23:42
3 Palestras
O dia no Observatório estava bem agitado. Haveria palestras o dia todo. Para alunos, curiosos, professores e todos que gostavam de aprender sobre o Universo.
Alicia pôde sentir na pele o calor de tanta gente em um só lugar, mesmo o campus sendo enorme. O local era aberto ao público e muitos alunos que gostavam de fazer suas pesquisas ali, tendo auxílio de professores, já haviam se acostumado, mas naquele dia em especial estava repleto de gente.
— Ali! – Chamou uma amiga no meio daquela multidão, correu até a mesma e parou ofegante.
— Emilly, respira, não pira e me conte tudo. – Alicia riu.
— Antes que vá ao auditório, o Professor Dylan pediu que você passasse no Planetário primeiro para entregar o trabalho do seu grupo. Ele não estará lá, mas o meu professor de Astrofísica, sim. É só deixar com ele. – Respirou fundo – Odeio quando eles aproveitam eventos para pedirem trabalhos... – Murmurou.
— Ah, sim, o trabalho da Constelação de Serpente! – Disse entusiasmada – Pode deixar que o recado está dado. – Alicia sorriu, não ligando muito para a recente reclamação.
— Okay... – Emilly respirou fundo novamente para, enfim, acalmar-se. Ela era muito amiga de Alicia, uma das poucas que a astróloga confiava, mas nem sempre estavam juntas nas mesmas turmas, por Emilly estudar Astrofísica e Alicia Astrologia – Nos vemos depois, então. Preciso achar outra pessoa. – Despediu-se com um aceno no ar e continuou sua busca.
— See you later*... – Alicia colocou sua bolsa para frente e a abriu, retirando uma pasta – A maior nota me aguarda depois desse trabalho perfeito. – Sorriu no final da frase, orgulhosa de si mesma.
*
Joseph, que havia chegado do aeroporto, não demorou muito para pegar um táxi e, antes de chegarem a Greenwich, pediu que o taxista o levasse para uma concessionária de alugueis de carros.
Feito isso, o matemático foi direto para o Observatório. Ligou para o seu amigo para marcarem o ponto de encontro, pois aquele lugar estava tumultuado.
Sem precisar esperar muito, Joe avistou o professor de astrologia, porém formado em Astrofísica no Reino Unido e Engenharia Civil na Alemanha, Dylan McLane, um dos professores mais jovens do Observatório.
Em um abraço, os dois se cumprimentaram ao se reencontrarem.
— Quanto tempo, dude*! – Dylan tinha um sorriso maroto no rosto – Nem acredito que depois de dez anos nos vemos novamente.
— É verdade... – Joe apertava a mão direita um pouco nervoso, mas seu amigo não percebeu.
— What's up*? O que me conta de novo?
— Eu casei e me formei em PhD de Matemática, estou no mestrado em Física Quântica agora. Fiz logo, antes de me acomodar. – Sorriu – Tenho uma filha também e continuo morando em Nova Iorque.
— Wow! – Dylan bateu com as palmas das mãos alegre – Nossa... Quem diria que você iria se casar, hein Doutor? – Brincou – Só não me diga que foi com a... – O professor estreitou os olhos ao ver Joe dar um sorriso – Joseph Mach, você se casou com a “abelhinha”? Aquela garota nojenta que dava ferroada em todo mundo e se fazia de doce com os professores? — O matemático riu e balançou a cabeça positivamente – Eu não acredito nisso, cara! Really*?
— Pois é... Eu me apaixonei por ela e depois soube que ela gostava de mim e estamos juntos agora. E ela mudou muito, viu? – Joe cerrou o olhar – E nunca mais a chame de “abelhinha”, agora ela é a “Senhorita Mach Geller”.
— All right*... – Riu – E vocês têm uma filha?! – Dylan colocou as mãos no boca, impressionado.
— Sim, fará três anos. Casamo-nos muito cedo, mas preferimos colocar nossos estudos em ordem, antes de firmamos uma família. Não era para ter vindo agora, mas Emy engravidou e veio a menina dos meus olhos.
— Qual o nome?
— Anne.
— Dude*... Estou surpreso. Vocês dois viviam brigando e ela sempre dedurava a gente, lembra-se?
Joe riu.
— Até hoje não me esqueço do dia em que tentamos invadir o banheiro das meninas depois da natação... – Dylan suspirou recordando – Era o plano perfeito se não fosse pela Emy. E agora vocês são casados... – O professor viu que o amigo estava nervoso e percebeu que ele fechava a mão constantemente – Joe, fica calmo, cara. Você dará aula para alunos e pessoas curiosas em aprender. Simples.
