24 anos
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Caramba. Já fazem quase 10 anos que venho postando relatórios anuais online sobre minha vida. Jesus.
Primeiro que eu achei muito estranho jogar no google Nyah Fanfiction e o resultado não ser o mesmo dos oitos anos anteriores. Achei legal a mudança, mas preferia as coisas como estavam antes, demorei para conseguir entender as novas funções do si. Sei lá, posso apenas estar sendo meio mesquinha.
Mas, enfim. 24 anos. Caramba.
Quando minha mãe tinha essa idade, já estava prestes a se casar com meu pai e engravidar de mim na sequência. E eu ainda estou na metade da faculdade, totalmente dependente dos meus pais e com muitos segredos escondidos na mente.
Recapitulando meu aniversário passado, as coisas não saíram como planejadas. Eu queria ter ido no shopping com a Cris e o Erik, mas não rolou. Pra começar que meu bolo ficou feio, não horroroso, apenas feio. Ai a Cris não conseguiu sair porque estava de plantão. Então decidi irmos apenas ao Porks a noite. O pai do Erik nos deu carona, ele até pediu para dirigir com cuidado, mas na última curva antes de pararmos para descer, ele acelerou e freiou, não consegui equilibrar e o bolo bateu no banco do carro, destruindo o que já tinha me frustrado. Ali minha noite acabou e eu sabia que só iria piorar.
O pai do Erik me pediu várias desculpas e eu disse que estava tudo bem. Mentira, óbvio. Segurei as lágrimas enquanto esperava a galera chegar. Apareceram apenas Luciana e o boy dela, Ana e Ingrid, Camili e Paulo. Luciana fez o cantor da noite cantar parabéns pra mim no microfone e o bar inteiro acompanhou. O bolo era muito saboroso, contrastando com sua feiura. Ganhei uma luminária do Paulo e da Camili.
De última hora resolvemos ir no Xingu, um outro bar que tem karaoquê. Deixei o que restou do bolo para a equipe do Porks e atravessamos a cidade para ir cantar, mas naquela noite a entrada era paga então resolvemos voltar na Adami. Aleatoriamente encontrei o professor Cézar lá também. Não foi a melhor festa do mundo, mas foi divertido. Cheguei em casa me convencendo de que foi uma noite boa e penso assim até hoje.
Agora vamos as atualizações da minha vida. Na faculdade eu continuei a participar do projeto de extensão junto com a Luciana e logo saí da liga acadêmica, achei a equipe muito enrolada e o coordenador muito estúpido, estava me dando mais dor de cabeça do que conhecimento.
Em julho me mudei pela quarta vez em menos de um ano, para onde estou atualmente, um condomínio perto da UFMT. Agora moro com uma colega de turma, a Isadora. A ideia inicial era de que dividiríamos o apartamento até a família dela vir pra Sinop, mas não foi o que aconteceu. Sua mãe e irmã ainda estão em Goiás e o pai dela está trabalhando em São Paulo.
Isa me lembra muito a Tainara. Eu costumo dizer que ela é Tramontina, corte rápido. O tanto que eu sou enrolada e procrastinadora, Isa faz tudo acontecer nem que seja na base do ódio. Ela namora um cara de medicina, o João. Ela também quer med, ano passado foi super bem no enem, mas não o suficiente para passar. Ela só consegue concorrer em ampla concorrência, então a nota precisa ser excelente e não apenas boa. Ela se dedica muito, fica no quarto estudando o dia todo. Além de levar algumas matérias da faculdade e também trabalha numa empresa que faz driks em festas.
Em julho irá fazer um ano que moramos juntas. Nesse período brigamos feio três vezes e todas por culpa minha, óbvio. Isa tem muitos traumas com a mãe, então ela meio que te sufoca pra saber o que está de errado, se ela fez alguma coisa que não devia. O que contrasta muito com a minha criação onde ninguém fala sobre problemas, a gente apenas se ignora e uma hora volta a conversar como se nada tivesse acontecido (já fiquei sem falar com minha mãe por um mês e num dia voltei do nada).
Eu super compreendi ela e ela meio que me entendeu. Eu ignoro muitas coisas relacionadas ao serviço doméstico, pra evitar ainda mais brigas. Hoje em dia somos amigas, mas não igual nos primeiros meses, antes de todos os desentendimentos. Me tornei uma pessoa mais reservada com ela, acho que ficamos melhor com essa certa distância. Ela é responsável por limpar a casa e eu fiquei com o banheiro e o meu quarto.
