3pm

1 Primeira Parte


“Tens idade entre 16 a 20 anos? Tens talento e não és reconhecido?

Inscreve-te já nas novas audições da Arting! A escola de talentos que te vai levar mais longe!”

– Ei, Chansung, não tens aula agora?

Junho era um antigo colega de escola de Chansung e neste momento esta a trabalhar num café-restaurante perto da casa do rapaz.

O mais novo olhou para o relógio de parede ainda meio ensonado voltando logo o olhar para a sua sandes mista.

– Só tenho aula ao meio-dia. Ainda só são dez.

– O relógio está sem pilhas Chan… São meio-dia e vinte.

Chansung agarrou na mala e na sandes meio comida, saindo a correr para a escola que ficava a uns vinte minutos a pé.

Correu o caminho todo empurrado pessoas e quase caindo, mas compensou. Em menos de quinze minutos já estava de frente para a escola à distância de uma passadeira. Respirou ofegante uns segundos até recomeçar a correr sem verificar se vinha algum carro.

A rua era calma e por ser perto de uma escola os carros andavam devagar, porém naquele dia e naquele preciso momento foi diferente. Um descapotável preto entra velozmente pelos grandes portões da escola quase atropelando o jovem que se atirou para o chão vendo a vida toda passar-lhe à frente dos olhos.

O rapaz do carro sai rapidamente correndo para dentro do edifício sem se preocupar com Chansung que tenta chama-lo enquanto corria atrás dele.

– HEEEY! PARA!

O rapaz continua a correr sem ligar nenhuma ao mais novo que o seguia furiosamente. Por sorte, o rapaz acaba por parar de correr entrando dentro de uma sala. Mas nem o facto de haver alunos na divisão impediram Chansung de entrar porta a dentro.

– TU… — Chansung apoia as mãos nos joelhos tentando recuperar o folgo.

– Hwang Chansung! Chegas tarde e ainda destabilizas a aula!? – Reclama a professora cruzando os braços.

Chan recua alguns passos para fora da sala confirmando o número da mesma. Era mesmo a sala dele. Mas o que faria a outra pessoa ali?

– Fui atropelado por este aqui! – Resmunga o mais novo apontando para o rapaz do descapotável preto, voltando a entrar na sala.

Todos os colegas riem.

– “Este aqui” é o Ok Taecyeon. O famoso músico, compositor, ator, modelo e tudo o que possas imaginar. Ele disponibilizou um pouco do seu tempo para vos dar uma palestra e não para ser acusado de atropelamento e fuga. – Reclama a professora tentando não levantar a voz.

Chansung estava a repetir o ano pela terceira vez. Quando entrou para a Artingtinha dezoito anos e a “escola” dava cursos de três anos que equivaliam aos respetivos anos numa escola normal.

Não chumbava por falta de notas mas sim por faltas de presença. Tinha perdido a sua motivação e atrasava-se todos os dias, tirando as vezes em que nem chegava a aparecer.

– Peço desculpa se te atropelei mas estava atrasado. – Desculpa-se Taecyeon curvando-se para a frente.

– Vai-te lixar. – Dizendo isto sai da sala deixando todos boquiabertos. Normalmente Chansung era de poucas palavras e não trataria assim uma pessoa famosa, afinal aquela escola era para os tornar famosos.

Taecyeon mostra um sorriso divertido para acalmar os ânimos que se tinham levantado e começa a sua palestra. Era fácil fugir daquelas situações sendo ator, as pessoas acreditavam em tudo.

T&C

Chansung estava sentado no café onde Junho trabalhava a rabiscar umas coisas no seu caderno enquanto ouvia música de fones.

– Quanto tempo vais ficar assim? – Pergunta o amigo sentando-se à sua frente.

O mais novo dá pela presença de Junho apesar de a música o impedir de ouvir.

– Não tens trabalho? — Tira um dos fones dos ouvidos embora não tirasse os olhos do caderno.

– Não tens aulas? – Riposta roubando-lhe o caderno e começando a ler. – É uma nova música?

– Devolve-me isso!

O rapaz ignora a ameaça tirando agora um dos fones do mais novo para ouvir a melodia.

– É para a escola? Estas finalmente a tentar acabar o ano?