— É... Sendo que só conheço você de todos que estarão sentados me olhando. Alunos e professores, estranhos... – Joseph suspirou – Se pelo menos a Emy estivesse aqui...
— Se a Emy estivesse aqui seria muito pior.
— Por quê?
— Ora, porque iríamos brigar e, com certeza, você nem teria tempo de dar a palestra por estar no hospital comigo.
Joe deu uma breve gargalhada.
— Obrigado pela força. – Agradeceu o matemático – Nunca pensamos que você fosse voltar para a Inglaterra.
— É... Meu pai pediu que eu tentasse uma faculdade aqui. – Dylan encolheu os ombros – Até que foi bom, you know*? Eu percebi que sou apaixonado por isso e nada melhor do que ter um trabalho em que eu posso ensinar!
— Mas não imaginava que seu pai gostasse de te ver lecionando, ainda mais astrologia...
— Meu pai não concordou, não. Quando ele soube que eu tinha feito Astrofísica, fazendo Mestrado em Astrologia e me dedicando mais a isso, ele me mandou para a Alemanha para fazer Engenharia. Mas tive que voltar para esta terra e fazer o que gosto.
Os dois riram.
— Professor Dylan! – Ele se virou e viu um aluno – O senhor viu o professor Benjamin?
O astrólogo esticou o pescoço para ver se achava o professor comentado, mas não o encontrou.
— Não sei onde ele está, não, Lewis.
— Tudo bem, então. – O rapaz suspirou – Odeio quando professor cisma em pedir trabalho em eventos.
— Poderia ser pior, caso não valesse ponto.
O trieto concordou entre si.
Lewis era um rapaz forte, moreno e que gostava tanto do Universo, que fez os planetas do Sistema Solar na costela e cintura. Estudava Astronomia, mas também era formado em Nutrição, por ter um legado de nutricionistas na família. Ele parecia bem preocupado em saber onde o Professor Benjamin estava e continuou procurando por ele.
*
— Darwin? – Chamou um de seus amigos de turma.
Darwin Cavendish olhou para o amigo. Estava sentado em um dos bancos preenchendo alguns papéis.
— Fala, Lewis. – Olhou para o moreno.
— Você viu o... – Lewis olhou para o papel e, curioso, mudou de assunto – O que está fazendo?
— Vou palestrar hoje, lembra? Preciso preencher isso aqui e entregar aos organizadores.
— Ah é, você é o cabeça da turma. – Lewis riu.
— Não sou nada disso. Só estudei mais que você--
— E a turma toda. – Interrompeu o moreno.
— Anyway*, — Darwin suspirou – estudei bastante e acabei impressionando os professores. Just it*.
— Ah, claro. – Ironizou Lewis.
— O que você queria comigo mesmo? – Cavendish voltou ao assunto principal.
— Você viu o professor Benjamin? Preciso entregar um trabalho a ele.
— Qual trabalho?
— O do mês passado.
— Are you kidding me*? – Darwin se levantou e colocou os papéis no banco – Você quer ficar para a prova final? Vai caçar o professor, vai! – E empurrou o amigo para frente.
— Só para avisar, — Lewis se equilibrou para não cair – eu estava fazendo isso. Mas valeu pelo “empurrãozinho” para achar o professor.
— Quando precisar de mim é só falar. – Darwin sorriu e voltou a se sentar para terminar de preencher o formulário.
*
Enquanto isso, o Professor Dylan resolveu mostrar um pouco do Observatório ao Joseph. Ou, pelo menos, o que dava para ver.
— Você chegou a ver a zona sul do campus? – Perguntou o astrólogo – É bem mais reservado que essa parte norte.
— Não deu tempo de ver tudo ainda, mas eu sei que tem um Planetário inserido num cone, soube também que a geometria reflete conceitos astronômicos, reflete o céu. Eu achei incrível! Apesar de não ter entendido muito bem o que o rapaz estava explicando...
— É isso mesmo. – O amigo riu – Mas é bem pequeno esse planetário, só suporta oito lugares. Contudo, ficou muito bonito, mesmo sendo antigo. A escadaria é fantástica também, depois dá uma passada lá. Geralmente vão alguns grupos para usufruírem do telescópio para terem uma observação solar.
— Esse lugar é majestoso, né? – Joe parou ao ver um local mais fechado e escuro. Estavam perto do auditório.
