365 Dias
2 Capitulo 2
Aquilo era obviamente doloroso de mais para uma mãe. Um lado dela quis fechar aquele diário e esquecer sua existência. Esse era o lado da emoção. Outro lado dizia: 'Fechar e esquecer não vai mudar a existência desse diário'.(Ainda bem que ela ouviu esse lado,não só por que era o mais sensato,mas também por que caso contrario,eu não estaria aqui hoje)
Então vamos aos fatos,narrados por Toni no diário:
''´Acordei´as 07:00 AM. Usei aspas por que na verdade não dormi direito. Em primeiro lugar por que eu não estava bem,e iria ao médico. Tinha um pouco de medo do que ia ouvir. Sentia que não seria boa coisa. E também por causa daqueles malditos pernilongos sugando meu sangue doentio. (Ok,exagerei ).
Enfim,aquele despertador tocou. Fui dar um tapa mas acertei no copo d'água que cai em cima dele.
–Droga,droga,droga!...Ah,isso é mais velho que o Padre Mckenzie,ninguém liga mesmo...
Enfim abri as janelas,coloquei meu jeans e camiseta.(as primeiras roupas que vi). Não arrumei a cama,porque eu estava muito vida louca haha.Tá bem,parei!Arrumei para não ter de ouvir a Dona Renata falar no meu ouvido a noite toda.
Abri a porta do quarto e senti um cheiro de pão,café e tapioca. Hmmm aquilo realmente abre o apetite. Suzy estava no banheiro com suas maquiagens e produtos Ivone,prá ver se dava jeito,sabe como é!Mas já fazia meia-hora...ela saiu e eu entrei por mais meia hora,com meu poster da Megan Fox.(Brincadeira em gente,eu não fazia essas coisas).
Enfim,a hora do café. Nada demais, mamãe estava falando o quanto a Tia Bela estava triste com o divorcio,papai lia a sessão de economia com o jornal de ponta cabeça(vai entender) e Suzy não parava de mandar SMS pra Grazy,sobre garotos. Duas Lolitas.Papai foi pro trabalho e no caminho deixou Suzane na escola. Eu fui com mamãe pro medico.'Põe cinto'- mimimi.Só falei que estava mal aquela hora,não queria ela desesperada desde cedo. Além disso eu ja tinha que ir no médico de qualquer jeito.
Chegamos.Essa é parte que eu não queria,mas não posso fazer nada.Esperamos na recepção. (por sinal aquela recepcionista...ah,qual é, eu tenho quinze anos poxa!). Enfim o médico chamou,justo na hora que eu ia pegar umas balas naquele pote em cima da mesa de centro. O resultado dos exames tinha saído. Minha mãe não tinha coragem de abrir,então eu fiz isso por ela. Mas não entendi direito. Se fosse hoje,queria continuar sem entender,mas no dia eu pedi explicação ao médico,que me disse com poucas palavras:
–Seu organismo não atendeu muito bem aos tratamentos. Podemos tentar mais algumas coisas,porém o mais certo é que você tenha cerca de um ano de vida. Meu mundo caiu, (momento Maysa). Agora fazia sentido aquela dor na hora que acordei. Era a dor dos últimos batimentos de meu coração. Sentia um tormento,não era só um cara. Eu era um cara em contagem regressiva.
Eu estava andando na rua, minha vida parecia desmoronar. Não seria mais fácil morrer? Estar morto? Ou simplesmente, nunca ter nascido? Só que estes pensamentos foram interrompidos quando vi um cachorrinho. Ele parecia ter fome, parecia sozinho, sua vida devia estar desmoronada, carente de carinho. Ele tremia, eu apanhei e o enrolei no me blazer. O levei ao pet shop, onde lhe deram ração. Ele parecia bem melhor. Em seguída, eu o deixei numa caixinha para adoção canina e fui para casa. Mas, tal foi minha surpresa quando ouvi um latido baixo, o danadinho hávia me seguído até em casa! Eu o peguei e disse: "você é muito esperto garoto". Ele lambeu a ponta do meu nariz e depois começou a fazer gracinhas, então vi o brilho dos seus olhos. Eu olhei para ele e ele para mim, é como se pudêssemos ler o pensamento um do outro! E naquele momento eu soube: ele estava fadado a ser meu amigo e cão para todo sempre! E eu? O seu dono e companheiro para toda eternidade. Eu me virei, voltei ao pet shop, o adotei, e o chamei...
O chamei de Jim, em homenagem ao meu humorista favorito Jim Carrey. Ele adorava fazer gracinhas. Só tem um problema: mamãe vai ter um chilique quando o ver. Afinal, além de amar bichinhos, ela está despreparada. Mas não tem problema, eu estou morrendo mesmo.''
Nessa hora Renata teve de fechar o diário,molhado de lagrimas.
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