365 Dias
16 O Primeiro Dia Sem Sakura
Notas iniciais
Virou-se para o lado direito de sua cama de casal e bufou, fitando o espaço vazio a sua frente. Primeira noite mal dormida registrada com êxito. Passou a mão pelo colchão macio e alinhado, estava frio, mas ainda emanava o cheiro agridoce de Sakura.
Entre todas as coisas que a ausência de Sakura o afetaria, dormir, foi a única que não cogitou. Quer dizer, era bom ter o corpo quente de sua esposa colado ao seu, de alguma forma o cheiro dela o agradava, sentir o peso do suas pernas e braços em seu tronco também era reconfortante. No entanto, tinha em si, que após apagar nada daquilo faria diferença. Quando o cansaço batesse, sem Sakura ou com Sakura ele iria dormir. Vã inocência.
Havia virado para todos os cantos daquela cama, tomado todas as posições possíveis. Contado carneiros, chidoris, kunais, kage bunshin e nada. Só naquela noite ele tinha contado quantas tiras de madeira havia da janela até a cama, observando suas nuances e detalhes. Uma até parecia ter um rosto.
Descobriu a diferença entre marfim e bege, o quadro acima da cama não estava dimensionado com precisão e pela janela podia visualizar um pequeno pedaço do mastro que tinha logo no início da concentração de campos de treinamento.
Não mentiria em dizer que seus olhos fecharam-se algumas vezes, uma hora o cansaço venceu, mas ainda era um sono vazio, desconfortável e sem paz. Qualquer mínimo ruído o acordava.
E agora, naquela manhã cinzenta, faltava lhe animo para treinar ou fazer qualquer outra coisa graças à noite mal dormida, mas não tinha com o que ocupar sua mente. Estava de folga. Maldito fim de semana. Maldita missão de Sakura. Maldito princípio de epidemia no quinto dos infernos. Maldito médicos incompetentes de lá. Maldito seja quem pediu a missão. Maldito o Hokage que a designou. Maldito... Kakashi!
Em um pulo Sasuke saiu da cama, fez sua higiene matinal, pegou a primeira roupa que encontrou e rumou para o escritório do Hokage. Quem Kakashi pensava que era para fazer isso com ele? Seu aluno favorito, recém casado, recém retornado de uma peregrinação de quase dois anos.
O mínimo a ser feito em consideração a ele era não designar Sakura para missões pelos próximos três meses, quem sabe seis, se chegasse a um ano não se incomodaria. Bufou, Kakashi estava precisando se recordar de alguns detalhes, a vida de Hokage deve ter atrofiado seu cérebro.
Sua obstinação era tanta que não notou que um outro alguém surgiu em seu encalço, tão cego e obstinado quanto ele. Ambos com o mesmo pensamento, mesmo desejo.
Só notaram a presença um do outro quando estavam prestes a entrar no prédio do Hokage. Sasuke fitou Naruto sobressaltado e Naruto parecia atordoado ao ver seu melhor amigo.
— Mas o que? Naruto? O que... — Estava prestes a perguntar o que ele fazia vindo atrás dele, mas não perderia seu tempo com o Uzumaki e suas besteiras.
Ignorando o amigo entrou no prédio, passou pela secretária e sem esperar ser pronunciado ou chamado invadiu o escritório do Hogake com Naruto a tira colo.
— Quero minha esposa de volta! — Ambos disseram e então entreolharam-se com o cenho franzido. Com a mesma dúvida rondando suas cabeças: Onde estava Hinata/Sakura?
— Boa noite, meninos. Como estão?
— Como acha que estou? Recém casado e sem esposa graças a você.
— É! Não sou recém casado, mas minha casa está vazia, sem cor, sem brilho, sem cheiro de comida no ar.... Eu tive que ir tomar chá com o pai dela SO-ZI-NHO! Foi demais para mim, eu achei que não fosse mais escapar daquele lugar. Eles estavam prestes a me matar, Kakashi-sensei.
— Traga-as de volta e proíba que saiam em outra missão. — Kakashi suspirou. Naruto e Sasuke sempre foram fadados as mesmas idiotices até mesmo como gennins, o mais engraçado é que eles davam voltas diferentes, por razões diferentes, mas no final era o mesmo resultado, dor de cabeça para ele.
— Não posso fazer isso, mas tenho algo para vocês. — Puxou de dentro de uma das suas gavetas dois pergaminhos. Um possuía um laço roxo o outro um laço vermelho. — Hinata e Sakura saíram na mesma missão, voltam juntas. Conhecendo vocês dois elas já sabiam que mais cedo ou mais tarde acabariam aqui. Por isso deixaram comigo esses pergaminhos contendo a próxima missão de vocês. Cuidado e boa sorte, meninos. Vocês vão precisar.
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