— É, meu caro, você está no Observatório Real de Greenwich. E eu sei que você irá mandar muito bem lá em cima. – Dylan apontou para o auditório – Ficarei em uma das primeiras fileiras. Você consegue! – Ele começou a andar de costas e apontou para Joseph – Você verá como sua vida irá mudar depois de hoje, Joe.
— Se eu não gaguejar lá na apresentação, estará tudo ótimo. – O matemático começou a acompanhar o amigo, respirando fundo cada vez que se aproximava.
— Boa tarde. – Disse uma menina que estava de um lado da porta – Qual é o nome do senhor?
Joe olhou para Dylan, que apenas assentiu.
— Vou entrar, O.K.?
O matemático voltou a olhar para a menina e o amigo adentrou o auditório.
— Joseph Mach Geller. – Entregou um crachá para ela.
— Tudo bem, pode entrar. Uma menina lá dentro lhe indicará uma cadeira. – Deu um espaço na porta – E tenha uma boa apresentação.
— Thanks*.
Assim que Joe entrou, Darwin saiu do salão da entrada para chegar ao auditório, mas a multidão o impedia.
Alicia vinha de outra direção com uns amigos. Por estar mais perto, entrou logo no local da palestra. Despediu-se dos amigos e visualizou um lugar vago ao lado de Joseph.
— É só para quem irá palestrar. – Avisou uma menina que coordenava o auditório.
— Mariah, eu sei que você vai me deixar sentar aqui. É o lugar mais privilegiado do auditório, por favorzinho? Pelo carinho que tenho por você. – Alicia uniu as duas palmas e entrelaçou os dedos, como se fosse fazer uma oração.
Mariah negou com a cabeça e deu espaço para a Astróloga passar. Apontou um lugar também reservado.
—Senta logo ali e não se exalte, please*. – Pediu – Senão eu irei levar uma bronca dos professores.
Alicia deu um sorriso travesso e se sentou onde já havia visto. Joe não se ligou ao acontecido, abrira sua mochila e lia alguns trechos que havia escrito.
*
Darwin apressou os passos ao ver uma aglomeração na entrada. Ficou numa pequena fila e, quando teve a oportunidade, foi falar com a menina que estava recebendo as pessoas.
— Aqui. – Entregou o formulário – Irei palestrar também. – Disse um tanto ofegante.
— Ah, sim. – A menina leu o nome – Pode entrar, Darwin Cavendish, uma menina lhe mostrará o seu assento lá dentro. Boa apresentação.
Darwin assentiu e entrou.
Um professor estava entrando na fileira dos palestrantes, mas desistiu ao ver que não tinha algo em seu bolso do jaleco.
— Já volto. – Avisou o professor para a menina que coordenava, na esperança que ela guardasse seu lugar.
Darwin aproveitou a deixa e foi sentar no lugar do professor que havia saído. Por ventura, acabou por sentar ao lado de Alicia.
*
O projetor foi ligado, o silêncio foi instalado e as luzes apagadas. Era o início da palestra.
Três professores estavam de pé, havia pequenos holofotes para eles.
— Agradeço imensamente a presença de todos. – Disse um deles, o Professor Dr. Edward Benjamin.
Aplausos engrandeceram a apresentação do professor.
— Thanks, thanks*. – Agradeceu Benjamin, um senhor de 64 anos, pouco cabelo e fios brancos. Usava óculos, mas os mantinham sempre pendurados na gola de seu terno. Evitava usá-los para poder sempre apreciar o céu com a vista que a perfeição biológica lhe havia concebido – Não achava que depois do concurso internacional Astronomy Photographer of the Year*, em 2012, considerado o nosso Oscar da fotografia astronômica – Alguns alunos e professores riram – eu fosse ver este auditório tão cheio. Isso é bom. Se me permitem um conselho – Olhou para seus colegas – depois visitem o Peter Harrison Planetarium, mas não se esqueçam, rapazes, de convidar aquela menina, para impressiona-la. Não tem como falhar esse encontro debaixo do céu.
Houve uma sinfonia de risadas.
— Estamos aqui hoje, — Agora foi a vez de um dos diretores da organização da palestra, adjunto com os outros dois professores, se apesentar – para dissertarmos acerca de um assunto muito amplo, muito... – O Professor Dr. Vicente Langhi, que leciona Física, Química, Astronomia, Astrofísica e Cosmologia (ele sempre fora curioso sobre certos assuntos e buscou aprender os que mais lhe impressionava), procurou a palavra certa para usar – Enigmático. Pior que qualquer conta de matemática, física ou química, pois não temos um resultado final. É um verdadeiro infinito!