– Junho! – Reclama tentando recuperar as suas coisas.

– Ei está bem gira! Vais gravar a tua voz?

– Depois de acabar a letra ia fazer isso... – Diz já mais calma voltando a sentar-se.

– Eu quero ver isso. – Sorri.

Entretanto um cliente chega e Junho rapidamente o vai atender deixando Chansung de volta da sua nova canção.

Era um rapaz muito talentoso. Tocava piano, guitarra, bateria, baixo, violino, saxofone e ainda canta, dança, compõe e representa.

– Ei Chan! Isto está cheio importas-te de partilhar a mesa? – Pergunta Junho aparecendo de repente ao pé do rapaz.

– Não é preciso. Eu já estava de saída mesmo. – Levanta-se para sair mas assim que olha para a pessoa da porta fica imóvel.

– És o rapaz que ia atropelando não és? – Ri-se o rapaz aproximando-se de Chansung. – Não devias ter saído da sala, os teus colegas acharam a minha palestra muito interessante.

Taecyeon puxa a cadeira e senta-se na mesa onde Chansung estava.

O mais novo recomeça o seu caminho sem dizer nada.

– Ei espera! – Chama Taecyeon pondo a mão à frente da cara para não ser reconhecido. – Ficaste ferido?

O rapaz olha sério para Taecyeon sem responder.

– Precisas de ir ao hospital?

Chansung dá meia volta e sai do café sem dizer nada.

– Dá-lhe um desconto, hoje não está nos seus dias. – Diz Junho aproximando-se com o bloco de notas. – Então o que vai pedir?

T&C

Passaram-se três dias desde o “quase” atropelamento de Chansung. O rapaz não tinha saído de casa nesse tempo nem para ir às aulas, ficava o tempo todo de volta da canção. Já a tinha acabado e usava o mini estúdio que o pai lhe tinha oferecido quando foi aceite na Arting para gravar a música. O instrumental já estava, só faltava a voz.

A campainha tocava pela terceira vez e o telemóvel pela vigésima. O estúdio era como uma pequena sala de vidro à prova de som o que impedia com que ele ouvisse o que se passava do lado de fora e vice-versa.

A campainha não tocou uma quarta vez e o telemóvel não voltou a tocar. Em vez disso a porta da entrada é aberta com a ajuda de umas chaves suplentes que apenas duas pessoas possuíam. Os pais e Junho já que até à relativamente pouco tempo dividiam a casa.

– ACHO BEM QUE ESTEJAS MORTO PARA NÃO ATENDERES A PORRA DO TELEMÓVEL HWANG CHANSUNG! – Grita Junho entrando casa à dentro.

O mais novo dá pela presença de Junho e apressa-se a sair do estúdio ao ver a cara furiosa do amigo.

– Que fazes aqui? – Pergunta estranhando a sua presença.

– Estava preocupado contigo! És atropelado e depois disso nunca mais ninguém te vê o que achas que uma pessoa pensa?! – Reclama gesticulando com as mãos.

– Desculpa lá… Acabei agora mesmo a canção queres ouvir? – Agarra no pulso do amigo e puxa-o para o estúdio. – Falta só alguns arranjos mas dá-me já uma opinião ai na última parte.

Chansung estava elétrico e animado, Junho logo percebeu o porquê ao ver um termo de café. O amigo ficava perigoso quando bebia café, e pela cara dele não devia dormir desde que andava desaparecido.

O pequeno estúdio estava cheio de papéis amarrotados por todo o lado juntamente com embalagens de sumos e fast-food espalhadas, não só no estúdio, como por toda a casa. O rapaz tinha as mesmas roupas que usava naquela terça-feira o que significava que não tomava banho desde ai.

– Então que te parece? – Pergunta assim que a música acaba.

– Está espetacular, para um amador. – Ouve uma voz vinda da porta.

No meio de tanta coisa nem tinha reparado que Junho não tinha ido sozinho.

– Que faz ele aqui? – Reclama o dono da casa cruzando os braços em frente ao peito.

– Ele foi ao café e perguntou se tu estavas ferido e se tinhas ido ao hospital e quando disse que não te via desde esse dia obrigou-me a traze-lo cá. – Responde Junho metendo os papéis no lixo. Era já um hábito arrumar o lixo do ex-colega de casa.

