24 Horas
3 3° Dia - Coroa de Flores ou Tesouro
Notas iniciais
Depois de voltarem do navio, agora secos, Nami e Luffy andavam pelas ruas da cidade, procurando por seus nakamas.
O moreninho, como sempre, resmungava dizendo que estava com fome e que precisavam parar em alguma das barracas para matar quem o matava. Nami tentava ignorar as reclamações, já que ele havia tomado um sorvete com mais de seis bolas há menos de uma hora atrás ― sim, levara quase uma hora para ambos conseguirem se secar, considerando que estavam algemados e não podiam retirar as fantasias molhadas ―, contudo, assim que vira uma barraca com comidas típicas do lugar, percebera que também estava com fome e então se lembrou que a última vez que comera alguma coisa fora há mais de três horas.
Dessa forma, a ruiva resolveu ceder aos pedidos do capitão e sentaram-se em uma das mesinhas que havia à cerca da barraca de especiarias. Foram atendidos de forma alegre por um dos garçons e fizeram seus pedidos. Enquanto esperavam os mesmos chegarem, Luffy falava alguma coisa sobre como deveria ser divertido viver na época das cavernas. Novamente, Nami decidira que o melhor era simplesmente ignorar as palavras do companheiro.
A navegadora estava dispersa, observando a movimentação, quando algo lhe chamara a atenção. Uma pequena tenda disposta entre a barraca de artesanato local e a barraca de ítens decorativos destacou-se em sua visão.
“QUAL O SEU VERDADEIRO MAIOR TESOURO?”
Aquela frase tivera um efeito curioso sobre a ruiva. Como assim seu maior tesouro? Tesouro é tesouro, se será maior ou menor, depende do valor em berries. Certo?
Certíssimo.
Então por que a curiosidade sobre a frase continuava a incomodá-la?
Num salto, sem avisar, Nami se levantara do lado de seu capitão e começou a caminhar, obrigando Luffy a seguí-la.
― Oe, Nami. O que foi? Pra onde você tá indo? A comida vai chegar daqui a pouco! ― Interviu o garoto impaciente com a atitude inesperada da companheira.
Se ela o fizesse perder a comida, iria ver só.
― Shiu! ― Apenas exigiu, enquanto continuava a caminhar em direção à barraquinha.
― Boa noite. Quer descobrir a resposta para a pergunta acima? ― Uma jovem de longos cabelos negros trançados recepcionou gentil assim que os piratas chegaram.
― O que preciso fazer? ― A ruiva logo perguntara, observando se algo na barraca lhe respondia por si só.
― A senhorita tem que escolher uma das caixas ao acaso. Aquela que mais lhe atrair. ― Apontou para as caixinhas todas dispostas lado a lado sobre uma mesa retangular. ― Dentro de cada uma, encontrará um objeto. A primeira coisa que vir a sua mente quando o ver, estará relacionado diretamente com o seu maior tesouro. ― Terminou a explicação sorrindo.
― Quanto que devo pagar para isso? ― Perguntou ignorando o garoto impaciente ao seu lado, que a enchia o tempo todo para que voltassem para a barraca anterior.
― Oh! Absolutamente nada! Nosso objetivo aqui é mostrar que tesouros nem sempre brilham em ouro ou em pedras raras. ― Sorriu novamente, afável. ― Não cobramos por isso.
Ela estava brincando, certo? É claro que tesouros sempre seriam peças raras e valiosas.
Ainda assim, como ela não era mulher de começar a não terminar, resolveu aceitar o desafio. Só por curiosidade. Observou atentamente cada uma das caixas das quais tinha que escolher uma e depois de muito pensar, deu preferência a menor de todas. Uma pequenina caixa branca com alguns trabalhados coloridos na tampa. Muito singela, embora realmente convidativa.
As menores coisas sempre são as mais caras.
A jovem pegou a caixa escolhida com cuidado e entregou nas mãos da navegadora. Com certa ansiedade e extrema curiosidade, Nami a abriu. O conteúdo que havia ali era tão simples quanto a caixa e de início a ruiva não viu sentido algum naquilo. Era uma delicada coroa artesanal enfeitada com flores colhidas na ilha.
As flores eram seu maior tesouro? Não, isso não fazia sentido nenhum.
Vendo a confusão da garota, a jovem atendente resolveu ajudar.
― As flores, em especial essas flores, em nosso país significam nobreza. Em todos os sentidos. ― Explicou amigavelmente.
Àquela altura, Luffy já havia desistido de tentar chamar Nami e agora observava curioso a coroa. Aproximou-se mais da navegadora e ficou ali, junto dela, contemplando aquele objeto. É claro que o moreninho não se contentaria em apenas olhar para a coroa. De forma desajeita pegou-a da caixa e franziu a testa, tentando entender o significado daquilo e por que Nami não parava de a olhar.
E então foi como se o festival não existisse mais. Assim que direcionou seu olhar para o capitão, tudo se silencou na cabeça de Nami e finalmente ela ligou o objeto a alguma coisa.
Nobreza. Em todos os sentidos.
Os únicos sentidos para esse termo que ela conhecia era o literal e o figurativo. O primeiro definia a realeza, os nobres em geral e isso incluía reis, rainhas, príncipes e princesas; o segundo, o sentido mais subjetivo de nobreza: a nobreza de espírito.
Aha! Ela tinha algo relacionado a ambos, certo?
Sorriu levemente, finalmente compreendendo o sentido daquilo. Pegou a coroa das mãos de Luffy e devolveu à caixa, entregando a mesma à jovem que a observava feliz ― provavelmente percebendo que a garota havia chegado a uma conclusão.
― Obrigada. ― Agradeceu à morena.
Aquilo sim fazia sentido.
Seu maior tesouro era nada mais, nada menos que o sonho de seu capitão. O elo mais forte entre a tripulação dos Chapéus de Palha: tornar Mokey D. Luffy o Rei dos Piratas.
Era aquele sonho e a vontade de todos os tripulantes de realizá-lo que mantinham a união tão forte que existia no bando.
Um de seus preciosos tesouros com certeza era seus companheiros. E o que a mantinha perto deles era Luffy e seu sonho grandioso.
Muito sensato, não?
Sorriu com os pensamentos quando então sentiu seus pés saírem do chão, cortando toda a sua linha de raciocíneo.
― Luffy! O que pensa que está fazendo?! ― Gritou com o borrachudo que a erguia no ar, carregando-a no colo de volta para a barraca de especiarias, enquanto ela se debatia frenéticamente.
― A comida já chegou e você tava estranha! Eu estou com fome! ― Retrucou emburrado.
― Ora, seu...
Bufou irritada, de braços cruzados.
A ideia de que seu maior tesouro era realizar o sonho daquele babaca com certeza era absurda. Devia é estar enlouquecendo em pensar dessa forma.
"IDIOTA"
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