24/7 GUYS
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Notas iniciais
HEY! Aqui temos o início da história.
Caso não tenham lido as notas gerais, informo que são vocês, leitoras, que decidirão o rumo de vocês. Esse é um prólogo base, o ponto zero. Apenas a partir do próximo capítulo terão de começar suas escolhas! xD
Desejo a todos uma boa leitura.
Acaso, sabem o lado negativo de ser eficiente? Bem, para começar, você é deixada esperando. Há exatamente 24 minutos, eu, supostamente, deveria estar conhecendo meus novos clientes... Porém, o encarregado de me levar ao local e explicar os detalhes do trabalho "dormiu demais".
— Eu realmente sinto muito! Nem me lembrei de colocar o despertador... — ele coçou a nuca, sorrindo sem graça.
— Eu entendo senhor Hyun-Ki, — na verdade não — mas acho que seria melhor irmos depressa, já que estamos bem atrasados... — sorri, tentando de alguma forma parecer leviana, e levei a boca ao meu copo de café, que se encontrava pela metade. O mais velho concordou, desajeitado, e logo tomamos o primeiro taxi que se aproximou.
Devo admitir: Depois de 5 meses desempregada, distribuindo meu currículo, falhando em entrevistas e tendo que receber ajuda de uma amiga, é um alívio finalmente ingressar na carreira que me interessa! Mesmo que o salário não seja lá essas coisas...
— Chegamos. — a voz masculina soou como um despertador, me tirando de meus devaneios e fazendo com que eu me virasse para ele. Assim, acenei com a cabeça e o segui para fora do taxi. — Ansiosa? — o homem me pergunta, tirando uma das malas de minha mão.
— Um pouco. — respondo sucinta, subindo as escadas da entrada.
— É... Quando começamos, sempre temos aquelas expectativas de que "não será tão difícil", "eles serão legais comigo" e coisas tipo... Entretanto, como seu sunbae nesse ramo, me sinto na obrigação de avisar... Esses garotos, são insuportáveis! — minhas sobrancelhas se levantaram involuntariamente com o comentário — Não vai conseguir qualquer respeito deles. São horríveis! — balancei a cabeça devagar, como se concordasse, apenas para parecer que estava interessada no assunto — Olha, quando me ligaram dizendo que eu havia ganho aquela viagem para o Havaí por 2 meses, com tudo pago, eu nem sequer pensei. Pedi a demissão o mais rápido que pude! Vai entender do que estou falando. E também, não tenho muito a perder! Esses garotos mal entraram para o mercado. Vão demorar para conseguir algum dinheiro, se é que vão. — soltou um curto riso de deboche — Mas vamos ao que interessa! — colocou minha mala no chão, ao meu lado — Saindo daqui você irá voltar com eles ao prédio. Essa — o homem estendeu uma chave para mim — é do seu apartamento. E essa — repetiu a ação — é do deles. — apontou com o queixo para o local onde seis garotos posavam teatralmente para o fotografo — E creio que isso é tudo. Quando eles acabarem, pode ir se apresentar. Quanto a mim... Já vou indo. O Havaí me espera! — ele sorriu de orelha a orelha e se curvou em despedida. Retribuí da mesma forma — Lhe desejo sorte, garota. — senti dois leves toques em meu ombro — Vai precisar. — e com um sorriso misericordioso, deixou o ambiente.
Eu fiquei parada, olhando para a porta, por pelo menos 2 minutos. Era possível um sujeito daqueles ser profissional? Não fui realmente orientada a... Nada. Basicamente é: me apresentar, chaves, apartamento. Estou esquecendo alguma coisa? ... Ok. Vamos lá!
Os garotos reverenciaram o fotografo e logo se afastaram, indo se sentar. Eu fitei cada um deles, imóvel, e respirei fundo, começando a andar em direção a um.
— Moça, perdão. — um homem alto e bem magro se pôs a minha frente — A senhorita tem autorização para estar aqui? — meus olhos foram em direção aos dele.
— Um instante. — pedi, abrindo minha bolsa rapidamente e pegando meu crachá de autorização, o qual foi tirado de minha mão em questão de segundos.
O homem observou bem o objeto, mais de uma vez, e então relaxou a postura.
— Está certo. Pensei que outra fã havia passado... Desculpe o incomodo. Mas, em todo caso, me pareceu que estava indo até eles... — olhou para os garotos sentados, com um ar apreensivo — E aconselho que não o faça. Apenas volte ao seu trabalho.
