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Inevitavelmente, Joe se aproximou do caixa e, com isso, aproximou-se mais ainda dos dois que se entreolhavam.
— Já podem parar de me seguir. – Proferiu o matemático, parando atrás de Darwin, que passava suas compras.
— Até parece! – Alicia cruzou os braços e Luiz encarou toda a situação.
— I’m sorry, but... What is happening*? – Indagou o rapaz que estava com Alicia.
— O que está acontecendo, é que estamos diante de um homem que não cuida do próprio sogro. – Alicia gargalhou.
Joseph balançou a cabeça negativamente, enquanto os três riam dele.
Ao colocar todas as fraldas no carrinho, seu sogro avançou com o mesmo, batendo nas pernas do matemático.
— What is your problem*?! – Joe se virou.
— Lembre-me de nunca mais fazer compras com um imprestável como você! – Explodiu Mr. Harrisson, retirando notas de libra da carteira.
— Ou, ou! – Joe colocou a mão sobre a carteira – Guarde isso. Não levarei mais desaforos. Para a sua informação, eu só te visitei porque Emy pediu, porque eu nem queria ir. Segundo, eu tenho dinheiro suficiente para arcar com os gastos de minha filha!
Assim que Joe terminou, orgulhoso de ter exposto seus sentimentos, observou ao redor que acabara de se tornar o vilão da história e passou a mão no rosto.
Seu sogro guardou a carteira.
— Irei espera-lo no carro. – Disse, retirando-se do estabelecimento.
— What*!? – Joe não acreditou naquilo.
— Que barbaridade... – Alicia comentou, enquanto Luiz pagava pelas compras.
— Shut up*! – Joe cerrou o punho e pegou o carrinho para pagar também, já que Darwin estava colocando suas compras na sacola.
Alicia cruzou os braços e, antes de falar algo, Luiz a chamou para irem embora.
— Tenha mais respeito! – Foi o que conseguiu lançar, ao se aproximar da saída.
— Com uma garota explosiva como você?! Eu não sei como o seu namorado aguenta! – Joseph debateu.
— Olha quem fala! – Alicia apontou para o matemático – Ataca até velhinhos indefesos!
— Ô garoto! – Joe se dirigiu a Luiz – Leva essa escandalosa embora, porque as pessoas aqui estão ficando constrangidas com essa alteração.
— Ele não é meu namorado, idiota!
— Bem... Então você está muito mal, porque quando foi com esse aqui – Indicou Darwin – você disse a mesma coisa. Cuidado para não “ficar pra titia”.
Alicia abriu a boca e Luiz a segurou pelo braço, arrastando-a para fora.
— Você vai ver só!
Joe estalou a língua, ignorando Alicia.
Os clientes e funcionários que estavam no supermercado comentavam sobre o acontecido.
*
— Stop, Alicia*! – Pediu Luiz, aproximando-se do carro que estava no estacionamento.
— Não pedi que me trouxesse para fora, eu não tinha terminado!
— Você estava passando dos limites, não acha não?
— Quem é você para impor limites em minhas ações? – Alicia deixou Luiz sem palavras, esperando que ele destrancasse o carro para entrar.
O rapaz suspirou e desbloqueou as portas. Colocou as compras no porta-malas e voltou para entrar no carro.
— Quero saber o que aconteceu aqui.
— Não lhe devo explicações.
— Por um minuto – Luiz ligou o carro – tem como você me olhar como amigo e não como...
— O cara que me abandonou?
— Sabe muito bem que não fiz isso. Só... Achei que não era a hora.
Alicia olhou para fora do carro.
— Quero recomeçar.
O veículo saiu do estacionamento e Alicia, convencida, contou ao amigo sobre os encontros com Darwin e Joe.
*
— Não quer levar um cartão? – Perguntou a menina do caixa, ao ver que a situação já estava amenizada, pois viu que Darwin colocava na sacola um teste de gravidez – Para parabenizar sua esposa.
— É uma boa ideia! – Darwin concordou.
— Se quiser doação de fralda... – Joe estava retirando os pacotes do carrinho, num suspiro pesado.
Darwin riu, negando com a cabeça.
— What a blunder, mate!* Você deveria pedir desculpas ao seu sogro. – Aconselhou Darwin.
— Nos encontramos três vezes e você acha que é meu amigo para sair me dizendo o que fazer?! – Joe fechou o semblante.
— Calm, mate*! Sorry... – Darwin deu uma risada – Eu só queria ajudar.
