Notas iniciais
Hoje é o dia mundial da luta contra o suicido ou algo assim e eu postando justo esse mas ok, ironias da vida. espero que gostem.

Sai do banheiro apressada, tive que fazer tudo rápido devido ao barulho da porta me chamando. Era Amélia que havia chegado de surpresa. Praguejei, já era ruim o suficiente ter que fazer aquilo sem plateia e principalmente com ela. Éramos amigas desde quando eu me entendia por gente e conforme os anos foram passando só aumentou a amizade. Amélia sabia quão mal eu estava de um ano pra cá, mas eu realmente não queria que ela me visse neste estado. Tentei ajeitar o cabelo falhando feio e abri a porta:

— Meu Deus, Priscila! – Ela me abraçou — Não acredito que você emagreceu mais ainda e essas olheiras... Você tem tomado o remédio direito?

Ri da ironia da pergunta naquele momento:

— Você não sabe como.

Ela entrou feito um furacão já comentando da bagunça do apartamento, Ela sempre teve esse jeito de mãe querendo cuidar sempre de mim, comecei a sentir a pior pessoa do mundo. Já não estava conseguindo entender o que ela falava, não lembrava que palavras conseguiam ser proferidas tão rápido em tão pouco tempo. Os Comprimidos estavam fazendo efeito:

— Amélia, eu preciso deitar

— Pri, você mal consegue andar... Mas que merda você fez?

Deitei

— Ei, prometa que não vai se culpar pelo o que acontecer como eu fiz, que vai seguir sua vida.

— Mas o que...?

— Prometa.

— Eu Prometo... – Os olhos dela se arregalaram e ela correu para o banheiro, não sei o que esperar quando visse os frascos de anti-depressivos e remédio contra insônia dessa semana vazios. Ouvi um grito abafado com a mão, ela tinha encontrado. Veio correndo e se ajoelhou ao lado da cama já com lágrimas nos olhos. Aquela sem duvida seria a pior parte:

— Pri, o que você fez...?

— Não se sinta mal por mim, você sabe que no fundo eu estou agradecida por ir.

— Eu sei só que – ela tentou engolir o choro – eu não queria que fosse assim

— Eu também não, mas eu não quero mais acordar sozinha assim.

— Eu sei que foi difícil pra você o acidente com ele só que, Pri... Eu...

— Shh

Usei o que restava de minhas forças para por um dedo na boca dela:

— Amanhã de manha abre a gaveta, tem um bilhete ali. Explica tudo.

— Priscila eu... Eu te amo... Você...

— Eu também de amo. Incondicionalmente, de uma forma que eu só amei uma pessoa na vida sem ser da família. E por favor, não tente me acordar amanhã, eu já terei ido.

Aquela com certeza seria minha ultima frase tão longa, as lagrimas já me escorriam no rosto e Amélia estava inconsolável e eu já não conseguia focar em mais nada, eu só tinha mais um pedido:

— Ei... Canta pra mim

— Leito de morte e você me pedindo para cantar — ela deu um riso. Eu sorri. – Vou sentir saudade desse sorriso

— Canta pra eu dormir

A ultima coisa que lembro é as palavra de The Smiths adentrando meus ouvidos com a voz de Amélia e me envolvendo como um abraço. Nem me lembrava como era a sensação de paz. Depois tudo ficou preto e o mundo já não importava, a ultima coisa que ouvi foi ela repetindo “sing me to sleep”.

Notas finais
E ai? Por favor, deixem reviews, aberta para criticas construtivas ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.