Notas iniciais
Então, eu tô postando aqui e no Social Spirit, então, quero deixar ambos iguaizinhos quanto às postagens. Então, tomem mais um cap aí ♥

Anteriormente em "254 Dias"...

" — Parabéns pra você... – Começaram todos, enquanto eu simplesmente a observava colocar o bolo com as duas velas queimando em cima da mesa. Ela se afastou por alguns segundos e começou a bater palma no ritmo da musica. E quando acabou, era a hora de fazer um pedido.

— O que vai ser, mar? – disse minha mãe, do meu lado.

E a única coisa que consegui pensar foi: “Eu quero sempre me lembrar desse momento.”

(...)

Quando a maioria dos convidados já havia deixado o apartamento, fui até a cozinha e encontrei Amélia lambendo uma colher cheia de brigadeiro do bolo.

— Assaltando o bolo, mocinha? – Eu falei, e ela novamente se assustou. – Sabe que isso pode te tirar 2,0 pontos da média final se comer tudo sozinha. – Falei debochado, encostado no batente da porta.

— Não enche, Brezon. – Ela disse rolando os olhos e rindo. – E aí, gostou da festa? – Ela disse, jogando a colher na pia e vindo até mim, toda sorridente.

— Foi ótima, o Natanael parece que se deu muito bem com o Fernando. – Falei debochado. Fernando e Natanael eram gays, isso eu tinha certeza desde que conversara com eles pela primeira vez. Fernando era meu melhor amigo na escola e Natanael o de Amélia.

— É? Eu acho os dois fofos. – Ela disse entrelaçando as mãos em volta da minha nuca.

— Sim. E aí, tá afim de abrir os presentes comigo? – Perguntei até animado e ela riu, concordando com a cabeça.

— Óbvio! Dependendo do que ganhar, é meu. – Ela disse me soltando e saindo correndo da cozinha. Ah, tampinha, assim não vale.

Corremos até a sala e eu a peguei nos braços junto com dois pacotes embrulhados com papel presente e ela riu alto.

— Nem ouse, mocinha. – Falei girando ela no ar e a colocando no chão. Ela riu e se jogou no sofá.

— Ah, eu tenho certeza que nesse tem cuecas, e no caso, é o da sua mãe. – Falou debochada, me entregando o pacote e se esticando enquanto eu sentava ao seu lado.

— Pra variar... – Murmurei fingindo desapontamento.

— Vai, abre, abre, abre! – Ela insistia enquanto eu fazia careta e olhava os demais presentes que ela puxara da caixa no canto da sala.

Eu comecei a desembrulhar cada um deles. Ganhei um relógio de Maurício, meu irmão. Um par de sapatos do Fernando, cuecas da minha mãe, 100 reais em compras na Surfey Kings do Natanael...

— Filho da mãe... Pra mim ele deu 50! – Disse Amélia, pegando o vale-presentes da minha mão e fazendo careta.

— Parece que eu sou mais importante, não é mesmo? – Falei debochado e ela mostrou a língua.

— Ou ele trocou os dois... – Ela disse fingindo que ia por o papel no bolso.

— Novamente, “nem ouse”. – Murmurei. Ela riu e colocou em no bolso da minha camisa.

— Tá, já abriu todos? Quero te dar o meu! – Ela disse ansiosa, se levantando e indo até meu quarto.

— Ish, lá vem. – Debochei enquanto ela voltava, rebolando e sorrindo largo.

— É bonitinho esse ano, vai. – Ela diz isso porque no ano passado ela me deu cerveja. Sim, cerveja. – Não é de beber, a propósito.

— Que pena... – Murmurei pegando a caixa embrulhada da mão dela.

Passei os seguintes segundos tentando abrir sem rasgar tudo, e quando terminei, fiquei relativamente surpreso e sem entender.

— É um... Porta retrato? – Perguntei baixinho e ela riu.

— Sim, mas não é só um porta-retratos. Tem um gravador do lado e você pode gravar uma mensagem pra ouvir de vez em quando, quando quiser. – Ela disse abrindo um sorriso enorme. Eu fiquei realmente surpreso, era legal, mais legal que cerveja, no caso.

— Obrigado. – Falei baixo, olhando-a e sorrindo. Ela sorriu igualmente, me dando um beijo delicado.

— Vamos gravar alguma coisa? Espera, tu ainda tem aquela maquininha que você tira a foto e ela imprime na hora? – Perguntou e eu concordei. – MARAVILHA! Pera, vou pegar o celular. Enquanto ela ia pro quarto, me aventurei em mexer naquilo e sem querer, gravei algo e não sabia apagar. Quando ela voltou, eu estava envergonhado e não sabia parar de rir. – O que foi? – Perguntou arqueando as sobrancelhas.

— Eu gravei e não sei como apagar... – Falei como uma criança que faz arte.

— Ai meu Deus, vamos ver o que gravou. – Ela disse pegando o objeto de mim e dando “play”.

“Hoje é dia 5 de abri, meu aniversário e também um dos melhores dias da minha vida. Eu te amo, Amélia Lionel.”

Disse a voz robótica do aparelho, eu fiquei tão envergonhado e ela sorriu largo, emocionada.