O condomínio é maravilhoso comparado aos meus antigos lares. O prédio é novinho, fomos os primeiros a ocupar os apartamentos. Moramos no segundo andar, Isa ficou com o quarto da frente e eu peguei o quarto dos fundos. Os donos são ótimos e bem queridos. Só o espaço do box, é o meu antigo banheiro inteiro, naquele cativeiro que a velha Sirlei chama de kitnet. Finalmente os humilhados foram exaltados.
Na mesma época da mudança, saí do grupo de extensão também. Já estava quase para surtar de tanto ódio e raiva que aquele projeto me deu, tanto, que nem quis certificado pelo período que trabalhei. De tudo aquilo, só quero distância.
Felizmente passei em todas as matérias, algumas raspando, mas passei. Em agosto fiz minha primeira tatuagem: o símbolo do clã Nara e o leque da Temari, de Naruto. Não posso deixar de falar que doeu para um senhor CARALHO, mas aguentei quieta porque eu tava lá porque queria.
Em outubro voltei pra igreja. Fiz a novena do Beato Carlo Acuttis e de Nossa Senhora Aparecida. Voltei pra casa para participar da festa da paróquia e ganhei no bingo, 2 potes e um quadro decorativo de metal para fixar na parede, e também descobri que minha ex-chefe, Anna, tivera mais uma filha. Continuei a fazer diárias na brinquedoteca. Em novembro voltei a beber depois de um ano e foi ótimo, eu senti muita falta da vodka.
Em dezembro foi a formatura da Kauane. Nem acredito que ela já legalmente adulta e também saiu da escola, que não é mais criança. Ela que fez o juramento dos alunos, gravei tudo igualzinho uma tia emocionada. No jantar, sentamos com a tia Rita, a Márcia e o Ovidio e da namorada da Kauane.
Pensa num clima agradavelmente falso. As mulheres se juntaram num canto, os olhos no outro, Camila e Evelin num outro, Kauane e Flávia no outro e eu apenas existindo e vigiando a Kailane brincar. Também vi o Gustavo e a família dele, a irmã dele também se formou. Ainda está namorando a menina que faz Direito e não acho que esteja tão bonito igual antigamente, hoje em dia ele é um não pra mim (falando apenas de aparências).
Passamos a virada de ano no campão. Era o fim do mandato do ex-prefeito então ele torrou o resto da grana que a prefeitura tinha numa festa de 5 noites. Fui apenas duas vezes, só queria dormir cedo.
Em janeiro fomos para Cascavel e voei de avião pela primeira vez. Odiei.
Achei as poltronas muito desconfortáveis e o voo muito instável, detestei mais pousar do que decolar. Mas valeu a experiência. Ficamos na casa da tia Cida. Revi meus padrinhos e a Dani. Pegamos virose e visitei a UPA como paciente pela primeira vez na vida. Dois dias depois foi a vez da Kauane, onde voltamos pra casa e fomos assistir a exposição imersiva Van Gogh & Impressionistas. E ela com a pulseira de identificação da UPA.
Andei bastante pelo centro de Cascavel. Conversei bastante com a tia Cida e a Dani. Foi bom voltar depois de quatro anos. Na noite anterior a nossa viagem de volta, a Cris entrou em trabalho de parto e o Álvaro nasceu enquanto esperávamos nossa escala em Guarulhos. Voltamos pra casa e eu logo voltei para Sinop com Kauane, ela tinha mais uma semana de férias ainda e resolveu passar aqui em casa. Dei um livro da Darkside de natal para a Isa. Meus pais vieram trazer a mobília de madeira que minha mãe comprou, uma penteadeira e dois armários, para colocar no meu quarto. Esses móveis devem ter uns 30 anos e estão em ótimo estado, meus pais só lixaram e passavam verniz. Minha família foi embora e voltei oficialmente a vida universitária.
Começamos as aulas práticas de Fundamentos 1. Em fevereiro foi a formatura do Erik.
Reencontrei a Cris nessa noite, mas ela foi embora antes da cerimônia acabar pois tinha plantão no dia seguinte. A cerimônia foi linda e eu só conseguia pensar em como o tempo estava passando rápido. Depois da colação fomos beber e socializar um pouco, foi legal.