— Já tenho um sogro para fazer isso, se é que não percebeu.
Os dois riram.
Joe pegou um cartão de parabenização pela gravidez, pois havia uma prateleira com vários tipos de cartões ao seu lado, e deu para Darwin.
— Já ajudou bastante fazendo parte da plateia que se mobilizou pelo meu sogro. – Darwin encarava o cartão e Joe, pela primeira fez, deu um suspiro mais aliviado – Fica por minha conta. Ter a possibilidade de ter um filho é algo extraordinário. – Joe olhou para as fraldas – Apesar de dar trabalho e gerar discussões familiares. – Riu.
Darwin assentiu e se retirou com o cartão em mãos.
Ao colocar as fraldas na sacola, a mesma menina do caixa indagou se Joe não queria levar um cartão de desculpas.
O matemático saiu aborrecido e com o cartão nas mãos.
Ao se aproximar do carro, seu sogro estava ao lado de fora encostado no automóvel, conversando com um segurança.
Joe suspirou. Desarmou o alarme e abriu o porta-malas para colocar as fraldas.
— Este é o meu genro. – Indicou com o queixo para o segurança.
— Espero que não esteja me difamando para todo mundo. – Joe olhou para o segurança.
— Não, não... Por enquanto só para este rapaz aqui. – Mr. Harrisson riu – Sabia que ele serviu ao exército, mas por causa de uma doença, ele teve que sair?
Joe negou com a cabeça.
— Pois é... E você, em bela forma, prefere dar aulinha e gritar com pessoas de terceira idade.
Joseph fechou os olhos e bateu com força o porta-malas.
— Vamos? – O matemático abriu a porta e entrou, ligando o carro.
— É melhor eu entrar – Despediu-se do segurança – antes que ele me atropele e diga para a minha filha que foi acidente.
Joe passou a mão no rosto.
O segurança riu e se despediu, dando passagem para o carro sair. Joe buzinou e foi embora. Seu sogro ficou em silêncio o caminho todo. Ao deixa-lo em casa, Joe pensou em dar o cartão, mas deixou dentro do carro.
— Quando der, eu venho busca-lo para passar o dia com Anne.
— Quando der não, quando eu quiser, ligarei para a minha filha e você vem me buscar.
Sem esperar Joe responder, saiu do carro e seguiu caminhando até sua casa.
— Porque o senhor não gosta de mim e me trata como se eu fosse um qualquer? – Joe indagou, enquanto seu sogro ainda estava próximo.
O mesmo parou para responder:
— Não é você, são suas ações. – E continuou a caminhar.
Joe ficou parado por uns minutos, até que sua esposa ligou, porém ele não atendeu.
*
Darwin chegou em sua casa com um sorriso estampado no rosto. Colocou as sacolas de compra na mesa d cozinha e levou o cartão no bolso e o teste de gravidez na sacola para sua esposa, que estava no quarto.
— Nossa! Você demorou. – Ela se levantou da cama e abraçou o marido, beijando-lhe.
— É... Eu tive muitos imprevistos hoje... – Ele coçou a nuca – O que está assistindo? – Indagou ao olhar para a televisão e ao vê uma cena desagradável para ele e, com isso, mudou o rumo do assunto.
— The Back-Up Plan¹. – Ela riu – Fala sobre gravidez.
— Estou vendo. – Darwin fez uma cara de nojo, levando Carrie rir mais ainda.
Ele entregou a sacola com o aparelho e Carrie suspirou, fechando os olhos ao receber.
— Está tudo bem. – Darwin se aproximou da esposa – Pode ser agora...
— É melhor eu fazer logo, então... – Carrie olhou para seu marido com os olhos inundados e um sorriso no rosto – Eu quero tanto... – Sussurrou, olhando para cima.
Darwin virou o rosto.
— Mas que seja segundo a Sua vontade. – Fechou os olhos e as lágrimas escorreram.
— Carrie... – Ele não aceitava muito a fé de sua esposa, mas não a impediu.
A mulher se virou e foi ao banheiro.
Darwin sentou-se na cama, colocando os cotovelos na perna e apoiando o queixo nas mãos unidas. Encarava a televisão com o filme que passava.
*
— Ali! – Luiz saiu do carro assim que a menina bateu com a porta e seguiu em direção à casa de Emilly. Ela olhou para trás – Sua torta.
Alicia balançou a cabeça.
— O que mais eu preciso fazer para você me perdoar?
