31/10/1981
1 31/10/1981
Notas iniciais
A tensão pairava no ar da pequena casa do casal Potter em Godric’s Hollow. Tiago e Lilian tentavam agir naturalmente, mas só tentavam. O alto nível de stress que permeava suas vidas, a apreensão, o medo e o desespero causaram mudanças até físicas no casal. O brilho dos verdes olhos de Lilian perdera-se, estando sempre sóbrios e baixos. Tiago começava a exibir uma pequena barriga de chopp. E sabe o que era o pior para eles?
Que eles não tinham nada a fazer.
Se encontravam totalmente impotentes, escondendo-se do perigo. Tiago queria estar lá, lutando contra Voldemort. Ele sentia falta da adrenalina de suas aventuras. Apesar de saber que conseguiria ganhar de um bruxo tão poderoso, ele sentia falta da emoção. Ele não queria ser mais um número, mais uma estatística, mais um morto por Voldemort. Ele não queria dar a um ser tão baixo tal prazer. E ele ficou por Lilian. E por Harry. Lilian era uma poderosa bruxa, poderosíssima. Mas ele sentiria todo o remorso do mundo à flor da pele se ele a abandonasse com um bebê de um ano de idade. Ela precisava cuidar de Harry, e se ele finalmente os achassem, eles teriam mais chances de sobreviverem. Ainda pouca, mas alguma.
Mas Voldemort não os acharia, não, Pedro é um dos nossos melhores amigos. Não, ele não faria isso com a gente. Mas digamos que ele fizesse, por que? Quais motivos ele teria para cometer tal traição? Nenhum, Tiago pensava. Não, a gente confiou nele, ele não faria isso, ele é um dos nossos melhores amigos, nós nos conhecemos a uma década agora.
Tiago sabia que não tinha motivos para desconfiar de seu amigo Pedro Pettigrew, mas esses pensamentos vinham e revinham em sua mente indo e voltando indo e voltando indo e voltando em uma frequência sádica.
Lilian estava brincando com o bebê, com o bebê, brincando só quando ele chegou. Ele ouviu passos vindo da rua e foi correndo a janela, escondendo-se, evitando aparecer, e viu a criatura encapuzada de tons mórbidos andando na calçada.
Quando ele viu a bizarra criatura humanoide ele sentiu todas as fibras do seu ser entrar em desespero. Seu coração apreensivo agora batia mais rápido que a bateria do Def Leppard.
TUM
TUM
TUM
TUM
Um baixo elétrico potente tocava em seu peito, ele sentia cada reverberação dos espasmos involuntários do seu musculo interno por todo o tórax. Sua respiração ficou pesada, seus olhos arregalados, suas pupilas contraídas.
Ele abaixou-se e agachado foi, a maior velocidade que pode alertar Lilian do invasor, o maior medo dos pais.
“Lilian! Lilian! Ele tá aqui! Ele tá aqui”
O pequeno sorriso que havia se formado em seu rosto por estar brincando com a criança foi-se embora em uma fração de segundo. Suas narinas expandiram em um engasgo de palavras presas em sua garganta.
“Vai“ Tiago disse a Lilian, e ela sem responder nada pegou o bebê no colo e saiu correndo entre sofás antigos até chegar ao hall de entrada, onde um triste tapete cinza repousava. Em frente ao triste tapete havia uma escadaria que ela subiu em pulos. Harry, que ela segurava deitado em seus braços, teve um princípio de choro, que ela tentou acalmar dando delicados tapinhas nas costas do bebê e repetindo, como um mantra: “Shiu, shiu, calma Harry vai ficar tudo bem, shiiu”. O bebê, após alguns segundos, acalmou-se.
Tiago correu atrás de sua mulher, olhando com temor e desespero sua amada e seu querido bebê. “O que será deles?” era a pergunta que revolvia em sua mente.
O que? Por que? Por que nós? Eles não, Lilian não merece nada disso, não. Ela é boa, boa demais até. Eu era horrível, um horror. Como que isso aconteceu? Como ela se interessou por mim?
A corrente de pensamento de Tiago foi interrompida por um pisar próximo a porta de entrada, na qual ele se encontra em frente. Sua mente importunava-o. O que faria? Subiria com Lilian? Não, não, melhor eu tentar me defender cadê a minha varinha, droga, cadê? Ah, deixei na mesa da sala, devo eu ir pegar?
