3 palavras

1 Capítulo Único


"A Amazon inventou a viagem no tempo e introduziu o transporte preventivo. Hoje, você recebe algo completamente inesperado do seu eu futuro."

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Mancando, enquanto a dor física competia com aquela que vinha da alma, o homem avançou até a Agência de Carta Preventiva do Novo Amazon. Cada passo era um lembrete cruel de suas feridas, mas também da determinação que o mantinha em movimento. O corpo reclamava, a mente sangrava em silêncio, e ainda assim ele seguia, como se buscasse naquele lugar não apenas respostas, mas também algum tipo de redenção.

Apenas os ricos podiam ter acesso àquele serviço. Era um privilégio restrito, guardado como se fosse um segredo de Estado. O desconhecido ferido não era rico – na verdade, estava muito longe disso. Mas já não tinha nada a perder. Cada passo que o aproximava da Agência de Carta Preventiva do Novo Amazon era guiado por uma mistura de dor e desafio. Não buscava luxo, nem status; buscava apenas uma última chance, um fio de esperança que pudesse mudar o rumo de sua história.

Todo o dinheiro que possuía foi colocado de forma desajeitada sobre a bancada da Agência. Seus olhos, embaçados pelas lágrimas e vermelhos de tanto chorar, fixavam-se na jovem atendente, que o encarava com uma mistura de expectativa e estranheza. Ao redor, as decorações de Natal penduradas nas paredes pareciam zombar de sua miséria – luzes cintilantes e enfeites coloridos que, para ele, não passavam de uma cruel ironia diante da dor que carregava.

— Qual é a mensagem, senhor? – perguntou a funcionária, a voz firme, mas com um traço de curiosidade. — Com esse dinheiro, o senhor só pode enviar três palavras… – o homem respirou fundo, sentindo o peso da decisão. — Precisa pensar em quatro palavras que tenham impacto em seu eu passado – acrescentou ela, como quem entrega um enigma capaz de mudar destinos.

O silêncio que se seguiu era tão denso que parecia preencher todo o espaço da Agência. Cada palavra que surgia em sua mente se desfazia diante da dor que carregava, mas ele sabia que precisava escolher – porque, às vezes, quatro palavras eram tudo o que restava para tentar mudar o curso da própria vida.

Respirou fundo, baixou o olhar para as próprias mãos trêmulas e, após um breve instante, ergueu os olhos marejados para a jovem funcionária.

— Por favor, envie estas palavras… — disse, a voz rouca, carregada de desespero e esperança.

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O futuro atravessou o véu do tempo e veio repousar no passado.

Como se fosse apenas mais uma propaganda de um dos grandes sites de remessas, começaram a chegar cartas do amanhã, enviadas e recebidas como pacotes comuns. Mas, por trás da aparência trivial, havia algo extraordinário: cada envelope carregava não apenas palavras, mas destinos inteiros, como se o futuro tivesse se tornado uma mercadoria a ser distribuída.

Nem todos recebiam aqueles presentes valiosíssimos – apenas os que haviam conquistado dinheiro no futuro.

Sasuke sabia que não seria um deles. Conhecia-se bem demais para alimentar ilusões: não era um homem que acumulava riquezas com o trabalho que tinha. Essa certeza não lhe trazia surpresa, apenas um peso silencioso. Afinal, quando se entende a própria natureza, não há espaço para esperanças vãs.

Sasuke tentou ajeitar o colarinho da camisa, mas o tecido parecia sufocá-lo ainda mais sob o calor sufocante. Do lado de fora do parque, todos aguardavam ansiosos pela chegada da noiva. Uma gota de suor escorreu lentamente por suas costas, arrancando-lhe um suspiro de tédio. Seus olhos se fixaram na entrada, sem entusiasmo, apenas esperando que tudo terminasse logo. Ele não queria estar ali. Só permanecia porque sua mãe havia insistido com uma determinação quase implacável. Para Sasuke, não havia lógica em sua presença naquele casamento: ser primo de segundo grau da noiva não era justificativa forte o suficiente, ainda mais quando ele sequer a conhecia.

