Notas iniciais
Uh, eu nunca sei o que falar nesses coisinhas... bem, esse é o primeiro capítulo, ele é no ponto de vista da Glória. Espero que gostem.

- Não aguento mais isso. — disse para mim mesma, desligando a televisão.

Não vejo o objetivo do horário político. Estão todos mentindo mesmo.

Bem, eu me chamo Gloria. Não que isso seja muito importante, mas se você está lendo isso provavelmente está interessado em minha história. Eu tenho 22 anos e moro em um pequeno apartamento no centro de São Francisco. Moro sozinha desde que saí da faculdade. Desisti no terceiro período de engenharia. Não era exatamente o que eu queria para minha vida. Eu gostaria de fazer a diferença, sabe. Fazer algo importante. Sei que poderia ter começando uma importante carreira como arquiteta e blá blá blá, mas isso não me interessa. Não é o que me deixa feliz. Para falar a verdade, só entrei na faculdade porque era o sonho de minha mãe. Ela teve uma péssima infância, e quando adolescente fugiu de casa, passando a trabalhar como garçonete. Meu pai tinha uma grande empresa de automóveis e a contratou para supervisionar os gastos. Adora fazer contas, minha mãe. Seu sonho era se tornar uma arquiteta, e para agrada-la, fiz engenharia. Enfim, como não sei o que fazer, trabalho como ajudante de cozinha, em um pequeno restaurante. Eu realmente sou horrível em culinária, então só lavo os pratos. Rezo por aqueles que um dia provaram da minha comida.

Ok, acho que já falei demais.

Depois daquela enrolação do horário político na TV, resolvi esticar um pouco as pernas. Nem sei por que comecei a ver essa coisa, afinal de contas. Acho que só estava me sentindo na obrigação de ser uma cidadã americana exemplar. Falhei.

- Fique aí, Zero. — disse para o meu gato. Daria no mesmo eu ter falado com a porta.

Eu sei que pareço uma solteirona amargurada que coleciona gatos, mas eu particularmente não gosto de felinos. Zero é muito velho, mas mesmo assim é um dos poucos presentes que ainda restam do meu pai. Sabe, antes de… bem, não quero falar sobre isso. Outra dia, talvez.

Saí do apartamento e tranquei a porta. Logo pude ouvir Zero arranhando o sofá do outro lado.

- Pestinha — murmurei, rindo comigo mesma.

Passei pela frente do apartamento 124 e evitei olhar para o olho mágico. Sabia que a Sra. Fogg estaria me encarando com o rosto colado na porta. Aquela velha me odiava. Só bastava passar para ouvir os bufos do outro lado. E isso quando eu vinha sozinha. Era só andar com um cara que ouvia-se claramente ela resmungando sobre a juventude de hoje em dia.

Saí do prédio e parei em frente à portaria, tentando decidir para onde ia. Como estava muito calor, resolvi que iria ao Crabapel, uma loja de raspadinhas que tinha perto do meu apartamento.

Estava descendo a rua quando vi um rapaz debruçado sobre o capô de um carro. Ele parecia estar tendo dificuldade. Como sou muito intrometida, me dirigi a ele.

- Ahn… você gostaria de uma ajuda?

Ele se levantou e limpou uma gota de suor que escorria por sua testa com as costas da mão.. Estava vestido com uma blusa lisa branca (tenho que admitir, realçava seus músculos), calças jeans pretas e um all star também preto. Ele tinha o cabelo bagunçado caindo pelos olhos. Seu rosto e mãos estava sujos de graxa.

- Uh, você sabe consertar motores? — ele disse. Pergunta idiota. Claro que sei concertar motores. Por que me ofereceria se não soubesse? Dãã.

Tomei a chave de fenda que havia em sua mão e o empurrei levemente pelo peito. Analisei o motor e de imediato percebi que a mangueira estava meio solta. A prendi com mais firmeza e, voilá, pronto.

- Teste agora. — do jeito que falei soou meio autoritário, mesmo que não fosse essa a minha intenção.

O rapaz não contestou. Simplesmente foi até o carro e girou a chave pela janela, vindo logo em seguida aquele conhecido ronronar do motor.

- Wow. Obrigado. — ele disse, olhando para mim.

- Não há de que. — repondi. — É um belo carro. — disse, abrindo um pequeno sorriso.

O rapaz dirigia um Chevy Impala SS 1967 preto. Vamos dizer que eu entendo que carros.

- Obrigado. Vi que estavam leiloando-o e tive que compra-lo. Mas, bem, como você pode ver, tenho tido alguns defeitos no motor. — ele disse. Indicando a frente do carro com a mão, perguntou — O que você fez ali? Sabe, para referencias futuras.

- Foi só dar uma apertada na mangueira. Nada de complicado. — respondi, dando de ombros.

- Ah… bem, obrigado.

Ele ficou me encarando com seus olhos negros brilhantes. Isso me trouxe de volta a realidade: o que eu estava fazendo, conversando com um completo estranho na rua?

- Bem, eu já vou indo. Boa sorte com o carro. — disse, me virando e começando a andar.

- Espere! — ele gritou. — Será que poderia saber o seu nome?

O analisei. Não haveria problemas se ele soubesse meu nome. Haveria?

Olhei para trás e dei um sorriso.

- Gloria. — respondi.

- Prazer, Gloria. Sou Christian.

- Te vejo por aí. Christian. — virei-me novamente e continuei a andar.

Pelo barulho de porta se fechando, supus que ele havia entrado no carro. Me permiti dar uma última olhada para trás, e observei Christian virar a chave. Seus olhos se encontraram com os meus e eu os desviei, rapidamente.

Te vejo por aí. Christian.

Notas finais
E então, mereço reviews? Mesmo se a resposta for "não", deixem reviews ^^