— Volte para o Brasil, talvez assim eu me esqueça de tudo o que houve.
— Você sentirá a minha falta se eu for.
Alicia riu debochadamente, segurando as sacolas que Luiz lhe entregava.
— E se te disser que hoje mesmo eu voltarei para o meu País, nada mudará?
A menina olhou para Luiz decepcionada.
— Você está... Isso... – Abaixou a cabeça – É verdade?
Luiz a abraçou, após fechar o porta-malas.
— Não. – Riu.
Alicia saiu de seus braços, aborrecida.
— Quando você realmente for eu não vou acreditar, idiota!
A menina se virou e seguiu em direção à casa da amiga.
— Você sentirá minha falta, Ali! Nesse abraço eu pude perceber que você já sente... – Luiz sorriu humorado.
A menina também sorriu, mas como estava de costas, o rapaz não pôde ver.
*
Carrie voltou do banheiro com um sorriso nos lábios fechados.
Darwin se levantou, colocando a mão no bolso onde estava o convite.
Ela balançou a cabeça negativamente.
— Honey... Eu comprei dois, você usou ambos? – Tentou encontrar mais chances.
Carrie assentiu.
— Deram negativos.
— Não quer tentar fazer um exame médico, talvez...?
A mulher caminhou até seu marido e o abraçou. Darwin não sabia o que dizer, o que fazer, algo dentro de si desfalecia aos poucos. Era a esperança...
Deitaram na cama abraçados, até Carrie pegar no sono primeiro.
*
Joe chegou ao apartamento e Anne dormia em seu quarto junto de sua esposa.
Colocou as fraldas em cima do sofá e ficou contemplando as duas mulheres de sua vida.
— Eu sou um completo idiota... – Relembrou-se do episódio que acabara de acontecer e como fizera tudo ao contrário do que sua esposa pediu.
Dirigiu-se até o banheiro de seu quarto e lavou o rosto.
“Não é você, são suas ações”.
“Você sabe melhor do que ninguém o que a perda causa numa pessoa”.
— Ainda bem que são apenas algumas semanas aqui...
Saiu do banheiro e se deitou ao lado de Anne, fechando o lado que estava exposto para a menina.
*
Darwin acordou com o despertador, passou as mãos nos olhos e sentou-se na cama, começando a observar Carrie que já estava de pé, aprontando-se para ir trabalhar.
— Good morning, honey*... – Darwin sorriu para sua esposa.
Ela o olhou com compaixão.
— Are you okay*? – Indagou ele, levantando-se para abraça-la.
— Uhum... – Sussurrou nos braços de seu marido.
— Esse bebê está se escondendo da gente, não é? – Darwin tirou uma risada de sua esposa e sentiu-se satisfeito por isso.
Carrie se afastou e foi para a sala.
— Pode deixar a televisão ligada. – Pediu Darwin, indo ao banheiro tomar banho.
— Ainda está dando Breakfast².
— Quem é o entrevistado? – Comunicavam-se em cômodos diferentes.
— Suggs, daquela banda Madness.
Estava tocando um trecho da música One Step Beyond e Carrie abaixou o volume para continuar a ouvir o que seu marido falava.
— Deixa, pode desligar a televisão. Verei no celular as notícias antes de ir para a aula.
Assim Carrie fez.
— O café da manhã está pronto, estou indo! I love you*!
A mulher falou alto, mas Darwin não respondeu de imediato.
Carrie pegou o seu chaveiro e abriu a porta.
— Hey... – Chamou seu marido na sala, fazendo-a olhar para trás e sorrir, pois o mesmo estava com a toalha enrolada – I love you so much*! And my love for you is greater than the Universe*!
Carrie piscou para o marido e saiu.
*
Joseph acordou e nem Anne e nem Emy estavam dormindo ainda. Levantou-se e se espreguiçou, caminhando até a sala.
Anne estava vendo um desenho infantil e cantava junto com a música que tocava.
— Até aqui esse “Let it go³” continua? Esse filme não tem prazo de validade, não? – Abraçou sua filha e lhe deu um beijo, o que fez a menina empurrar seu pai, aborrecida.
— As crianças adoram. – Emy apareceu vindo de uma pequena copa no quarto do casal – Não sabia que tinha uma padaria na esquina desse quarteirão, informei-me com o rapaz da portaria e comprei algumas coisas.
— Opa! – Joe foi até a esposa e lhe deu um beijo – Bacon, bacon, bacon!
— Nada disso... – Emy olhou para trás, visando a mesa.
