4 Passos
2 Chicago
Notas iniciais
Tris
– Mãe, vem, precisamos conversar. – digo, me sentando no sofá.
– E então, o que tem á me dizer, querida?
– Olha, mãe – falo, abrindo meu noteboock no e-mail que recebi da Lancaster.
Primeiro ela me lança um olhar assustado, que vai mudando para olhar sério, que se torna um sorriso de orelhas á orelhas. Ela me abraça, e sussurra em meu ouvido:
–Parabéns minha princesa! Até que enfim, você deixou seu sonho falar mais alto. Mas, você terá que se mudar para Chicago?
Antes que eu pudesse responder, meu pai abre a porta, e da um abraço em cada um de nós.
– Porque desses rostinhos alegres? – Até tinha me esquecido que Caleb estava presente.
E novamente, abro no mesmo e-mail, e vejo o sorriso desaparecer de seu rosto.
– Minha filha, mas a Lancaster é em Chicago!
E já olho para a mamãe, como quem diz: agora posso ter responder.
– Sim pai, terei que me mudar para lá.
– E você vai nos deixar aqui, sem você? – e me olha, com um olhar triste. Nem espera que eu responda, vira e sobe as escadas. Alguns minutos depois, ele desce, com uma caixinha em suas mãos. Para em minha frente, me estende a caixinha. Dentro, tem uma linda gargantilha, com um coração como pingente, quando o abro, há uma foto minha, com minha família. Eu devia ter no máximo 5 anos. Não mudei nada. E então começa a dizer:
– Sabe filha, eu comprei essa gargantilha para você, quando você nasceu, e guardei. Pensei e lhe dar no seu aniversário de 15 anos, depois decidi que lhe daria quando chegasse a maior idade, e por fim, decidi que o melhor momento, seria quando eu não tivesse você por perto. Assim, você me terá sempre em seu coração. — E sorri.
Eu o abraço, o mais forte que eu consigo, para expressar todo o carinho que estou sentindo no momento.
Depois de um tempo, solto o abraço, e quando vou olhar para ele, vejo uma lágrima cair.
***
Minhas malas já estão prontas, só estou esperando a Chris passar aqui. Ela , assim como eu, tentou uma vaga na Lancaster, e para felicidade geral, conseguiu. Estou feliz em saber que ela estará comigo. Antes mesmo de nascer, já tinha uma ligação muito forte com ela, nossas mães são melhores amigas, e essa amizade passou para nós, desde o ventre. Ela irá cursar direito, ela sempre gostou de defender, mas também tinha um talento muito grande para acusar, e se ela acusava, estava certa. Chris nunca mentiu, e Sempre foi muito sincera em tudo.
Só percebo que estava em meio aos meus pensamentos, quando meu telefone me tira deles. É a Chris avisando que já está lá em baixo, muito antes do horário do voo, mas já está. Nosso voo está marcado para 12h00, e ainda são 10h30. Despeço-me dos meus pais, e vamos.
***
Depois de horas desgastantes dentro daquele avião, enfim chegamos em Chicago. A cidade é maravilhosa.
Antes de chegarmos, pedi que Marlene, que veio antes, alugasse um apartamento para nós três. Fomos direto para lá. O lugar é perfeito! Pequeno, aconchegante, e confortável. Lembra-me meu quarto.
Nossas aulas só começam na segunda, então temos o fim de semana todo para curtir a cidade. Mar e Chris foram pegar uma praia, não sou muito adepta a areia, então optei por permanecer em casa e descansar. Acabei dormindo.
Acordei, e o relógio marcava 14h06. Estava morrendo de fome e decidi ir dar uma volta, procurar algum café, não estava mais em horário de almoço. Tomei um banho, coloquei uma batinha coral, um short desfiado, e uma sapatilha, também coral. Sai animada, até porque tinha chegado, e ainda não tinha conhecido a cidade. Peguei minha bolsa, bati a porta, tranquei, e quando ia passar pela porta do apartamento 702, saiu um maluco, correndo, que esbarra em mim, me fazendo cair no mesmo instante de bunda no chão.
– Não olha por... – E congelei, ao ver aqueles olhos azuis, num tom forte, muito mais forte que o azul dos meus olhos. Aquele sorriso de tirar o fôlego. Até que ele me estende a mão e diz algo que creio ser um “desculpe-me”, mas realmente não conseguir entender por completo. Estou anestesiada por aquele olhar. Quando percebo-o ainda está com a mão esticada, esperando que eu pegue para me levantar, quando a porta do elevador se abre, e de lá sai Chris e Mar, com um olhar de: O que diabos está havendo aqui?
Levanto-me, corando um pouco, e assim, recusando a ajuda do garoto dos olhos hipnotizantes. Mas só a voz de Chris para me tirar do transe.
– Tris, eu saio por um momento, e quando volto você já está fazendo alguma maluquice? Temos que te vigiar? – Ela diz, em um tom de brincadeira. A qual eu odiei.
– Como se quem precisasse de supervisão fosse eu! – saio, andando em direção ao meu apartamento.
Quando entro, vem Chris e Mar atrás de mim.
– Acordou agora, certo? – Pergunta Chris. Ás vezes queria que ela não me conhecesse tão bem, mas esse meu mau humor é típico de quando acordo.
– Sim – E sai mais como um resmungo.
– Então agora já pode me dizer, quem é aquele gato? – Só ai me lembro de que deixei o garoto lá, com a mão estendida, esperando que a pegasse. Saio correndo em direção à porta, me lembrando também que minha bolsa ficou lá. Quando chego, não há nada lá, nem ele, e muito menos minha bolsa.
– O que houve Tris? – Mar, que até estava calada, pergunta.
– Minha bolsa, Mar. Ficou ali no corredor quando cai, e agora não esta ali mais. – Ele ficou com a minha bolsa, com todos os meus documentos, preciso recuperar, mas nem sei se ele realmente mora ali, não sei seu nome, nada. Estou ferrada.
Desço até a portaria do prédio, mas o porteiro não está ali. Agora, o que me resta é esperar reencontra-lo. Só não sei se o que me motiva a querer revê-lo, é de fato a minha bolsa, ou aquele par de olhos azuis.
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