– Estou vivo. Já podes ir embora. – Resmunga Chansung arregaçando as mangas voltando para o computador.

Taecyeon fica sério repentinamente aproximando-se do mais novo. Agarra-o pelo braço obrigando-o a levantar-se e olha-o seriamente.

– O que é isto? – Pergunta fazendo pressão numa enorme ferida que percorre o braço desde o cotovelo ao pulso.

O mais novo geme de dor puxando o braço de volta e lançando-lhe um olhar agressivo.

– Fizeste isso ao desviares-te do carro? – Insiste o mais velho.

– Ele passa a vida a aleijar-se, mas tratar das feridas está quieto. – Resmunga Junho que saía da sala para ir buscar a caixa de primeiros socorros. Chansung sempre dizia que parecia a sua avó a resmungar.

– Estás ferido em mais algum lado? – Pergunta Taecyeon preocupado.

– Eu não te vou processar ou difamar pelas redes socias e pelos Mídias, podes ir embora.

Taecyeon continua parado a olha-lo seriamente.

– Está aqui. – Junho pousa a caixa ao pé de Chansung e dá-lhe uma banana que trouxe da cozinha para o mais novo.

– Para que é a fruta? – Pergunta Taecyeon.

– Ele é uma criancinha quando se desinfeta as feridas e a banana acalma-o. – Responde Junho agarrando num pedaço de algodão e começando a tocar suavemente na ferida.

O mais novo encolhe-se a cada toque mas sem desviar por um segundo o olhar furioso de Taecyeon.

O famoso por outro lado olhava atentamente para a ferida do rapaz com alguma preocupação visível. Devia ter-se verificado logo se o rapaz estava ferido e isso deixava-o intrigado. Uma ferida tão grande não devia estar só.

– Pronto, já está. O que seria de ti sem mim. – Resmunga Junho batendo-lhe levemente na cabeça.

– E as outras feridas? – Pergunta Taecyeon sério ao ver uma mancha estranha nas calças.

– Não há mais. – Responde Chansung.

– Despe-te.

– Quê?!

– Não acredito em ti. Só vou embora se estiveres totalmente tratado.

– O que é que isso te interessa? Não foste logo embora depois de me atropelares? – O mais novo levanta-se mostrando uma certa raiva na voz.

– Eu trato dele podes ir. – Interrompe Junho ao perceber o estado do amigo.

Taecyeon olha hesitante para os dois mas acaba por ceder.

– Aparece no café para ter a certeza que estás bem. – Diz antes de sair.

– O cachopo é completamente doido! – Exclama Chansung voltando a sentar-se.

– Ne Chan… Estás mesmo ferido em mais algum sitio?

O mais novo olha para o amigo uns segundos antes de responder. Estava ferido na perna e nas costas mas antes de ser tratado foi obrigado a ir tomar banho e trocar de roupa. Enquanto fazia isso, Junho aquecia algum ramen e arrumava uma parte da casa para ao menos se conseguirem mexer.

T&C

– Ele não é uma fraude de seguros e não me vai arruinar a carreira. É apenas um miúdo que acabou por sair magoado… — Explica Taecyeon para o rapaz sentado ao seu lado no carro.

– E demoraste tanto tempo para descobrires só isso?

– Quis ter a certeza que estava bem.

O rapaz do lado riu ligando o carro.

T&C

Chansung entre no café com a guitarra às costas sentando-se na mesa do costume e pedindo o habitual.

– Ainda bem que trouxeste a guitarra. – Exclama Junho alegre.

– Porque me pediste que a trouxesse?

– Mostrei a música ao meu chefe e ele autorizou que tocasses aqui e ainda te vai contratar para tocares de noite se as pessoas gostarem de ti!

– Estás a falar a sério?!

– Claro! Vá mexe-te, comes depois! – Puxa o braço do rapaz acabando por aleija-lo na ferida mas ele nem protesta. Já sabe se o fizesse o iam proibir de tocar com receio que acabasse por ficar pior.

O café tinha um pequeno palco com um piano de calda que ocupava quase o espaço todo, e uma cadeira com um microfone à frente para as pequenas atuações que lá haviam.