Mais aplausos foram ouvidos harmonicamente. Por último, um convidado especial: o Professor Brasileiro de Astrologia e Astrofísica formado em doutorado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro se divulgou ao público presente.
— Não há como escapar das dúvidas sobre o Universo. Não há como fugir da inevitável pergunta “Como tudo começou?”. Fazemos parte disso. De alguma maneira, por algum motivo, fazemos parte disso. Para nós, que estudamos sobre isso, sobre tudo, chegamos a sonhar em possíveis teorias e sabem por quê? Porque, infelizmente, não passamos disso. Os cientistas não conseguem chegar a uma verdade. Vivemos apenas de teorias. De hipóteses. “E se o Universo surgiu de uma explosão?”. “E se veio de uma divindade?”. “E se...?”. A resposta é improvável. É um mistério que tentamos resolver todo dia em que abrimos nossos olhos. – O professor brasileiro, Dr. Júlio César Canalle, esperou um pouco, pois comentários começaram a surgir por parte dos alunos.
O Professor Dr. Benjamin pediu silêncio e sua voz ecoou no auditório por usar um microfone. Assim que o falatório cessou, o Professor brasileiro deu continuidade:
— Um dia desses, quando estava sem livros para ler aqui em Londres, resolvi entrar em uns sites que andei observando enquanto estava no Brasil. De todas as pesquisas, maravilhosas representações de imagens, feitas pelo Instituto Ciência Hoje (ICH), que é uma organização social de interesse público sem fins lucrativos, vinculada à Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), eu li simples palavras que – O Dr. Canalle gesticulou com as mãos, fazendo um círculo sem encostar as palmas – define a nossa existência. As nossas incertezas. Nossas admirações. Nosso todo. E as simples palavras foram que somos “um Universo pulsante de vida”. Independentemente de qual seja a verdade que nós buscamos. Realizamos. Frustramo-nos. Amamos. Conquistamos. Perdemos. O fato é que nós vivemos!
Todos os alunos e professores aplaudiram. Alguns até se levantaram. Na fileira dos palestrantes, os três: Joseph Mach, Alicia Hayes e Darwin Cavendish levantaram-se ao mesmo tempo; porém, sequer olharam um para o outro.
Sentaram-se quando a palavra foi conduzida ao Professor Dr. Benjamin.
— Deu para aflorar nossas emoções, não foi? Mas quando se trata do assunto “Vida” e “Universo” na mesma frase, meus queridos, estamos perdidos. Porque as dúvidas irão começar a fazer parte de tudo o que pensarmos. Porquês, porquês e mais porquês. Contudo, — Benjamin de uns passos para frente – Não deixamos de buscar um resquício de verdade. E uma já temos: — As luzes dos pequenos holofotes se apagaram e pequenas LEDs enfeitaram o local – Não estamos sozinhos. – Terminou o Professor, de forma majestosa.
As luzinhas representavam as estrelas. O projetor ilustrava o nosso Sistema Solar em alta definição, como se todos ali presente estivessem no próprio espaço sem precisar se proteger da gravidade. Tornaram-se, por um momento, astronautas sem precisarem sair da Terra.
Mesmo lidando com esse tipo de imagem todo dia, por serem alunos e professores e estarem sempre observando o espaço, aquilo foi único. Memorável. Esplêndido.
As luzes novamente foram apagadas e a escuridão se fez parte do local. O professor Dr. Benjamin se posicionou no meio do palco e uma luz foi acesa apenas para ele. Atrás de si tinha uma tela com vários Slides. Não continham tantas palavras, mas, sim, imagens.
A primeira imagem muitos identificaram por ser sobre exoplanetas.
— Estes são planetas que orbitam em uma estrela que não seja o Sol e, desta forma, pertencem a um sistema planetário distinto do nosso... – O Dr. Professor Benjamin não reteu explicações, tendo perguntas ao fim de sua fala, até mesmo debates da criação dessas maravilhas por um Ser que delegou ao homem a possibilidade de fazer descobertas excepcionais. O organizador pediu para que o Professor não se prolongasse no assunto, apesar de o mesmo gostar muito desta discussão.
— Daremos agora a oportunidade para um aluno que está se destacando em sua universidade. Escolhido pelo professor e tendo unanimidade pelos alunos, recebam com carinho Darwin Cavendish!