Meus olhos se estreitaram automaticamente. Sempre odiei que me dissessem o que fazer daquele modo.
— Para começar o meu trabalho, preciso falar com esses meninos. Então, com sua licença... — sorri sarcasticamente e prossegui na mesma direção.
— N-não... — o mais alto tornou a se postar em minha frente. Só podia ser brincadeira... — Eu não posso deixar que fale com eles sem saber qual sua posição.
Minha expressão se fechou, e levei a mão ao bolso, tirando de lá um cartão.
— Aqui está "minha posição". — meus lábios se contorceram em um sorriso cruel – Se não se importa, estou com certa pressa! — curvei minha cabeça, e logo voltei a andar, sem olhar para trás, entretanto ainda fui capaz de ouvir algumas palavras do homem: "A substituta é... você?", e senti seu tom de indignação. — Sim. Sou eu. — murmurei em irritação. O pior, é que esse tipo de indignação é muito comum quando me apresento como profissional...
Por fim, aproximei-me do garoto sentado no canto esquerdo da região. Parecia irritado... Sentado com suas pernas abertas, apoiava os cotovelos sobre as coxas e era notável que seus punhos estavam cerrados, como se quisesse bater em alguém.
— Com licença... – chamei por ele, que me olhou franzindo o cenho, nervoso. Eu deveria apenas me apresentar, mas... – Aconteceu alguma coisa? – o garoto passou os olhos por mim de cima a baixo.
— Se aconteceu, ou não, o que cê tem com isso? – respondeu, no coreano mais informal que já havia ouvido.
— Eu “tenho que”: dependendo do motivo de estar emburrado, isso pode trazer problemas internos, externos, e afetar toda a publicidade da banda. Mas se não quiser falar, o problema não é meu! – foi o que eu disse, porém a verdade é que estava apenas preocupada, e um tanto curiosa por vê-lo do jeito que estava. Apesar disso, não deveria me responder de forma grossa sem um bom motivo.
Ele inclinou a cabeça calmamente, e se levantou, parando a um palmo de distância de mim. Olhei para cima, mirando seus olhos, sem perder a compostura. Mas... Tão perto, do ângulo no qual eu me encontrava, o homem chegava a dar calafrios. Devia ter cerca de 20cm a mais que eu. Os olhos castanho-escuros me fuzilavam... E sua roupa, inteira preta, cuja gola cobria quase toda a boca, transmitia um ar... Sombrio?
- Saquei. – respondeu, e cruzou os braços em frente ao corpo – Tu trabalha pra gente então. Tô errado? – ele empinou o queixou por um segundo como se exigisse uma resposta e, sem pensar direito, dei um passo para trás.
- Não. – suspirei, e logo voltei a minha postura mais profissional – De fato... Eu serei sua nova agente a partir de agora. Espero que possamos trabalhar juntos! – me curvei formalmente diante dele. Ao voltar o olhar a ele, em uma questão de segundos, seu rosto se encontrava a um centímetro do meu.
O garoto levou a mão ao queixo, pensativo, enquanto eu não movia um músculo, e por fim tornou a sua altura normal.
- JeongPan. – se apresentou, sem mais nem menos, e sorriu de canto brevemente, voltando a se sentar – E, se tu quiser saber o que acontece na minha vida, vai precisar de mais do que isso ae! – ele olhou para mim uma última vez, e focou sua atenção em um aparelho eletrônico que tirou de seu bolso.
Mais do que “isso ae”? O que “isso” quer dizer? E, aliás... JeongPan! Claro. Em um primeiro momento não notei, mas este é Kim Chul-Moo, um dos rappers da banda. Estudei o perfil de todos os integrantes quando soube que o trabalho era meu, contudo... Essa troca de cabelos, roupas e apelidos que os artistas fazem realmente me confundem...
- Annyeong...
Levei um pequeno susto ao ouvir a voz bem atrás de mim, e me virei para procurar o dono dela, deparando-me com um dos integrantes, sorrindo docilmente e fazendo o “sinal da paz”.
Era quase o oposto de Chul-Moo. Pouco mais baixo, com uma blusa roxa listrada, de mangas enormes que lhe cobriam as mãos, e exalava... Fofura?
- Tudo bem, lady? – o garoto juntou os braços atrás do corpo e ficou olhando para mim, quase como um animalzinho de estimação.
- Estou bem... Agradeço! E quanto a você? – respondi educadamente, sem entender o que se passava naquele momento. Seria possível que ele soubesse minha identidade?