Chansung agarrava no instrumento enquanto olhava fixamente para o palco. Sorri abertamente e corre para ele sentindo o seu sonho a tornar-se realidade. Podia estar a faltar à escola mas se já tiver trabalho quem se importa?

Agarra no microfone e faz uma pequena apresentação. Mesmo não chamando muitas atenções sentia-se feliz ao ver alguns rostos a observarem-no de baixo.

Quando começa a tocar conquista mais pessoas e quando começa a cantar era capaz de jurar que tinha todo o café a olhar para ele. Sentia-se a pessoa mais feliz do mundo e isso deixava Junho feliz. Não via o amigo sorrir assim há muito tempo.

Quando acabou a música todos aplaudiram. Fez várias vénias agradecendo e saiu do palco ainda com um sorriso cheio de felicidade.

– Adivinha quem acabou de ser contratado para tocar todas as noites? – Sorri Junho aumentando mais a alegria do mais novo se é que isso fosse possível. – Eles gostaram mesmo de ti! Agora só tens de falar com o meu chefe sobre o salario. – Explica o rapaz.

– Obrigado, obrigado, obrigado!

T&C

Nas noites que se seguiram, Chansung tocou sempre no café onde Junho trabalhava. Cada vez apareciam mais clientes e o seu nome já tinha chegado à Arting, onde não metia os pés há semanas. Durante o dia dormia um pouco e compunha novas canções e a noite atuava. Estava estafado.

Chansung acaba de tocar a última música e sai do palco ao som dos aplausos.

– Ei Chan há uma pessoa que quer falar contigo. – Chama Junho ao ver o amigo aproximar-se do balcão.

– Quem?

– Eu. – Responde um senhor ao seu lado. – Sou Yamamoto Tsukasa. Produtor e caça-talentos japonês. – O senhor dá-lhe um cartão que é logo aceite pelo rapaz.

Continuam a falar pela noite fora sobre negócios. Tsukasa estava bastante interessado nos talentos de Chansung. Oferecia-lhe muito melhores condições do que as que tinha agora e o ordenado também era maior o que agradava imenso ao rapaz.

O caça-talentos tira um contrato de dentro da mala e estica-o a Chansung juntamente com uma caneta. O rapaz entusiasmado agarra na caneta e começa a assinar onde era pedido mas não chega a acabar nem uma assinatura.

Taecyeon tinha aparecido por detrás do rapaz e tirando-lhe o contrato das mãos rasgando-o de seguida.

– Que estás a fazer?! – Grita Chansung tentando não chamar muito as atenções.

– A salvar-te. Esse tipo é um impostor. Devias ler os contratos antes de assinares sabias?

– Não lhe ligues. Ele só está assim porque eu não o aceitei antes de ele ser famoso. Não te preocupes, eu tenho outro contrato aqui… — Esclarece Tsukasa.

– Lê aqui. – Taecyeon agarra numa das partes da folha e mostra-a ao rapaz.

O contrato dizia que iria gravar um álbum ou mais mas que não teria direito a nenhum lucro que ganhasse. Aquela lengalenga toda era mentira.

O mais novo desviou os olhos do pedaço de papel para encarar Tsukasa mas ele já não lá estava. Tinha aproveitado a distração de ambas as partes para fugir por entre a multidão.

– Como sabias que ele era um aldrabão?

– Tentou fazer o mesmo comigo mas um amigo salvou-me. – Responde sentando-se onde o homem anteriormente estava. – Estás melhor das tuas feridas?

– Hn… — Resmunga em resposta. – E o que estavas aqui a fazer?

– Venho aqui todas as noites. – Sorri. – Se quiseres consigo arranjar-te lugar na empresa. Não te estas a sair nada mal para…

– Um amador? – Interrompe ironicamente. – Não preciso de cunhas da tua parte.

Dizendo isto levantou-se e voltou para casa.

– Aquele homem não desiste han? – Pergunta o rapaz do carro sentando-se ao lado de Taecyeon.

– Hum?

– O “caça-talentos”.

– Há sim pois é.

– Estás estranho ultimamente. O rapaz anda a ameaçar-te ou assim? – Brinca o rapaz.

– Claro que não!

– Então porquê vens cá todas as noites que estás livre?

