4 Passos
5 Alice e seu raciocínio
Notas iniciais
E com a reação mais inesperada e inexplicavelmente possível, só me dei conta de Tris se esquivando de meus braços. Nesse mesmo momento, senti o impacto de sua pequena mão ardendo no meu rosto. Meu Deus, ela me deu um tapa.
– Perdeu a sanidade?– Ela disse, com um olhar que faria qualquer pessoa recuar. – Me solta.
– Oh, ér... me ... descul... – Antes que eu pudesse terminar minha frase, ela já havia imergido em meio a tantas pessoas. Porque essa garota mexe tanto comigo? Jesus.
Após ficar desorientado, preferi retornar para casa, eu realmente não estava mais em estado de espírito para festa. Na verdade, está noite, em momento algum eu estava.
Impressionante, como eu reconheci seu cheiro doce, em meio á tantos aromas?
***
Eu nunca tive o dom de me perder em pensamentos, em toda a minha vida, minhas possibilidades de meditação sempre estavam interligadas á o caos, dor, e nojo. Sendo assim, em qualquer circunstância em que me levara a pensar, me deixara atento. E como previsto, mais uma mudança. Pela primeira vez, consegui me dispersar em meio às lembranças dessa noite. Só me dei conta quando Alice já estava sentada ao meu lado. Ela era umas das poucas que sabia da existência desse meu ponto de refugio. Há um bosque a duas quadras do meu apartamento, e como ele sempre estivera vazio, passei a vê-lo como meu. Meu lugar de acolhimento, o único que tive, já que Marcus nunca deixou que nossa casa passasse o ar de acolhedor.
– O que faz aqui, há essa hora? – Alice me perguntou, com um quê de ironia na voz, já que quem devia fazer esta pergunta seria eu. – Não acha que está tarde?
– Eu realmente acho que está pergunta deveria ser minha.
– Em falar sobre pergunta, acho que a mais adequada ao momento não é esta. – Vi sua feição adquirir traços sérios. – Você só vem aqui quando atordoado, o que houve?
– O ouvido. – Eu realmente não sabia como conseguia fazer piada em meio à circunstância.
– Tobias, “houve” de acontecimento, idiota.
– Desculpe-me, Lice. Eu não resisti.
– Visto isto, vejo que realmente não há motivos para me preocupar.
– Não há minha querida. – Eu nutria certo carinho por Alice. Carinho de irmãos. Criados desde o primeiro choro juntos, ela me conhecia melhor até que meus pais. Melhor dizendo, qualquer desconhecido me conhecia melhor que eles.
– Então porque desde rostinho pensativo? – Disse ela, pegando meu rosto em suas mãos, e o afagando.
– Sensações novas, Lice: Nós nunca sabemos de fato como lidar com elas.
– Acho que é para isso que servem amigos psicólogos. Só para dar consultas em horários e situações estranhas. Diga-me, o que está acontecendo para deixá-lo dessa forma?
– Você já chegou a reconhecer alguém pelo simples aroma de seu perfume? – Não iria adiantar rodear, Alice sempre arrancara de mim tudo que desejara.
– Não. Mas posso te dar a explicação para isso. É uma reação psicologia. Você guarda o cheiro de todo que é importante para você, e ao senti-lo, você o conhece automaticamente.
– Hm... — Foi tudo que consegui dizer. Estava atordoado de mais para conseguir raciocinar.
– Perdão pela invasão, mas você ainda não respondeu minha pergunta: O que aconteceu?
E então eu expliquei para minha melhor amiga de infância, tudo, da primeira trombada, até o beijo.
– Meu querido, é com grande pesar, porém, perdoe-me, felicidade também, que lhe informo: Tobias Eaton, você está apaixonado.
– Mas, Lice, eu a conheço somente há alguns dias, não há possibilidades...
– Cada amor é de uma forma, então não julgue por pouco ou muito tempo. Aliás, não julgue. Apenas, hm, viva o seu próprio conto de fadas.
– Obrigado, Alice. Sua maturidade e visão do mundo ainda me surpreendem. Você sabe, hã, que estou acostumado com sua imagem muito pequena.
– Tudo bem, eu entendo. – Ela disse, repousando a mão sobre meu ombro, como uma expressão de consolo. – Estarei você sabe onde, caso haja necessidade. E mesmo que não seja necessário, me visite. Sinto sua falta.
– Okay, ainda sim, obrigado.
E novamente Alice me deixou só, com meus pensamentos conturbadores.
***
Eu tinha um talento incomum, e nada agradável de perder o horário. Já passava das 10h00, tinha de estar na Lancaster 7h00. Perdi meu dia. Aliás, só parte dele. Ainda teria que ir para a Eaton’s. Esse realmente não é meu dia de sorte, não mesmo.
