26 anos
1 Capítulo 1 — Memories
Notas iniciais
Memories
A pequena menina olhou tristemente para o grupo que brincava no gira gira, enquanto apenas ela se balançava em um dos seis balanços. Nenhuma daquelas crianças, nem as que corriam em um animado pique pega ou as que brincavam no escorrega, nenhuma iria brincar consigo. Isso provavelmente se devia ao guarda-costas rabugento que a encarava fixamente, no banco mais próximo. Besteira, corrigiu-se. O problema era ela, com ou sem guarda-costas. Ninguém brincaria com uma Heartfilia. Uma família mais temida do que respeitada; podre de rica, mas mergulhada em tristeza. A doce mãe falecera há pouco, e o patriarca, político influente, perdeu o rumo. Cruel, destemido e sem escrúpulos, ele subia rapidamente em seu cargo e influência, de forma absurda e assustadora. Não só o povo tinha certo temor, como sua filha, exposta a sua maldade e, por vezes, violência, tinha pavor dele.
Irritada com o rumo dos pensamentos, pegou impulso, em busca de distração. A velocidade aumentou consideravelmente, e ficou um pouco mais contente ao se ver mais perto do céu, o embalo mais amplo. Queria voar, voar para longe. De repente, um garoto surgiu, correndo. Ele perseguia uma salamandras de cor alaranjada, compenetrado. Tão focado em sua estranha atividade, não percebeu que ia na direção dos balanços e se lançou na frente do único que estava ocupado. A loirinha arregalou os olhos, tentando desesperadamente arrastar os pés no chão e assim frear. A tentativa apenas lançou-a para fora do balanço, e só então o garoto pareceu perceber o que acontecia ao seu redor. Ele fez uma base rápida com as pernas e abriu os braços, amparando-a. Mesmo sendo um pouco maior e mais forte, o impacto jogou os dois no chão.
A pequena encheu as bochechas de ar, furiosa.
— Você é cego?! Maluco?!
Ele emburrou a face por um segundo, então levantou-se e a ajudou. Ela notou que ele não só era bem mais alto, como devia ser uns quatro anos mais velho, com seus 10 anos. O garoto deu um sorriso radiante, antes de dizer:
— Foi mal. Que bom que você tá bem, loirinha. — E então olhou para o lado. — Ah, droga! Agora o Igneel sumiu de vez! Tenho que procurar ele, então se cuida! — disse, antes de sair correndo.
— Ah, espera! Eu nem sei o seu nome!
Mas era tarde. A única pessoa que não lhe tratou como alguém com uma doença contagiosa fora embora e ela não sabia o seu nome, nem teria outra chance de rever esse garoto, uma vez que não sabia nada sobre ele.
— Senhorita, você está bem? — O guarda-costas de pele curtida perguntou, analisando o corpo pequeno em busca de machucados.
Ela assentiu com a cabeça, olhando mais uma vez para a figura que corria ao longe. E então reparou, sob o brilho do sol, que os cabelos ruivos tinham uma estranha tonalidade rosada.
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