– Eu… Gosto deste sítio. É acolhedor. – Responde com um enorme sorriso recebendo um revirar de olhos do rapaz.

T&C

Chansung estava sentado à janela de casa a ouvir a chuva cair. Nas mãos tinhas as baquetas da bateria e batia com elas na parede ao ritmo da chuva enquanto cantava a letra de uma nova canção.

A campainha tocou insistentemente até Chansung se levantar para ir abrir a porta. Mas nem assim ela parou de tocar.

– Está quieto. – Pediu Minjun agarrando na mão de Wooyoung que continuava a tocar na campainha como se fosse a coisa mais divertida do mundo.

Chansung sorriu por ver os amigos. Não os via desde que tinham acabado a escola e arranjado emprego. Wooyoung era um famoso dançarino e Minjun era o seu manager. Eram amigos desde a escola primária apesar da diferença de idades.

– Entrem. — O mais novo fez sinal para o amigos entrar e guio-os para a sala.

– O Junho já não vive aqui? – Pergunta Minjun sentando-se.

– Já não. Fez as pazes com o pai e voltou para casa dele.

– Estavam chateados? – Wooyoung estava sentado onde anteriormente Chansung tocava ao som da chuva.

– Estávamos sempre a falar disso. – Ri-se Chansung.

– O pai não queria que ele fosse para a Arting. – Explica o manager.

– E quando ele acabou a escola e não conseguiu emprego neste mundo o pai perdoou. Mais por pena e talvez com medo da vassoura da mãe dele. – Riu-se Chansung ao lembrar-se de serem perseguidos com a vassoura quando iam a casa de Chansung sujos de lama.

– Então e o que estão aqui a fazer?

– Temos novidades para ti. – Diz Minjun entusiasmado.

– Vocês vão-se casar…?

Os rapazes trocam olhares começando a rir.

– Ainda não.

– Ainda não? Estão juntos desde que me lembro. – Ri-se o mais novo. – Então o que é?

– A agência onde trabalhamos ouviu falar de ti e querem contratar-te!

– Isso é a sério…?

– Claro. Não acreditas em nós, é? – Brinca Minjun.

Chansung estava hesitante por ter quase sido enganado. Mas porque haveria de duvidar dos seus amigos? Talvez o seu talento fosse mesmo reconhecido.

– Não é nada disso. Então quando começo?

– Agora. Viemos buscar-te.

Minjun levanta-se rindo da cara de espanto do amigo.

– Vá mexe-te! Woo anda! – Chama o namorado que estava a ouvir as músicas de Chansung no estúdio. – Eu vou busca-lo… Vai trocar de roupa para irmos.

Chansung fica parado a ver o amigo ir ter com Wooyoung, apenas vai para o quarto quando começam a trocar caricias. Tinha-lhe custado aceitar a relação dos amigos, não se considerava homofóbico mas não suportava ver demonstrações de afeto entre pessoas do mesmo sexo.

Saíram da casa do mais novo e entraram na van que os esperava para leva-los à agência.

O rapaz estava radiante, nunca tinha entrado numa van e ainda mal podia acreditar que ia mesmo trabalhar para uma agência profissional, ainda mais a agencia dos amigos! Era impossível sentir-se sozinho.

Quando chegaram ao local desejado, os dois rapazes saíram primeiro deixando Chansung a admirar a agência pelos vidros fumados do carro. Saiu pouco tempo depois seguindo os amigos em direção ao grande edifício azul claro.

O motorista da van esperou o sinal de Minjun para ir embora. Chansung olhava em volta encontrando vários famosos e imaginando como seria um dia dispensar o seu próprio motorista enquanto era perseguido por fotógrafos e paparazzi.

– Finalmente voltou ao normal. – Murmurou Minjun para Wooyoung recebendo um acento de cabeça do pequeno. – Ei Chan! É por aqui! – Chama o rapaz à porta do edifício.

Levaram o rapaz até à sala do chefe da agência mas tiveram de o deixar sozinho para o Wooyoung ir ensaiar com os restantes dançarinos, não que precisasse.

– Entra. – Ouviu uma voz de dentro da sala onde acabara de bater.

Chansung sentia as pernas a tremer. Inspirou fundo três vezes até abrir a porta e cumprimentar o seu novo chefe.