Tic
Toc
Tic
Toc
Tic
Toc
Tic
Toc
Antes que ele percebesse já estava correndo em direção a mesa de centro buscando a sua varinha de mogno, 11 polegadas, maleável de cima da mesa. Quando agarrou-a sentiu em seus ouvidos o perigo: a maçaneta lentamente girada na abertura da perdição. A enferrujada maçaneta produzia um alto ruído ao ser movimentada.
Lilian entrou no quarto do bebê á largos passos, e o colocou no berço que havia no canto da sala. Deitou o bebê e ficou o olhando, de cima para baixo. Apreciando a sua obra. Ela olhava para Harry como algum prepotente entendido de arte olha para a Monalisa. Ela respirava fundo agora e travava uma batalha contra as lágrimas que tentavam desesperadamente escorrer pela sua face.
“Harry, querido, você é amado. Harry, sua mãe te ama. Vai ficar tudo bem, Harry, vai ficar tudo bem.” Agora ela mentia para si mesma, na esperança de afastar o desastre.
A porta abriu-se lentamente, e Tiago pode ver uma figura alta e esguia, em imponentes robes pretas. Tiago levantou sua varinha. Lord Voldemort deu um comprido passo à frente, adentrando de vez a residência dos Potter. Tiago chacoalhou sua varinha ao bradar “Expelliarmus”, e um raio de luz saiu da ponta de sua varinha. Lord Voldemort protegeu-se do feitiço apenas levantando a mão no ar afrente da trajetória do pequeno míssil mágico.
Expelliarmus, sério? Eu vou tentar desarmar Voldemort?
O Lorde das Trevas levantou sua varinha e proclamou, á baixo tom, “Avada Kedavra”. Um forte raio de luz verde de sua varinha foi emanado, mirando Tiago, que ao perceber o ataque lança um feitiço de proteção em resposta.
“Protego”
Só então que Lord Voldemort dirigiu seu olhar a Tiago. Ele lançou outro feitiço da morte, e outro, e outro. E Tiago defendia um atrás do outro. Após os incessantes ataques, Tiago percebeu algo.
A única maneira que eu tenho de talvez ter chances de ganhar ou pelo menos atrasá-lo é—
E mesmo antes de terminar seu pensamento, ele já havia começado a lançar eu próximo feitiço. “Avada—
Agora Tiago Potter havia descido ao nível de Voldemort. Tiago Potter agora estava disposto a matar. Agora ele estava sujo também e Voldemort gostava disso. Que desperdício de sangue bruxo puro!
Voldemort se protegeu do feitiço da sombra do que um dia foi Tiago Potter e logo em seguida lançou outro idêntico, matando o homem.
Começou pela cabeça o frio. Começou pela cabeça e foi descendo progressivamente, arrastando o homem ao bizarro. De cima para baixo era arrastada a sua alma, sendo conduzida ao portal da terra dos mortos, bem longe daqui. Agora o problema nem era mais morrer, era continuar vivo.
Mas por que, por que que Pedro faria uma coisa dessas? Maldito! Por que por que por que por que por que por que? As questões rodavam e rodopiavam na cabeça de Lilian, nenhuma fazendo qualquer sentido para ela.Ele não é um Comensal, ele não pode ser, não pode, ele deve ter sido torturado, deve ter sido isso, ele está morto?
Pés descalços sobem as escadas um passo de cada vez, lentamente.
Pac
Pac
Pac
Pac
Pac
Cada passo em sua direção deixava Lilian cada vez mais aflita. Merda merda merda merda merda, já foi já perdemos morremos eu vou morrer meu filho vai morrer não não não. Todo esse esforço para nada. Ela abraçava o bebê apertado, ela queria abraçar mais forte, mas não queria machucá-lo e fazer Harry chorar. Ela não queria que seu bebê morresse chorando.
Pela porta ela viu a besta animalesca, cópia imperfeita de ser humano. Seu primeiro instindo foi, automaticamente entrar na frente de Harry, o protegendo, ou tentando, dos futuros ataques do ofídio semi-pessoa. Ele levantou sua varinha, apontando-a para Lilian. Não mate ele seu desgraçado.
Os risos de Voldemort se misturavam com a sua fala. Por que não?
Lilian manteve-se firme na frente da cama do bebê.
Voldemort levantando um grande sorriso em sua face, seus lábios passeando pelos seus lábios. O ultimo suspiro da mãe, um ato de amor. Avada
Kedavra.
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