Em março tivemos o Pilantras. Em abril dei uma vodka de presente de aniversário para a Ana e duas semanas depois Kauane veio passar o feriado de Tiradentes aqui. Levei ela para sair com Erik, Ana e Ingrid, fizemos um picnic e depois fomos jogar sinuca. Kakau veio para cá porque tinha terminado com a Flávia por uma coisa que me recuso a descrever porque não é um assunto meu e mesmo que fosse, é tão absurda que eu só consegui ficar indignada. E aproveitei que tinha mãos extras disponíveis, pintei meu cabelo de vermelho.
Acho que combinou, gostei muito. Único problema é que preciso comprar uma caixa de tinta nova a cada 3 semanas e sempre lembrar de não encostar nenhum tecido no meu cabelo molhado. A beleza compensa o esforço.
Comecei a conversar com um menino de med, ele se chama Gabriel. Acho ele uma gracinha, mas acho que não quer nada comigo além de conversarmos esporadicamente. Queria que ele me chamasse para sair, acho que íamos rir muito.
Terminei de assistir The Big Bang Teory e também assisti Fleabag, que achei superestimada e meio sem graça. Li Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo e gostei muito, atualmente estou no volume 2.
Agora no fim de maio finalizamos oficialmente o ano letivo de 2024. Eu planejava ficar aqui em Sinop, mas aconteceu um acidente no último dia de aula, no estágio na upinha que me desestabilizou e me fez ligar chorando horrores pra minha mãe. Conversamos a tarde inteira quase e ela me convenceu a ir pra casa.
Fiz mais três tatuagens: um selo com a camionete da Bella de Crepúsculo, um relicário com os anos de nascimentos dos meus pais e um vaso de zamioculca no lado da minha mãe e uma cuia de chimarrão no lado do meu pai e uma borboleta no estômago. Minha alma transcendeu fazendo a tatuagem do estômago? Quase. Mas ficou linda e gostei muito, pena que quase não é visível.
Peguei monitoria de fisiologia 1. Vou bancar sozinha, então seja o que Deus quiser e que eu não surte no processo. Falo isso porque peguei a monitoria antes das férias e agora que começamos o ano letivo de 2025, eu acabei pegando 7 matérias para cursar nesse semestre. Não são todas que são difíceis, a questão é que são MUITAS. Mas tudo certo, vou fazer acontecer.
Teve exponorte e fui no show do Jorge e Mateus com Erik (na verdade foi só o Jorge porque o Mateus precisou operar o joelho). Não chorei, mas as músicas pegaram onde dói.
Amor é o meu assunto complicado do momento. E pra explicar como estou, precisarei falar sobre Camili.
Conheci Camili na minha primeira festa universitária, um mês depois de eu ter me mudado para Sinop. Ela e Paulo eram amigos de Erik, e como eu era nova na cidade o bendito resolveu unir as tribos. Desde quando eu a vi pela primeira vez, descendo da moto e tirando o capacete, eu gostei dela. Quando ela se aproximou e Erik nos apresentou, eu só conseguia pensar no quanto ela era bonita e era exatamente o meu tipo. Conforme a festa ia correndo, eu ia bebendo e nós íamos conversando, eu só queria beijá-la desesperadamente. Quando saímos do Subway e eu cheguei em casa e vi a solicitação dela para me seguir no instagram, eu sabia que algo iria rolar.
Eu só não esperava que fosse levar 1 ano e meio.
Não, você não leu errado. Demoramos um ano e meio para ultrapassarmos a barreira chamada “amizade”.
Durante esse ano e meio aconteceram diversas coisas em nossas vidas. No fim de 2023 Erik brigou com ela e ele não queria sequer ouvir falar dela nessa época, a coisa foi bem feia. Ela entrou num relacionamento com uma mulher mais velha e mudou de círculo social. Eu comecei a ficar com Gabriel (de agronomia) e nossas vidas foram assim por alguns meses. Passou o fim de ano.
Ela terminou com a menina e se acertou com Erik. Só voltei a vê-la em maio de 2024, na festa universitária que rolou no dia em que saí da casa da velha Sirlei e me mudei para a kitnet que morei durante a greve da UF. E mais uma vez a vontade de ficar com ela veio e eu fui embora com ela, igual as próximas vezes em que nos encontraríamos em festas e no shopping.