– Deves ser o Hwang Chansung certo? Eu sou o Park Jin-young. Mas podes tratar-me por JYP.

T&C

Um enorme barulho ecoa pelo quarto do rapaz. Chansung resmunga algumas coisas antes de desligar o despertador. Estava ainda mais cansado do que na altura em que trabalhava no café e o pior é que ainda não tinha subido a um único palco, nem sequer nos ensaios.

Levanta-se da cama e arranja-se para mais um dia de trabalho. Todos os dias tomava o pequeno-almoço no café de Junho. O seu salário era quase o dobro do que o que recebia no café mas mesmo assim sentia saudades de lá estar e de ouvir os aplausos quando subia para o palco e quando acabava uma canção.

Outra das desvantagens do novo emprego é que o tinham obrigado a acabar a escola. Faltava-lhe o último ano da Arting mas finalmente estava a uns meses de acabar o ano. As suas notas tinham melhorado drasticamente e tinha-se tornado um aluno pontual. O seu grupo de amigos também tinha aumentado mesmo que alguns deles fossem apenas interesseiros que procuravam cunhas para entrarem na agência.

– Bem Jeonggamie, hoje vais ficar outra vez sozinho. Não me destruas a casa como ontem. – Despede-se Chansung do gato que se enroscava nas suas pernas enquanto ele se calçava.

O caminho para a agência ainda ficava um pouco longe o que fez com que chegasse atrasado e tivesse que correr direto para a sala de ensaios. Chegava quase sempre atrasado o que ajudava com que voltasse a perder a motivação.

– Desculpem o atraso. – Desculpou-se assim que entrou na sala já cheia pelos novatos e a professora.

– Um cantor não se deve atrasar e tu já andas a exagerar não achas? – Diz a professora calmamente prosseguindo com a aula.

O rapaz suspirou sentando-se numa das mesas.

Ao almoço teve a sorte de encontrar-se com Wooyoung e Minjun. Os seus colegas não simpatizavam muito com ele e por isso almoçava quase sempre sozinho. Diziam que só tinha entrado por terem falado dele, que não tinha talento nem motivação, que tinha mais privilégios que eles. Apesar de ser tudo mentira, o rapaz começava a sentir-se em baixo.

Estava a falar animadamente com os amigos quando começa a ouvir uns sussurros da parte dos colegas e uns olhares sobre si. Os dois jovens param de falar e ficam a olhar para o lado de Chansung. O mais novo sem perceber vira a cara quase gritando e aproximando-se rapidamente de Wooyoung que estava ao seu lado.

– Não sabia que agora trabalhavas aqui. – Sorri o recém-chegado.

– Conhecem-se? – Pergunta Minjun.

– Não.

– Sim. – Responde ao mesmo tempo que Chansung.

– Este é o Chansung, é nosso amigo de infância. – Apresenta Wooyoung. – Ele é o Taecyeon e o rapaz do lado é o Nichkhun. Agora faço as coreografias deles.

– Podíamos ser um trio se tu aceitasses. – Responde Nichk.

– Só aceito se o Minjun entrar no grupo comigo.

– Eu estou bem como manager. Se quiseres pertencer à banda força, mas não me metas nisso. – Agarra no casaco que estava na cadeira do lado e abandona o refeitório sobre o olhar de todos os presentes.

– O que é que lhe deu? – Pergunta Chansung sem perceber nada.

– Nós fizemos as audições na mesma altura mas só um de nós podia entrar. – Começa Wooyoung ainda a olhar para a porta. – Como sabes eu é que fui o escolhido e recentemente deixaram-no entrar sem ser como manager.

– E como ele é teimoso não aceitou certo? – Diz Chansung recebendo um sinal afirmativo do loiro.

– Nós já tentamos convence-lo mas ele não quer. – Acrescenta Taecyeon a olhar fixamente para o novato.

– Eu agora tenho aulas e não me posso atrasar mais. Depois passem lá por casa para pormos a conversa em dia. – Diz o rapaz para Wooyoung levantando-se da mesa.

Durante as aulas o rapaz sentiu-se ainda mais observado e rejeitado que o normal. De certeza que tinha a ver com a hora de almoço…

Continua...