30 Dias

2 Trigésimo Dia (Parte 2)


Notas iniciais
Olá! 🌟 Queria avisar que as atualizações podem demorar um pouquinho, pois estou conciliando a escrita com o trabalho — e gosto de dar tempo para que a imaginação flua no ritmo certo. Espero que aproveitem. 🕊️ Boa leitura!

As aulas da tarde passaram como um borrão para Yugi. Os ponteiros do relógio pareciam correr, e, antes que percebesse, ele já guardava seus materiais. O cheiro da escola, o burburinho dos corredores e o calor do sol filtrando pelas janelas se tornavam ruídos de fundo em sua mente inquieta.

Jonouchi apareceu do nada, como sempre, com aquele jeito expansivo e barulhento. Passou o braço pelo pescoço do amigo num abraço apertado — quase sufocante — e bagunçou os cabelos espetados dele com um sorriso largo.

— Ei, Yugi! Que tal darmos um pulo no Burger World? — perguntou, empolgado.

Yugi ainda recuperava o fôlego do "ataque surpresa", e mal teve tempo de responder antes de Anzu intervir, cruzando os braços e balançando a cabeça com uma expressão de cansaço.

— Você não cansa de ser imaturo, Jonouchi?

Yugi sorriu sem jeito, ajeitando a mochila nas costas.

— Foi mal, pessoal. Prometi ao meu avô que ajudaria na loja hoje.

Seus olhos passaram rapidamente pelos rostos dos amigos, uma mistura de afeto e cansaço nos traços suaves.

— Até amanhã, gente.

Deixou o grupo e caminhou sozinho pelas ruas familiares de Domino. O céu começava a ganhar tons alaranjados, e o vento tocava seu rosto com leveza. Ele costumava fazer aquele caminho com Anzu, mas naquele dia... precisava de silêncio. De espaço. De si mesmo.

Parou ao chegar à ponte. Apoiou-se no parapeito frio, respirando fundo. A cidade parecia menor dali, como se coubesse inteira dentro de seus pensamentos. O vento, agora mais forte, brincava com seus cabelos.

— Está aproveitando? — perguntou, sem virar o rosto, ao sentir a presença familiar.

Atem estava ali. Silencioso. As mãos nos bolsos, os olhos perdidos no horizonte.

— Meus pensamentos te incomodaram? — Yugi riu, mas o som saiu seco, sem alegria.

— Eu sei que está triste — respondeu Atem, depois de um breve silêncio. — E, para ser honesto, eu também estou. Mas preciso seguir meu caminho...

Yugi suspirou e passou a mão pelo rosto, tentando afastar a névoa emocional que começava a se formar em sua mente.

— Vamos. Se demorarmos, o vovô vai me dar uma bronca — disse, retomando o passo com um meio sorriso.

Atem não respondeu. Apenas retornou ao interior do Enigma, respeitando o momento.

De volta à loja, Yugi colocou a mochila de lado e mergulhou nas tarefas do dia: carregar caixas com novos jogos, arrumar as prateleiras, repor as cartas que chegavam em pacotes coloridos. Sentia o olhar atento de Atem acompanhando cada gesto.

— Está tentando me tirar do sério hoje? — provocou, virando-se com um sorriso cansado.

Atem ergueu as mãos em rendição, rindo.

— Estou só observando. Prometo.

Mais tarde, jogados num canto da loja, os dois ficaram em silêncio por alguns minutos. Yugi olhava para o teto alto, onde girava lentamente um ventilador antigo. Atem sentou-se ao lado dele.

— Não quero que você vá embora... — murmurou Yugi, sem encará-lo. — Mas sei que precisa. E isso... confunde tudo aqui dentro.

Levou a mão ao peito, sobre o Enigma.

— Não quero te ver deprimido por minha causa. Vamos subir.

Yugi subiu para o quarto, após minutos descansando em silêncio no chão, e foi tomar banho, tentando deixar as emoções pelo caminho. Sua mãe já havia gritado duas vezes sobre o jantar, e ele não queria arriscar uma terceira.

(horas depois)

Sentado à mesa de estudos, Yugi finalizava sua lição de casa. Tinha se prometido que seria um aluno melhor. Mas, apesar do esforço, sua mente insistia em divagar. Ao terminar, deitou-se na cama. O teto escuro o encarava de volta.

— Não consegue dormir, Aibou?

A voz suave de Atem o puxou de volta. Ele se sentou devagar, segurando o Enigma com ambas as mãos.

— Hoje, não. Meus pensamentos... estão pesando demais. Sinto como se estivesse sendo soterrado por eles.

As palavras vacilaram. Seus olhos ardiam. Ele respirou fundo, tentando conter as lágrimas.

— Eu sou fraco... Eu...

Atem sentou-se ao seu lado e o envolveu em um abraço — ou o mais próximo disso, considerando sua forma espiritual.

— Você não é fraco, Yugi. Pelo contrário. Você é gentil, esforçado, leal... e eu sou profundamente grato por tudo que é.

Passou a mão pelos cabelos dele com carinho. Yugi fungou, deixando que as lágrimas caíssem sobre o Enigma. A voz falhou.

— Eu não quero dizer adeus... Não quero que você vá... Eu...

Mas parou. Não podia continuar. Era demais. Seu coração batia acelerado e confuso. Às vezes achava que era só a convivência intensa. Outras, sentia que era algo mais.

Deitou-se novamente e fechou os olhos. Atem entendeu. Ficou ali ao seu lado, em silêncio, fazendo um cafuné gentil enquanto olhava pela claraboia.

— Não precisa dizer nada, Aibou... Eu já sei — sussurrou o espírito, mais para si mesmo.

Ele sabia. Desde a Batalha da Cidade, já sabia. Estava apaixonado por Yugi. Mas também sabia que o fim se aproximava. E esse sentimento, se revelado, só tornaria tudo mais difícil.

— Boa noite, Aibou... — disse, antes de desaparecer, voltando para sua sala na alma do Enigma.

Levaria o sentimento com ele. Era melhor assim. Para ambos.

Notas finais
Esse capítulo foi um desafio gostoso de escrever — especialmente por causa das emoções mais sutis entre os dois protagonistas. Sei que a espera entre capítulos pode ser longa, mas prefiro entregar algo com carinho e intenção do que correr para atualizar. Agradeço demais a quem está acompanhando 💖 Se quiserem comentar, dizer o que acharam ou deixar uma teoria, vou adorar ler! Até o próximo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.