404 Life Not Found
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Eu sou portuguesa e, como tal, refiro-me aos seres jovens do sexo feminino como sendo "raparigas". Ora, eu sei que isto é considerado uma falta de respeito nalguns países, por isso achei melhor avisar.
Boa leitura!
Vou-vos contar uma história. Podem chamá-la o que quiserem: história, narrativa, ... porque o que vos vou contar é mais que isso, é uma Vivência. Eu vou-vos relatar uma Vida, personificar o Sentimento, alertar a Mente, antecipar a Reação e contrariar o Coração. Podem esperar uma escrita vulgar, com personagens vulgares e acontecimentos vulgares. Mas podem também esperar sentimentos anormais, recordações estapafúrdias e uma rapariga vulgarmente, ordinariamente, impossivelmente muito pouco sã. Uma rapariga que apenas sente na privacidade da sua mente. Uma rapariga com todos os sonhos do mundo e sem motivação para os concretizar. Uma rapariga mal-entendida, até no seio da sua família. Uma rapariga numa busca incessante para estabelecer uma amixade duradoura, fiel — verdadeira. Enfim, uma rapariga em busca. Em busca de Amor, mas com todo o ceticismo de um homem insensível a quem havia sido recusado todas as oportunidades de o ter — o Amor. Amor de família, entre amigos, parceiros, Amor romântico, etc..
Tudo a que uma pessoa tem direito mas nem a todos é dada a oportunidade...
E, sem mais demoras, apresento-vos Asiul.
"17 anos- sou muito nova; 1,58m — sou muito baixa; cara redonda; bochechas proeminentes; olhos azuis; cabelo que não sabe se há-de ser castanho ou loiro; dentes não tão direitos como eu gostaria; rabo... muito rabo, demasiado rabo talvez... Não é de admirar que ele não tenha olhado duas vezes para ti. E nem sequer tinhas o buço feito!". A repreensão mental decorria enquanto Asiul rabiscava o que devia ser o seu caderno de História, mas que nesse momento já era um conjunto de rabiscos de entre os quais ainda se identificava um pequeno boneco, um stickman, a colher flores a arder.
"Oh! Mas no que é que eu estou para aqui a pensar?! Grande estúpida, se ele quisesse alguma coisa contigo ele tinha falado — ele não era nada tímido no final de contas -; mas assim, não querendo, melhor para ti: menos com que te chateares!". Assim que percebeu que tinha ganho mais uma batalha contra o seu coração, olhou em volta; o seu manual de História permanecia fechado, tal como a capa que contia todos os resumos e apontamentos que devia estar a estudar; tinha dois livros empilhados do seu lado direito, um dos quais o célebre "Diário de Anne Frank", que nunca tivera vontade, nem curiosidade de ler, mas que jurava que não valia o esforço nem o sentimento ("Não tenho paciência para uma coitadinha que morreu com tifo") e, ao lado, um pacote de bolachas que, apesar de deliciosas, só o ter de olhar para elas a enjoou. "A Da disse que quando uma pessoa se apaixona perde a fome... será isso que estou a sentir?", olhou mais duas vezes de relance para as bolachas e decidiu que apenas estava sem fome porque havia almoçado à pouco menos de três horas — "A resposta é NÃO definitivamente, então".
O tédio era tal que Asiul se preparava para ir organizar todos os livros fora de sitio da biblioteca quando pensou que o melhor era começar pela carteira, "Mais perto, mais necessário, mais pequeno. Belo treino! Depois passo para as prateleiras.". Estava e abrir a mala e a retirar de lá o seu mais fiel parceiro quando recebe uma mensagem da mãe. "Oh o tempo passou tão depressa! Mesmo agora que eu me estava a preparar para trabalhar!". Decidiu dar uma vista de olhos pelo seu bloco de notas enquanto vestia o casaco, e já foi com um sorriso na cara que guardava os seus cadernos. O sorriso não desvaneceu mesmo quando a saia ficou presa na cadeira e um homem teve vista privilegiada para as suas pernas, nem quando uma mulher fechou uma porta na cara dela, nem quando a mãe a repreendeu por demorar muito tempo a chegar. Tinha um único pensamento a toldar-lhe a mente: "There was so right and wrong. There was only the sane, who thought about bad things, and the insane, who acted on those bad things".
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