Meu telefone toca.
– Alô!
– Tobias, onde você está Brow?
– Perdi a hora cara, acordei agora.
– Vai para a empresa hoje, ainda?
– Creio que sim. Algo importante? – Zeke cursava Direito, por isso algumas aulas ligadas as minhas, assuntos comuns, e como já estava em um estágio avençado de seu curso, já havia assumido um cargo na Eaton’s. – Há necessidade de chegar antes? Depois que do almoço, tenho tempo livre para chegar com antecedência.
– Na verdade, não. Só queria conversar contigo mesmo. Mas nada importante, só algumas, hã, duvidas... – Percebi a hesitação em sua voz.
– Zeke, o que está acontecendo?
– Não, não é nada... hã, nada importante. – Antes que eu pudesse indagar novamente, ele já havia desligado. Bufei. Ele nunca vai admitir, mas ele nunca me liga assim. É realmente importante, e só me resta esperar.
***
– Cara, sabe a Shau? – Zeke me perguntando, numa transições ainda indecisa entre o vermelho e o branco.
– Sim, Zeke, sei, a Shau. O que tem ela?
– Então...
– SE você tem esperanças de permanecer por mais um tempo com sua língua, é melhor adiantar logo o assunto. Caso contrário, acho que Thor não se importaria em degustar parte dela. – Ele já estava me irritando. Não resisitiu me esperar no escritório, veio até minha casa conversar comigo. – Vai ou não me dizer logo o que está te deixando assim?
– Eu até diria, se soubesse como. Ou como explicar, sei lá...
– Comece explicando com uma explicação. – Meu tom irônico lhe fez me lançar um olhar medonho.
– Então... Nós nos beijamos.
– Até que enfim, já estava achando que teria que tomar alguma providência. E você conhece meu modo de agir e minhas providências, elas não seria favoritivas para nenhum dos dois. Na verdade, até que seria. Mas você sabe, a Shau é bem vergonha, então acho que eu estaria assinando meu declaração de obíto.
– Eu realmente prefiro manter a idealização da cena longe da minha mente. Minha sanidade nunca foi muito estável, se é que me entende. Mas é claro, claro que me entende. – Esse espírito galinha do Zeke ás vezes me surpreende, ele é de mais até para mim.
– Sem detalhes sordidos Zeke. Isto me faz imaginar a circunstâncias do beijo de vocês.
– Acredito com todas as minhas que você não vai querer muito realmente imaginar.
– Zeke, ás vezes você me dá medo, sinceramente.
– Achei que você já tivesse se acustomado. – Ele disse, dando de ombros.
– Também achei.
– Ta, agora vamos ao que interessa. Onde eu entro nessa história de certo ponto, bizarra. Ou, porque tanta... Histeria?
– Cara, eu nunca senti nada iguais ao que senti com a Shau. – Essas palavras me trouxeram um turbilhão de lembranças da noite passada. Ele tinha descrito exatamente o que sente com a Tris. Eu nunca havia sentido o que senti com ela, com outra pessoa. Sensações novas.
Zeke percebeu meu silêncio.
– Cara, o que houve? Você ficou sério do nada. Disse algo de errado?
– Não, não foi você...
– O que você tem?
– Essa questão, e “O que aconteceu?” já está me irritando ultimamente.
– Não mude o foco, nem a conversa.
– Já disse como você é irritante?
– Tobias!
– É só que eu não queria dizer nada em relação a isso, sabe? Tô querendo manter só para mim, agora. – E para Alice, completei mentalmente. – Me entende?
– Tudo bem, tudo bem... Só me prometa que não vai esconder nada de mim. Eu me importo muito com você. Você sabe, sempre tive você como irmão, e respeito sua decisão de guardar o que esta lhe afligindo para você agora, mas ficaria magoado em saber que você não confia de me confidêncialhizar algo.
– Não é isso, você sabe. Eu realmente só gostaria de manter isso para mim, pelo menos por um tempo. Eu não sei realmente o que se passa.
– Okay...
– Mas... e Você e a Shau? Surpreendente. Você nunca foi de se apegar á alguém.
– E realmente não sou. É só que... Eu não sei explicar. E também não sei explicar o que senti.
– É, eu sei bem o que é isso. – murmurei.
– O que você disse?
– Não... não é nada importante. – Zeke fechou a cara.
– Ei, qual é? Eu só estava me perguntando onde deixei meu celular.
– Hm, okay.
– Zeke, não precisa ficar assim cara. Isso é forçação de barra.
– Tudo bem, vou deixar isso pra lá...
E até a hora de experiente, ele ficou me contando toda a história.
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