25 anos
1 Capítulo 1
Duas horas atrasada, mas ainda presente.
25 anos cara. Um quarto de século. A partir de agora estou mais perto dos 50 anos, do que do meu nascimento. Loucura.
Bem, comecemos a programação normal: recaptulação desse último ano.
O meu aniversário do ano passado foi completamente esquecível. Minha colega de quarto não lembrou, algumas conhecidas me parabenizaram pelo Instagram, três marcações no Instagram e o dia passou. Alguns dias depois, sai para jantar com Erik e ganhei um chaveiro do Zoro e uma caneca do Chopper de One Piece. Uso-os com frequência e admiro com carinho. Erik é um amigo sensacional.
Em agosto aconteceu mais uma edição da Sedenta, dessa vez com a Lia Clark. Erik e eu fomos, infelizmente fiquei bêbada sem querer, ainda sentindo raiva do que aconteceu com Camili (posteriormente, descobri que ela também estava na festa). Me diverti muito e fiquei com uma garota. Erik e um amigo me trouxeram para casa e me botaram para dormir, passei o domingo de ressaca. Caótico demais. Uma semana depois fomos em uma festa da atlética de agronomia. E dessa vez, foi tudo tranquilo.
Em outubro tive ferias e fui pra casa. Fiz um penteado do Naruto comendo lámen no cabelo da Kailane, na semana do cabelo maluco da escola. Acordamos 5 da manhã para dar tempo de fazer tudo e ficou incrível.
Resolvi tomar vergonha na cara e tentei novamente seguir a Igreja, faltei apenas 1 dia da novena e me consagrei a Nossa Senhora de Fátima em 12 de outubro, foi lindo e chorei muito. Senti a Mãe ao meu lado.
Meus pais fizeram 25 anos de casamento e conseguimos entregar a Benção Apostólica que havia pedido da Itália em abril/maio. Foi estranho porque nossa família não é muito afetiva, mas eles gostaram. Meu pai chorou. Atualmente o quadro está em cima da máquina de costura da minha mãe, ainda embalado, não acharam espaço para pendurá-lo.
Apesar do aniversário de união, nossa família anda meio desfalcada. Kailane está cada vez mais parecida comigo, Kauane está cada vez mais procurando problemas em relacionamentos, meu pai só pensa em trabalho e dinheiro e minha mãe desistiu de tentar fazer tudo voltar ao que era antigamente. Não sei por mais quanto tempo as coisas serão suportáveis. Não gosto muito de voltar para casa porque fico sozinha e o clima é pesado, me deixando triste e com saudades da infância.
Voltei pra Sinop e enfrentei Fundamentos 2. Gostei da matéria mas odiei o novo professor. Também resolvi cursar uma matéria optativa de feridas, porque não gostava do tema. Mas foi uma decisão muito acertada, a prof é maravilhosa e terminei o semestre super empolgada. Tanto, que entrei no projeto de pesquisa dela.
Também cursei saúde do trabalhador, fizemos visitas técnicas e uma ação com os trabalhadores de uma indústria. Achei uma área interessante.
Dezembro chegou e voltei pra casa. Participamos de uma festa da empresa que minha mãe trabalha, ficamos em hotel e tudo. Comprei um tablet para estudar, o que revolucionou minha vida.
Kauane surtou e fizemos uma festa de aniversário para a Kailane. Pregamos tnt na parede, eu fiz um bolo recheado e decorado, chamamos o Ovídio e a Márcia e jantamos. Foi simples, mas lindo.
Deixei Kauane tentar guardar o carro e ela passou 2cm da mureta da garagem. Passei o Natal assistindo Sanda e o ano novo comendo na cozinha com as meninas.
Tia Nice veio em janeiro, resolveu fazer uma festa em comemoração aos 60 anos de vida e 40 de vida religiosa. Entretanto, tia Rita marcou para o meio do mês, o que bateu com nossos planos de irmos novamente para o Paraná. Novamente meu pai ficou e foi na festa. Mas, antes de irmos, ela veio almoçar em casa conosco.
A viagem foi ótima, ainda caótica, mas legal. Dessa vez fomos de onibus.