Bufando, Sasuke abanava o rosto com a mão, tentando afastar o calor sufocante. Foi então que percebeu alguém se aproximando do noivo, discretamente entregando-lhe um bilhete. Antes que pudesse refletir sobre aquilo, a música começou a soar vibrante, preenchendo o parque com uma energia festiva. A noiva surgiu, caminhando em direção ao altar com elegância, cada passo marcado por aplausos e olhares emocionados. Ela acenava com a mão para todos, como se distribuísse sorrisos e bênçãos, enquanto o ambiente se transformava em pura celebração.

No entanto, quando a noiva finalmente se colocou ao lado do noivo, Sasuke arregalou os olhos, incrédulo. A cena parecia deslocada, como se algo estivesse fora de lugar. A nubente aguardava que o futuro marido desse os últimos passos em sua direção, mas ele permaneceu imóvel, silencioso, como se estivesse preso em um transe.

O ar ao redor pareceu pesar, e Sasuke, atento, soube imediatamente que havia algo errado. O bilhete entregue momentos antes não era um detalhe qualquer carregava um segredo capaz de alterar todo o destino daquela cerimônia.

— Sinto muito… – a voz do noivo vacilou enquanto dava alguns passos para trás. — Acabei de receber uma carta preventiva do meu futuro eu, e… ele me disse para não me casar com você. Me desculpe.

O silêncio caiu como um peso sobre o altar, até que o jovem, repetindo o pedido de desculpas às pessoas diante dele, virou-se e fugiu, deixando atrás de si apenas incredulidade e abandono. A noiva desabou em pranto, cercada por convidados que murmuravam entre si, incapazes de compreender o que acabara de acontecer.

Sasuke, por outro lado, sentiu um inesperado alívio. Finalmente poderia ir embora e chegar em casa a tempo de assistir ao seu programa favorito. Com um gesto simples, desamarrou o nó da gravata e se afastou, indiferente ao caos que se desenrolava atrás de si.

Na manhã seguinte, o som insistente da campainha rasgou o silêncio e arrancou Sasuke do sono.

Seus olhos escuros se voltaram preguiçosamente para o despertador, e um gemido frustrado escapou de seus lábios ao perceber que ainda faltava meia hora para levantar e encarar o trabalho. O peso da rotina já se insinuava sobre ele, e aquela interrupção parecia um roubo cruel de minutos preciosos de descanso.

Vestindo-se às pressas, Sasuke caminhou até a porta e a abriu, apenas para encontrar um envelope fino repousando diante de si. Uma de suas sobrancelhas arqueou quando pegou a correspondência e fechou a porta atrás de si.

— Carta Preventiva da Amazon? – murmurou ao ler a etiqueta impressa.

Isso só podia significar uma coisa: seu futuro “eu” havia lhe enviado uma carta. Seu coração parou por um instante, aquelas palavras carregam a capacidade de alterar o rumo de sua vida.

Sentiu a boca secar enquanto abria o envelope lentamente, quase temendo o que encontraria. Dentro, havia apenas um papel simples. Com mãos trêmulas, Sasuke o pegou e leu em voz alta:

— Pegue o próximo.

Piscando em confusão, Sasuke deixou-se cair no sofá, o bilhete ainda firme em suas mãos. As três palavras ecoavam pelo quarto como um enigma insolúvel. Ele franziu a testa, relendo a nota repetidas vezes. Curta demais para explicar, mas carregada de um peso que parecia vir de longe.

— Tem um significado profundo? – murmurou, quase para si mesmo.

Dobrou o bilhete com cuidado e o guardou na carteira, como quem protege um segredo. Enquanto se vestia para o trabalho, seus olhos voltavam sempre à carteira, como se ela guardasse não apenas um papel, mas um destino.

— Pegue o próximo… – repetiu em voz baixa, vestindo a jaqueta e segurando a carteira antes de sair.