Camili é um espírito livre, do tipo que faz planos e confia que o universo/destino lhe ajudará a realiza-los. Ela é jovem, três anos mais nova que eu, mas sua mentalidade é mais adulta que muitas pessoas mais velhas que eu conheço. Ela tem um vocabulário muito baixo, mas que eu percebo que não o usa com frequência comigo. Ela faz piadas que atentam contra o código penal e os direitos humanos, diz atrocidades que deixariam meus pais tradicionais e conservadores de cabelo em pé, mas que ainda sim não deixa de ser minimamente engraçado. Ela só usa roupas pretas, o que combina muito com ela. Tem várias tatuagens joviais e inspiradas em alguma pasta do pinterest. Trabalha com produção audiovisual e tem um preconceito enorme com faculdade (sempre manda indiretas e provocações para mim sobre o assunto). Toda vez que saímos ela sempre encontra alguém que conhece, seus storys são cheios de rolezinhos com várias pessoas.
Resumindo a peça: uma garota alternativa que não tem medo de viver.
Ai tem eu, uma garota de 24 anos, está na metade da faculdade, totalmente dependente dos pais, com aparência mais ou menos, possui um círculo social minúsculo e que sempre foi séria demais.
Mas afinal, quem seria eu sem minhas altas expectativas, sede de viver e desejo de um amor tranquilo? Quem seria eu se eu não fosse esse caos ambulante?
Eu evito fazer essas comparações, mas é inevitável. Nossos mundos são muito diferentes.
Nunca dei o primeiro passo por não querer estragar a amizade. Eu gosto dela, ela me faz rir e é inconsequente de um jeito que minha adolescente interior tem inveja. Nunca toquei no assunto, mas a tensão entre nós é visível demais. Até para quem não sabe do rolo.
Porque sim, cacete. Ela também sempre esteve interessada em mim. Desde a maldita primeira noite. Desde o momento em que ela se aproximou de mim e do Erik, me cumprimentou e conversamos a noite inteira enquanto bebíamos o mé tenebroso que só atléticas são capazes de fazer. E o interesse perdurou por todo esse tempo. Ela surtando com Erik sobre mim e eu surtando com Erik sobre ela. O coitado sofreu mais que tudo.
E aí chegamos ao grande acontecimento. Erik e eu resolvemos ir de novo no Pilantras, gostamos daquela festa mais do que deveríamos. Na primeira noite fomos sozinhos e tudo certo. Na segunda noite Camili apareceu, resolveu comprar um ingresso avulto e ir festar com a gente. Chegando lá, topamos com um grupo conhecido por ela e resolvemos nos integrar. Foi ótimo, mas a tensão entre nós estava no ápice do ápice. Ao menos eu penso que estava assim. Como estávamos em círculo eu estava ao lado dela e Erik do outro, aí do nada ela foi até uma menina que estava no outro lado da roda e ficou com ela.
Tudo bem, admito que doeu um pouquinho. Mas tudo certo, não temos nada e aparentemente estávamos de boa. E ai vem um adendo: começou o show da Melody e ela pegou duas gays aleatórias para fazer batalha de dança no palco. Todos se viraram para o palco e como eu não tava interessada, fiquei atrás de todo mundo. Eu não vi absolutamente nada das danças kkkk. Num segundo eu olhei pra Camili e pensei, “será que tento a sorte?” e no segundo seguinte um ruivo bonito me puxou de lado, disse que eu estava muito linda e que ele estava me observando já fazia um tempo e queria saber se eu podia dar um beijo nele.
Sou romântica, não otária.
O menino beijava muito bem, não tentava desesperadamente me comer em público como muitos fazem. Foi super educado e gente boa. E muito inteligente também. Esperou eu ficar de escanteio no meu grupo pra dar o bote. Funcionou muito bem.
Uma pena que ele fumava. Infelizmente o cheiro e o gosto de cigarro são coisas muito broxantes pra mim, não consigo suportar. Então, quando ele pediu meu número de telefone, tive de negar e falar que estava de boa. Ele insistiu mais uma vez e eu neguei novamente. Uma pena. E ele vai morrer achando que meu nome é Vanessa.