- Estou ainda melhor por conhecê-la! – ele pegou minha mão e a beijou sutilmente. Nesse momento percebi, que alguma coisa estava muito errada – Desculpe me intrometer mas... – senti sua mão repousar em minhas costas, me induzindo para outra direção – Qual sua relação com o Pan-Pan? — o garoto parou, fitando-me com o olhar esperançoso, sorrindo de forma meiga.
Pan-Pan? JeongPan? Ah, não... Como o esperado, algo estava errado.
Bati de leve em minha própria testa – Não... É que... – agilmente, me curvei para ele – Prazer em conhecê-lo, eu estarei te agenciando a partir de agora. – foi a forma mais rápida que encontrei de explicar o mal entendido.
- Eh? – o garoto me olhou confuso – Agente? – acenei positivamente com a cabeça, em resposta e ele ficou me admirando por algum tempo, até continuar – Eu achei que... Mas é porque... Você é tão pequenininha! – ao falar isso, se abaixou e continuou a olhar – E fofa. – gesticulou “fofa” como se eu fosse um bicho de pelúcia.
- Já, entendi. – eu disse pausadamente – De qualquer forma, espero que possamos trabalhar bem juntos! Você é o... – tentei lembrar-me dele entre as fotos nos perfis, mas aquele cabelo avermelhado eu jamais havia visto.
- Também espero! – ele sorriu simpático – Você parece mais legal do que aquele tio que ficava com a gente... – levou a mão/manga da blusa a boca e arregalou um pouco os olhos – Que cruel, lady! Não procurou nossos nomes... – e fez um bico – BaeYong! Prazer! – fechou os olhos em um sorriso.
- Procurei! – afirmei rápido ao ouvir o nome do rapaz – Bae Yong! 21 anos. Função de rapper guia. – sorri de volta – Apenas não tinha reconhecido. – levantei a cabeça confiante.
Por um segundo, pensei ter visto a expressão dócil dele se tornar um olhar penetrante conjunto de um sorriso pervertido, porém o olhar inocente e animado do jovem se mostrava tão vivo em seu rosto no segundo seguinte, que creio ter apenas imaginado.
- Sabia! Você é mais legal mesmo. – ele tocou minha cabeça de forma suave e então se afastou – Eu preciso fazer uma coisa! Boa sorte com os outros membros, logo nos vemos. – e eu mal me despedi, o garoto já estava saltitando ao longe.
Bom, já foram dois, faltam quatro.
Fui logo até aquele que estava mais perto de onde eu me encontrava. Estava de costas, e era ainda mais alto que os outros. Sorrateiramente, passei ao lado dele, parando em sua frente.
- Com sua licença... – o rapaz olhou para mim, e então passou a mão por seu cabelo branco de pontas púrpuro.
- Hey, entrou aqui escondida é? – ele sorriu esperto e tirou uma caneta do bolso – Relaxa, o segredo tá guardado comigo. – piscou para mim com um dos olhos — Onde gostaria que eu assinasse?
- Hmm... Por um lado, essa atitude com certeza conquista as fãs e as agrada, o que é ótimo para a sua imagem, mas para a agência é realmente ruim que isso possa se tornar frequente e que, posteriormente, vazem informações. Então, vamos ter que arrumar isso. – disse séria, já pensando em uma solução para a situação.
- Quê? – suas sobrancelhas se contorceram em desentendimento, e ele levou as mãos aos bolsos da calça antes de se inclinar em minha direção – Quem é você? – dessa vez, o garoto me fitava sério.
- Sua nova agente. Espero que possamos fazer um bom trabalho juntos! – mais uma vez, me curvei em reverência, e sorri simples para ele.
- Agente, né? Entendi. – os olhos dele pareceram me analisar – É uma espécie de desperdício, mas nem tanto, então tanto faz... – ele se sentou de forma largada na cadeira, sem tirar a mão dos bolsos e olhou para o lado por um momento, sem nenhuma razão aparente, em seguida voltou a me mirar – Me chamo Chul Suk, caso não saiba... Porém, devia. – enquanto mordia o lábio inferior lentamente, parecia me analisar um pouco mais – É... Isso é tudo. – passou uma das mãos pelo cabelo e não tornou a virar o rosto na minha direção.
- Ok... – sussurrei me retirando, sem ligar muito. Pelo menos ele não bancava a estrelinha com as fãs também, ou seja: um ponto a menos para eu me preocupar...
- Ele é difícil, não é?