Na rodoviária, diante do ônibus que se aproximava, as palavras voltaram a martelar em sua mente. Estava prestes a subir no veículo quando uma ideia súbita atravessou sua consciência, tão inesperada quanto perturbadora.

— Se é meu eu do futuro, então sei que não mandaria uma filosofia barata… é exatamente o que é – murmurou Sasuke, os olhos vagando entre o rosto expectante do motorista e a estação atrás dele. — Pegue o próximo… – repetiu em voz baixa, rindo consigo mesmo. — Então, vou pegar o próximo.

Virou-se e caminhou de volta para a rodoviária, aguardando o ônibus seguinte. Durante a viagem rumo ao trabalho, avistou o primeiro veículo parado no acostamento, quebrado, com passageiros irritados tentando chamar táxis e falando ao celular.

— Ótimo conselho, futuro eu… – murmurou, um sorriso discreto surgindo em seus lábios.

A partir daquele dia, Sasuke passou a viver segundo uma única regra: sempre escolher o próximo. O próximo bilhete, a próxima oferta, o próximo ônibus. Às vezes, essa escolha lhe trazia sorte inesperada; outras vezes, nada acontecia. Ainda assim, ele sabia que precisava continuar, como se cada decisão fosse uma peça de um quebra-cabeça que seu futuro eu havia deixado para ele montar.

Um ano depois, encontrou-se em um daqueles encontros rápidos, em que homens e mulheres conversam por dez minutos antes de trocar de lugar. Não teria ido por vontade própria, mas Naruto, seu melhor amigo, sempre o arrastava para situações improváveis. E, mais uma vez, Sasuke se lembrava da regra: pegue o próximo.

Sasuke sabia que não precisava daquele tipo de evento. Estava solteiro há mais de dois anos, e embora tivesse vivido bons momentos com suas duas antigas namoradas, o que chamavam de “amor” havia se esgotado. Agora, preferia a liberdade silenciosa de seus dias como homem solteiro.

Sentado à mesa designada, apoiou o rosto na mão, esperando que os minutos passassem. Foi então que uma mulher se acomodou à sua frente. Linda, com um sorriso leve nos lábios, ela riu suavemente e mordeu o lábio inferior, gesto que fez o tempo parecer suspenso por um instante.

— Oi, meu nome é Ochaco.

Ela era realmente linda, e por um instante Sasuke pensou que talvez não fosse uma má ideia ter vindo.

— Eu sou Sasuke – respondeu, deixando escapar sua voz sedutora acompanhada de um meio sorriso. A garota corou, e por dez minutos trocaram palavras leves, quase superficiais, até que o alarme soou.

A cadeira à sua frente foi ocupada novamente, desta vez por uma jovem de beleza discreta e encantadora. Tímida, de cabelos rosados e óculos de armação grande, ela evitava olhar diretamente para ele, como se escondesse algo precioso atrás do silêncio.

— Oi… eu sou Sasuke – disse, tentando encontrar os olhos dela.

— Eu sou Sakura – respondeu, a voz tímida, quase envergonhada, enquanto lentamente o encarava de volta. Seus olhos eram de um verde profundo, tão intensos que pareciam roubar-lhe o fôlego.

— É um prazer, Sakura. O que você gosta de fazer? – perguntou, curioso. A jovem se mexeu no assento, e então sorriu.

— Eu amo ler livros. Sou uma leitora ávida, meio que… – sua expressão se iluminou, e todo o rosto ganhou vida com aquele sorriso.

Inspirando, Sasuke deixou escapar um gesto raro: um leve levantar dos cantos da boca, quase imperceptível, mas verdadeiro.

Ochaco era linda, mas aquela garota… havia algo nela que escapava às palavras. Um detalhe invisível, mas poderoso, que fazia Sasuke sentir que o ar ao redor se tornava mais denso.

Pegue o próximo.

As palavras ecoaram em sua mente, como se tivessem sido escritas exatamente para aquele instante.