— Ai, eu amo você! – Ela disse me abraçando forte. Eu sorri de lado e a abracei, aninhando-a em meus braços. – Vai, vamos tirar a foto antes que eu chore e estrague toda a maquiagem que a Ana fez. – Disse rindo boba e limpando uma lágrima fina que escorria do canto do seu olho.

Ela se aproximou de meu rosto, quase me beijando e sorriu, eu fiz o mesmo, e antes de beijá-la, bati a foto. Ela sorriu entre o beijo e também quando olhamos a foto sair da maquina na mesinha no canto da sala.

Eu me levantei, fui até lá, peguei a foto e coloquei no porta-retratos. Ela sorriu.

— A onde vai por? – Perguntou.

— Eu não sei. – Por alguns minutos, pensei no fato de que muitos amigos meus vinham aqui e eu teria que explicar a foto e quem era a menina comigo. Ela pareceu entender e suspirou, olhando o carpete do chão.

— Amélia... – Comecei, meio sem saber como abordar isso de novo.

— Marcelo, não... Eu já disse. Não é a hora ainda... – Ela começou com aquele discurso de esperar e tudo mais. Algo que ela não entendia até hoje era que eu faria qualquer coisa por nós dois. Não importava se eu não conseguisse emprego em nenhuma escola, ou se fosse indiciado por abuso de menor. Eu daria um jeito, NÓS daríamos um jeito. E eu precisava mostrar isso pra ela. E esse quadro era apenas o estopim de toda essa vontade.

Porém, antes que nos déssemos conta, estávamos novamente discutindo.

— Você fica chateada e não quer que eu deseje assumir isso? Eu te vejo suspirar, até chorar por não poder sair comigo e quer que eu fique como? – Eu falei meio alto.

— Não é isso, é que eu não quero que saia ruim pra nenhum de nós dois. — Ela disse suspirando e se levantando.

— Amélia, quantas vezes eu vou ter que dizer que...

— Mar, esquece. Eu vou pra casa, se eu ficar hoje nós iremos brigar e eu não quero estragar seu aniversário. Eu te amo. – Ela disse beijando minha bochecha e pegando a bolsa no sofá.

Eu estava frustrado demais pra discordar e a deixei ir, sem ao menos responder.

POV. Amélia Lionel

Hora Atual – Hospital Santa Casa.

— Mas, me conta, como foi isso? – Eu murmurei para Elizabeth enquanto ela me entregava o copo de água com açúcar que conseguira da recepcionista.

— Depois que você saiu, o porteiro me disse que ele saiu uns 40 minutos depois. Pegou o carro e não sabemos para onde foi. Sei que me ligaram em casa e pediram para que eu viesse para cá, que meu filho tinha sofrido um acidente.

Minha mente girava, tudo passando como um borrão na minha cabeça. Então, ele teria ido me procurar? Ele, ele queria pedir desculpas? Ou discutir novamente? Qualquer que fosse o que ele quisesse fazer, ele não conseguira.

— Elizabeth Brezon?— Disse uma voz grossa, vindo de dentro do corredor. Levantamos-nos em um lapso e fomos até o medico, que nos “procurava” na multidão de pessoas sentadas.

— Sim, sou eu. Essa é Amélia, ela é namorada dele. Pode falar. – Ela disse me apresentando ao doutor. E eu me senti bem com isso, mesmo não sendo a melhor hora para me orgulhar de minha sogra.

— Muito prazer. Bem, Marcelo chegou aqui com muitos ferimentos, quebrou alguns ossos, não sabemos ainda o que isso pode gerar no futuro, por enquanto, ele está consideravelmente “inteiro”. Mas, há um problema. – E ele vacilou antes de continuar. Mas vendo nossa ansiedade, continuou. – Ele bateu a cabeça, e corre o risco de perder a memória.

Dona Elizabeth veio ao chão, seu choro era ouvido pelo hospital todo. Eu não conseguia me mexer, era um choque grande demais.

— Uma maca, por favor! – Ele disse alto, para alguns dos enfermeiros, que prontamente vieram e ajudaram a colocar Elizabeth nela. – Senhorita? Está bem? – Eu estava sendo chamada. Não poderia fraquejar agora. Mesmo que eu quisesse, não poderia.

— Sim, pode falar. – Balbuciei, respirando fundo.

— Pois bem, ele bateu contra um poste na Av. Dantas. Achamos que estava bêbado e perdeu o controle. Quanto à perda de memória, ela pode ser passageira, ou permanente, não sabemos ainda, não até ele sair do coma. “Ele está em coma?”

— Eu posso vê-lo? – Murmurei finalmente fitando-o, e ignorando tudo o que ele dissera. Ele pareceu relutar, mas concordou.

— Venha comigo.

E eu o segui, minhas mãos suavam frio, assim como o resto de meu corpo, que implorava por um “pause”, um momento respirando fundo e tentando raciocinar.

Quando chegamos à UTI, ele me levou até um dos biomas e eu entrei primeiro, tendo uma das piores visões da minha vida.

Marcelo estava entubado, com inúmeros arranhões nos braços e um corte enorme na testa. Comecei a chorar compulsivamente, me apoiando no medico que se solidarizou com a cena e me abraçou. Definitivamente, essa era a pior cena da minha vida.

Notas finais
Beijocas :*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.