Fui duas vezes ao cento com minha mãe e andei demais, rapidamente lembrando do quanto a diva andava rápido. Kauane e eu passamos um dia inteiro no centro, sozinhas, fazendo compras. Me senti adulta demais, com saudade de quando minha mãe jamais me deixaria pisar fora de casa sozinha, com medo da cidade grande. Queríamos ir ao novo shopping da cidade e comer lámen, mas não rolou. Já havíamos gastado dinheiro demais.
Tive uma crise e me isolei por uns dias. Me recusei a ir almoçar numa tia e conversei bastante com tia Cida, nossa anfitriã. Revi a Graciele e conheci seu filho, Alexandre.
Passei dois dias, com minhas irmãs, na chácara dos meus padrinhos, rodeada de lavoura e floresta de Pinheiro do Paraná. Reencontramos a Fran, nossa prima, depois de uns bons anos. Algumas paisagens eram extremamente parecidas com a tela do Windows 10. Me deu uma vontade absurda de largar tudo no Mato Grosso e viver no inteiror do Paraná. Seria fácil, mas doloroso.
Eu me preparei mentalmente para receber algum comentário da minha madrinha a respeito das tatuagens no meu braço ou sobre a cor do meu cabelo, mas ela só achou legal os significados e pediu se havia doído. Não houve nenhuma repreensão.
Quando você é adulta, há coisas que não são mais necessárias serem repreendidas.
Me acabei de comer ambrosia e pão, arroz com milho e farofa, comidas afetivas da minha madrinha. Voltamos para a cidade e fizemos um chá de bebê relâmpago para a Dani e seu filho Thiago. Me diverti um pouco, organizando e decorando as coisas com a Cris. E conversando, ela me deu a ideia de viajar por um dia.
Pensei em ir para Foz ou Londrina, mas era caro e longe demais. Investiguei, e resolvi ir para Toledo. Saí de manhã e passei o dia batendo perna e conhecendo um pouco da cidade, e detestei. Achei sem graça demais, mas foi bom para minha mente. Ficar sozinha e longe de tudo. Literalmente.
Voltei e topei com meus padrinhos novamente. Mais uma despedida.
Kauane e eu fomos ao lago e conseguimos achar a fonte de leões que visitamos uma vez a infância, hoje em dia está abandonada e toda quebrada, não corre mais água na fonte. O tempo cobrou seu tempo.
Voltei para Sinop e fiz o estágio de fundamento 2, quatro dias na enfermaria da UPA. Detestei cada segundo, mas foi legal ter experiência. O semestre acabou e uma semana depois, 2026.1 começou.
Esse ano não aconteceu Pilantras, então não pulei Carnaval.
Tive um surto baixei o Tinder (erro clássico) e conversei com uns três caras. Saí com um, Lukas. Ele pareceu ser legal. Estuda agronomia na Anhanguera, trabalha e mora sozinho, é motoqueiro e usa botas country. O papo foi ótimo, jurando que havia acertado pela primeira vez. Saímos para a missa no domingo de manhã e depois fomos a feira, comer pastel com caldo de cana. Conversamos bastante. A noite, ele veio em casa me trazer salada para jantar, porque sou vegetariana, e um vaso de rosas. Eu ri demais e minha mãe também. Tava tudo certo até ele me chamar pra ir na casa dele e começar a repostar umas coisas esquisitas no Instagram. Mandei vários áudios e fiz a boa e velha oração pra Deus fazer acontecer o certo. O querido sumiu e eu fiquei com um vaso de roseira. Dei o nome de Catarina. Ontem (05/06) ela abriu sua primeira rosa, depois das que vieram originalmente.
Em março fui assistir Crepúsculo no cinema, com o Erik e decidi fazer meu aniversário com esse tema. Fazia tempo que eu nao ficava tão feliz. Também foi aniversário da Ana, cujo tema era Brasil. Foi uma noite bem divertida.
Consegui uma bolsa de extensão, dentro do grupo de feridas. Não é muito, mas já vai ajudar. Estou planejando ir a um congresso no fim de ano, para apresentar resultados. Semestre que vem irei arrumar um trabalho para pagar as passagens e hospedagem. E também juntar dinheiro para gastar na viagem do fim de ano.
Essas últimas semanas estão sendo ruins. No começo de abril tive uma semana infernal, repleta de gatilhos e fugi para a casa dos meus pais. É bom saber que tenho para onde voltar, independentemente do que aconteça comigo aqui no mundo real.