“Essas palavras… foram para este momento?” – pensou, enquanto os olhos verdes de Sakura se fixaram nos seus, despertando nele uma sensação rara, quase esquecida.

O sorriso de Sasuke se alargou quando se inclinou sobre a mesa, aproximando-se de Sakura. Na proximidade, pôde observar melhor o rosto delicado, quase de porcelana, e reparar nas pequenas sardas que pontuavam sua pele clara.

— Você quer fugir comigo? Conheço uma boa cafeteria – disse, hipnotizado pelos olhos verdes que pareciam prender sua atenção.

Assustada como um cervo diante dos faróis de um carro, Sakura desviou o olhar para a esquerda, depois para a direita, antes de retornar a ele.

— Sim… podemos fazer isso – respondeu, e um sorriso malicioso curvou seus lábios, transformando sua timidez em algo inesperadamente ousado.

Cinco anos se passaram desde aquele encontro inesperado, e Sasuke e Sakura haviam se casado. Juntos, construíram uma família: um menino chamado Sanosuke e uma garotinha chamada Sarada. Desde a tarde em que conheceu Sakura, Sasuke nunca mais precisou recorrer às cartas preventivas. Sua vida era simplesmente perfeita, e ele tinha certeza de que tudo se devia àquelas três palavras que mudaram seu destino.

Agora, viajavam pela estrada para aproveitar as férias na casa da mãe de Sasuke. A neve começou a cair suavemente quando chegaram à entrada número 7 da rodovia, cobrindo o caminho com um véu branco que parecia anunciar algo além de simples férias.

— Oh! Está tão escuro que nem parece ser meio-dia! – comentou Sakura, entregando a Sanosuke um brinquedo para dividir com a irmãzinha no banco de trás.

— Sim… – murmurou Sasuke, mas sua voz saiu distante. De repente, algo dentro dele pareceu deslocado.

Seus olhos vagavam entre a família e o fluxo pesado da rodovia, e uma estranha pressão tomou conta de seu peito. Ele franziu os lábios, sentindo o coração dar uma guinada inesperada, como se estivesse tentando avisá-lo de algo.

— Querido, há algo errado? – perguntou Sakura, preocupada, enquanto a neve caía mais densa, cobrindo a estrada como um véu de mistério.

Sasuke franziu a testa, os olhos fixos na estrada coberta pela neve. De repente, apertou o volante com força e girou, decidindo não entrar na rodovia.

— Por que estamos voltando para a estrada? – perguntou Sakura, perplexa. Ele respirou fundo, sentindo o coração acelerar, e respondeu com firmeza:

— Vou pegar o próximo desvio.

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O homem suspirou, baixando o olhar para suas próprias mãos, como se buscasse coragem entre os dedos. Após um breve silêncio, ergueu os olhos para o jovem funcionário.

— Por favor, envie estas palavras: Pegue o próximo – disse com firmeza, embora sua voz carregasse um tom enigmático.

O funcionário franziu a testa diante do pedido estranho, mas obedeceu sem questionar. Minutos depois, o homem deixou o local. O funcionário, ainda intrigado, terminou de preparar o pacote quando a televisão ao lado da bancada anunciou uma notícia urgente, como se o destino estivesse se desenrolando diante dele.

"Hoje, na entrada número 7 da rodovia para Konoha, um caminhão bateu em um carro. Uma mulher de 30 anos, uma criança de 3 anos e um bebê de 1 ano morreram na hora. O único sobrevivente foi seu pai, um homem de 34 anos que fugiu hoje do Hospital. Ainda não sabemos o seu paradeiro."

O jovem funcionário arregalou os olhos, o coração disparando. Correu até a porta e a abriu, olhando para a esquerda e depois para a direita. O homem já havia desaparecido.

Tremendo, segurou o pacote com mais força e voltou ao escritório. Sem hesitar, enviou a carta imediatamente ao destinatário indicado: SASUKE UCHIHA

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