- Pois é, mas dá se um jeito... – respondi impulsivamente, e então me toquei que a pergunta veio da pessoa ao meu lado. Olhei para ele me perguntando há quanto tempo estava ali. Digo, não deve ser difícil notar quando uma pessoa com um cabelo com todas as cores do arco-íris para do seu lado, eu acho.
- Yo! – falou em câmera lenta.
- Olá. – fiquei alguns segundos sem saber o que deveria dizer, até finalmente me lembrar de que devia me apresentar como nova agente dele – Ah! Muito prazer. Eu sou-
- Sei quem você é, sei o que está fazendo aqui. Sou Shin Jung Hee! Te apresento ao resto, vem. – dito isso, Jung Hee apenas saiu andando, lendo um livro que eu juro não ter reparado que ele segurava antes.
Apressei-me para alcançá-lo. Jung Hee, certo? É o líder. Devem tê-lo avisado sobre mim...
- Mac.! – ele chamou um rapaz que comia em uma das pequenas mesas dispostas.
- Ei Shin! Quer um “Mac. Chicken”? – estendeu um frango com os hashis, na direção do líder, rindo. O que me levou a crer que aquilo deveria ser uma piada...
- Se ai tiver “Mac. Travesseiro”, eu aceito. – responde Jung Hee, sentando-se na mesma mesa, mas não soa como uma brincadeira.
AH! Mac.. Enfim me lembrei.
Aproximei-me dos garotos, contudo permaneci de pé.
- Dak Kyu-Bok, correto? Me chamo-
- MAC.! Meu nome, é Mac.. – me interrompeu com um grito.
- Sim, mas seu verdadeiro nome não é Dak K-
- Está com água no ouvido? – ele disse irritado, e em seguida se acalmou, – Se estiver eu até entendo, viu? É um saco, e dá até mau o humor. – mas não por muito tempo – Já se não estiver, você ouviu bem. Meu. Nome. É. MAC..
- Estou ouvindo! Sim. Entretanto este é um apelido, e eu não tenho afinidade. Portanto correto seria te chamar de-
Antes que eu pudesse raciocinar o nome, o garoto já estava na minha frente, com sangue nos olhos.
- Você não é engraçada! Não tem graça. Só volte a falar comigo quando souber levar piadas a sério! – esbravejou, e saiu de perto batendo os pés.
Não sabia bem se devia ir até ele ou não, até que notei que não precisava. Jung Hee já andava em sua direção, quando parou e sorriu.
- Você é... Bem estranha. — voltou à expressão que nada diz, de antes – Procure o ChungHo perto das janelas. Ele deve estar por lá. – instruiu, e foi atrás de Kyu-Bok.
E foi o que fiz. Procurei o mais novo pelo entorno da sala, achando-o olhando para a janela, no canto menos visível do estúdio.
- Lee Chung Ho-ssi? – chamei.
Ele se virou para mim e enfim não me senti com alguém tão fora do comum. O que não faz sentido, pois não havia nada comum naquele tom de pele tão branco, o cabelo verde água espetado e a beleza exótica, entretanto a sensação que ele me transmitia era pouco mais confortável que a dos outros integrantes.
- Eu. – o garoto ficou inclinando a cabeça de um lado para o outro como se procurasse ângulos diferentes para me ver. Apesar disso, não fez nenhum comentário.
- Estou aqui para informar que serei sua nova agente a partir de hoje. – me curvei para ele – Espero fazer um bom trabalho. Conto com você!
O mais novo se curvou para mim em resposta, algo que eu não esperava.
- Farei o melhor que puder. Conto com você. – foi só o que ele disse.
Ao olhar nos olhos de Chung Ho, eu claramente via que ele tinha algo a dizer, mas mesmo prestando atenção em seu rosto, não conseguia nem deduzir o que seria. A única coisa que posso afirmar, é que todos esses garotos tem algo que me preocupa com relação à carreira deles, e vou fazer o impossível para garantir o sucesso deles.
Meu nome é Yon Cho-Hee, e sou a mais nova agente da BPProductions. Atualmente responsável pelo grupo 24/7, debutado há cerca de um mês. Vou eu transformar esses artistas em grandes celebridades, antes que eles me transformem em uma completa maluca?
Notas finais
Qualquer dúvida ou crítica é bem vinda!
Vocabulário:
Sunbae: Aquele com mais tempo e conhecimento que outro de um a mesma área. (Senpai)
Annyeong: Jeito pouco mais informal de cumprimentar, se anunciar.
-ssi: Forma polida de chamar. (-san)
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