Estou cansada mentalmente, com ânimo deteriorado e anedonia sobre muitas coisas. Não suporto a disciplina de Saúde Mental e já estou enlouquecendo em pensar que terei que passar uma semana em estágio no CAPS. Gosto muito de Atenção Básica, mas não estou conseguindo levar as coisas a sério. Processos de Enfermagem é bem complicado mas também não consegue me preocupar. Até meu TCC não me anima, apesar de eu ter ficado, inicialmente, muito empolgada com minha orientadora e meu tema.
Na penúltima semana de maio, Isa e eu tivemos uma discussão. Eu já estava saturada de muitas cosias e ela também. Botamos muita coisa na mesa e encerramos nossa relação. Foram 2 anos legais, cheios de altos e baixos, mas, que jamais seriam eternos. Estou num ponto de não suportar mais a presença dela no apartamento, mesmo ele sendo a casa dela também. Eu tolerava alguns comportamentos pela conveniência, mas agora acabou. Então, estou picando a mula e caindo fora, não tenho mais razões para ser simpática.
Aluguei um apartamento no prédio do João. Quase certeza que vou me mudar no próximo fim de semana. Estou tão aliviada. Vou conversar com ela nos próximos dias, avisar que vou sair e começar a organizar minhas coisas para a mudança. O novo apartamento vai ser minúsculo, mas, pelo menos vou estar sozinha.
E então chegamos ao querido dia 06 de junho.
Ontem passei 8 horas na cozinha, enrolando os doces, montando o bolo e fazendo o recheio da torta. Fui dormir exausta. Isa não falou comigo o dia todo.
Hoje acordei seis horas em ponto, lembrando que Kauane estava para chegar. Ela veio passar uns dias comigo, aproveitar que está desempregada. Ela chegou em casa quase 7. Subimos com as malas e fomos tomar café da manhã no RU.
Voltei e fui fazer o buttercream que demoraria meu bolo. Fiquei na cozinha, terminando as comidas, até quatro a tarde. Me arrumei e preparei tudo. Kauane fez um totem em tamanho real do Edward, para a decoração.
Vieram Lucila, Glayse, Breno, Erik, Ana e Ingrid. Isa não quis participar.
Tentei mais uma vez resignificar essa data. Planejei uma mini festa nessas últimas semanas, com o tema do ano: crepúsculo. Mais minha cara, impossível. Esse filme atormenta todos as pessoas proximas a mim. Organizei três brincadeiras temáticas, mas nao rolou. Colocar a camisa no Jacob foi sem graça, o bingo ficou desfalcado e não fiz verdadeiro ou falso. Tirei fotos, cantamos parabéns e comemos os doces. O pessoal foi embora, Kauane e eu arrumamos tudo e agora vim deitar. Terminar de escrever esse resumo anual e desmaiar pelo cansaço. Me diverti mais preparando tudo, do que vivendo o momento. Mas, pelo menos tenho fotos legais e boas lembranças.
Ano que vem estarei no penúltimo ano da faculdade, prestes a entrar no supervisionado. Espero que eu consiga conciliar um emprego noturno com o curso, juntando dinheiro para o futuro. Espero estar melhor também, mais feliz. Talvez com alguém do lado.
Ainda sinto falta de ter alguém, me dói sentir inveja de outros casais. Mas, ter uma régua alta te priva de muitas coisas. Só que a solidão cobra seu preço.
Estou tão cansada, não tive tempo de filosofar muito dessa vez. Só consegui contar as coisas principais, deixando vários roles de fora. Espero que no ano que vem, eu consiga fazer tudo bonitinho de novo.
Amanhã Kauane e eu iremos ao cinema, assistir Todo Mundo em Pânico 6. Quero ir a um rodízio de pizza na quarta e me mudar até domingo. Tudo tendo dos conformes.
Até 26 anos.
Eu tô feliz
Não tô pensando mais besteira
Não tô ligando se não fala comigo
Nem se chover na sexta-feira
Eu fui atrás
De levantar minha bandeira
Não tô ligando se só olham pro próprio umbigo
Não vou perder a vida inteira
Único
Momento único, merece atenção
É que essa vida é maior que a televisão
Vou te levar em algum mirante escondido, algum paraíso
Você tá precisando mesmo de um amigo
Eu posso ser seu guia, te buscar de madrugada
Pra dar um giro, ver a cidade comigo
No final de semana, a gente toma uma gelada
Mágico — Marina Sena
Fale com o autor