Aplausos e gritos, principalmente de seus colegas, tomaram o auditório. Darwin subiu no palco da palestra acenando para o público e cumprimentando os professores que ali estavam. Ligou seus slides e começou a tratar das novas descobertas das supernovas, as quais foram explicadas de formas dinâmica e divertida, ele acrescentou a recente descoberta em 2014, da Messier 82, a mais próxima da Terra dos últimos anos, em que no dia 21 de janeiro foi a primeira vez que astrônomos viram a supernova e, no dia 23 de janeiro, quando tiveram uma imagem na University College London (UCL).
— O legal disso tudo é que essa supernova foi a primeira, podendo assim dizer, que vimos depois da supernova de 1987! Ela foi localizada a aproximadamente 12 milhões de anos-luz de distância daqui. – Apresentou no slide uma animação – Para alguns que já estudaram isso, é algo fantástico, porque é “próximo” de nós, considerando outras estrelas e galáxias. Para quem ainda não estudou, pode ficar impressionado, isso não irá nos decepcionar, porque, ainda assim, é ano-luz pra caramba. – Ele riu – Ela pôde ser vista com binóculos, pois foi em direção a Constelação da Ursa Maior, visível para nós, principalmente no Hemisfério Norte. Foi à noite, então quem estava ocupado com a namorada, não pôde presenciar.
Risadas e murmúrios por parte do público.
— Esse evento foi dito como “Surreal”. E foi uma pulsão para estudos mais elaborados para se encontrar respostas que ainda eram improváveis de se ter. O telescópio Hubble também capturou o evento. – Darwin mudou o slide, mostrando a gravura – Essas são algumas... Digo – Darwin deu uma risada e olhou para o professor Benjamin, que esboçou um sorriso – A única das imagens detalhadas que consegui da Galáxia do Charuto antes da estrela explodir e virar a supernova.
Colocou em outro slide com animação de uma explosão de uma estrela, para exemplificar.
Também não poupou vozes para falar sobre o gigantesco telescópio Keck, no Havaí, e como, graças a esses telescópios, nossa visão sobre o Universo mudou radicalmente. Imagens do telescópio encantou o público.
— Imaginem Galileu com um desses, o que ele não teria visto? — Concluiu Darwin, brincando e arrancando gargalhadas do público.
Finalizaram com Joseph.
O matemático já havia deixado de lado o nervosismo, até que seu nome fora citado. Olhou para Dylan, que estava próximo. O amigo fez um sinal positivo e Joe se levantou. Fora aplaudido depois que anunciaram sua trajetória.
— É um prazer estar aqui para falar, de forma mais matemática, da nossa visão cósmica universal. Aproveitarei o gancho do britânico... — Alguns riram, por Joe ser americano — E darei início... — Olhou para a grande tela que mostrava seu slide — Mas hoje não ficarei ao lado de Galileu ao dizer que “a matemática é o alfabeto com qual Deus escreveu o universo”. Convenhamos que nesse tempo a presença de um Ser Supremo era bastante propício do que nos dias de hoje, no qual agradeço a ciência por ter se desprendido de tais argumentações. Mas estarei, claro, ao lado do grande Descartes ao citar que "a Matemática apresenta invenções tão sutis que poderão servir não só para satisfazer os curiosos como, também para auxiliar as artes e poupar trabalho aos homens."
Alguns ali presentes concordaram com o matemático, por terem a mesma visão.
Joe começou ainda tímido, mas ao falar de Aristóteles, já se encontrava em casa, levou o público a viajar pela história, contou os notórios de Aristóteles, “afirmando que a matemática não poderia explicar os “corpos naturais” exaustivamente, nem preponderantemente”
Engajado na apresentação, não poupou sua fala quando se tratava de operações matemáticas para descobertas universais, falou da matemática embutida na gravidade, aproveitou para sobrepor alguns números em relação aos exoplanetas e supernovas e encerrou com humor.
— O mundo, o qual vivemos, é um enigma desde o céu até seu núcleo. Para um estudante de física, é um mistério que dá gosto de fazer cálculos matemáticos e fórmulas em quadros negros, com giz arranhando. – Alguns riram — É... Eu vi o filme de Stephen Hawking. — Agora o público todo riu, ao entender.
Retirou-se sendo aplaudido.
Os professores, que deram início, voltaram para a posição no palco e mostraram um vídeo feito por professores de vários campus com duração de seis minutos.
Aplaudiram de pé o encerramento.
Fale com o autor