Aquela segunda noite foi boa, nos divertimos muito. Já a última noite era festa a fantasia, então resolvi ir de oscar, o que era bem arriscado porque a premiação seria no domingo e a festa na segunda. Se nós tivéssemos perdido, minha fantasia ia ser apenas depressão. Erik resolveu ir de forma indefinida, com ombreiras cheias de fitas, tiara de EVA com glitter preto e maquiagem escura.
Naquela noite São Pedro pareceu que estava lavando o céu inteiro. Caiu uma tempestade apocalíptica em Sinop, ventava tanto que eu quase não consegui fechar a porta depois de abrir para o Erik entrar. O coitado ficou ensopado apenas em descer do carro e subir até o apartamento. Chegou trazendo as roupas na mochila e a notícia de que Camili iria na festa conosco novamente. Ali tinha coisa, eu sabia.
Ficamos bem receosos da festa ser cancelada pelo mau tempo. Logo Camili chegou e também ficou ensopada pela chuva torrencial. Começamos a nos arrumar, torcendo para tudo melhorar até a hora de sair. Dois motoboys escorregaram na calçada, tamanha a quantidade de água que estava acumulada. Se passou duas horas e deu tudo certo, a chuva parou e conseguimos ir festar.
Foi tudo ótimo, o show da noite era do Bonde das Maravilhas. Dançamos muito, era a noite mais lotada dos três dias. Num momento percebi Camili falando algo com Erik e ele dar de ombros, então ela veio até mim e disse que queria me beijar.
Eu sabia que não devia aceitar, mas nós duas queríamos aquilo a tempos. Ela me garantiu que não mudaria em nada a nossa amizade. Concordei e ficamos.
Erik disse que eu lidei super bem no "pós-ficada", mas ela pareceu estar a ponto de entrar em pânico. Fomos pra casa e o dia já estava amanhecendo. Sonhei com ela todos os dias da semana e quando estava acordada só conseguia pensar nela. O negócio ficou tão obsessivo, que na sexta-feira daquela semana eu tinha prova de fisiologia e eu não conseguia me concentrar de jeito nenhum. Respondi o que deu e assim que pisei fora da sala de aula, liguei pra minha mãe pra desabafar sobre meu surto atual.
As semanas rolaram e o tempo passou. Em abril mandei um vídeo pra ela e só depois percebi que a coisa tinha duplo sentido. Marcamos de ter um date e aí ela sumiu.
Não suporto pessoas que me faz criar expectativas e somem sem aplicação nenhuma. Eu sabia onde estava me metendo, dado ao histórico duvidoso dela, mas a dor de dar com a cara na parede ainda é a mesma.
Semanas atrás, depois da minha apresentação na nova liga acadêmica que me enfiei e o Erik foi assistir, saímos pra beber porque estávamos extremamente estressados. Ele disse que jamais imaginou que aconteceria esse match entre nós, que nunca pensou que nós duas iriamos nos interessar absurdamente uma pela outra, mas sem coragem de investir na relação, apenas o enlouquecendo com nossos surtos.
Acho que me apaixonei por ela desde a primeira noite, mas não soube entender. Já fazia anos desde minha última paixão, não lembrava das sensações. Mas aquele beijo foi o que esclareceu tudo, o que arruinou tudo.
Uns dias atrás vi um vídeo no instagram que se tornou meu lema: não podemos controlar nossas emoções, mas podemos controlar nossas ações. E é exatamente isso que me impede de mandar mais mensagens pra ela, de chama-la para sair e me declarar. De investir nessa relação.
A melancolia ainda me preenche, a vontade de baixar meu orgulho e correr atrás dela para apenas eu ter mais uma história de amor para contar é absurda. Mas não é o certo. Acho que ainda vou amá-la por um tempo ainda. Ela vai ser uma história de amor que não aconteceu, mas que teria sido muito emocionante vivê-la.
No dia do suposto date, fiquei sem respostas sobre as coisas havia mandado durante a semana. Erik resolveu querer sair e me chamou. Eu pedi que mandasse mensagem pra ela, só pra ver se ela respondia e respondeu. Aceitou sair com ele e eu, idiota, até fiquei feliz em poder vê-la.
Fomos jogar sinuca com Ana e Ingrid, que apelidei de casal feliz. Foi legal, ela estava tão linda e eu fiquei sorrindo a noite toda, completamente apaixonada.
E nunca mais ela falou comigo.
