2ª Temporada - Eu, filho de Severo Snape? Nunca!
7 O impossível
Notas iniciais
Harry olhava paralisado àquelas duas pessoas no coredor. Não podia ser...
–Mãe? -disse o garoto desnorteado.
A mulher, que agora chegava mais próxima da claridade, revelou seu rosto. Tinha cabelos cor de fogo e brilhantes olhos verdes. Ela deu um meigo sorriso para o garoto que parecia extremamente angustiado em olhá-la.
–Isso é algum tipo de brincadeira? -disse Gina antônita.
–Eu tenho cara de quem faz "brincadeirinha", senhorita Weasley? -disse Snape em um tom grave.
–Mas... como... isso é possível? -Harry falou com a pele gélida.- Vocês estavam mortos! Dumbledore me disse uma vez que nenhum tipo de magia pode trazer mortos de volta à vida.
–E não existe mesmo -pronunciou-se o homem do lado da mulher de cabelos laranja. Alto, parecendo bem apessoado, um pouco cansado talvez, reluzia de seu rosto brilhantes olhos azuis, que ficavam mais perceptíveis pela presença das lentes de seus óculos, este com um curioso formato arredondado.
–Então... como?
–Nós nunca morremos, querido -disse a mulher se aproximando de Harry.
–Como não? Eu tive pesadelos há alguns anos todas as noites com Voldemort entrando em nossa casa e matando-os.
–Ele realmente foi em nossa casa, Harry -falou o homem-, mas o feitiço não foi suficiente para nos matar.
–Ele usou um dos três feitiços proibidos, o pior deles! -disse Harry-. Avada Kedavra. Nenhum bruxo foi capaz de sobreviver à isso!
–Os bruxos que não sobreviveram ao feitiço foi porque não tiveram chance de revidar. Nós sim. O contra-feitiço que nós usamos foi capaz de nos deixar vivos, porém inconscientes.
–Então -disse a mulher-, Você-Sabe-Quem não conseguiu nos matar, mas nos deixou desmaiados.
–Mas o corpo de vocês foi achado -ressaltou Gina, que a essa altura estava tão pálida quanto Harry.
–Eram corpos de trouxas -explicou o homem-. Nossos vizinhos. Gente boa, trabalhadora, que os comensais mataram sem dó nem piedade e lançou-lhes um feitiço para que parecesse conosco.
–Eu estou confuso -exaltou-se Harry.- Se estavam desmaiados, por que então Voldemort não os matou? E se estavam vivos esse tempo todo, por que não me procuraram?
–Querido -disse a mulher se aproximando do garoto-, quando lançamos o contra-feitiço, o feitiço do Lorde das Trevas recocheteou e voltou contra ele mesmo, fazendo-o perder seus poderes. Seus seguidores chegaram logo em seguida e levaram eu e seu pai desacordados para que quando Voldemort se recuperasse ele próprio nos matasse.
–Aquele maldito queria nossas cabeças -falou o homem de óculos-, jamais admitiria que alguém se não ele próprio tirasse nossas vidas.
–E ele só não matou você, querido, porque depois do que aconteceu, parte dele vivia daquele momento em diante em você. Matá-lo faria com que ele morresse também. Quando ele começou a recuperar seus poderes, pouco tempo atrás, resolveu não nos matar. Achou que nós serviríamos mais vivos do que mortos.
–Ele tentou nos tirar várias informações sobre Hogwarts, sobre os alunos... o diretor, mas nós nunca abrimos a boca -disse Tiago com um olhar distante.- Nos manteve presos em uma masmorra abandonada, presos como criminosos, guardados por seus fiéis comensais da morte.
–Já chega! -disparou Snape.- Ele já ouviu o suficiente por uma noite. Por que vocês não vão embora?
–Não -protestou Harry.- Eu quero saber! Como fugiram?
–Mesmo depois que Você-Sabe-Quem foi preso -explicou Lílian-, nós continuamos enjaulados pelos comensais, até que uma operação do Ministério da Magia descobriu o esconderijo e prendeu os comensais, pelo menos os que não conseguiram fugir, então nos soltaram.
–Você por acaso não seria filha dos Weasley, seria? -indagou Tiago encarando os olhos arregalados de Gina.
–Eu...? -tentou responder sem fôlego.- É... sou sim, por quê?
–Bom, seu pai foi um dos responsáveis pela nossa liberdade. A expressão dele quando nos viu foi a mesma que a sua. Bom, depois que ele nos reconheceu. Após tantos anos vivendo naquele buraco, levou um tempo para que ele percebesse que éramos nós.
–Me desculpe, mas... -Gina começou com cautela- se Voldemort fez todos acharem que vocês estavam mortos ao lançar um feitiço de aparência nos trouxas, como podemos ter certeza que vocês são quem afirmam ser?
–Isso você deve perguntar ao Ranhoso -respondeu Tiago sorrindo.
–Não seja ridículo! -Snape disse exaltado.- Nós não estamos mais no tempo da escola, esse assunto é sério!
–Severo usou todo seu estoque de soro da verdade em nós -respondeu Lílian ainda encarando os olhos lacrimejantes de Harry.
–Em que local vocês ficaram mantidos presos? -indagou Gina.
–Bem próximos à residência de seus pais -respondeu a mulher sem tirar os olhos de Harry.
–O quê? -começou Harry com um pouco de gaguejo.- Esse tempo todo vocês estavam tão perto de mim? Eu já fui várias vezes à casa do senhor e da senhora Weasley. Lúcio... Lúcio Malfoy! Ele estava na cidade, lembra Gina?
–É verdade -respondeu a garota recobrando mais o tom da fala.- Draco nos disse que ele tinha que resolver alguns negócios por lá. E foi logo depois que Voldemort fugiu!
–Aquele desgraçado de nariz em pé sempre foi um dos mais fiéis seguidores do Lorde das Trevas -falou Tiago.- E para variar, escapou novamente.
–Eu não entendo -disse Gina-, o professor Dumbledore sempre deu a entender que sabia do envolvimento dos Malfoy com Voldemort, por que aquela família ainda não foi presa?
–Porque, infelizmente, dinheiro ainda é o responsável por muita compra de pessoas no Ministério -falou Lílian.- Por mais que Dumbledore tenha conhecimento do envolvimento de Lúcio e sua família com as Trevas, precisaria do apoio da maioria do Ministério para pô-lo atrás das grades e muitos já comem calados na mão dos Malfoy.
–Deve ser muito confuso para você, filho -começou Tiago-, mas com o tempo você entenderá tudo o que aconteceu. Por que não vamos para outro lugar, mais reservado, só eu, você e sua mãe? -falou se aproximando do garoto.
–Pode ir se afastando! -disse Snape se colocando entre Harry e Tiago.
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