367
6 Capitulo 6 - Revelações -
–Pricila? O que foi?
–Alô, aqui é do hospital Pólux unidade sete, o seu contato está para caso de emergência no celular de Pricila Ynara, ela acaba de chegar no hospital e está sendo levada para a CTI. Solicitamos a vinda da senhora para cá de imediato.
Segurei o celular mais forte, muitos pensamentos horríveis me atingiram no exato momento, eu não sabia direito as siglas hospitalares, mas sei o que era a CTI, e não gostei nem um pouco de ouvi-la. Me levantei e corri até o quarto da minha mãe cambaleando.
–Mãe?
Para a minha surpresa ela estava se vestindo e com uma torrada na boca
–Recebi a ligação do hospital. Fique aqui é melhor.
Ela calçou os sapatos e foi em direção a porta, entrei na sua frente, eu não podia deixa-la ir sem mim, afinal, a Pricila é minha melhor amiga, não podia deixa-la daquela maneira.
–Espere, eu vou junto!
Ela me olhou como se dissesse “tem certeza” eu apenas corri até meu quarto calcei um chinelo peguei uma blusa de frio e corri até ela.
Aquele foi o trajeto mais tenso da minha vida, nem eu ou minha mãe ousávamos pronunciar algo que acabasse com aquele silêncio fatal, enquanto eu tentava afastar os pensamentos ruins, o que era praticamente impossível. O percurso pela aquela noite vagarosa era de dar medo, as casas escuras e as cortinas fechadas, mas a sensação de algo estar espiando de dentro daqueles cômodos fechados era horrível. Quando finalmente chegamos no hospital, não esperei minha mãe, apenas saí correndo afim de achar a única pessoa que eu queria que estivesse bem no momento, e se ela estivesse com a mesma doença do pai do Skye, e se ela estivesse com algo pior do que aquela doença, tentei afastar os e se e continuei correndo até ser barrada por um segurança, tentei empurrá-lo mas não sou tão forte, desmoronei no chão me sentindo fraca, estava chorando muito, meus esforços para levantar ou ao menos parar de chorar não estavam valendo a pena, senti uma mão no meu ombro, virei-me e abracei a minha mãe, foi reconfortante, ela me levou até a sala de espera me deu um copo d’água e saiu em direção a CTI, eu não podia ir até lá, já que era um lugar restrito mas eu queria saber o que tinha acontecido, minha preocupação achava brechas e acabava comigo, a dor de não poder ajudar e saber que ela estava em estado grave só me matava mais por dentro, encostei a cabeça no acolchoado do sofá e adormeci.
-------------------------------------------------------------------
Acordo no susto com o barulho da porta de vidro se arrastando, era Ryan junto com uma enfermeira que aparentava ser bem nova, talvez estivesse fazendo um estágio noturno ou algo assim, ela tinha um corpo robusto e cabelos escuros, o que dava contraste a sua pele pálida e aos olhos esmeraldas, e uma breve sensação de que eu a conhecia de algum lugar. Mas não deixava de ser surpreendente o fato de ele estar ali, já ouvira falar que ele não gostava de hospitais como Skye.
–Ryan? O que você está fazendo aqui?
–Soube que a Pricila estava indo para a UTI.
–UTI ?? Ela está indo para a CTI, Ryan. Como você soube??
–O meu número está salvo como contato de emergência no celular dela.
–Desde quando? Nunca vi vocês conversando direito.
–Ahn? Como assim “desde quando”, desde que começamos a namorar, ela não te contou?
“Namorar”, eu havia escutado direito, ela estava namorando e não havia me contado, foi outro choque para aquela noite, não pude acreditar.
–Há quanto tempo?
–Já faz umas duas semanas.
Eu ia perguntar mais, muito mais, mas a mesma enfermeira que o trouxe nos interrompeu.
–A Pricila vai fazer uma cirurgia de emergência agora, vai demorar, vocês podem ir para casa se quiserem, os tios dela acabaram de chegar.
–Por que vocês não ligam para os pais dela? O que aconteceu?
A enfermeira franziu o cenho em sinal de dúvida.
–Os pais dela estavam com ela na hora do acidente, o carro colidiu com um caminhão que vinha no sentido contrário, o motorista havia dormido no volante, o carro foi jogado para fora da estrada que colidiu com uma árvore que os impediu de cair dentro do Rio Laite.
Senti um frio na nuca, eu sabia que ela estava viajando com os pais para a cidade vizinha, mas o Rio Laite fica a quase 100 metros de altura abaixo de um penhasco, e uma árvore impediu que o carro caísse, o que era realmente muita sorte, um milagre.
–Vocês podem ir embora, não acho que vocês irão querer ficar aqui, não acho que você será necessária no momento...
Ela estava expulsando a mim e a Ryan do Pólux, minha melhor amiga estava em estado crítico e aquela enfermeira queria mandar eu ir embora, e de maneira alguma eu ia ir embora, Ryan pareceu desapontado, mas já estava levantando para ir. Que tipo de namorado ele seria para a minha amiga se ele nem ao menos persuadiu para ficar ali e acompanhar a namorada em estado grave. Puxei o braço dele e olhei ferozmente para a enfermeira que parecia satisfeita ao ver que ele estava deixando o hospital.
–Obrigada, moça, mas iremos ficar, afinal, quem está naquela sala fazendo uma cirurgia é a minha melhor amiga e a namorada desse rapaz aqui do meu lado, então creio eu que somos muito necessários aqui, principalmente quando ela acordar, e acho que ela iria querer ver mais a gente do que ver você.
A enfermeira ficou claramente surpresa com o comentário indesejado, olhou para mim com um olhar ameaçador mas não fez nada, apenas saiu da sala. Me recostei no assento macio e fechei os olhos.
–Ryan, você precisa aprender a ser um namorado melhor, você quase deixou a Pricila nos cuidados daquela enfermeira...
Ele deu uma risada abafada, não acho que meu cometário era para ser engraçado, afinal, ele estava deixando a namorada sozinha no hospital e indo embora. Ele se levantou.
–Vou ver se consigo informações mais claras.
E ele saiu da sala, e depois adormeci ouvindo o som do aquário.
Fale com o autor