O semblante de Joseph entristeceu.
— Terei que comer o que eles comem?
— Pare de reclamar! Pãozinho com suco é bem mais saudável.
— Tem cereal? Emy, eu não entrei na dieta junto com você. Aliás... – Ele olhou para a esposa de cima a baixo – Você não precisa emagrecer, está ótima! E outra: tem academia lá em baixo.
A mulher cerrou os olhos.
— Então liga para a recepção e peça o seu café da manhã. – Emy caminhou até sua filha e sentou com ela no sofá.
— Eu terei que pagar, não terei?
— E uma quantia muito alta...
Joe se deu por convencido.
— Bateu uma vontade de comer um pãozinho com ovo e cereal!
Emy riu.
— Ah! Como foi lá com o meu pai?
Joe permaneceu em silêncio.
— Joseph Mach Geller!
Ele não olhou para sua esposa.
— My name*...
— O que houve ontem? Por que demorou tanto?
— Nada de mais.
— Você está mentindo... – Ela se levantou – O que fez com o meu pai?
— Why me*?! – Joe sentiu um frio na barriga – Seu pai… Ligou para você?
— Não... – Emy pegou o controle e abaixou o volume da televisão – Joe, come on*! What happened last night*?
— Nothing! Believe in me*!
Anne começou a chorar e Emy se virou para pega-la.
— Seu pai falou que quer ver vocês duas. – Achou uma resposta cabível.
— Tem alguma coisa aí, Joe... E quando eu descobrir...
O celular dele tocou e Emy atendeu.
— Hold on*. – Esticou o braço e o matemático andou de mansinho para pegar.
— Hello? Hey! Como você está, Dylan? – Joe riu – Sim, sim, quem atendeu foi Emy e é a Anne quem está chorando. – Deu uma pausa – Dude*, no momento estou indo tomar café, mas pode passar aqui que eu vou com você. – Aguardou – Done*! Eu te espero e depois almoçamos com você. Emy vai adorar.
Sua esposa cerrou os olhos e indagou assim que Joe desligou o celular.
— Não me diga que é o Dylan...
— É esse mesmo. – Joe sorriu humorado – Almoçaremos com ele.
Anne havia acalmado e voltou para o sofá.
— Não sei se você irá almoçar, pois só sairá deste apartamento depois que me contar o que houve entre você e meu pai. – Emy cruzou os braços.
Joe sentiu-se derrotado, suspirando pesadamente voltou a preparar seu café da manhã e começou a contar à sua esposa.
*
Alicia e Emilly chegaram a Universidade.
— Ué? Não terá aula hoje? Justo hoje que cheguei cedo? – Reclamou Alicia ao ouvir uns murmúrios na entrada da Universidade.
Um rapaz de sua turma se aproximou.
— Está tendo uma reunião entre os professores, coordenadores e o diretor.
— Mas o que houve? – Indagou Emilly.
— I don’t know*...
— Que estranho... – Alicia se separou do grupo e se aproximou do professor que desligava o celular – O que está havendo aqui, Professor McLane?
— O pai do Diretor faleceu, a mãe dele foi parar no hospital e o Professor Peterson também não pôde comparecer, então hoje não terá aula. Muita coisa aconteceu hoje, então preferiram cancelar as aulas até normalizar. – Ele terminou com ar de preocupação.
— Oh... I’m so sorry*... – Alicia olhou para a amiga – Mandarei mensagem nos grupos avisando que hoje não terá aula.
— Faça isso, só... Só não avisa o motivo.
— Sure*!
Alicia voltou para seu grupo e avisou à Emilly e ao rapaz.
— Então eu vou me encontrar com um amigo. Vai rolar uma festa na casa dele e ele me pediu para ajuda-lo. – Comentou Emilly, mandando uma mensagem pelo celular.
— E você só avisa isso agora? – Alicia encarou a amiga.
Emilly deu de ombros.
— Vai conosco, Brad?
— Não, não, estou esperando minha namorada. Depois nos falamos.
As duas se despediram do rapaz.
Emilly ligou para o tal amigo da festa, enquanto Alicia mandava para os grupos do aplicativo de conversação que não haveria aula.
— Ele está do outro lado do campus, vem comigo?
Alicia assentiu.
Assim que Emilly avistou o amigo, Alicia avistou Darwin colocando a mochila nas costas e conversando com outro rapaz.
— Ah não... Não pode ser... Eu darei um basta nisso hoje!
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