ao ver o quanto os dois estavam conectados. Era esmagador o peso do amor deles. Ela sentiu orgulho de ser amiga de ambos.
— Procure não matar ninguém. — sussurrou Sam.
— Não prometo nada. — Freddie e beijou de novo e fez um sinal para que Gibby o seguisse. Eles correram pela neve e sumiram de vista.
Sam mordeu o lábio sentindo o rosto esquentar.
— Ok... Ele é super quente como Alfa.
— Não vou nem falar nada. — Carly riu e continuou de pé. Ela não cansava, então estar de pé era tão confortável quanto estar sentada em um dos sofás.
— Eu sinto muito por não ter contado sobre o seu irmão. — Sam se desculpou.
— Eu sei que Fredward vai trazê-lo de volta...
— Sim. — Sam sorriu ao pensar no marido — Ele vai.
E que o mundo se curve diante daquele que deveria vir.
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