No começo eu tentava justificar o silêncio dela, hoje em dia me acho tola por ter tentado. A ausência também é resposta, quer queiramos ou não. Na festa do milho, ela me cutucou para cumprimenta-la quando passamos perto, dei oi e ali decidi. Ela voltou ao cargo de amizade, mas com menos relevância do que tinha antes de tudo isso. Ainda não quero fechar a porta dessa relação por eu gostar dela, mas sou rancorosa demais pra agir como se nada tivesse acontecido.
Não quero mais sair com ela, nem sequer para festas. Sei que vou acabar bebendo e perdendo meu filtro social, disparando as coisas que eu realmente penso sobre tudo que aconteceu ou melhor, não aconteceu. Eu jamais aceitaria esse descaso feito por um homem, não tem porque eu aceitar de uma mulher.
Desde o carnaval, abandonei a igreja novamente. Sou hipócrita demais. Só por causa de um beijo pecaminoso e uma festa mundana, joguei fora 5 meses de reaproximação.
Mas eu irei voltar. Cheguei a conclusão de que eu quero uma família, quero um marido e quero filhos, de preferência meninos. Não é o mundo que irá me conceder isso, é Deus. Minha mãe sugeriu que meu "José" possa estar nas missas noturnas da paróquia que frequento. Estou meditando sobre isso.
Mães não falam as coisas a toa.
Hoje acordei meio ruim, já faz 2 dias que estou com problemas para dormir a noite. Fui tomar café da manhã no RU, o bom e velho pão com ovo e café com leite. Recebi mensagens de aniversário da minha família. Fiz a primeira lista da monitoria de fisiologia.
Apareceu um filho de louva-a-deus na minha janela e eu fiquei encantada, já fazia anos que eu não encontrava um bicho desses. Repostei as marcações da Kauane e do Erik no insta, recebi algumas respostas com mais felicitações. Escrevi esse texto (que fica maior a cada ano kkk), resolvi acidificar meu cabelo com vinagre misturado com máscara de hidratação e deu super certo, estava planejando ir a algum rodizio de pizza sozinha mas acabei pegando uma promoção no Ifood, um pizza pequena de banana flambada com 7 queijos por 26 reais. Comi enquanto assistia naruto.
Não fiz nada porque Erik está viajando a trabalho e vai estar assim em todos os finais de semana desse mês. Gosto da Ana e da Ingrid, mas não somos amigas o suficiente para sairmos nós três juntas. Quero distância da Camili. Então não deu para fazer nada hoje.
Agora vou dormir. Nesse fim de semana preciso fazer algumas coisas da faculdade, lavar o banheiro e limpar minha casa. Talvez eu saia com Erik e o casal feliz na semana que vem, quando ele estiver na cidade.
Isa não sabe que hoje é meu aniversário, faz algum tempo que não comento sobre. Queria ver se ela lembrava e também não queria que ela tentasse me animar, meus problemas para dormir essas últimas noites são apenas a ansiedade e a melancolia me perturbando. Quarta fiquei o dia todo trancada deitada no quarto e ontem tive aula o dia todo, então ela não me viu. Isa está trabalhando esse noite, foi cobrir um evento em Sorriso.
Espero que no ano que vem eu tenha novas atualizações mais interessantes. Quero entrar em algum grupo de estudo e pesquisa na faculdade, quero ter algum relacionamento em vista, quero meus pais vivos e saudáveis, quero que a Kauane encontre seu próprio caminho, quero ser amiga dos meus amigos ainda. Em agosto vai ser show da Lia Clark e Erik já me intimou a ir.
Enfim minha vida está caminho e está tudo ótimo, apesar dos pesares. Engraçado que 5 anos atrás tudo isso parecia inalcançável para mim. Que bom que Deus sabe o que faz.
Até meus 25 anos.
A vida é boa pra carai, nem sei por que eu tô chorando
Eu tenho vinte e poucos anos e não vou parar aqui
Eu sinto falta da minha casa, minha mãe sente minha falta
Tudo bem, essa é a vida que eu escolhi
Desde pequeno falam que eu sou curioso
Quem me viu, quem me vê, fala que eu nunca cresci
Não tenho medo de errar, só medo de desistir
Mas tenho vinte e poucos anos e não vou parar aqui
Ninguém Me Ensinou — Lagum
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